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No dia 6 de abril de 2007, começou o Iron Butt Saddle Sore, com largada em Bento Gonçalves/RS. Confira o relato enviado por Alexandre Sampaio, que realizou a prova. Parte III
1h de sábado, de volta ao Posto próximo ao trevo para o Chuí, marcado nos mapas como Quinta, abasteço novamente, como mais 2 barras de cereais e sigo pela estrada.
Chegando próximo ao trevo de Pelotas a dúvida cruel se aproxima, seria tão fácil seguir em direção a Bento e encerrar junto com os outros o percurso do Saddle Sore 1600 K, pois o cansaço começa a apertar, e a noite ainda vai longe.
Mas, vou tentar, o pior que pode acontecer é não conseguir, sigo firme em direção a Bagé.
Vou avançando pela BR 293, Capão do Leão, Alto Alegre, Pinheiro Machado, e as condições da estrada vão piorando, ao contrário das rodovias que passamos antes, a BR 293 não têm sinalização horizontal, a tinta está sumindo, nem olhos de gato ou qualquer sistema de orientação luminosa, além de buracos e remendos, já são mais de 2:00 da madrugada.
Meu juízo começa a lembrar-me que nada justifica esta situação insegura que só ia piorando com o avanço pela estrada, pois tinha notícias dos colegas de Santana do Livramento que a estrada não estava nada boa, além de uma passagem por ali em 2.004, pude perceber que nestes 3 anos só fizeram remendos.
Junta-se o problema que neste horário o ciclo circadiano, começa a cobrar o ritmo dos hormônios e do sono.
Passando por Pinheiro Machado tomo a decisão de parar e aguardar a luz do dia, encontro a beira da estrada o Hotel Ritz, autêntico hotelzinho gaudério, simples e limpo, aciono a campainha e um senhor de feições alemãs me atende, eram 3h da madrugada, R$ 25,00 por um quarto.
Encosto a moto, lubrifico a corrente, tiro as botas e desligo.
O despertador toca as 5h30min , parece que tinham passados 5 minutos do momento em que deitei, toca de novo as 5h40min, levanto, visto as botas, a jaqueta, acordo de novo o proprietário, para que abra.
O dia vem clareando de leve no horizonte, ainda não é 6h, e sigo com cuidado até que fique um pouco mais claro o dia, 6h30min já dá para ver bem a estrada, e apesar dos buracos volta a andar forte.
Apesar do GPS registrar a maior parte da viagem, algumas vezes ele se desligou por falta de bateria e principalmente pela buraqueira, que fazia a moto vibrar muito, até eu perceber e religar, alguns trechos foram perdidos, mas mesmo assim ficou um interessante registro, que pode ajudar outros viajantes.
Com o breve repouso, meu ciclo circadiano voltou ao normal e zero meu déficit de hormônios.
No abastecimento em Dom Pedrito, o tempo não está legal, indicando chuva, meu plano é seguir até Uruguaiana, mas já tinha pesquisado na Internet, que havia previsão de 30 mm de chuva para a região, enquanto que a depressão central e serra marcava apenas chuvas esparsas.
Vou avançando em direção a Santana do Livramento, e do alto das coxilhas percebo o maciço de nuvens e a chuva farta, na direção de Uruguaina, no trevo da BR 293 com a BR 158 tenho que decidir. A chuva com certeza iria me atrasar muito, além de tornar a pilotagem muito perigosa.
Tinha os amigos me esperando na entrada de Santa do Livramento, mas decidi seguir em direção a Rosário do Sul, na direção do tempo bom, desculpe aos colegas que estavam me esperando desde as 5h da manhã, mas viagem tem desta coisas, as vezes é preciso trocar de estrada e fazer desvios para atingir os objetivos.
Continua...
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Bento Gonçalves-RS-Brasil Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Daniela Silveira Farias Date: 17/04/2007
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