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Entre dezembro de 2006 a janeiro de 2007,Junio Cesar realizou sua viajem de moto, saindo de Piracicaba/SP e passando por sete estados brasileiros. Confira o relato.
Com o final do ano de 2006 se aproximando e a saudades da família, que está a mais de 2 mil quilômetros, aumentando, tratei logo de botar a Honda NX 350 Sahara na estrada para fazer um tour pelo Brasil. Logicamente, com uma passadinha na casa de meus pais.
Saindo de Piracicaba no dia 17 de dezembro de 2006, peguei a Rio-Santos e fui curtindo uma paisagem maravilhosa. Com curvas e mais curvas, hora margeando o mar, hora entre árvores ou escavações na pedra. Depois de uma tarde inteira de viagem, cheguei a Mangaratiba, onde encontrei os primeiros integrantes do nosso moto grupo, os Sahara Maníacos do Brasil. Douglas e Henrique me esperavam tomando um sorvetinho. Após arrumar um pneu furado que me atormentava a vida desde a Rodovia D. Pedro I, rumamos os três debaixo de chuva sentido Campo Grande/RJ.
Após um pequeno tour por Campo Grande, fizemos uma paradinha no apartamento do Douglas. A programação indicava um churrasco na casa de outro membro do grupo, diga-se de passagem, um vegetariano, Jotace. Enquanto comia uma carne suculenta e tomava uma Skol geladinha, alguns maníacos trocavam o reparo no meu carburador.
No dia seguinte saímos cedinho. Henrique e eu para fazer um "city tour" por Bangu e Campo Grande. Rodamos a manhã toda. No final da tarde rumamos todos, pelo menos umas 15 "saharas". Todos para o encontro duas rodas no SDU. Lá pude fazer novos amigos e rever os velhos, tudo muito bom. No domingão, "rango" gostoso na casa de outros maníacos, desta vez do Fábio e da Paty. Estômago forrado foi a vez de uma subida com todos os amigos para visitar o Cristo Redentor.
Fábio e Paty, meus fiéis escudeiros, me levaram para ver algo que eu cultivava um verme a muito tempo. Finalmente lá estava eu, aos pés do Cristo Redentor e com aquela vista maravilhosa. No Cristo, vi um dos mais lindos pôr-do-sol. Depois, à noitinha, após uma descida dentro da floresta, fui para o apê do Fábio, onde pude ver a coleção de troféus de encontros moto ciclísticos que ele tem. Na segundona, o jeito foi novamente cair na estrada rumo a Belo Horizonte. Encontrei uma réplica muito legal do 14 Bis pelo caminho. Em Belo Horizonte fui conhecer a lagoa da Pampulha e a capelinha que tem às margens da mesma.
Após um pernoite em Sete Lagoas, 70 km a frente de BH, peguei a BR 040 sentido Brasília. Lá em Brasília, a programação era conhecer mais um "sahara" maníaco, o Dalton e sua esposa Cibele. Conversamos, passeamos, mexemos nas motos, almoçamos, brinquei com os adoráveis cachorros do casal e rodamos pelo plano piloto. Fomos conhecer a nova ponte sobre o lago sul. Dormi e no dia seguinte, peguei a estrada sentido Goiânia.
Estando em Goiânia, qualquer coisa que você precisar vá à Avenida Anhanguera. Lá tem de tudo. Inclusive 3 revendas autorizadas Honda. Visitei o teatro da cidade e ainda uma feira de carros tunados. Deixei Goiânia para trás no dia seguinte e peguei o trecho sentido Barra das Garças. Rodei o dia todo sem qualquer incidente, a não ser os buracos na estrada. E como tinham buracos naquela estrada.
A buraqueira na estrada atrasou a minha viagem. Tive que pernoitar em General Carneiro. Para compensar, acordei no dia seguinte bem cedinho para tocar viagem novamente. No caminho, passei por Primavera do Leste, onde a paisagem é exclusivamente plantação de soja. Cheguei a Cuiabá às 13h deste mesmo dia. Visitei parentes e tirei algumas fotos. Dormi bastante, pois estava na estrada há sete dias.
Se a viagem vinha maravilhosamente bem até então, não foi assim no dia seguinte. Foi um sábado terrível. Saindo de Cuiabá, sentido Cáceres, após rodar cerca de 100 km, a minha corrente VAZ reforçada com retentores quebrou um elo. Nem tanto culpa da corrente, e sim de um mecânico incompetente que não colocou a trava adequadamente. Empurrei a moto por várias horas, pois não adiantava mexer, só tirando o elo estourado, e não tinha como fazer isso na estrada.
Após muito empurrar a moto, cheguei a um posto de gasolina chamado 120, onde consegui arrumar a corrente. Só aí percebi que tinha empurrado a moto quase 20 quilômetros. A programação era chegar na casa de meus pais para o jantar. Entretanto, já eram 22 horas e eu estava a mais de 150 km de casa. Resolvi enrolar o cabo. Visto que já conhecia muito bem a estrada.
Mas a sorte não estava do meu lado. Bati em um buraco de uns 20cm de profundidade no asfalto a uns 120km/h. Entortei as duas rodas, quase fui ao chão. Se estivesse em uma moto "street" ou uma "custom", teria caído feio. Sorte gostar de uma moto "ON/OFF". Finalmente, natal e festividades de ano novo em família. Pude então conhecer o meu sobrinho lindo que tinha nascido no primeiro semestre de 2006.
A virada do ano foi dentro de um táxi.
Passada as festas de final de ano, agora acompanhado da namorada, arrumamos os pertences no bauleto e alforjes e rumamos para o sul. Primeiro paramos em Cáceres, minha cidade natal, para um almoço em um restaurante flutuante. Depois de degustar um peixe maravilhoso, pegamos estrada mais do que depressa. Nosso destino era Foz do Iguaçu e precisávamos de dois dias para chegar lá. Rodamos o dia todo, inclusive pela rodovia mais perigosa do MS, a BR 163, onde tiramos várias fotos.
Após um dia inteiro em cima da moto, pernoitamos a cerca de 150km de Campo Grande. Aonde chegamos na manhã do dia seguinte. Fizemos amigos, turismo e depois do "rango" na Cantina Romana, pé na estrada para conhecer mais dois integrantes dos "sahara" maníacos, o Big e a Dalis. Desta vez em Dourados, a cerca de quase 200km adiante.
Após uma agradável recepção em Dourados, foi hora de dar uma revisada na "sahara". Troca de óleo, de filtro, limpeza aqui e ali, tanque cheio e novamente tudo pronto para mais estrada. Antes, fotos com as Luluzinhas e com o Big. Agora estávamos rodando sentido Itaquirai, visitar outro maníaco, o Pastor Eduardo. O atrativo desse percurso foram os trevos decorados com animais do Pantanal Mato-grossense.
Foi mais um dia maravilhoso, com mais amigos na bagagem e uma boa recepção em Itaquirai. Teve macarronada e escolta até a divisa do estado, em Guaira. O percurso de Itaquiraí até Foz foi um dos trechos mais agradáveis de toda a viagem. Várias cidadezinhas, paisagens, estradas com muitas árvores. Pena não ter mais tempo para viajar com mais calma.
Chegamos a Fóz do Iguaçu por volta das 21h30min. Dormimos e programamos o final de semana. No dia seguinte cruzamos a ponte da Amizade e fomos conhecer as lojas do Paraguai. Depois do rango, fomos conhecer o marco das 3 fronteiras (Brasil, Paraguai e Argentina).
Depois foi a vez de visitamos o Parque de Foz do Iguaçu, primeiro o lado argentino. Tudo muito bem cuidado, tudo muito limpo, gostoso de se ver, bem diferente do lado brasileiro. Andamos uma trilha de 1km "no pezão" e depois pegamos o trenzinho pra garganta "del diablo", que é onde começa as cataratas. Depois do trem tem mais uma trilha sobre passarelas de 1,6km.
Uma passadinha em "Porto Iguaçu", na Argentina, para abastecer 20,3 litros com R$38,00. Que alegria! O duro foi ficar meia hora na fila para conseguir encher o tanque.
Depois do rango, mais cataratas, agora do lado brasileiro. Como tem muito mais água do lado Argentino, a nossa vista é muito mais bonita e prazerosa. Para quem não sabe, o lado brasileiro pertencia a Alberto Santos Dumont, ele achou que aquela área era muito bonita para ser uma propriedade particular e fez uma doação. Grande homem, não!?!
Depois das cataratas fomos visitar rapidamente o parque das aves, o maior da América Latina. Pagamos R$12,00 por pessoa para entrar. Tem praticamente todos os tipos de ave que você pensar. No final do passeio conseguimos entrar em um viveiro cheio de araras.
Finalmente 80% da viagem estava feita. Agora, nosso destino era conhecer as Usinas Bi-nacional e Itaipu e retornar a Piracicaba-SP. Após descobrir que havíamos sido furtados no quarto de hotel e várias horas perdidas na delegacia, fomos visitar a hidroelétrica. Depois retornamos a estrada, pois 998km nos separavam de Piracicaba.
Não é a toa que Itaipu é uma das 7 maravilhas do mundo moderno. Existem três tipos de passeios. Um de 1 hora de ônibus (grátis) e conhece-se apenas externamente. Outro de 1 hora e meia, também na faixa, e conhece-se além da usina o parque. Outro que custa R$ 30,00 por pessoa, dura 2 horas e se conhece a usina por dentro.
Uma vez conhecida a usina pegamos estrada. Agora sentido São Paulo. Cortando todo o estado do Paraná. Cruzamos o Paraná inteiro e ficamos horrorizados com o preço e quantidade de pedágios. Para um trecho de cerca de 650km, pagamos nada mais nada menos que 11 pedágios, cerca de R$ 47,00. Eu achei um absurdo pagar R$ 4,80 no último, antes de chegar em São Paulo.
Após um pernoite em Campo Mourão, chegamos na terça-feira à tarde de volta a Piracicaba, 25 dias depois da minha partida. Foram quase 7.500 quilômetros rodados, centenas de fotos, vários minutos de vídeos e muitas histórias para contar.
Agradecimentos ao meu moto grupo, os sahara maníacos do Brasil, pela acolhida por onde passei. O relato completo desta emocionante viagem está disponível no site http://www.saharamaniacos.com.br , mais precisamente neste endereço http://www.saharamaniacos.com.br/phpBB2/viewtopic.php?t=1060
Grande abraço a todos.
Fonte:
Junio Cesar Martinez Cidade:
Piracicaba-SP-Brasil Fotos: Junio Cesar Martinez Publicado: Debora Americo da Silva Date: 14/05/2007
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