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Expedição de caiaque oceanico "Solo", durante 3 dias, Nilton Zerlin remou 152 Km nos Rios Piraicaba e Tietê, pode constatar as mudanças sócio-ambientais em relaçao a outra viagem realizada por ele nesses rios em 1991.Veja relato da aventura.
No dia 22 de abril de 2007, o canoísta Nilton Zerlin 37 anos, partiu da cidade de Piracicaba, na Rua do Porto, rumo a Barra Bonita a bordo de um caiaque oceânico.
No dia 22/04, o canoísta Nilton Zerlin 37 anos, partiu da cidade de Piracicaba, na Rua do Porto, rumo a Barra Bonita a bordo de um caiaque oceânico. O percurso de 152 km percorridos sozinho em três dias não assustou o canoísta experiente que pratica a canoagem há mais de 20 anos e já realizou várias viagens e travessias de caiaque por vários rios e estuários Paulistas, sempre com forte conotação sócio-ambiental, cultural e turística.
Zerlin é técnico formado pela CBCa (confederação Brasileira de Canoagem) desde 92, é empresário e instrutor no segmento de turismo de aventura (canionismo, cachoeirismo e canoagem de travessias). Atualmente atua como consultor técnico e instrutor de canoagem junto ao Projeto Navega São Paulo, Núcleo de Barra Bonita criado por Lars Grael.
A baixo segue um relato pessoal de sua jornada.
1º Dia de expedição
Lá estava eu às 15h30min, exatamente quatro horas depois da partida da cidade de Piracicaba, parecendo que fazia dias que havia me despedido dos amigos, da esposa e do conforto da civilização, me sentindo só, sentado em um caiaque com quase 60 kg de materiais, sem ter descido do barco uma única vez, com os raios solares refletindo na água aumentando a sensação de calor, com uma temperatura por volta dos 42 Graus; perguntei-me; "O que eu estava fazendo ali. E pra que?".
Foi aí que me lembrei o porquê de estar ali e era isso que estava buscando; testar meus limites físicos, psicológicos e logísticos, saber realmente o quão pronto estava, se um ano de treinamento e preparo físico foram suficientes, se a embarcação era tudo aquilo que eu esperava, se os equipamentos seriam suficientes, se errara em algo na logística, se... se..., vários questionamentos.
Essa viajem era na realidade um "teste" para minha expedição de caiaque que será realizada na segunda quinzena de Julho deste ano, que partirá da cidade de Tietê até a foz do rio homônimo, chegando a Itapura. Serão 800 km de rio remados e percorridos em 30 dias, onde será feito um levantamento sócio ambiental, cultural e turístico dos pontos percorridos, mostrará as festas culturais realizadas no médio Tietê, e também exaltará a importância da hidrovia, das bacias hidrográficas e das hidroelétricas.
Contará com um site onde toda a viagem poderá ser acompanhada pela internet em tempo real, fotos textos e até vídeos. O material vídeo/fotográfico servirá para trabalhos posteriores de educação ambiental pelas cidades onde a expedição passará. Foi firmado contrato de intenções para um pós-projeto de educação, bem como a doação de todo material adquirido através de apoio governamental ou privado para realização da viagem para ONG MÃE natureza de Barra Bonita.
O projeto é muito elaborado e profissional e já conta com Patrocínio da IMAGEM VIVA, que está entrando com todo material de divulgação na parte visual e gráfica; ONG MAE Natureza, através de parceria com a criação e execução de projetos pela competente bióloga Giseli Marconatto e do incansável defensor do "nosso" lendário Tietê, Helio Palmesan; Ygará Brasil (fabricante de caiaques e remos) através do Mauro e Fernando, idealistas, profissionais e apaixonados pelo que fazem e ainda fantásticos seres humanos.
Apoio ainda da Marinha do Brasil, através da Capitania Fluvial Tietê Paraná e seu comandante; Marina da Barra, através de Ivan Pinheiro Machado, empresário e entusiasta dos esportes náuticos em nossa região; Redes Kampa; Prefeitura e departamento municipal de esportes de Barra Bonita; GAIA-Expedições, do "cumpadre" Marcelo Fuzinato; roupas By, através da sensibilidade de Alessandra; e aguardando respostas de mais empresas do segmento de esportes de aventura como: Empório aventura; arco e flecha; canoe; curtlo; AES- concessionária das hidroelétricas do Tietê; e Sabesp.
Lembrando-me então de tudo isso e de quantas pessoas já estavam apoiando e envolvidas com meu projeto. Sabendo a importância das palavras "parceria" e "convicção", redobrei as forças para continuar remando na certeza de que estava no "rumo certo", e que tinha certeza do porque estar ali.
Com minhas remadas e o profissionalismo da Ygará Brasil, fabricante do remo de carbono e do Caiaque Oceânico Xavante desenvolvia a velocidade de 11 km/h, isso nas últimas três horas de remada. Era a força da convicção que nasce da certeza de nossos ideais que impulsionaram os remos, aliada à vontade de chegar antes do entardecer para comer, acampar e descansar.
Coisas engraçadas acontecem. Ao longo do rio cruzava com pequenas embarcações a motor e pescadores muito prestativos, ao perguntar de onde vinha e aonde iria, se assustavam e queriam até me rebocar. Teve o caso de um pescador que ao ouvir até onde eu remaria, mais que depressa me jogou uma corda e disse que eu era louco, "amarra no seu treco ai qui eu puxo". No meu brio de canoísta logicamente recusava agradecido, sobre as mais pessimistas previsões e dos conselhos de que nunca chegaria ao ponto onde queria antes das nove da noite. Outro já dizia que demoraria mais de seis horas, mas como tinha a previsão e a velocidade da embarcação, continuei convicto de meu propósito de acampar no Tanquã. Mas foi só ao anoitecer, exatamente às 18h25min, que parei meu caiaque nas margens de um porto de areia a dois quilômetros do ponto onde pretendia pernoitar. Estava praticamente escuro.
O Tanquã é um imenso pantanal, o rio vem estreito e toma forma de represa nesse ponto. Ele fica com cerca de três quilômetros de largura, e mais de nove km de extensão, repleto de vegetações flutuantes formando corixos que até os pescadores mais experientes não se atrevem a enfrentar-lo à noite.
Foi por sorte achar seu "Pernambuco", responsável pelo porto de areia"Areia Branca", nas margens do Piracicaba, que me persuadiu a não remar a noite no tanquã.
O bom homem me permitiu montar a barraca nas proximidades do porto de areia, exausto, com fome e com uma legião de pernilongos me comendo vivo, aceitei. Para sair do barco foi bem trabalhoso, pois as margens são profundas, nada de praias. O local era complicado para retirar o caiaque e todos os seus 60 kg de mantimentos da água, mas os pernilongos me deram um incentivo. Aliás, quero fazer aqui um adendo aos pernilongos: mesmo sendo o pior horário para acampar e estando bem acostumado a pernilongos, pois remo sempre à noite em meus treinos, nunca mais ando sem repelentes! Com certeza o local é o "Mc Donald's" deles e eu era o Big Mac.
A noite estava maravilhosa, revelando um céu iluminado pelas estrelas e por uma lua no quarto crescente que me permitia enxergar sem o uso de minha lanterna de cabeça. Às nove horas estava alimentado, dentro da barraca e sonhando com o próximo dia de remada. Porém acordei às duas da manhã com muito frio, pois a barraca estava sem o toldo, levantei, a cobri. Preparei e tomei um caldo quente para me aquecer, observei o céu e a lua havia sumido no horizonte, as estrelas estavam mais impressionantes ainda. Imagens como essas não saem da mente mesmo depois de vários anos.
Fonte:
Nilton Zerlin Cidade:
Barra Bonita-SP-Brasil Fotos: Nilton Zerlin Publicado: Gabriela Aile Fernandes da Silva Date: 14/05/2007
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