Voltar Inema SISNEMA Informatica Sites Pessoais Busca Agenda Proxima Semana English Version
Menu INEMA
.
Evento
6778
.
Incluir na PP
 
Expedição Barra Bonita Piracicaba - 2º Dia

Expedição de caiaque oceanico "Solo", Nilton Zerlin remou 152 Km nos Rios Piraicaba e Tietê, pode constatar as mudanças sócio-ambientais em relaçao a outra viagem realizada por ele nesses rios em 1991. Confira o 2º dia desta aventura.

2º Dia de expedição: Logo de manhã, às 05h30min, estava de pé preparando meu café depois de um sono reparador. Desmontei acampamento e fui arrumando tudo para partida do segundo dia de minha viagem. Uma forte neblina me segurou um pouco mais naquele local, e a partida foi as 09h30min, pois esperei um bom sol para secar alguns materiais do pernoite. Enquanto arrumava "minhas tralhas", seu Pernambuco veio ver como eu estava. Com um forte sotaque ele me disse: "Cheguei onti di noite pra vê si ocê tava percisando de arguma coisa, mais ce tava drumino e roncanu minino!". Muito prestativo à noite veio ver se estava tudo bem comigo.

Vale ressaltar que ele mora em uma pequena vila a cerca de 3 km das margens do rio, e descobri na conversa, em uma pergunta que fiz a ele, o que seria um barulho de motor que ouvia ao longe, e que acabou embalando meu sono.

Aí veio a resposta: era um grupo gerador que alimentava a pequena vila de Areia Branca. Essa vila ainda não possui luz elétrica, lembrando que eu estava realizando uma viagem no centro do estado mais desenvolvido do país.

A partida foi tranqüila e com algumas remadas pude avistar os "labirintos" do Tanquã. Lembrando as despedidas calorosas e as informações de seu Pernambuco e dos experientes comandantes das embarcações de extração de areia, fui atravessando aquele emaranhado de vegetação, local perigoso para navegação, porém muito lindo e com uma concentração de aves aquáticas impressionante.

Existem épocas do ano em que podem ser vistas as migrações de colhereiros, cabeças secas, e até tuiuiús, oriundos do oeste do nosso país. Pude constatar a existência dessas aves nessas regiões entre 199 1 e 1998, em várias remadas e viagens pelos rios Tietê e Piracicaba. Saindo do Tanquã enfrentei uma grande concentração de aguapé-mirim, vegetação pequena e flutuante que pode tomar toda uma represa, como a de Barra Bonita.

As 12h00min parei meu caiaque as margens do condômino Tamanduá, bem na rampa de barcos. Preparei ali um delicioso almoço: macarrão instantâneo com legumes em conserva e purê de batatas desidratado, um verdadeiro almoço de "domingo", mesmo sendo uma segunda-feira. Tentei compensar o almoço que não pude realizar no dia anterior e comi muito bem.

Conheci um jovem casal com mais de 60 anos, simpáticos e prestativos, Dona Aninha e seu "Robertão" que me deram sua atenção e um pouco de água geladinha de seu garrafão térmico. Minhas provisões de alimentação eram para dez dias de viagem, não que eu seja um glutão e sim para testar a autonomia de carga da embarcação. As provisões de água teriam que ser repostas de dois em dois dias. O casal havia me perguntado sobre como eu conseguia água e respondi que era com as pessoas à margem do rio. Dona Aninha me disse para aguardar que me traria mais água, respondi que não seria necessário, pois partiria logo para chegar logo e que no local de meu pernoite daquele dia, teria como reabastecer meus reservatórios. Ela insistiu e disse que traria e se não estivesse mais ali pegaria o barco e levaria água pra mim no rio.

Acabei o almoço e resolvi partir em seguida, pois queria chegar a meu destino ainda bem cedo. Sai pensando na bondade do casal e me sentindo mal por sair sem vê-los novamente. Para minha surpresa quase duas horas depois e 16Km remados, estou no meio da represa e ouço o ruído de um motor de popa e avisto uma pequena embarcação que se aproximava. Para minha surpresa e grande emoção eram a "mãe Aninha" e seu marido "Robertão" . Dona Aninha já gritou: "Você deve ter um motor ai escondido", seguido de um grande sorriso.

Traziam-me alimentos, duas garrafas de água congeladas, frutas e até um delicioso doce de abóbora caseiro. Emocionado pelo gesto, perguntei o porquê de pegar um barco a motor e navegar os 16 km que no separavam e se preocupar em trazer aquela generosa e bem vinda oferta a um estranho. Ela me disse então: "Porque se eu tivesse um filho realizando uma viagem como essa alguém faria o mesmo por ele".

Com a emoção e os olhos mareados me despedi dos dois refletindo sobre a bondade e solidariedade vinda na maioria das vezes de pessoas mais simples e fraternas. Nunca os esquecerei!

A emoção só estaria começando, pois meu destino de pernoite era as margens do condomínio "Três Rios", local onde passei grande parte de minha infância. Foi lá que iniciei minhas primeiras remadas em um velho regata de madeira, ou sandolim como costumamos chamar por aqui. Foi aí que nasceu a paixão pela canoagem e o amor pela natureza. Pena que poucas crianças podem ter o privilégio de vivenciar isso.

Daí tamanha a importância de projetos como o Navega São Paulo, criado por Lars Grael, que proporcionam essas experiências a crianças carentes da rede púbica de ensino. Como educador e instrutor presencio diariamente esses conceitos nascerem e se enraízam nas crianças através da pratica náutica. Que bom que posso passar um pouco de meus conhecimentos e ideais, contribuindo assim para educação e formação de nossos jovens. As 16:00 horas estava aportando em frente a antiga casa onde passei grande parte de minha vida.

Revi as arvores que havia plantado quando criança nas margens da represa, e pude constatar que infelizmente estavam caindo pois as cheias da represa abalam suas margens desmoronando suas encostas.

Foi grande a emoção desse dia. Ali não retornava a mais de cinco anos. Foi ali que montei meu Bivaque (acampamento simples com toldo) e me senti em casa. Essa noite o jantar foi de rei; arroz carreteiro, com feijoada, com direito a farofa e tudo, só faltou o vinagrete. De sobremesa doce caseiro de abóbora da Dona Aninha. Creio nunca ter comido um doce tão saboroso, acredito que nele havia algo especial, um ingrediente que foi colocado durante e depois de seu preparo, naquele gesto da entrega, com certeza isso o deixara com outro sabor.

Pude notar que na outra margem da represa, onde á mais de 20 anos havia pastagens e uma grande mata, hoje está dando lugar a uma grande plantação de laranjas. Máquinas trabalhavam até tarde da noite. Podia avistar seus faróis e no silêncio do local e mais a propagação causada pela água, pude constatar o trabalho até as dez da noite.

Muito estranho, sendo que a cana de açúcar é a vedete do momento. Sentia-me convicto de que poderia passar mais dias remando e viajando, afinal minhas provisões me davam essa condição, estava recuperado, renovado, tranqüilo e em comunhão com tudo a minha volta.

Recolhi-me em meu bivaque observando milhares de estrelas, afinal aventureiros não se contentam com hotéis de "cinco estrelas" afinal podemos ter todas. Adormeci tranqüilo com uma leve brisa e o barulhinho da água nas margens da represa.

Fonte: Nilton Zerlin
Cidade: Barra Bonita-SP-Brasil
Fotos: Nilton Zerlin
Publicado: Gabriela Aile Fernandes da Silva
Date: 15/05/2007 <%insert_data_here%>

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.
  Evento 6778 - Expedição Piracicaba-Barra Bonita

   Aqui os Albuns e Fotos



  Outras matérias relacionadas:

  14/05/07 - Expedição Piracicaba-Barra Bonita - 1º Dia
  15/05/07 - Expedição Piracicaba-Barra Bonita - 3º Dia
  15/05/07 - Expedição Piracicaba-Barra Bonita - Objetivo
  15/05/07 - Expedição Barra Bonita Piracicaba - 2º Dia

English Version: The specified statement did not generate any data
 
Envia Mensagem para a Fonte
Cria Matéria neste Evento
Cria Album neste Evento
  Aviso Legal
Rua Washington Luiz, 820 conj. 601
Porto Alegre/RS - BRASIL - CEP 90010-460
Telefone 55 (51) 3226-4111 - Ramal: 4000
Fax: 55 (51) 3226-1219
contatos@inema.com.br
SIP:4000@sisnema.com.br