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O Projeto Cicloaventura Caxias - Salvador foi uma viagem que percorreu 7 estados em 43 dias, totalizando 3800 km, realizado por um único cicloturista em março de 2007. Confira o Diário de Bordo! Dias 19 e 20.
DIA 19 - Fui para a parada de ônibus. Falaram-me que passaria às 7h15min da manhã. Passou a hora e nada do "latão". Fui ficando tenso com aquilo, porque meu primo, Renato, falou para me cuidar por ali. Que até em ônibus estavam colocando fogo. Bom, quando eu já estava desanimado de esperar, às 8h ele apareceu. E para minha surpresa, o motorista aceitou "numa boa" colocar a bike desmontada e toda a tralha que eu levava no ônibus.
No caminho vi que fiz a coisa certa, pois parte da Avenida Brasil não tem acostamento e na ponte Rio Niterói não passa bike. O trajeto era de uns 60 km, mas por causa dos inúmeros congestionamentos de uma segunda-feira, cheguei só às 11h em Niterói. Troquei rapidamente a corrente da bike em uma oficina especializada, porque a vida útil de uma corrente de bicicleta é de 2000 km. Depois peguei a estrada.
No começo foi difícil. Falta de acostamento em cidades grandes é normal. Quando foi 11h30min parei para almoçar. Fiz parada curta, pois queria fazer uma grande distância à tarde. A estrada era boa, apesar de o calor estar a mais de 36 graus e de ter que fazer várias paradas para molhar a cabeça e os pulsos, em muitos lugares me perguntaram como eu conseguia pedalar com aquele calor e com a umidade do ar em menos de 30 por cento.
Tive que fazer muita força para atingir a meta do dia, mas antes de escurecer cheguei a Cassimiro de Abreu. Agora, mais tranqüilo, por ter passado a cidade do Rio de Janeiro, procurei um hotel. Depois daquele banho merecido e de estar de barriga cheia, comecei a estudar a meta do dia seguinte. Nesse dia percorri 128 km com média de 21.5.
DIA 20 - Depois de um belo café da manhã no hotel, comecei a pedalar às 7h20min. Como meta do dia pretendia percorrer 150 km. A princípio era pra ser um dia como os outros, mas a uns 12 km da cidade furou uma câmera. Depois de retirá-la e colocar a sobressalente, o inflador, que já tinha apresentado problemas, estragou definitivamente.
Tentei conseguir ajuda, mas ninguém parava. Então tive que improvisar, enchi o pneu de capim para poder empurrar a bike e não estragar o aro. Embaixo de muito sol, 10 km depois, consegui um inflador em um vilarejo, que depois de muita força encheu o suficiente até chegar à borracharia. Ao encher a câmera vi que o pneu estava rasgado na lateral, mas como eu tinha um sobressalente foi só trocar.
Para recuperar o tempo perdido, comecei a impor um forte ritmo. O calor não dava trégua, parecia que o asfalto ia derreter, a cada 30 ou 40 minutos tinha que fazer uma parada para me molhar e pegar mais água. A "camelbak" (ou mochila hidratante) que levo nas costas estava sendo de grande utilidade, pois além de levar 1.5 litros de água ainda dá para colocar umas pedras de gelo junto, o que faz a água ficar mais tempo fria.
Outra coisa também que estou notando é a ajuda que o uso dos repositores energéticos está me dando. Entre as refeições, ele permite que você recupere parte dos sais que a gente perde no suor. Um pouco antes do meio dia parei para almoçar. Tinha pedalado 50 km.
A tarde prometia fazer 100 km, mas com tanto calor não é tarefa fácil. Se pelo menos eu tivesse menos peso. Muitas paradas para água, muito empenho e muita força psicológica, eu ia percorrendo a distância rumo à meta do dia. Percebi que na parte da tarde eu tinha que usar muito a parte psicológica, pois os músculos acusavam dores e eu desviava a atenção, me concentrava na meta do dia. Em nenhum momento pensava em não conseguir percorrer essa meta que eu tinha pensado.
Outra coisa que percebi em mim é que pela manhã, antes de sair do hotel, quando eu colocava o uniforme de ciclista me dava um orgulho tão grande que mudava o meu semblante. Eu me transformava no ciclo turista decidido, obstinado e que não ia esmorecer diante de nenhuma dificuldade. À tarde foi passando e a distancia diminuindo. Foi quando começou a aparecer nuvens no céu, o que melhorou um pouco para pedalar.
Começou a escurecer e eu estava em uma enorme reta. Vi a cidade de Campos dos Goytacazes. Aquilo me deu mais ânimo para aumentar a média horária e com o vento ajudando ficava até mais fácil. Parecia que eu tinha ganhado uma injeção de ânimo, a velocidade estava nos 28 km/h, mas parecia que a reta não acabava nunca. Quando finalmente cheguei já era noite e ameaçava vir um temporal dos grandes.
Pedindo informações, achei um bom hotel com preço bem acessível. Dentro da média de R$25,00 com café da manhã. Percorri nesse dia 152.63 km com média de 19.9 horários, se não fosse o pneu furado certamente teria feito um tempo bem melhor, cheguei às 18h.
Fonte:
Jair Melo Cidade:
Caxias do Sul-RS-Brasil Fotos: Jair Melo Publicado: Debora Americo da Silva Date: 08/06/2007
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