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Enio Guzinkski fala com o Inema sobre a repercursão da segunda edição do seu livro "Voando em um céu solitário".
Quando o livro "Voando em um céu solitário" foi lançado?
O livro foi lançado em fins do ano de 2000, em uma edição feita por mim, sem nenhuma ajuda.
Já está em qual edição?
O livro está em sua 2ª edição que foi lançada em 2003 e foram editados 6000 livros pela Gráfica Metrópole em Porto Alegre. Esta segunda edição aconteceu de forma inédita por um grupo de pilotos liderados pelo CMTE. Alceu Feijó, proprietário de FM Publicidade Aérea Ltda., insistiu que o livro tivesse outra edição. Eu já havia desistido, pois não estava acostumado com toda esta burocracia. Passei minha vida dentro de cabines de aviões, esse era o meu mundo. Fui convencido pelo amigo Feijó e tivemos uma segunda edição que foi distribuída para mais de 100 aeroclubes brasileiros. Creio que poucos livros tiveram a felicidade de pessoas agirem de forma coletiva para que ele continuasse sua trajetória. Expressei no livro meus agradecimentos a todos que cooperaram na 2ª edição.
O livro foi lançado só no Rio Grande do Sul ou em todo Brasil?
O lançamento em sua 1ª edição foi feito de forma amadora por mim, sem nenhum conhecimento de marketing. Iniciou em Porto Alegre e depois alcançou o Brasil. Muitos livros foram solicitados via Internet, e para minha surpresa, alguns pedidos vieram do exterior. O caso mais marcante foi de um piloto e funcionário da Petrobrás que morava em Miami (EUA), e veio a Porto Alegre junto com um piloto amigo meu chamado Nitz, proprietário de uma empresa de aviação agrícola NITZ AVIAÇÃO AGRÍCOLA LTDA. Com a finalidade de adquirir o livro autografado, na sua chegada em minha casa constatei que não existia mais nenhum livro comigo. Pesquisamos os locais em que o livro estava sendo vendido e achamos um único exemplar no Aeroclube do Rio grande do Sul, em Belém Novo, periferia de POA. Ele foi lá, adquiriu o livro e retornou a minha casa, onde autografei o livro e tiramos uma foto juntos. Depois ele embarcou em um avião com destino a Miami, foi realmente incrível.
Quantos exemplares foram vendidos?
Temos a primeira edição que foi vendida em um total de 2500 livros e acredito que na segunda edição já foram vendidos uns 5000 exemplares.
Você esperava todo esse retorno?
Realmente esta pergunta é crítica, pois todo escritor (que não é o meu caso, sou um piloto) deseja que seu livro alcance o sucesso. Eu também desejava que o livro despertasse o interesse no meio da aviação, mas era uma incógnita. Paralelo a isso, muitos jornais, revistas e entrevistas em rádios, começaram a fazer comentários sobre o livro. Porém a grande surpresa veio no dia em que atendi o telefone e era da Rede Globo. Era o apresentador Fernando Molica, que queria fazer uma matéria para o Fantástico. Aquilo me causou uma tremenda surpresa e ao mesmo tempo uma sensação de euforia, pois eu iria ter aqueles minutos de fama que muitos almejam. O programa foi gravado em Porto Alegre, com cenas de vôos e uma entrevista feita dentro do Hangar do Aeroclube do Rio Grande do Sul. Toda esta gravação consumiu cerca de três dias, para ser rodado um total de cinco minutos no Fantástico. Mas foi o suficiente para que durante muito tempo eu fosse reconhecido por aqueles que assitiram ao programa. Em função desta matéria, outros canais de TV me convidaram para seus programas como: SBT, Manchete, TVCOM estúdio 36. A TVE montou um programa chamado "Vidas sobre asas" que foi rodado em dois segmentos, onde foram entrevistados pilotos civis e militares. Realmente o retorno foi muito acima do esperado.
O que teve de mais gratificante em lançar esse livro?
Algo que me gratifica até hoje são os candidatos à carreira de piloto. Alunos e jovens pilotos que entram em contato comigo para externarem suas dúvidas e buscarem orientação para seus problemas relativos a aviação. Esses questionamentos me fazem pensar muito sobre seus destinos. Em meu íntimo, desejo que sejam felizes como eu fui e continuo sendo.
Você se lembra de algum elogio marcante sobre o livro?
Muitos elogios foram recebidos ao longo deste tempo em que o livro percorreu centenas de mãos, olhos ansiosos e corações aflitos por viverem junto com o piloto suas aventuras. Alguns acreditando ser somente ficção. Neste cenário recebi muitos e-mails, telefonemas, convites para reuniões e palestras, todos eles elogiando o conteúdo do livro. Isso fez com que ficássemos próximos, autor e leitor. Seria muito difícil para eu eleger um elogio em um universo que às vezes uma pequena frase supera um grande discurso.
Quanto tempo você ficou trabalhando no livro?
Escrevi este livro velejando a bordo do meu veleiro Lord Jim (meu filho se chama Jim). Escrevi durante dois anos e foi escrito à mão. Foi um trabalho fantástico. Hoje com o computador seria bem mais fácil, acredito.
Contou com a colaboração de alguém? Quem?
Meu livro teve a colaboração de pessoas maravilhosas. Como a professora universitária de português que corrigiu meus erros, colocou meus textos dentro de uma ordem lógica e me aconselhou em certas sentenças que meu coração rebelde não queria aceitar, por achar que a vida nas letras seria igual ao comando do meu avião. Esta mulher por quem tenho profundo respeito e admiração chama-se Vica Moreira.
Qual a passagem da obra que você mais gosta?
Acredito ser uma resposta muito difícil de responder. Em todo itinerário da obra existe uma relação de cumplicidade, portanto acredito que ao elencar algum capítulo, ou uma passagem, ou mesmo um pequeno texto como o melhor, eu estaria traindo a cumplicidade que o autor tem com todo seu conteúdo. Este conteúdo total emanou do mesmo coração, contendo as mesmas emoções que fizeram com que o todo acontecesse e a visão final tivesse o meio de se comunicar com o leitor de uma maneira fraterna.
Depois de sete anos, que avaliação você faz do livro e de sua repercussão?
Meu livro teve críticas e elogios, alguns externados de maneira acentuada, mas ele navegou neste mar revolto e conseguiu superar preconceitos. Hoje navega em águas tranqüilas.
Você pensa em escrever outra obra? Seria sobre aviação?
Como não sou escritor profissional o tema para escrever teria que ser sobre a aviação. O escritor profissional tem facilidades e habilidade para escrever sobre vários temas sem tê-los vivido. Eu não teria como criar algo sem ter vivenciado. É mais fácil viver uma história e depois escrever, assim não existe impasses sem soluções. Alguns pilotos que voaram comigo na década de 60 na cidade de Londrina (PR), depois da publicação do meu livro, pediram para escrever sobre aquela época, uma época inesquecível e pioneira que irá permanecer em nossos corações. Lembro com muita saudade da minha juventude, onde voar era como respirar ar puro, portanto em Londrina foi uma epopéia gloriosa de aviadores que durante suas vidas cruzaram os céus transportando o progresso, encurtando as distâncias, unindo os povos. Pilotos, mecânicos e despachantes que fizeram parte das empresas de táxi-aéreo, escrevendo com glória páginas de heroísmo e determinação. Onde o avião era a ferramenta e o senhor do desenvolvimento em uma terra selvagem, simbolizada pela mistura do barro vermelho com o verde das matas e o café era chamado de o Ouro Verde que transformava simples plantadores em milionários em curto espaço de tempo. Fazendo com que o progresso da região atingisse uma velocidade surpreendente, e a cidade de Londrina era a sua Meca, procurada por aventureiros, homens e mulheres que buscavam a fortuna. Cada qual usando seus meios, e juntamente com os pilotos tornaram aquela época inesquecível, ficando conhecida como os anos do Ouro Verde. É difícil encontrar algo tão fantástico como a história que foi escrita acima das nuvens, pelos pilotos que voaram nas empresas de táxi-aéreo nos céus da América do Sul. É sobre esses homens que falo. Da sua paixão pelo vôo, pelo seu desprendimento, de suas tragédias, onde o estilo de uma vida nômade era obrigatório para quem quisesse cruzar os céus exercendo a função de comandar um avião. Onde a mala de viagem era a única companheira nos pernoites longínquos, e a solidão era amenizada nos encontros em alguma escala, ou na fonia em breves diálogos. É difícil pelo tempo que passou recordar todos aqueles que comigo cruzaram os céus executando o seu trabalho como uma ave de migração, mas seus rostos permanecem na minha memória. O meu coração os abrigará até o fim, jamais os esquecerei. Aquele universo em que vivemos e que nos aprisionou para sempre fará com que voemos pela eternidade.
Gostaria de fazer algum agradecimento?
Agradeço ao planeta terra pelos belos cenários nos quais vivi a maior parte da minha vida, ao vento, meu inseparável companheiro de milhares de vôos. Que em muitas ocasiões fez com que eu chegasse mais rápido aos braços de quem me esperava, e em outras ocasiões, mostrava seu mau humor mostrando que eu teria que exercitar minha humildade e ter mais compreensão para com o seu mundo. Agradeço aos astros que iluminaram minhas noites solitárias, percorrendo caminhos distantes, que poucos conhecem. Agradeço aos amigos fiéis, aqueles que nos piores momentos se fizeram presentes. Agradeço àqueles que em sua desventura os conduzi a imortalidade, impotente, não consegui entender o verdadeiro sentido da vida, onde tudo que nasce deve morrer. Agradeço ao meu filho Jim Daniel e a aviadora Ana Lúcia do Aeroclube de Ponta Grossa por sua constante ajuda nos caminhos que cruzo. Teria que agradecer a muitas pessoas, porém provavelmente esqueceria algum nome entre tantos, por isso quero que todos saibam que sou agradecido por suas palavras gestos e atitudes. Ao Amigo CMTE. Feijó meu agradecimento especial por me apoiar na 2ª edição do livro.
Fonte:
Enio Guzinski Cidade:
Novo Hamburgo-RS-Brasil Fotos: Enio Guzinski Publicado: Debora Americo da Silva Date: 08/06/2007
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