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O Projeto Cicloaventura Caxias - Salvador foi uma viagem que percorreu 7 estados em 43 dias, totalizando 3800 km, realizado por um único cicloturista em março de 2007. Confira o Diário de Bordo! Dias 29 e 30.
DIA 29 - Acordei bem tarde por não ter colocado o celular pra despertar. Nos últimos dias notei que eu não estava conseguindo relaxar a musculatura, as paradas que eu estava fazendo não davam tempo de uma recuperação muscular. Somado a isso ainda tinha o estresse emocional de estar longe de casa, sozinho, não sabendo se o dinheiro ia chegar até o fim da viagem. Mas uma certeza eu tinha, a vontade de chegar ao destino final ainda estava dentro de mim.
Resolvi ficar descansando nesse dia e deixar a viagem para o outro dia. Mais tarde conversando com o Secretário de Turismo de Prado, fiquei sabendo o melhor caminho a percorrer no outro dia. Descobri que para visitar Abrolhos teria que pagar mais de R$200,00. Então aproveitei para pegar uns folders do sul da Bahia. Voltando ao hotel aproveitei para tomar banho de mar e de piscina.
DIA 30 - Saí cedo de Prado. Depois de percorrer uns 9 km começou a melhor de minhas aventuras. A estrada de chão não era muito boa, tinha muitas costeletas e buracos, o que fazia a bike trepidar bastante. Eu já estava meio enjoado de tanto asfalto e para mim, aventura boa é em estrada de chão.
O legal da estrada era que eu estava indo muito bem, em um plano e quando via a bike disparava em uma ladeira abaixo, me fazendo a utilizar os freios. Chegando lá em baixo, sempre tinha um riacho e depois uma subida. A maioria das subidas eu subia pedalando em uma "primeirinha", corpo inclinado para frente e fazendo muita força.
Ainda bem que quase sempre eram subidas de menos de 500 metros. Nesse sobe e desce passei por um assentamento de sem terra. O que me chamou a atenção foi ver quanta terra havia por ali para plantar, e foram colocar os caras logo em um lugar de mata virgem. Certamente que iram derrubar o mato e depois de algum tempo essas terras vão se tornar plantações de eucalipto, o que eu não tenho nada contra, mas estão transformando o sul da Bahia em uma mata de eucalipto. Lá não se vê nem passarinho. Para onde vão os animais da região?
Mais a frente passo por dois acampamentos de sem terra. Quanta gente ali parada querendo terra pra plantar. Pouco mais adiante, chego a Comuruxatiba, que achei um lugar privilegiando por ser de mata conservada, à beira mar, muitas pousadas e pessoas receptivas.
Falando em receptividade, o povo baiano é nota 10. Sempre com um sorriso no rosto e disposto a tirar alguma dúvida que a gente tem em relação a caminhos a se pegar. Parei pouco por ali e logo peguei a estrada rumo a Barra do Caí. Que segundo os mapas, era um vilarejo.
A quantidade de ladeiras aumentou e não se viam casas nem para pedir informações. Como era a única estrada, o jeito era ir em frente para ver se chegava logo. A estrada era bem de interior, nem carro eu via passar por ali. Passei por muitas porteiras, onde tinha muito gado solto, bem ao longe avistei o monte Pascoal, que mais parecia um vulcão.
O sol estava forte, me fazendo tomar muita água e alguns banhos em riachos. Depois de muito custo cheguei a Barra do Caí, onde tive uma decepção. O único restaurante que tinha ali estava fechado. Só abria na temporada. Se via umas casas espalhadas umas das outras, eram fazendas.
Fui até a praia e me deparei com uma natureza surreal. Era uma praia deserta, de água muito limpa e tinha uma falésia muito bonita. Parecia uma cena de filme. Fiquei pouco ali e continuei, já que não tinha restaurante o jeito foi comer uma barra de proteína, tomar água e voltar para o pedal.
Depois de muitos quilômetros, cheguei em um barzinho e depois de abastecido, me falaram de um gaúcho que certa vez passou por ali de bike carregada e ficou 2 semanas acampado por ali. O ciclo turista era de Bento Gonçalves.
Bom, continuei meu caminho e antes de escurecer cheguei a Ponta do Corunbau. Me deslumbrei com o lugar. Só em filme tinha visto lugar assim. Depois de instalado em uma pousada, tratei de pôr uma bermuda e ir até a praia que estava do jeito que eu gosto, limpa, sem ondas e com a água morna. À noite, depois de uma bela janta em um barzinho beira-mar fui passear na praia.
Tinha uma bela lua cheia e a maré estava baixa, o que deixou uma faixa de areia que entrava no mar. Entrei quase 1 km sem molhar os pés. O céu estava muito estrelado e vi uma enorme estrela cadente no céu. Pensei nesse momento porque fazer um pedido se eu já estava realizando o meu. Saí dali e fui dormir. Nesse dia percorri 109 km com média de 13.6.
Fonte:
Jair Melo Cidade:
Barra do Caí-BA-Brasil Fotos: Jair Melo Publicado: Debora Americo da Silva Date: 12/06/2007
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