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Motoviagem a MachuPicchu 2007 - Conserto da Roda

Gedson Frasson realizou uma grande aventura a MachuPicchu em janeiro de 2007. Confira como ele se livrou dos percalços com a roda.

Como ainda estava dia, resolvemos seguir adiante e não posar em Camana. Passando pela cidade, pegamos a ruta em direção a Arequipa, no Peru. Nisso aparece uma linda praia e por um descuido meu, acabei passando por cima de uma enorme pedra, que manifestantes tinham colocado ao longo da rodovia. Por sorte consegui parar a moto sem problemas no acostamento.

Meu primeiro pensamento naquele momento foi de que a viagem tinha acabado por ali mesmo. A roda dianteira torta e a traseira rompida e reposição por ali nem pensar. Achamos um "borracheiro" que, a marretadas, colocou em ordem a roda dianteira, até o ponto em que pudesse receber o ar sem sair pelas bordas. Já a roda traseira, foi mais complicada, pois abriu um palmo de borda e o pneu estava "por uma unha" para sair do aro. Mas por sorte, o ar não vazou.

Fomos à frente do protesto, pois a ruta estava interrompida por manifestantes locais. A manifestação era por causa do aumento de mais de 200% nos preços das passagens de ônibus entre Arequipa e Camana no verão, fazendo com que menos pessoas visitassem o local. Esperamos a liberação da rodovia e nada. Conhecemos muitas pessoas neste local e um em especial.

Um motociclista offroad de Arequipa estava passando as férias naquele local e estava com sua família acompanhando o protesto. Nisso chegou à conversa das rodas, que uma pedra tinha rompido as duas e tal. Pediu cinco minutos e voltou com um cartão de visitas de uma loja Honda de Arequipa. Show de bola! Guardei na minha mala-tanque.

Já estava anoitecendo e a possibilidade de seguir viagem era mínima. Resolvemos procurar um hotel em Camana, posar por ali mesmo e no outro dia cedo seguir viagem e procurar o conserto da roda traseira em Arequipa.

Achamos um hotel no centro, com garagem e tudo para as motos, graças a um senhor que é dono de uma rádio local. Jantamos uma enorme pizza e retornamos para dormir. No outro dia cedo, seguimos em direção a Arequipa. Consegui rodar mais de 180km com a roda traseira rompida, sem que o ar saísse.

Paramos para almoçar, pois já era meio-dia passado. Nisso pergunto para o garçom onde ficava a Calle Tacna y Arica. Ele responde: duas quadras daqui, uma direita outra esquerda. Morri de rir, pois estávamos numa cidade de mais de um milhão de habitantes e enorme. Muita coincidência.

Esperamos abrir a loja Honda de lá, uma pequena oficina, que nem o pneu da roda tirava do lugar, mas sabiam onde tirar e consertar. Essa foi a minha sorte. Tiramos a roda no local e pegamos um táxi até a borracharia desmontar a roda, outro táxi até a tornearia onde seria soldada e torneada e depois deixamos o atendente da Honda na oficina e seguimos de táxi para o centro, onde tiramos algumas fotos, compramos lembranças e ligamos para o Brasil.

Marcamos para as 17hs voltarmos para a oficina. Pegamos o atendente e fomos buscar a roda. Levamos na borracharia, montamos e voltamos para a oficina para montar na "Black". Tudo 100%. Nisso o Téo, de Praia Grande, que estava rodando comigo, já tinha visto um hotel ao lado da oficina da Honda, bom e barato. Não precisava mais nada para fechar a correria do dia.

Moto 100% novamente, nos hospedamos no hotel. Tudo certo e resolvido. Tomamos um banho e para encerrar as atividades, já com um sorriso melhor no rosto pelo sucesso no conserto da roda, fomos comer "aquela" comida chinesa, de táxi é claro. Estava muito gostosa.

Os táxis em Arequipa e em geral no Peru são muito baratos, algo em torno de 2 soles a corrida, menos de dois reais. Ajudou bastante em nossa andança pela cidade, ainda mais em uma cidade de mais de um milhão de habitantes como lá.

O conserto da roda, solda e torno, saiu por 60 soles, uma miséria. Totalizando tudo, gastei algo em torno de 100 soles, menos de 100 reais.

Neste ponto, tinha um grande problema, mas com aquele cartãozinho de visita que eu recebi em Camana, se tornou um problema somente de tempo, nada de mais, como se apresentou na hora. Graças a Deus! Neste mesmo congestionamento onde recebi o cartão de visitas da oficina tinha um caminhoneiro parado, aliás, dezenas. Ouvi um grito: - O Gaúcho!? Olhei para o lado, era um brasileiro que foi até Lima, descarregou o caminhão e estava retornando ao Brasil, mas também estava bloqueado por ali.

Conversa vai e conversa vem, chegou o lance das rodas. Disse ele: - Não tem problema, se precisar de ajuda estamos na área, fui descarregar um chassi de ônibus em Lima e estou regressando ao Brasil. Tenho um caminhão pranchão que dá para colocar umas trinta motos em cima. Putz!!! Nem querendo coincidência maior. E o pior é que o cara é de Uruguaiana, cidade onde tenho parentes. Resumindo o papo: estava em casa caso precisasse e a coisa fosse mais séria. Tive mais sorte que juízo.

E dele estrada no outro dia, rumo a Arica no Chile.

Não ta morto quem peleia dizia o gaúcho velho!!!

Fonte: Gedson Frasson
Cidade: Camana-EX-EX
Fotos: Gedson Frasson
Publicado: Jair Melo
Date: 14/06/2007 <%insert_data_here%>

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  Evento 5462 - Machu Picchu 2007 - Gedson Frasson

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