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Nei Maldaner na Expedição Circunavegação Antártica 2006 relata a Noite do dia 17 de novembro de 2006. Cruzando o continente Antártico, a bordo do quebra gelo Kapitan Khlebnikov. Confira o relato sobre navegação pelo Channel na Península Antártica!
Assim que terminamos a janta, o comandante falou nos auto-falantes que estávamos chegando por um canal que é considerado um dos lugares mais lindos da Península da Antártica.
Eu também já estive ali em 2004, e realmente era muito lindo. É uma formação de rochas, altas e juntas dos dois lados, formando um pequeno canal. Os barcos passam ali devagar e a gente tem uma sensação de ficar apertado. Em 2004 foi um momento mágico, pois tinha muito gelo acumulado, então o barco ia quebrando este gelo.
Bom, no caminho passamos por alguns pontos onde o contraste da luz evidenciava o branco e o azul. O sol aparecia agora, depois de todo dia estar escondido. Uma névoa levantava, dando imagens incríveis.
Nesta parte o gelo cobria quase todas as montanhas. Só aparecia parte das laterais, muito íngremes que tinham sua neve já caída.
Eu por ter minha cabine no 8º andar, fui direto para sobre a ponte de comando e fiquei ali sentindo o vento frio. Aos poucos começaram chegar mais e mais pessoas.
As nuvens davam lugar ao céu azul e em diversos pontos elas criavam formatos de cosias que a gente procurava imaginar. Junto às montanhas tinha uma nevoa que seriam as nuvens e víamos a velocidade da mudança de clima, abrindo cada vez mais para um tempo bom.
Algumas pessoas foram também para a proa do barco, e eu ficava em dúvida entre ficar acima, na ponte ou lá em baixo. Achava que a vista de tudo mais o barco ficaria legal acima, mas a sensação de imponência daquelas montanhas geladas seria boa lá em baixo.
Johon, o pesquisador americano, trouxe toda sua mochila, cheia de lentes e máquinas. Também o casal fotógrafo do Quênia (África) estava ali em cima atento. Logo chegou o pessoal da África do Sul, Holanda e a Anelise de Miame Beach. E assim a sobre ponte ia enchendo de pessoas. Ninguém falava, todo mundo abrigado com suas roupas ou escolhendo uma posição para ficar observando, sentindo o momento.
Aos poucos o canal ia apertando e sentíamos os paredões de neve cada vez mais imponentes. Incrível este momento. Centenas de metros de parede de neve. Dava para ver quanto gelo caiu na água e foi levado para outras partes. Tínhamos tido notícias antes da viagem que tinha muito gelo perto da NZ. Estava explicado, devia ter maré, tempestades ou corrente levando isso para NZ, varrido a península, pois a água estava sem os tradicionais gelos.
Nao é que tinha derretido, é que tinha sido levado para a direção da NZ, que seria nosso caminho. "Será que toda viagem será assim sem gelo?", pensei.
Assim que passamos pelo canal começou novamente as margens se abrirem. Vi movimentação de marinheiros na proa, estavam preparando para fundear (acho que é isso) e lançar a âncora. Enquanto a âncora caia, levantava uma fumaça de ferrugem.
Já deveria ser tarde, mas o sol tocava no topo das montanhas e eu ainda fiquei muito tempo lá fora, e o pessoal já tinha indo dormir. Valeu a pena ter ficado, vi o sol baixar e o céu ficar amarelado. Ótimos contrastes de azul, branco e amarelo.
Esperando o sol se pôr mais, fui passear pela sala de estar, biblioteca, mas o sol não baixava. Claro, ficaria assim toda noite e subiria de novo. Então não teríamos mais noite.
Fui também caminhar na proa e de lá vi que algumas cabines da frente do navio tinham luz, que pouco contrastava por causa da claridade, mas dava para ver que outros também não dormiam. De vez em quando os via vindo olhar na janela, para conferir se não iria escurecer.
Circulei então pela ponte de comando, e por outras partes do barco. Eu não tinha sono. Estava claro, olhando para fora. Começo a ver que o sol fica mais claro. É mais de 2 da madrugada, e ele começa a subir novamente. A adrenalina de ver isso, me tira o sono.
Finamente as nuvens cobriram o sol e deu um tom primeiro amarelado depois partes avermelhado e depois um cinza.
Fui dormir, pois estávamos em mar calmo. No dia seguinte tínhamos mais outros "lands". Aproveitei para atrasar o relógio 1 hora.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Peninsula Antártica-EX-Antartica Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Debora Americo da Silva Date: 17/11/2006
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