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Entre os dias 24 de fevereiro e 17 de março de 2007, Gilmar Calais Assafrão e sua esposa, Simone, realizaram mais uma viagem de moto. Dessa vez incluíram o Uruguai e a Argentina no roteiro. Confira como foi essa inesquecível aventura! Parte VII!
08/03/2007 (Quinta) - Acordamos ansiosos, pois iríamos conhecer a capital Argentina, um dos pontos altos da viagem. Estávamos também um pouco preocupados com os riscos, comuns em todas as grandes cidades, como Buenos Aires, que é uma das maiores do mundo. Também tínhamos um pouco de receio do povo Argentino não ser parecido com o Uruguaio no perfeito tratamento com os turistas. Pura paranóia de marinheiros de primeira viagem.
Durante quase todo o dia uma chuva intermitente foi nossa indesejável companheira, mais nada que tirasse o brilho do passeio, principalmente porque nossa valente XTE 600 teria um merecido descanso. A passagem do Buquebus estava marcada para as 10h, mas chegamos com uma hora de antecedência, a fim de trocarmos pesos Uruguaios por pesos Argentinos e fazermos o check-in sem pressa.
Passamos pelo check-in, onde havia uma pequena fila, depois pela aduana uruguaia para os trâmites de saída do país. Na aduana argentina, o funcionário ao ver que nós éramos Brasileiros, nos recebeu com um simpático e caloroso "Bom dia!", nos deixando muito à vontade e felizes por sermos recebidos com uma demonstração tão grande de simpatia, e ao mesmo tempo nos tirando muitos grilos da cabeça.
Após nossa liberação pelas autoridades de imigração, seguimos por um corredor que nos levou até dentro do buquebus. Confesso que a principio, nós dois nos sentimos até um pouco constrangidos, diante do luxo e da elegância das pessoas. Quem viaja de moto sabe o que eu estou falando, pois com o espaço reduzido para bagagens, fica impossível de se levar roupas adequadas para diferentes ocasiões.
No final, esta nossa pequena preocupação fútil foi motivo de gargalhadas, ao encontrarmos alguns turistas "mochileiros" europeus. Digamos, mais despojados que a gente, e ainda deitados no chão acarpetado de limpeza impecável do barco (que mais parece um shopping flutuante), em frente às vitrines do free shopping.
Devido à diferença do fuso horário, chegamos a Buenos Aires exatamente às 10h. A estação onde desembarcamos é bem mais luxuosa e estruturada que a estação do lado uruguaio. Facilmente conseguimos um táxi, dirigido pelo simpático Sr. Sorzo, que após uma rápida negociação cobrou-nos 80 pesos para ficar a nossa disposição durante 3 horas, nos levando nos principais pontos turísticos da capital Portenha.
Nossa primeira parada foi em um luxuoso barco cassino; depois fomos ao estádio da Bomboneira, sede do time Boca Juniors, situado no famoso bairro La Boca, com suas casas coloridas, que foi o primeiro bairro fundado por imigrantes Europeus. Depois a Plaza de Mayo, onde fundada a cidade e palco de grandes manifestações políticas da história da Argentina, e também onde as mães da Plaza de Mayo se reúnem toda quinta-feira para um protesto silencioso contra os mortos e desaparecidos durante o regime militar, além do local onde se encontra a Casa Rosada, sede do governo Argentino.
Conhecemos também o elegante bairro da Recoleta, que lembra um pouco Paris, com inúmeros cafés, mesas com guarda-sóis na calçada e antiquários e terminamos nosso tour de táxi pela capital conhecendo o monumento Obelisco e a sede do Legislativo Federal na avenida 9 de junho (a mais larga do mundo), onde depois fomos deixados pelo Sr. Sorzo nesta mesma avenida, em frente a um restaurante típico Argentino, onde almoçamos e fizemos um pequeno passeio a pé pelo centro. A nossa volta para a estação do buquebus foi novamente de táxi, e lá chegamos por volta das 16h.
Como nossa passagem de volta estava marcada para as 18h, tivemos tempo para descansar um pouco e comentarmos os lugares e belezas que conhecemos neste dia mágico em Buenos Aires. Durante esta espera, também conheci dois americanos que estavam a quatro meses viajando de moto. Vieram em duas KTM's 950 Adventure desde os EUA até Ushuaia e depois voltaram até Buenos Aires. Iriam mandar as motos de volta de avião para os EUA, mas antes iriam fazer um tour pelo Uruguai.
Fiquei impressionado quando um deles me falou que pagou U$ 12.000,00 pela sua KTM nos EUA, e ele mais ainda quando falei que esta mesma moto vale cerca de R$ 54.000 aqui no Brasil (difícil foi fazê-lo entender que aqui a metade deste valor vai para o governo). Vi algumas fotos da viagem deles e lhes falei que esta viagem era também o maior sonho da minha vida. E acho que da maioria dos motociclistas que realmente gostam de viajar. E que quando conseguisse realizar este sonho (vou conseguir ao me aposentar se Deus Quiser!), eu iria lhe visitar nos EUA e tomaríamos algumas cervejas juntos.
Como a chuva definitivamente já havia cessado, fomos acompanhados durante toda a viagem do belo visual do pôr do Sol no Rio da Plata, com os últimos raios de Sol refletindo em suas águas. Chegamos às 20h em Colônia Del Sacramento, pois agora o fuso horário marcava uma hora a mais no Uruguai. Terminamos este belo dia, comemorando o sucesso do nosso passeio a Buenos Aires, jantando novamente no mesmo restaurante do dia anterior, onde desta vez, eu comi um "pólo com fritas" e a Simone um prato de massas, acompanhados, é claro, de uma deliciosa cerveja Pilsen de l litro.
Fonte:
Gilmar Calais Assafrão Cidade:
Cidade de Rocha-EX-EX Fotos: Gilmar Calais Assafrão Publicado: Debora Americo da Silva Date: 18/06/2007
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