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Audax de 200Km em Curitiba - PR

O Audax de 200 km de Curitiba realizou-se no dia 10 de março de 2007. Confira o relato de Adélcio Salvalágio.

Embora tenha realizado a prova do Audax de 200 km de Curitiba de 10/03/2007, acabei também participando da 2a edição, no mesmo percurso, ou seja, entre Curitiba e Ponta Grossa, no dia 31/03/2007. Minha decisão decorreu basicamente porque outros integrantes do "Bike 100 Limites" resolveram fazer a prova. Assim, tendo em vista que nas duas edições as percepções e ocorrências, por razões óbvias, são diversas, há que se promoverem igualmente os devidos registros, inclusive para que sirva como referência futuramente.

Na edição do dia 31/03, inscreverem-se bem mais participantes do que no dia 10/03. Foram 127 ciclistas. Santa Catarina, que no dia 10/03 contou com apenas 4, desta vez teve mais participantes. Além dos blumenauenses do "Bike 100 Limites", havia de Balneário Camboriú, Joinville e Ascurra, pelo que se pode apurar. Do total de inscritos, completaram a prova 102 ciclistas.

O pedal foi difícil. Pode-se dizer: extremamente difícil. Mas, a esse respeito, volto mais adiante, pois há que se dar seguimento ao presente relato de conformidade com a seqüência dos acontecimentos.

De Blumenau, integrantes do "Bike 100 Limites", houve 7 inscrições: Luiz Fernando Nunes (Neco), Paula Fornari Nunes (Paulinha), Denílson Donizete Lourenço de Paula, Marcos Luciano de Souza e Silva, Marcelo Ferreira, Alessandro Las-Cazas de Brito (Sandro) e Adélcio Salvalágio. A Rejane, esposa do Luciano, embora não tenha feito inscrição para a prova, também acompanhou o grupo, servindo de apoio nos PC's (postos de controle).

Depois de muita conversa por e-mail, durante a semana que antecedeu a prova, combinou-se a saída para as 15:30h, de sexta-feira, dia 30/03/2007. O local de encontro, também motivo de certa polêmica, foi o Posto RG, da Itoupava Central. Por incrível que pareça, todos chegaram no horário. O De Paula (com quem fui de carona), como sempre o mais apreçado, já estava no ponto de partida às 15h. Depois veio o Marcos Luciano, a Rejane e o Marcelo. Em seguida, o Sandro. Por último, praticamente "em cima do laço", o Neco e a Paulinha apontaram. O sol e o calor eram intensos.

Partimos em 4 quatro caros: Eu e o De Paula, com as bebes novamente embarcadas, na Meriva; imagina se o De Paula ia deixar sua Merida ainda em estado de zero quilômetro ex-posta às intempéries do ambiente externo; Neco e Paulinha; Luciano e Rejane; e Sandro e Marcelo.

No caminho (De Paula foi voto vencido), resolvemos fazer uma parada estratégica no restaurante Rudnik, às margens da BR 101. Fez-se lanche. Encontramos ciclistas de Ascurra que também iam realizar a prova. Conversamos rapidamente e seguimos adiante.

O restante da viagem também foi tranqüilo. Chegamos na capital paranaense por volta das 18h. Fomos ter com a Organização, para realizar a vistoria nos equipamentos de segurança e nas bikes. Isso se deu no Parque Barigüi, local da partida e chegada da prova, nos fundos do Museu do Automóvel, nas imediações de uma torre de chaminé. Estando tudo de acordo, cada um recebeu seu "cartão de rota", placa de identificação, que restou devida-mente fixada na bike, adesivo para o capacete e uma camisa alusiva ao evento.

Para evitar o estresse ocorrido entre as 5:30 e 6h, do dia 10/03/07, narrado no relato da referida prova, Eu e o De Paula resolvermos deixar as nossas bikes prontas já na noite do dia 30/03. Decisão acertada, pois no dia 31/03 aguardamos com tranqüilidade o início da prova. Os demais fizeram o mesmo.

Concluída a checagem, dirigimo-nos ao Hotel para o "check-in". Novamente ficamos hospedados no Hotel Barigui Park. Encontramos outros colegas que igualmente iriam realizar a prova.

Hora da janta. O que eu temia aconteceu. Precavido, o De Paula fez relevante propaganda positiva do Madalosso, uma verdadeira lavagem cerebral, a fim de convencer os outros do grupo. Alcançou êxito. Fomos, enfim, para o tal restaurante. Segundo o propagandista e manifesto interessado, o Madalosso é o maior do mundo do seu gênero. Serve rodízio de massas e, de quebra, fígado de frango frito. Antes apenas desconfiava, mas agora tenho certeza que a razão do Denílson preferir este restaurante é, justamente, este item do cardápio. Reconheço, o Madalosso é, realmente, um bom restaurante. Fizemos uma ótima janta. Quanto à incomum iguaria, Eu próprio saboreei alguns pedaços. Não fui o único. O Marcelo, ao que se notou, foi quem mais perto chegou do apetite do De Paula. Mesmo assim, ficou bastante distante. O De Paula é imbatível neste quesito. Fígado frito é com ele e ninguém tasca. Sozinho, arrebanhou travessa e meia, com confiança e absoluta segurança de quem sabia o que estava fazendo.

Janta finalizada. Todos bastante satisfeitos. Momento então de passar no supermercado BIG, que ficava no caminho de retorno ao hotel. Fomos às compras de suprimentos para o pedal e café da manhã de sábado. O que o hotel iria servir não se podia confiar. Os ciclistas fizeram seus pequenos "ranchos".

No retorno ao hotel, mais uma cena inusitada. Confesso que já passei por inúmeros hotéis, mas nunca havia vivenciado situação idêntica. Para este dia 31/03, o Barigui Park liberou uma ala nova. Nesta, acomodou todos do grupo. A fechadura das partas de ingresso nos novos apartamentos é eletrônica. Programa-se um código num cartão e este, colocado no compartimento certo, abre a parta automaticamente. Não existe uma chave tradicional. Apenas o cartão. Chegamos no hotel antes das 23:00 h. Carros estacionados, cada um conduzindo a bike até a recepção, pois a "magra" pernoitaria no quarto. Pretendia-se dormir cedo. Esta, sinceramente, era minha verdadeira intenção.

Na recepção, cada um apanhou seu cartão, deram-se educadas "boas-noites" e nos recolhemos. Chegando no meu quarto, acionei o cartão e, surpresa, a porta não abriu. Fiz várias tentativas. Nada. Pensei no famoso "abre-te-sésamo". Nem tentei, pois seria ainda mais ridículo. Marcelo, meu vizinho de quarto, vivendo a mesma situação e, um pouco à frente, o De Paula era mais um dos desafortunados. Os demais, devidamente acomodados em seus aposentados, nada viram. O fato era que o maldito cartão não funcionava para nenhum dos três. Outros hóspedes tiveram a mesma sorte.

Retornamos à portaria em busca de uma solução. A bike veio junto. Pobre e infeliz, para não dizer incompetente (que de fato foi), recepcionista. Estava feito barata tonta, perdido no atendimento. Não sabia o que fazer primeiro. Cobrava uma conta. Nisso, chegou uma mulher e começou a reclamar do estacionamento. Deu um princípio de estresse. A mulher parou de se queixar e se retirou, pois percebeu que de pouco valia o tempo despendido. Nós, com jeitão de patetas, aguardávamos que alguém (recepcionista) abrisse a bendita (ou maldita) porta. Passaram-se dez, quinze, vinte minutos. O recepcionista teve uma idéia "brilhante": forneceu o "cartão coringa", que está preparado para liberar todas as portas, para que tentássemos com ele. Por um instante achei que o problema estava solucionado. Ledo engano. O tal cartão também falhou em todas as portas que estavam travadas. E o tempo ia passando. Meia-noite se aproximava a passos largos. O inteligente do recepcionista, após nossa insistência, manteve contato com a gerente do hotel. Outra incompetente, só que de maior calibre. Nada fez. Limitou-se a sugerir que o técnico fosse acionado. O que se fez. Quarenta minutos depois, já passando da meia-noite, chegou o tal sujeito. Apanhou um equipamento e, finalmente, liberou as portas. Foi desolador aguardar mais de hora para ter acesso ao quarto, sabendo que às 4:45 h do dia seguinte estaríamos de pé, para pedalar difíceis 200 km.

Tranquei-me no quarto. Tentei tomar banho. Não foi possível. O chuveiro somente acionava o registro da água quente. Como não queria me escaldar, o banho ficou para outro momento. Arrumei meus apetrechos para o pedal. Passava da 1:00 h quando deitei. Demorei um pouco para dormir. Devo ter descansado não mais de 3:00 h, pois por volta das 4h já estava acordado. Descansar pouco e mal, na noite da véspera, custou caro para minha resistência durante a prova.

No sábado, combinamos partir do hotel para o desafio às 5:15 h. Cumpriu-se o horário. No De Paula, termômetro do grupo, o estresse era pequeno. Chegamos no Parque Barigüi por volta das 5:30 h e a partida se daria às 6:00 h. Desta vez, diferentemente do dia 10/03 quando foi um "Deus nos acuda" para deixar tudo pronto, transcorreu tudo na mais absoluta tranqüilidade e calma. Tivemos tempo de sobra, deu inclusive para fazer os indispensáveis exercícios de alongamento.

Às 6h, estávamos agrupados no local da partida. Vestíamos, a exceção do Marcelo, a camisa do "Bike 100 Limites".

Começou a prova. O dia estava raiando, temperatura no momento agradável, por volta dos 20°c. Porém, já se podia antever, pelo aspecto do céu, que o calor seria intenso no curso do dia. 117 ciclistas largaram do Parque Barigüi em direção à BR-277/376. Os participantes do "Bike 100 Limites", ao natural, se dividiram em dois grupos: um formado apenas pelo De Paula; outro pelo "resto", ou seja, os outros 6. De Paula, o autêntico "para léguas" do "Bike 100 Limites", foi novamente um dos mais apressados. Emparelhou-se com os ponteiros e assim prosseguiu durante toda a prova. Para dar uma noção mais precisa da pressa do "sujeito", basta dizer que Ele chegou nos três primeiros PC's (postos de controles) antes do horário de abertura, ou seja, teve que esperar para ser "atendido", isto é, carimbar o passa-porte. O "De Paula é o Cara". Pedala pra chuchu, vai pedalar bem assim lá na casa do chapéu, poxa. Aliás, cumpriu a prova em 8:16h. Merece os parabéns.

Os outros 6 do grupo, verdadeiramente em equipe, se posicionaram no meio do pelotão de ciclistas.

Pessoalmente, tinha me programado para realizar o Audax do mesmo modo que fiz aquele do dia 10/03, ou seja, mais ou menos como nossos pedais mais longos e puxados. Parar sempre que precisasse de alimento (comida e água). Descansar quando o ritmo aumentava, enfim, realizar a prova sem preocupação de tempo baixo, mas de completá-la dentro do horário estipulado (13:30h). Novamente, a estratégia funcionou.

Pedalávamos bem, em bom ritmo. No km 9, primeiro imprevisto: furou uma câmara-de-ar do pneu da bike do Sandro. Todos pararam. O Sandro, demonstrando pouca prática, iniciou a troca. Foi auxiliado acredito que pelo Marcelo. Em função da parada, fomos ultrapassados por praticamente todos que estavam em nossa retaguarda.

Pneu consertado, seguimos em frente. Fizemos algumas ultrapassagens, recuperando um pouco de terreno. Por volta do km 17, nova câmara-de-ar furada. Mais uma vez o contemplado foi o Sandro. Nova parada obrigatória para o reparo, exceto o Marcelo que, não percebendo o ocorrido, seguiu adiante. O Sandro iniciou a troca. Inutilizou uma câmara, por descuido na hora da substituição. O Luciano prestou auxílio, inclusive cedendo uma das suas câmaras reservas. Aproveitei para aplicar protetor solar, pois o sol prometia. Nessas ocasiões se perde, pelo menos, 15 minutos. Nas duas paradas para troca das câmaras furadas desperdiçamos mais de 30 minutos.

Retomamos o pedal. Até o PC-1 não teve mais nenhum imprevisto. A primeira perna era um pouco mais longa, já que este PC-1 (posto de controle) estava localizado a 56,8 km da linha da partida. O Trajeto conta, inclusive, com uma serra (Serra de São Luiz do Purunã). Por volta do km 50, surgiu aquela barraquinha das bananas do Audax do dia 10/03. Não paramos desta vez, pois ninguém estava com fome. Concluímos bem a etapa, num tempo de 3:03h, incluindo as duas paradas para o conserto dos pneus.

No PC-1, não encontramos o Marcelo. O De Paula já estava longe. Apenas a Rejane, brava guerreira, aguardava o grupo. Desta vez, a Organização distribuiu kits de lanches nos PCs. Neste, cada kit portava duas bananas e dois pãezinhos. Saboreamos tudo, cada um fez sua reposição de nutrientes. O calor já era forte, bastante forte. Reforcei o protetor solar e retomamos o pedal.

Por volta do km 80 um susto. Um grande caminhão vindo em nossa retaguarda, há cerca de uns 50 metros, teve um pneu literalmente explodido. Imaginem nosso susto. Com o estampido, virei-me e tive a sensação que ele vinha em nossa direção, no acostamento. As bikes, com certeza, trafegavam acima de 25 km/h. Não tive dúvidas. Com certa dificuldade, desci o desnível adentrando na vala de escoamento das águas pluviais, que era relativamente funda, e me joguei no mato. Atrás de mim, vi que a Paulinha fazia o mesmo. Os outros não tiveram igual comportamento, até porque, naquele instante, estavam um pouco à frente. Nada sofremos. Apenas a corrente da minha bike precisou ser recolocada. Refeitos do ocorrido, era preciso seguir.

Esse segundo trecho, seguramente, é o mais fácil da prova. Por volta do km 85, já tinha ciclista retornando na pista contrária. No km 92, praticamente no mesmo ponto do audax de 10/03, foi a vez da minha bike ter uma câmara-de-ar furada. O Sandro, que ia um pouco a frente, retornou para auxiliar o conserto. Estranhamos, pois Neco, Paula e Luciano, que ficaram um pouco para traz, não chegavam. Quando estávamos praticamente finalizando a troca, apontaram os três. A bike do Luciano também teve um pneu furado praticamente no mesmo momento. Tudo resolvido, seguimos caminho em direção ao PC-2. A essa altura, já eram 4 (quatro) os pneus furados.

Nesse meio tempo, avistamos o De Paula já de regresso, em busca do PC-3.

Se não fossem as câmaras furadas, chegaríamos no PC-2 por volta das 11h. Assim, carimbamos o passaporte exatamente às 11:48h. Estávamos no tempo.

Esses primeiros 100 km foram tranqüilos. Porém, a temperatura era alta. O sol castigava. O calor era intenso. Depois vim saber que em Blumenau fez acima de 38°c, sendo o dia mais quente do ano. No nosso trajeto, não foi diferente. Dessa vez, não tivemos vento contra, como enfrentei no pedal de 10/03. Apenas sol escaldante.

No PC-2 fizemos rápida refeição. Não consegui comer muito. Novamente aplicou-se protetor solar.

Às 12:15h, pegamos a estrada. O sol maltratava, infligido verdadeiro castigo. O calor do meio-dia fazia o asfalto ferver. Sabia que esse 3° trecho era bastante difícil, pois já conhecia o percurso. Recomeçamos em bom ritmo. Nos primeiros 20 km, ou seja, dos 100 até os 120, que não são muito pesados, fomos bem. Por volta dos 120 km, paramos num posto para nos refrescar e repor líquidos (nada de cerveja). Aproveitei e literalmente tomei um banho na mangueira que o posto usa para lavar os pára-brisas dos automóveis. Os outros, em menor intensidade, fizeram o mesmo. A água fria me ressuscitou.

Voltamos a pedalar.

Diferentemente do dia 10/03, que após a chuva e o vento, veio o frio nesse 3° trecho, agora o calor maltratava. Nada de chuva. O desgaste físico, em função da alta temperatura, seguramente foi superior a 15% em relação ao pedal de 10/03. O Luciano, no trajeto entre o PC-2 e o PC-3 deu mostras de cansaço. Os demais (Neco, Paula, Sandro e Adélcio), aparente-mente, estavam bem. Nesse trajeto furou mais um pneu. Desta vez, o agraciado foi o Luciano. Dei a ele a minha última câmara reserva. Com isso, Eu, o Luciano e o Sandro, que utilizávamos pneu 1.25 em nossas bikes, ficamos sem câmara reserva. O Neco e a Paula tinham duas. Porém, suas bikes estavam equipadas com pneus 1.50 e as câmaras eram correspondentes. Fiquei um pouco apreensivo com a situação. Preferi esquecer e seguir pedalando.

O Marcelo, que se desgarrou do grupo e, durante todo o trajeto, fez praticamente um pedal solitário, pedalava à nossa frente. Depois, nos contou uma passagem que merece registro. Disse: o cansaço era intenso; a água era pouca; precisava descansar; avistou, adiante, um caminhão estacionado no acostamento, que fazia uma sombra confortável; não teve dúvidas, acelerou certo de que repousaria por longos minutos no local; chegou; bike para um lado, Marcelo para o outro, deitado no capim da beira da estrada, curtindo a tal sombra; nisso, recém acabado de deitar, ouviu barulho da partida de um motor; notou, então, que o caminhão se prepara para seguir viagem; partiu; com ele, foi-se a tão deseja sombra; o Marcelo, de "papo para o ar" ficou exposto inteiramente ao forte sol. Sem alternativa, colocou-se de pé e voltou ao pedal, certamente decepcionado pelo ocorrido.

Do km 120 até o 190, seguramente, o trajeto é extremamente dificultoso. Morros se sucediam. Quando se achava que tinham acabado, aparecia outro ainda mais forte. Nas descidas vinha um "refresco", mas eram poucas e curtas. Até a chegada no PC-3, que se localizava no km 146.3, não foi fácil. Às 15:14h, no mesmo tempo do audax de 10/03, vencemos essa 3a perna.

Ainda no PC-3, comemos um pouco. O tal "Caffe Haus", aquele dos R$ 18,00 por quilo, ainda não estava atendendo. Não perdemos nada. Com esforço, consegui comer apenas uma banana. Observei ao longe que a Rejane, debaixo de uma árvore, fazia uma massagem no Luciano. Acho que isso ressuscitou o "caboclo", pois no 4° é último trecho ele, praticamente, puxava o pelotão, inclusive se desgarrou no final e completou a prova antes dos demais do nosso grupo. Demonstrou bravura e muita resistência, verdadeiro espírito do audax.

Retornamos para a última etapa. Também não foi fácil, porém a partir do km 180 as subidas diminuíram um pouco. Acabaram, de fato, depois do km 195. Lá pelas tantas, a Paula, com seu olho clínico de exímia observadora, notou que o pneu traseiro da minha bike aparentava um bolha. Paramos para conferir. Ela tinha razão. Na verdade, uma pequena parte do pneu tinha saltado para fora do aro. Esvaziamos um pouco a câmara, que não chegou a furar. Recolocamos o pneu. Enchíamos a câmara, quando dois andarilhos, de forma curiosa e inusitada, nos alcançaram e ofereceram ajuda. Disseram que vinham de "SP". O Neco, pronta e educadamente, recusou. Tudo resolvido, voltamos a pedalar.

No trajeto, fizemos mais duas paradas em postos de gasolinas para novos banhos de água fria, num deles praticamente entrei num tambor de água para refrescar, e outras tantas para repor líquido e se alimentar. A decida da serra de São Luiz do Purunã, confirmada por todos, foi o "gran finale" antecipado. São cerca de 7 km de ladeira abaixo. A situação é tão inusitada que, a certa altura, ultrapassamos até caminhão. Foi, realmente, gratificante descê-la. No hodômetro da bike, a quilometragem avançava rapidamente.

Em função do calor, fizemos esse 4° trecho mais lento do que percorri no audax de 10/03. No posto da polícia rodoviária, que fica aproximadamente 10 km do fim da prova, fizemos a última parada. Eu era o mais cansado do grupo. Estava pregado. Certamente aquelas horas não dormidas na noite de véspera, a essa altura, faziam toda a diferença. Por volta das 18:30 h, avistamos o Parque Barigüi. O Luciano já havia completado a prova, pois se distanciou um pouco do grupo. Contornávamos a quadra, Sandro ligeiramente à nossa frente. Peguei a dianteira para servir de guia, pois conhecia o trajeto em função de já tê-lo feito em 10/03. ultrapassei o Sandro que estava parado na calçada. Tive a sensação que ele falou "e agora, por onde vamos?" respondi, na corrida, "me segue" e fui em frente. Acompanhavam-se o Neco e a Paula. Seguimos uns 100 m. Nada do Sandro. Paramos. Aguardamos um pouco. Nada. Ligamos pelo celular. Não atendia. Voltamos. Não o avistamos. Hora difícil. O que fazer? O trânsito de automóveis no local era pesado, pois estava no horário de pico. Supomos que Ele tinha partido por outro caminho. Seguimos para o Parque. Já estava escuro. Adentramos no Barigüi, por ele trafegamos por mais uns 10 min, na certeza de ter vencido o grande desafio. Eram 18:54 h quando Neco, Paula e Eu cruzamos a linha de chegada, cerca de 30 min. após o meu tempo do dia 10/03.

Pelo hodômetro da minha bike, Foram percorridos 204,01 km. Durante o trajeto, num ponto qualquer, a velocidade máxima por mim alcançada foi de 60 km/h. Meu tempo total pedalando foi de 9:47.51 h. Alcancei a média de 20,8 km (contra 21,8, do dia 10/08). De paradas foram mais 3:12h. Sobrou em torno de 30 min. do tempo reservado para a prova, que é de 13:30h. Neco e Paula fizeram os mesmos tempos, pois chegamos juntos. O Sandro um pouco mais, em função do que relato a seguir. O Luciano e o Marcelo tiveram um tempo um pouco menor.

Nada do Sandro. Ficamos preocupados. Ligamos novamente. Depois de algumas tentativas, a Paula conseguiu contato. Mais um pneu tinha furado. A essa altura, mal sabia Ele que sua prova já estava concluída, pois, segundo a Organização, na passagem pelo Shopping Center Barigui (que fica do outro lado do Parque), completam-se os 200 km da prova. Avisamos isso a Ele. Por sorte, o De Paula passava pelo local e prestou auxílio na troca da câmara-de-ar. Isso é permitido, porquanto o De Paula, como participante da prova, pode socorrer outro ciclista. Eram 19:05h quando o Sandro cruzou a linha de chegada. Ficamos aliviados.

Eu estava mal. Tinha uma sensação de enjôo muito forte. Não conseguia nem tomar água. Presumo que tenha sido em função do calor. O Neco me confidenciou que teve o mesmo sintoma.

O Trajeto como um todo, repito o que registrei no relato de 10/03, não é fácil. Seguramente, dos 204,01 km percorridos desta vez, pelos menos 102 são de subidas. As distâncias planas são pequenas. O percurso se divide em longas subidas e descidas. Nos declives a velocidade aumenta. Facilmente é superada a casa dos 45 km/h. O pedal é seguro. Trafega-se basicamente pelo acostamento, que é largo e bem conservado. Apenas para efeito de comparação está, no mínimo, no mesmo nível do asfalto que liga a BR-470 a Pomerode.

A altitude do trecho é a seguinte: parte-se de 900 m em relação ao nível do mar. No km 39 se chega a 1.160,9 m, que é o ponto mais elevado. No km 87, ponto mais baixo, a altitude é de 803,8 m. Por conta disso, o retorno é bem mais pesado que o percurso de ida.

A organização da prova, a exemplo do que se viu em 10/03, foi boa e o apoio da Polícia Rodoviária também. Nesta edição de 31/03 a água estava gelada nos PC's e serviram kit's de lanches. Isso é muito importante, vez que a alimentação é um dos requisitos para bem pedalar.

Concluir a prova traz um sentimento de superação de limite pessoal. Não precisa realizá-la com pressa. Dá para concluir o percurso com calma, disciplina e persistência. Ajuda muito equipar a bike com pneu fino (1.25 foi o que eu usei) nesses pedais, onde o piso de rola-mento é o asfalto. Por segurança, deve-se levar, pelo menos, duas câmaras-de-ar reservas.

Já tínhamos resolvido regressar a Blumenau no sábado mesmo. Antes, pararíamos nova-mente na churrascaria descoberta no dia 10/03, para começar a reposição das energias gastas. Desta vez, o grupo decidiu tomar banho. Regressamos, então, ao hotel.

A seguir, Eu, De Paula, Neco e a Paulinha fomos para o restaurante. Os demais resolveram seguir viagem sem jantar. Optaram por um lanche. Na churrascaria, mais uma vez, a comida era boa e barata. O local agravável e o atendimento nota 10. Fomos, vejam só, novamente divertidos com uma situação incomum, para nós. No local ocorria, desta vez, um casa-mento. O casório se dava por ali mesmo, com direito a capelão e tudo. Acompanhamos, inclusive, o ingresso da noiva, ladeada pelo seu ascendente, no recinto. Depois, ao longe, avistávamos a cerimônia, que, desta vez, não estava muito animada. Aliás, foi até atrapalhada por televisor sintonizado no "big brother" (é ruim) a todo volume. Jantamos rápido. Não consegui comer bem. Neco, De Paula e Paulinha apreciaram os exageros da casa.

No caminho, extremamente cansado, vinha dormindo. Acordei com o De Paula parando num posto de combustível. Perguntei o que tinha acontecido. Disse-me que ia "jogar água na cara" para espantar o sono. Diante disso, não voltei a dormir, preferindo conversar com Ele para que o sono não apertasse. Chegamos em Blumenau às 0:45 h de domingo. Os demais também chegaram bem. O domingo, foi de descanso para todos.

Ao todo, foram 6 (seis) câmaras-de-ar furadas. O que atrapalhou o resultado final do tempo. Felizardos foram De Paula, Neco, Paula e Marcelo, que não tiveram essa "sorte".

Vale a pena encarar esse tipo de prova. Vai uma provocação para quem ainda não fez uma edição do audax: preparem-se e participem. Talvez, esteja com vocês numa próxima. Quem sabe, um dia desses, encare o Audax de 300 km. Ainda não decidi.

Sinceros agradecimentos aos meus companheiros do "Bike 100 Limites" que, juntamente comigo, superaram o difícil Audax de 200 km de Curitiba, etapa de 31/03/2007.

Fonte: Paula Cristinne S. Fornari Nunes
Cidade: Curitiba-PR
Fotos: Paula Cristinne S. Fornari Nunes
Publicado: Ana Carolina Mondadori Tomasini
DATA: 19/06/2007 <%insert_data_here%>

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