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Circunavegação Antárctica 66-33 Entramos no Circulo Polar

Nei Maldaner na Expedição Circunavegação Antárctica 2006 relata tarde do dia 19 de novembro de 2006. Cruzando o continente Antárctico, a bordo do quebra gelo Kapitan Khlebnikov. Relato sobre a chegada a LAT 66.33 quebrando gelo na Península Antárctica!

Neste dia 19, não estava programado nada de "land", então resolvi acordar mais tarde. Foi ótimo, pois tinha ficado acordado até tarde. Assim pelas 8 horas levantei, dei uma olhada na janela e só via gelo. O mar estava coberto de gelo branco.

Chequei o GPS, tomei um ótimo banho, o banheiro da cabine era muito bom. Novamente não tomei café, subi para a sobre ponte para apreciar a paisagem. Era lindo, tudo branco. O mar cheio de gelo branquinho. Parecia uma cobertura de bolo, todo ondulado. Ao longe se via grandes icebergs.

Começamos então a ver muitas focas, leões e alguns leopardos marinhos. O navio praticamente passava por cima de alguns deles, eles ficavam ali inertes, mas no último instante com a chegada do barco, eles se movimentavam mais rápido que o normal.

Uma coisa que aprendi foi que ao redor de um grande iceberg tem o mar e por causa de sua movimentação, seja de ventos ou de maré, ele vai quebrando a camada de gelo deixando partes sem gelo. Ou seja no meio do gelo quando se abre um buracão grande e surge o mar é porque tem algum iceberg bem grande a volta.

Isso é um ponto interessante, pois assim os pingüins e as focas podem usar este espaço para buscar alimento. Também serve para as baleias respirarem.

O tempo que estava coberto foi abrindo, deixando aparecer o céu azul. Com isso, o pessoal tirou os helicópteros para fora, deixando-os no heliporto na popa do navio, que é a parte traseira, no deck 4. Depois começaram a manutenção, retirando parte das turbinas, creio eu.

Com o tempo melhor, outros passageiros saíram e começaram andar pelo convés, ficando principalmente na proa. Junto à frente do navio tinha os "Zodiac" os barcos infláveis, eles estavam coberto de neve, assim como toda a proa. Um dos marinheiros estava ali limpando um caminho para quem fosse na ponta da proa, não caísse na neve.

Nesta parte do mar nós estávamos longe da terra, não se via, mas cada iceberg gigante dava impressão de ilhas. Graças ao sol, tínhamos a visão multicolor, principalmente do branco e azul. Um grande iceberg com um arco se aproximava, era lindo. O sol ajudava dar mais cor ainda. Pudemos ir vendo as mudança de ângulo e a aproximação do arco.

Continuávamos vendo muitas focas sobre os gelos. Comecei a ver pássaros no céu e muitos rastros de focas. Interessante como deixam o rastro, pois não tem controle sobre a cauda, então ela fica fazendo um zigzag. Andamos assim até avistarmos uma ilha, encoberta parcialmente por nuvens. E o tempo voltava a se fechar. Muitos tipos de focas, brancas, marrons, pretas e cinzas.

Voltei para o quarto e fiquei olhando o GPS o navio estava indo reto. Estávamos perto dos 66.33, um ponto de convergência da Antártica. Olhando para fora, surgia o sol e as imagens ficam incríveis, deixando todo gelo com um branco radiante. Grande parte dos passageiros estava na proa tirando fotos dos icebergs, dos pingüins e das focas.

Nós já estávamos no sul do Pacífico. Começamos a ver novamente muitos pingüins sobre o gelo. Na hora de fugir pareciam patetas, pois corriam um de frente para o outro e se batiam, assim iam fugindo. Corriam um pouco, em seguida tropeçavam e iam de barriga, depois se levantavam e corriam de novo, às vezes se jogavam e iam de barriga até ficar longe ou se atirar na água.

Um momento que marcou foi quando vi uma foca tentando se esconder, se rolou na neve, depois enviou a cabeça na neve e suavemente levantou para ver se o navio não a via. Foi muito engraçado.

Surgiram outras focas de pele clara. Com reflexo do sol, a pele ficava muito linda, parecia aveludada.

Começou a nevar novamente. O navio ficou todo branco, começou a surgir nevoeiros, e eu na proa, tirando foto dos bichos. A neve acumulava tanto que seguidamente vinha um tripulante limpar, criando um trilho.

O gelo que era quebrado, ficou constante. Um bloco só. Dava para ver e ouvir o navio quebrando o gelo. Toda a frente do navio ficou coberta de neve. Estávamos chegando à latitude 66.30 sul.

Todos foram chamados no alto-falante para informar sobre chegada neste ponto. Este ponto divide a Antártida. São poucos que fazem uma viagem a Antártida abaixo deste número. Passei antes em meu quarto que ficava próximo e olhei no GPS, tirei umas fotos para me lembrar do momento. Fui para a ponte de comando. A maioria dos passageiros estava lá. Uns olhando equipamentos, outros olhando para a frente do navio, outros conversando. Lá estavam também os oficiais, analisando rotas.

Depois fomos chamados ao auditório. Era um treinamento obrigatório sobre uso do helicóptero. Tivemos instruções de uso e de segurança de helicópteros. Também foi apresentada toda a equipe de pilotos, que eram dois e mais um de segurança e os engenheiros dos helicópteros. Tivemos instruções de como se portar em momento de entrada, saída do helicóptero e também dentro dele, os cuidados e as áreas de risco. E ainda sobre onde era seguro pisar quando descemos em terra, parte da frente do navio e partes de trás.

Assim que terminou o treinamento fui para a sobre ponte, ali também apareceu a Anelise (mama) de Miame, uma menina de Honk Kong e o Peter da Holanda. Ficamos ali um tempo observando aquela imensidão.

A frente e os lados do navio era só gelo. O único lugar que tinha água era na parte traseira que era o rastro que o navio dava. Na frente continuavam aparecendo muitas focas e pingüins. O formato do gelo era de muitas panquecas ligadas uma nas outras, ou seja, losangos com a neve sobre eles, deixando-os suave.

Eu estava em dúvida entre assistir a palestra sobre pingüins ou ficar fora, no convés. Agora o mar era um gelo único, liso, focas e pingüins apareciam, mas em menor quantidade. De repente o mar surgia, é lógico logo adiante ou ao lado um grande iceberg.

Almoçamos e voltei logo para fora, pois nevara durante o almoço.

Fui para a proa, no deck 4, era incrível ficar lá na frente do navio e vê-lo quebrando o gelo. O gelo agora era liso, uma fina camada se quebrava longamente na frente. Primeiro chegou uma japonesa para conferir, e logo outros apareceram, muitos ficaram ali observando, apesar do frio. Depois fomos chamados pelo rádio para visitar o helicóptero, ver onde e como se entraria nele, era um treinamento.

Os helicópteros estavam desligados e os "staffs" (pessoal que trabalhava no navio) estavam a postos. Um a um para fazer o reconhecimento.

Verifiquei a aula de pintura, 14h15min com o pintor canadense David para um Workshop de Arte; Desenhando e Pintando pingüins, estava interessante, mas eu queria ver a natureza lá fora.

Depois um treinamento sobre geologia, rochas, formação delas, tipos, etc., e voltei para fora novamente, não sentia frio. Estava maravilhado.

Agora podíamos ver terra, não sabia se era uma ilha ou a Antártica, iria depois conferir no GPS. Em alguns momentos as montanhas refletiam-se na água aberta por grandes icebergs. Fiquei ali até o horário da janta.

Na janta, à noite, era estilo italiana, a mesa toda decorada com cores da Itália e a comida divina. Na nossa mesa já bem integrada, com os quatro holandeses e mais a Mama de Miame, tivemos um brinde de champanhe por ter entrado nesta área da Antártida. Na verdade já tinhamos feito um brinde à tarde no bar, mas como eu estava lá fora, acabaram fazendo outro na janta. Todo mundo já compreendia meu fascínio pelo gelo e com isso me tratavam com atenção, e eu gostava disso.

Saí da janta e olhei lá fora, o sol mais baixo e o mar liso de gelo, liso até o horizonte das montanhas. Como sempre pedia licença à turma e dizia que não tinha como ficar ali dentro, recebia os chocolates de alguns e já ia lá para fora.

Mesmo tarde da noite a claridade ficava permanente, fiquei um tempo bem grande ali fora, não tinha trazido a máquina e nem fui buscá-la no quarto. Era interessante ficar vendo o navio quebrando o gelo duro, liso. O som era constante, mas só era possível ouvir se ficássemos na proa do barco.

Encantava-me também ver a indiferença das focas, agora eram bem mais raras, devia ser porque não tinha os icebergs ao lado, e por isso elas não tinham como entrar na água. E como sempre no último momento se movimentavam enlouquecidamente para sair da linha onde o navio cruzava.

Sem o sol direto e um vento de proa, estava muito frio, acabei indo para o quarto, me organizar para o outro dia que teríamos "lands".

Sobre entrar na Convergência Antártica, entenda o que é:

A Convergência Antártica é uma região que cerca o continente antártico onde as águas antárticas frias, que fluem para norte, afundam por baixo das águas relativamente mais mornas sub-antárticas. Esta zona tem uma largura aproximada de 20 a 30 milhas náuticas, cruzando os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico entre as latitudes 48° e 61° sul.

A Convergência Antártica é um limite natural entre duas regiões hidrológicos e de vida marinha distintas e de climas diferentes. As ilhas Shetland do Sul, Órcades do Sul, Sandwich do Sul, Geórgia do Sul, Bouvet, Heard e McDonald estão situadas ao sul da Convergência Antártica; as ilhas Kerguelen são situadas aproximadamente na Convergência, enquanto que as ilhas Falkland, Príncipe Eduardo, Crozet e Macquarie estão situadas a norte da Convergência.

Agora entenda o Círculo Polar Antártico, a parte plana da terra no polo:

Círculo Polar Antártico é a linha imaginária (paralelo) cuja latitude é 66º33'39" Sul e que corresponde ao complemento de 23º4/10 nos trópicos. O Círculo Polar Antártico passa pelas partes mais ao norte da Antártida. Ao sul desta linha durante o inverno austral faz pelo menos um dia de noite absoluta (24 horas de escuridão), e durante o verão austral faz pelo menos um dia de luz absoluta (24 horas de sol, sol da meia-noite). Entretanto o tempo do dia e da noite podem variar conforme a época e também conforme a latitude. O ponto 90º Sul onde se localiza a estação Amundsen-Scott, por exemplo, enfrenta duas situações bem distintas durante o ano. Entre o equinócio da primavera e o equinócio de outono a estação é iluminada pelo Sol o tempo inteiro. Já entre o equinócio de outono e o equinócio de primavera, permanece somente a longa noite de seis meses.

Fonte: Nei Eugenio Maldaner
Cidade: Península Antárctica-EX-Antartica
Fotos: Nei Eugenio Maldaner
Publicado: Debora Americo da Silva
Date: 19/11/2006 <%insert_data_here%>

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Cruzamos

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  Evento 4832 - Antartica 2006 - Circunavegação

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