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Moto viagem de Joinville/SC a Sapiranga/RS

Ricardo Gerhard, Analista de Suporte MCSE/CCNA, realizou sozinho uma moto viagem de Joinville, em Santa Catarina, a Sapiranga, no RS, de 22 a 24 de junho de 2007.

Bom pessoal, para quem não me conhece, vou me apresentar: meu nome é Ricardo Gerhard, Analista de Suporte MCSE/CCNA, morando há 2 anos em Joinville e com raízes fortes na cidade de Sapiranga, RS. Atualmente minha namorada está lá e eu aqui. É um pouco difícil essa distância, mas o amor é capaz de tudo :) .

Desde que comprei minha primeira moto no ano passado, tive o pensamento de um dia fazer a viagem até minha cidade natal pilotando. Mas o tempo é curto, e sozinho é complicado. Meu pai, se soubesse, iria morrer do coração também, e não quero ser culpado da morte de ninguém, a não ser da minha mesmo :(.

Pois bem, durante a semana, verifiquei diversas vezes ao dia as condições climáticas para o final de semana. Sempre as mesmas previsões: sol, possibilidades de chuvas, e a temperatura com uma queda em todo o trajeto. Não resisti e fui conversar com meu superior para conseguir meio dia de folga. Primeiramente, aquela cara de quem não gostou, mas ele acabou cedendo (gente boa). Porém, qdo falei o que faria, só fez aquele comentário: "Se tu te matar, eu vou lá te buscar, seu .....".

É impressionante como o ser humano é um bicho negativo. Isso eu tinha ouvido em tons mais fortes da boca do meu pai e da minha mãe. Parece que tudo que fuja de uma rotina é encarado como uma atitude maluca ou sem fundamento. Veja, meu pai é aquele tipo anos 50, onde cabelo grande é motivo de indecisão sexual. Para o azar dele, comprei uma moto, o que já foi um choque para ele. Depois, peguei mais leve: comecei a surfar na madrugada. Pronto, esse não tem mais jeito.

Com a liberação, comecei a arquitetar a viagem. Avisei meus colegas de trabalho e comentei que não iria à aula na sexta. Avisei minha namorada e deixei por cima essa idéia com meu irmão. Todos contra minha idéia. Estava decidido que essa viagem sozinho seria um feito na história de uma geração da família Gerhard.

Na quinta-feira, um dia antes, troquei o óleo, revisei freio e embreagem. Durante a noite, qdo voltava da faculdade, 2 situações me deixaram com a pulga atrás da orelha: 1) Pela primeira vez na vida, um indívíduo me fechou no trânsito. 2) Minutos depois, o painel da moto girou como se fosse um pião. Seria um sinal para mim não ir?

Sexta, 12h, disse tchau para o pessoal no trabalho e fui para casa preparar a moto. Fechei a mochila, botei roupa, capa de chuva, amarrei tudo e lá fui eu, 28ºC. Uma maravilha para viajar. Parei no posto após 20km para abastecer e verificar como estavam as bagagens. Tudo tranqüilo.

Chegando em Florianópolis, o clima começou a esfriar. Coloquei um moletom por baixo, enchi o tanque e vamos nessa. O trânsito estava fluindo bem, sem muitos problemas. Sentir o ar das árvores é algo inexplicável em um mundo tão poluído como o que vivemos.

O dia começa a se por e estou apenas na metade da viagem. Parei para tirar uma foto em Laguna com um pôr-do-sol bacana. Pena que não tinha acostamento e acabei pegando o ângulo errado do sol. Resumindo, foto perdida, tempo perdido.

O trânsito começou a ficar pesado, já não conseguia impor o mesmo ritmo, mas estava determinado: "Vou chegar em Sapiranga de moto, e voltar. Não deve ser tão difícil". Parei novamente para abastecer no Japonês (lugar famosos em Sombrio). Comi algumas bolachas, água no rosto, roupa de volta e lá vamos nós.

100km depois, a situação ficou ruim. O frio tomou conta, não tinha posto de gasolina e estava escuro "pacas". O próximo posto seria a parada final. Coloquei a calça da capa de chuva, outro casaco, luva e lá vamos nós. Faltava pouco, 120km no máximo. Aumentei o ritmo e fui.

Quando cheguei na casa de minha namorada, minha sogra e minha cunhada estavam lá. Foi o máximo a viagem de ida. Mas e a volta? Bom aproveitei o sábado para visitar minha família e meu pai estava em casa. Quase caiu de costas qdo me viu, minha mãe só ria. Domingo, 10h, começa a volta. A temperatura havia caído para próximo de 15ºC. De moto era, no máximo, 10ºC. Fui vestindo tudo que era possível de roupa.

Nos primeiros 100km, ficava pensando: "Que frio, vou ter hipotermia ou algum problema de saúde SE conseguir chegar". Eis que vem o sol, após uma parada para "tirar água do joelho". 50km depois, ele não existia mais. Antes disso tudo, em uma rótula em Sto Antonio da Patrulha, em um momento de burrice, olhei para trás, entrei em 4ª na rótula e fui parar no canteiro...que mancada...mas não foi nada, só um roxo na perna esquerda e vamos lá, com mais atenção.

Parei na placa que dizia as distâncias para tirar a foto clássica. Espichei as pernas, arrumei a roupa e segui. O asfalto estava ruim, cheio de valetas, muitas vezes rampava friamente. Nenhum caminhão estava em um ritmo bom, fui obrigado a tomar a frente. As nuvens anunciavam: "Alemão, te prepara! Se agora tá frio, imagina com chuva". Aproveitei o trânsito mais livre e fui em um ritmo mais forte para passar da nuvem. Não resisti e parei em Paulo Lopes para tomar um chocolate quente e comer uma coxinha. Qdo voltei para a moto, lá estava a chuva. Não me restava nada a não ser seguir viagem.

15km antes de Florianópolis, o último abastecimento. Dali para frente, era eu contra o frio, chuva e as dores no pescoço e ombro esquerdo. Acelerei e fui, passei por chuva, carreta, temporal, até chegar em casa com tempo bom.

Tirei todas minhas roupas e joguei no sofá para tomar um banho quente. Os pés doiam de frio. Fiquei pasmo pela quantidade de roupas que havia tirado e fui obrigado a tirar uma foto.

Pois bem, 640km de ida, mais 680km de volta em 2 dias que ficarão para a história de todos que me conhecem.

Fonte: Ricardo Gerhard
Cidade: Joinville-SC
Fotos: Ricardo Gerhard
Publicado: Ana Carolina Mondadori Tomasini
DATA: 26/06/2007 <%insert_data_here%>

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