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Os nossos colaboradores João Maia e Lourdinha fizeram uma viagem pelo Conesul de 26 de agosto de 2006 a 21 de outubro de 2006. Foram 16.125 km em 56 dias. Confira o relato!
É muito difícil fazer um resumo de uma viagem como essa mas vamos tentar. Saímos de Natal, em 26/08/2006, bastante apreensivos e nervosos principalmente em relação à Bolívia. Houve uma verdadeira festa de despedida no Motoclube B17 e pegamos a estrada já quase meio-dia. Dividimos a viagem em vários trechos.
Trecho 1:
Seguimos pela BR101 parando para descansar em Maceió (casa do Marcos), Tancredo Neves (BA), Porto Seguro (BA), Viana (ES), Petrópolis (RJ), Aparecida (SP). Em São Paulo, ficamos hospedados na casa do Sérgio e fomos juntos para Curitiba para o encontro dos Vulcaneiros.
De uma maneira geral, a estrada está boa e tem uma paisagem rica e variável que a torna gostosa de dirigir. Trechos ruins e em recuperação em Aracaju e na Bahia.
Trecho 2:
Saímos de Curitiba para Foz pela BR277. Foi a estrada mais cara que já rodamos até hoje. Podemos afirmar que não é melhor que muitas do NE que são de graça. Ficamos alguns dias em Foz tentando adquirir o seguro Carta Verde para o triciclo. Não entendíamos o porquê de tanta dificuldade das seguradoras de nos passar esse documento até que encontramos uma que nos perguntou o tipo de placa do triciclo e nos deu um seguro de moto o que era bastante óbvio.
Trecho 3:
Passamos a aduana brasileira sem nenhum problema, ao contrário da aduana argentina. Os caras queriam encontrar no computador "Triciclo Muller"!!! E a fila atrás crescendo, os motoristas buzinando irritados e os caras nem ligavam. Foi uma hora e meia explicando que eles não iriam encontrar nada similar. Teriam que cadastrar!
Saímos da aduana, pela Ruta 12, debaixo de uma chuva de meter medo a qualquer nordestino macho e só parou pouco antes de Corrientes (ARG). Não deu para ver a paisagem. Dormimos em Resistência (ARG), onde saímos no dia seguinte, pela Ruta 16, para Salta. Dormimos em Salta (ARG), cidade muito bonita que merecia mais atenção.
Seguimos para Purmamarca (ARG). Nesse trecho começa o deserto. Levantamos cedo e seguimos para San Pedro de Atacama (CHI) pela Ruta 27. A cidade é pequena, congestionada e poeirenta como a anterior. Saímos no dia seguinte devido à superlotação do final de semana prolongado no Chile.
Trecho 4:
De San Pedro, fomos dormir em Iquique (CHI), via Tocopilla (CHI) onde conhecemos o Oceano Pacífico. De Iquique, seguimos para Arica (CHI) onde procuramos a famosa novidade entre os dois paises que é uma tal de Lista de Passageiros. Coisinha difícil, complicada e não tente entrar no Peru sem ela. Ao atravessar a aduana peruana aumentou nossa adrenalina pois ouvíamos muita coisa ruim sobre o Peru.
Trecho 5:
Fomos dormir em Moquegua (PER) ainda assustados. É uma cidade pequena e muito acolhedora. Saímos de lá para dormir em Puno (PER), dois dias depois, via Desaguadero (PER). Puno é muito bonita, acolhedora e de trânsito caótico. De lá, seguimos para Cusco (PER). A cidade é linda, de arquitetura espanhola antiga e restos de construções Incas.
Em Cusco, passamos três dias com dois pacotes turísticos, sendo um para o Vale Sagrado e outro para Machu Pichu. Não aconselhamos ninguém fazer esses roteiros por conta própria. De volta a Puno, fomos às Ilhas dos Uros, também de pacote turístico. Passamos dois dias em Puno. É aconselhável que se faça esse roteiro na ida pois se pode sair de meio-dia de Puno para Cusco já que a duração do passeio é pela manhã.
Chegamos a Desaguadero em uma sexta-feira e estava um verdadeiro inferno de gente e veículos. Ficamos mais de três horas na aduana boliviana. Deu para sentir o que nos esperava.
Trecho 6:
Passamos dois dias em La Paz. A altitude, as ladeiras da cidade, além da comida péssima, nos matava. Seguimos para Cochabamba onde dormimos e, no dia seguinte, programamos dormir em Santa Cruz. Estávamos descendo a montanha em direção a Santa Cruz quando fomos parados devido a um trabalho que estava sendo feito na estrada. Querem saber quando nos liberaram? Nove horas e meia depois. Nós e mais uns cem veículos. Dormimos em Villa Tunari e seguimos, no dia seguinte, para Santa Cruz.
De Santa Cruz, fomos dormir em Roboré passando pela região das Missões Jesuíticas. Até San José de Chiquitos, a viagem foi razoável mesmo com mais de trezentos quilômetros de barro. Estávamos a 5km de San Jose, 17:30 hs, quando um policial nos informou que, até Roboré era asfalto e havia melhores hotéis. Seriam duas horas e meia, apenas.
Três horas depois, não chegamos a Roboré e o asfalto acabou. A estrada se transformou em inúmeros desvios sem sinalização e deserta àquela hora da noite. Para complementar o panorama dantesco, muitas poças de água e de profundidades variáveis. Lá para as 22.0 hs, quando já estávamos dispostos a dormir no chão ali mesmo "caímos" no acampamento da construtora que nos ensinou a chegar a Roboré.
Sem almoço, sem janta, totalmente enlameados e empoeirados, fomos dormir. No dia seguinte, seriam somente, mais duas horas e meia para Corumbá. O hotel era de um motociclista trilheiro. Foi ele que nos passou a informação e nos levou até a estrada.
A estrada era outra seqüência de desvios sem sinalização e completamente esburacada. Nosso lanche caiu sem ser visto. Nossa bagagem caiu e apanhamos. Nosso triciclo começou a se desmanchar e o tanque teve que ser transportado praticamente nas pernas. Quatro horas depois, encontramos dois topógrafos brasileiros que nos deram um pouco de água e uma péssima notícia: Talvez chegássemos a Corumbá por volta das 20h30min.
Chegamos às 17h30min depois de "comer" uma manga verde como almoço, alguém a largou na estrada.
Trecho 7:
Em Corumbá recuperamos o triciclo e seguimos viagem para Campo Grande onde dormimos. Dormimos também em Rio Verde (GO), Vila Boa (GO), Paratinga (BA), Lençóis (BA) e Aracaju passando por Brasília, Bom Jesus da Lapa e a própria Chapada Diamantina. Nesse trecho, as piores estradas continuam sendo na Bahia e Sergipe.
Passamos três dias na casa do Marcos Maia, tomando banho de piscina, tomando cachaça e comendo churrasco. De lá seguimos para Campina Grande (PB), onde descansamos na casa do Joaquim outros tantos dias para chegarmos a Natal, em 21/10/06. Foram 16.125 km, de velocímetro, em 56 dias.
Gastamos mais de R$ 8.000,00 entre hospedagem, refeições, combustíveis e diversos como o conserto do triciclo e sua manutenção preventiva.
Isso corresponde a pouco mais cinqüenta centavos de real por quilômetro.
O triciclo fez uma média de 13,8 km/l de consumo de combustível. Seu consumo pouco mudou com a altitude.
Durante toda a viagem, não tivemos problemas com nenhuma autoridade de qualquer país. Não passamos por nenhum susto na estrada ou no trânsito das cidades. Não sofremos nenhuma tentativa de assalto ou roubo.
Não fomos xingados, nem sofremos qualquer tipo de aborrecimento que não fosse o burocrático, em qualquer país por onde passamos.
O triciclo chamava a atenção por onde passava e, obrigatoriamente, nos identificavam como brasileiros, o que facilitaria alguma observação maldosa que não ocorreu em nenhum lugar.
Mais sobre o triciclo:
Comportou-se muito bem durante a viagem mesmo a grandes altitudes e com vento contrário que não permitiu que ele passasse dos 80 km/h.
Trabalhou redondo, com partida rápida a frio (não tem afogador).
Em grandes altitudes, ouvia-se um chiado característico de fervura proveniente da tampa do tanque de expansão sem que o nível da mesma baixasse.
É necessário muito cuidado nesse detalhe com veículos de circuito de refrigeração aberto pois, com certeza, vai perder água o que será bastante perigoso. No barro, perdeu a buzina, arriou a suspensão traseira, estourou os dois amortecedores dianteiros, quebrou a base do tanque de combustível e está precisando de novos embuchamentos dianteiros e novo radiador. Lavamos, limpamos carburador, trocamos filtros e óleos em Natal, Foz, Corumbá e Natal novamente.
Queremos agradecer ao Marcio Antunes, Graça Santos, Roberto Resende, Rodrigo Moraes, Sergio Naranjo por todas as informações e apoio desde o início até o final da viagem. Ao B-17 e Mototribo Potiguar pelas festas de saída e chegada. Ao Ricardo Rauen cujo livro foi um verdadeiro guia precioso durante toda a viagem no exterior.
À Quatro Rodas com seus guias e mapas precisos e bem detalhados. À minha companheira de todas as aventuras que, pacientemente, tem me suportado a mais de trinta anos. E, finalmente, à Nossa Senhora que intermediou nossa proteção nos Céus fazendo com que fossemos e voltássemos são e salvos.
Abs
João Maia
Fonte:
João Maia Cidade:
Conesul-EX-EX Fotos: João Maia Publicado: Debora Americo da Silva Date: 26/06/2007
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