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Artes Marciais: Competições

Um tema bastante abrasivo e polêmico para muitos. Adeptos de diversas modalidades marciais enquadram-se como verdadeiros campeões da tolerância de um sistema pouco marcial, injusto e centralizador. Conheça mais sobre este tipo de esporte!

Nosso meio social sempre ganhou destaque nos muros da violência e da fama. A agressividade e a vontade de superar as pessoas estão presentes no dia a dia incentivando o ser humano a transgredir sua verdadeira natureza. Nas competições, não é diferente. Diversas vezes vemos atletas lutando com "raiva" ou "ódio" em uma vontade quase que extraordinária de ferir o seu semelhante. Não obstante, estas lutas podem vir de uma competição anterior ou até mesmo fora dos ringues, naqueles simples treinos de combate em sala de aula.

Podemos perceber que este atleta não somente gera um ato pouco esportivo com seu adversário, mas também com os juízes, a torcida e os técnicos presentes. O fato é que, às vezes, certos descontentamentos aumentam de tamanho: familiares entram na briga a favor da causa de seus entes e o caso acaba na delegacia (desde agressões verbais até as mais graves, podendo gerar algum tipo de processo judicial).

De uma forma direta, entende-se que o sistema competitivo gera muito mais perdedores do que ganhadores. É verdade que ninguém quer perder, mas um certo "alguém" resolveu inventar e disseminar pelo mundo que temos que ser derrotados para superar estas derrotas.

Devemos ser unidos e idealizados a um caminho em comum, sempre com vitórias em conjunto, mas para que isto aconteça, as competições deveriam ser transformadas em apresentações. Seria com intuito de beleza e graça. Algo tecnicamente "combinado". Sem premiações ou louvores para alguém específico. Contudo, o sistema poderia continuar seletivo para estas apresentações em grupos, mas pelo menos, o choque corporal que muitas vezes lesa o oponente no físico e/ou mental não iria afastá-lo de seus treinamentos.

Atualmente, encontramos pseudofilosofias nas Artes Marciais que transgridem totalmente o conceito filosófico/espiritual, quando a procura pela verdadeira Arte Marcial deveria acontecer para descobrir um "caminho", diante de diversos conceitos altamente opostos aos das competições.

Arte Marcial não é luta externa, é interna! Porém, "luta" não seria o termo correto e sim "estudo". Este estudo é voltado para a aquisição de valores e de conceitos mais coerentes e saudáveis para a vida diária e no encontro com o Ser.

É uma pena que se dê uma ênfase tão competitiva e não construtiva em produzir exímios profissionais e, principalmente, cidadãos exemplares contribuintes da paz e da saúde. Muito pelo contrário! Máquinas de combate são formadas em diversas academias do país e que, na maioria dos casos, não têm conhecimento marcial-cultural. Pensam que alcançaram a paz e o reconhecimento popular ao superar o outro. Infelizmente, não pensam em superar este desejo de competir ou de ganhar, perdem de fato o teor verdadeiro da Arte Marcial. Porém, de certa forma, conseguem êxito e reconhecimento. Claro que através de conceitos populares que estão enraizados erroneamente. A culpa é de um mau estímulo.

Um lado positivo é que estes combates abrem uma oportunidade extra para praticantes agressivos que tendem a ser "doutrinados" por seus professores nas salas de aula.

Competidores são aqueles que ajudam a enriquecer um sistema pouco justo e egocêntrico que contribui, muitas vezes, para o envenenamento do espírito de novos adeptos. Dentre eles, a sua maior parte está iludida à espera de patrocinadores de porte e que destes tirarão o seu sustento, além de títulos mundiais e olímpicos. Suas medalhas de ferro ou acrílico com dizeres de campeões são seus cartões de visita, mas suas cicatrizes e seqüelas também o serão.

Enalteço-os aqui e agora! São mais que campeões de primeiro lugar: são campeões das distensões, dos hematomas, das fraturas e da espera do interesse dos dirigentes em proporcionar melhoria no campo profissional. São campeões que continuam suas batalhas sem olhar para o lado e dar a mínima atenção para suas dores, tanto nos treinamentos quanto em suas batalhas competitivas.

O corpo principal de divulgação são os próprios atletas. Nada recebem além de "um tapinha" nas costas por terem ganhado um pedaço de metal e ainda pagam para dar crédito e manter o nome da "Arte Marcial" - O Esporte! São os verdadeiros veículos que movimentam a propaganda de sua modalidade.

Por fim, fica a minha palavra de agradecimento para aquelas "pessoas de alma" que após minha morte dar-me-ão créditos e espalharão minhas palavras para um determinado fim e na construção de um mundo melhor e menos competitivo, pois infelizmente, só seremos escutados quando nos calarmos definitivamente e, provavelmente aparecerão oportunistas para tirar proventos.

Roberto Cardia

Fonte: Roberto Cardia
Cidade: Rio de Janeiro-RJ
Fotos: Roberto Cardia
Publicado: Debora Americo da Silva
DATA: 10/07/2007 <%insert_data_here%>

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