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Heloisa Helena Cunha Marques, de Fortaleza-CE, juntamente com sua irmã Lúcia, realizou uma aventura emocionante no Trem Transiberiano, entre os dias 12 de maio e 3 de julho de 2006. Confira a décima parte dessa aventura.
Passamos por Yakaterinburg a cidade onde o Nicolau II, último czar russo, sua mulher e cinco filhos foram assassinados na noite de 16 de julho de 1918. A Sibéria começa no quilômetro 2.102.
A marcação da quilometragem fica ao lado da via férrea e ficávamos sempre esticando o pescoço pela janela para vermos os números e assim, segundo nosso Lonely Planet, sabíamos onde estávamos. Descobrimos um relógio que marcava a hora de Moscou e uma tabela na qual constavam as paradas do trem, sua duração, horário de chegada e partida. Tudo em Cirílico.
Às vezes a gente conseguia se localizar comparando com os nomes das cidades escritos nas estações. Líamos muito, olhávamos a paisagem através do vidro meio sujo, dormíamos bastante, tomávamos muito chá. Por falar em vidro sujo imaginem que o nosso vizinho um enorme holandês e sua namorada trouxeram um kit limpa vidros e assim, em uma parada, desceram e limparam bem direitinho o vidro de sua janela para enxergarem melhor a paisagem. Boa providência! Voltamos a nos encontrar em Beijing. A viagem para Novosibirsk dura dois dias e três fusos horários.
A chegada a Novosibirsk se deu já de madrugada. Nos esperava um motorista. Nosso hotel era bem confortável. Dormimos bem e no dia seguinte conhecemos nossa guia que falava espanhol. Tinha os dentes superiores cônicos todos em ouro e o cabelo cor de cenoura. Muito esquisito.
O clima já havia esquentado um pouco. Saímos com Dona Ida para a Akademgorodok situada a uns 50km. Foi nos explicando que esta Cidade Acadêmica foi fundada em 1958 para reunir os maiores cientistas da nação. Nessa cidade existiam aproximadamente 40 institutos de pesquisa que davam suporte ao complexo industrial-militar e ajudavam a fazer da União Soviética uma super potência.
É uma cidade de prédios compridos de três andares, de cor bege, arquitetura característica do regime comunista. Os prédios ficam dentro de extensos e bonitos parques. As ruas são bem arborizadas. Nossa visita se restringiu ao Museu do Instituto de Geologia.
Ficamos sabendo que a Rússia é riquíssima em minerais, alguns deles eu nunca ouvira falar como a Charoete, uma pedra lilás muito bonita. Aliás, nos informaram que um único depósito desse mineral foi encontrado a nordeste de Irkutsk, no vale do Rio Chara. Nossa guia mostrou-nos cristais industriais, um dos bens exportados fabricados pelos institutos de pesquisa com fins lucrativos.
A visita deixou a impressão de decadência e é isso mesmo. Nos anos 90, com a extinção da União Soviética e diminuição drástica das verbas governamentais a cidade tornou-se símbolo da decadência da ciência russa e do declínio do Estado.
No entanto lemos que, atualmente, tenta-se reerguer a Cidade Acadêmica através de atividades que a tornem auto-sustentável. Há uma firma de software que executa programas de computador para a IBM, telefonia móvel a preços relativamente baixos.
Outra atividade é aquela dos cristais industriais. A cidade leva vantagem, pois dispõe de um amplo quadro de físicos, matemáticos e cientistas de computação trabalhando com baixos salários. Dona Ida, muito apressada, levou-nos a visitar uma estação de metrô, cujos bonitos murais eram todos feitos com os diversos mármores da Sibéria.
Fomos também à Igrejinha de madeira que ela, para falar a verdade, não sabia nem que existia. Levou-nos também ao Mercado onde compramos laranjas, muitas nozes e frutas cristalizadas, tudo para a viagem a Krasnoyarsk. Ela sempre muito apressada nos dizia que estava na hora de irmos.
No dia seguinte visitamos o Museu de Antropologia, sem entender muita coisa, pois não havia tradução e nem Dona Ida sabia de nada, mas entendemos que conta a história dos primeiros povos russos até a revolução de 1917. Logo depois deixou-nos no hotel.
À tarde resolvemos tentar um telefonema para o Brasil. Achamos a duras penas uma central telefônica e depois começou a dura fase do "entender" como fazer. Uma das mocinhas falava um italiano bem ruinzinho não pior do que o nosso que não existia. Conseguimos nos entender.
A coisa funciona mais ou menos assim: a gente diz que quer falar 10 minutos, ela calcula em rublos, paga-se. Avisa que assim que o outro lado atender a gente deve apertar a tecla três. Se não apertar este número mágico a conversa vira monólogo. Meu Deus! Foi nesse dia que, caminhando pelas ruas da cidade, vimos na vitrine de uma livraria os livros de Paulo Coelho expostos com encadernações lindíssimas.
Ficamos curiosas e entramos. Vários cartazes anunciavam o lançamento do seu último livro com uma noite de autógrafos. Uau! Mais tarde soubemos que ele também estava nos trilhos transiberianos. Será que vai sair algum livro tendo como pano de fundo a Sibéria e a Transiberiana Vamos aguardar.
Fonte:
Heloisa Helena Cunha Marques Cidade:
Novosibirsk - Rússia-EX-Russia Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques Publicado: Debora Dias Date: 26/07/2007
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