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Heloisa Helena Cunha Marques, de Fortaleza-CE, juntamente com sua irmã Lúcia, realizou uma aventura emocionante no Trem Transiberiano, entre os dias 12 de maio e 3 de julho de 2006. Confira a décima quinta parte dessa aventura.
O trem partiu de Ulan-Ude exatamente as 07:05. Nos despedimos do amigo Baier e nos preparamos para a fronteira Rússia-Mongólia conhecida por ser extremamente rigorosa, isto é, muitas horas de duração. Não houve nem um pinguinho de exagero. Nossa nova provodinitsa era uma loiríssima oxigenada. Os cabelos eram revoltos e eriçados o que levou-nos a apelidá-la de couve-flor.
Era muito simpática e tinha muito cuidado com os turistas. Até a fronteira, em Naushki, o trem leva umas cinco horas. Quando ele pára passam dois guardas para olhar se todos estão com seus passaportes, em seguida a provodinitsa marca a hora e avisa que podemos ficar fora do trem por duas horas repetindo várias vezes "toalete".
Entendemos que, em terra, teríamos que procurar um banheiro, pois os nossos ficariam fechados durante todo o tempo dos procedimentos fronteiriços. Duas horas depois, e já de volta ao trem, passa outra pessoa distribuindo os formulários de saída do país que devem ser preenchidos em duas vias.
A provodinitsa passa novamente pedindo as passagens que são examinadas atentamente. Na seqüência todos são mandados para dentro das cabines, ninguém nos corredores. Passa um oficial pedindo para examinar o formulário de entrada na Rússia com todos os carimbos das cidades visitadas. Faz uma anotação. Esqueci de dizer que, ao chegar em cada cidade da Rússia, a gente tem que carimbar o tal formulário de entrada daí sua importância, não pode ser perdido. É uma maneira de controlar os passos estrangeiros no país.
De vez em quando cabelo couve-flor passa perguntando: tem bagagem lá em cima Lá em cima é um buraco utilizado para colocar os lençóis, cobertores e travesseiros. Respondemos prontamente: Net! Nisso passa uma outra equipe recolhendo os tais formulários de entrada na Rússia junto com os passaportes.
Dentro da cabine aguardamos o desenrolar dos acontecimentos, agora sem passaportes, sem passagens e sem os formulários de entrada no país. Um bom tempo depois chega um outro policial com os passaportes, ordena que fiquemos em pé e que olhemos para ele. Compara nossa cara com a foto do passaporte e desaparece.
Uma hora depois volta um policial com os passaportes entregando-os à medida que são carimbados pelo ajudante. Lá fora muitos policiais e dentro do trem muita gente perguntando pelo banheiro que continua fechado. Finalmente o trem é liberado, mas meia hora depois pára em Sükhbaatar, fronteira da Mongólia.
Aqui a cena se repete: entregam o formulário de entrada que, felizmente vem traduzido e olham o passaporte, Uma das policiais parece irritada porque não entendemos o mongólico, imaginem. Desaparecem e há um tempo para relaxar. Alguém grita para sairmos da cabine e vem uma mocinha fardada, por sinal muito ágil, que sobe nas camas para examinar o buraco de guardar lençóis.
Procura contrabando Drogas Quem sabe Nova ordem para entrarmos na cabine e permanecermos quietos. Constatado que nós éramos nós, agora sim, carimba o passaporte. Com os passaportes na mão o trem começa a se mexer. Quase sete horas nas fronteiras. Dormimos profundamente e fomos acordadas pela provodinitsa. Chegáramos a Ulaan-Baatar, capital da Mongólia. Eram 07:00 O guia já nos esperava. Graças a Deus ajudou-nos a carregar as malas.
Assim conhecemos o Sr. BatBold, nosso guia e seu motorista de luvas brancas. Nos ajudaram a descer as malas e carregá-las até o carro. Fomos para o Hotel Khan Palace, muito bom, diga-se de passagem.
Mongólia, terra misteriosa e mística, morada dos Xamãs, de povos nômades e de Gengis Khan guerreiro e imperador, responsável por erguer um dos maiores impérios de todos os tempos, o Império Mongol, que se estendia do Oceano Pacífico, no Extremo Oriente, à fronteira ocidental da Rússia. Já estávamos gostando da Mongólia.
Tomamos um café da manhã e partimos para conhecer Ulaan-Baatar uma cidade de 1.200.000 habitantes. Fomos direto para a grande praça central, a Praça Sükhbaatar. Ela é um enorme quadrado cercado de edifícios públicos. Em um dos lados está sendo construído um grande monumento homenageando Gengis Khan, pois, nesse ano de 2006, comemora-se seus 850 anos e os 800 anos do nascimento do grande Império Mongol quando ele conseguiu unir todas as tribos das Estepes e foi aclamado o Grande Khan, uma espécie de Imperador.
No meio da praça há uma bonita estátua eqüestre homenageando Sükhbaatar, herói nacional e o primeiro líder da Mongólia independente.
De lá fomos ao Museu de História Natural onde estão expostos os esqueletos de um enorme dinossauro e de outros menores, ovos petrificados, todos encontrados no Deserto Gobi.
O Museu é muito bem organizado e as peças estão em excelente estado. Fomos então ao maior e mais importante Monastério Budista da Mongólia, o Gandan. Hoje esse Monastério abriga dez Dastans (institutos), livraria e 900 monges. Milagrosamente parte dele sobreviveu à barbárie comunista quando, em 1938 , as comunidades religiosas foram abolidas e 900 templos foram destruídos. O que restou serviu de alojamento para oficiais russos. No caminho fizemos câmbio. A moeda é o Tögröd e 1U$=1.192Tg .
No Gandan o que mais me impressionou foi o Migjed Janraising um templo imponente e lindo que abriga uma imensa estátua do Buda da Compaixão. Ela não é a original porque a original foi enviada para Leningrado por ordem de Stalin, fundida e transformada em balas. Ah, Stalin!
A que está lá é uma cópia feita com generosas doações dos devotos budistas. Ela tem 26,5 metros de altura, 90 toneladas de cobre, 135 quilos de ouro. É linda! A gente fica lá olhando para cima até o pescoço doer. Saímos para o Palácio de Inverno de Bogd Khaan, um dos palácios mais bonitos que eu vi. É verdade que algumas partes estão deterioradas e os jardins estão mal cuidados, mas isso não diminui sua beleza.
Os desenhos são tão lindos, detalhados e coloridos que encantaram um milionário americano o qual, atualmente financia a restauração de uma das portas. A restauradora, já uma senhora, estava encarapitada em uma escada e trabalhava com uma paciência... À noite fomos a um show folclórico muito bonito.
Voltamos a escutar os sons tirados da garganta, de instrumentos chamados cabeça-de-cavalo ou Morin Khor e de harpas simplificadas. Os sons são maravilhosos e levam-nos às Estepes e ao galope dos cavalos livres correndo com as crinas ao vento. Além disso, as roupas dos artistas são muito ricas e coloridas. O Morin Khor é um instrumento de duas cordas feitas de crina de cavalo .
O som é tirado por um arco como no violino. Na sua parte superior exibe sempre uma cabeça de cavalo esculpida em madeira, daí o nome. Os mongóis têm uma relação muito especial com esses animais. Fomos dormir apaixonadas pela Mongólia. Essa paixão iria dominar-nos nos próximos dias.
Fonte:
Heloisa Helena Cunha Marques Cidade:
Ulan-Ude - Rússia-EX-Russia Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques Publicado: Debora Dias Date: 27/07/2007
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