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Nei Maldaner na Expedição Circunavegação Antártica 2006 relata o dia 22 de novembro de 2006. Cruzando o continente Antártico, a bordo do quebra gelo Kapitan Khlebnikov. Relato sobre a chegada na Ilha Peter I0Y, na Península Antártica!
O dia estava cinzento, pesado, não tinha muito a olhar além de cuidar no GPS por onde estávamos indo. Voltamos um dia no horário, este dia seria um dia importante se conseguíssemos chegar à ilha de Peter I0Y. Mas com o tempo daquele jeito.
Dei uma olhada para fora e decidi estudar mais um pouco do inglês, ler os textos que nos passaram, tinha ido dormir cedo, então não estava com muito sono.
Eu estava muito bem acomodado e neste dia fui tomar o café da manhã. Encontrei poucas pessoas lá, algumas já tinham ido comer ou tinham tirado o dia para dormir mais.
Voltei ao quarto e vi a chamada para a palestra da manhã sobre a ilha mais distante do pacifico, "Peter I0Y Briefing - Bob learn about our plans for visiting the island" (Peter I0Y Instruções - Bob fala sobre os planos de visitar a ilha).
Seguindo as instruções de ir para fora do deck e olhar como se aproximar da ilha Peter I0Y.
Na palestra foi passada muita informação sobre o local, algumas que até eu não entendi, mas era também muita estatística do local, de tentativas do passado de chegar e de transformar o local em uma base de processamento de baleias.
Mas que não deu certo, pois o mar é difícil e não tem boas enseadas para aportar.
Explicou também sobre a possessão Norueguesa e as expedições de pesquisas na ilha. Falaram da raridade de pessoas que chegaram a pisar na ilha e quanto seríamos privilegiados se o tempo melhorasse. Falara da dificuldade de navegar com os "zodiacs" por causa do gelo, então a saída era o tempo limpar.
Eu não acreditei que não iríamos à ilha, visto que o tempo estava muito fechado e mesmo sendo Antártida, eu não tinha mais esperança. Tinha muito gelo mesmo.
Saímos da palestra todos meio sérios, sem muita motivação. Olhamos para fora e o tempo e o gelo nos diziam que seríamos mais uns a não aportar na ilha.
De longe já se via a ilha, pelo menos era o que pensávamos. Voltei à cabine, estava muito frio e verifiquei no GPS que seguíamos em linha reta, então estávamos sim próximos à ilha.
Fui almoçar e neste dia não vi a empolgação tradicional, estava todo mundo apreensivo. Alegres, mas não com euforia.
Começamos a ver a ilha, todo mundo foi convidado a sair e olhar a chegada na ilha. Estava frio e sem sol, mas as pessoas iam aparecendo do lado de fora.
Podia-se ver bem a ilha, coberta de neve, as nuvens pesadas se juntavam em cima da ilha. Quando chegamos mais perto era possível ver a grossura de gelo sobre a ilha, pois a parte lateral da ilha tinha caído neve e dava para ver as rochas, exatamente como aprendemos pela manhã, que a lateral era bruta, com penhascos de difícil acesso.
A camada de neve em cima quase igualava a altura da ilha, mas não dava para ter certeza. O gelo até a ilha continuava com aquele estilo de "panqueca".
Uma esperança surgiu quando a ilha foi iluminada por uma faixa de sol, mas o tempo não abriu. A camada de nuvens estava muito baixa para os helicópteros voarem e o gelo no mar todo fechado em "panquecas".
Muitos que não tinham saído para olhar, olhavam de sua cabine. Fui para a proa, para ver mais de baixo a ilha. Estávamos chegando perto e na parte norte da ilha, que se alongava de norte a sul, pudemos que a quantidade do gelo era bem menos espesso do que as rochas.
Olhei para o mar, vi o mar sem gelo, em volta da ilha não tinha gelo constante. O helicóptero estava descartado no momento, mas de barco poderíamos ir.
Porém, olhava a ilha e não tinha por onde ir. Só gelo e rocha.
Voltei à sobre torre para ver melhor de cima, levei a filmadora, coloquei-a sobre um equipamento e deixei ligada para filmar toda a aproximação.
O gelo flutuava em pequena quantidade, vi muitos grandes icebergs, quase do tamanho do navio ou talvez maior, devido à distância. Talvez por isso e pelos ventos que o mar não estava congelado.
Contornamos a ilha descendo no lado direito de quem vem do norte.
Pegamos uma parte do mar cheio de gelo, mas logo vimos que tinha o mar aberto. Uma parte dos passageiros estava junto acima da ponte, outros deveriam estar nas suas cabines ou dentro da ponte de comando, protegidos do frio. De cima do barco vi uma movimentação no convés, na proa, um tripulante vestido com seu uniforme vermelho mexia nas correntes e pelo jeito iria lançar a âncora.
O barco se aproximava da ilha, bem perpendicular, estávamos no meio do lado direito e indo agora em direção a ilha.
Vários icebergs gigantes estavam a nossa volta, lindo, azul, mesmo sem o sol tinha visões incríveis.
De um lado da ilha vimos uma rocha alta, imponente, parecia uma catedral ou um castelo todo escuro e logo ao seu lado a ilha. Acabamos ficando ali, lançaram ancora, levantando ferrugem.
O telefone por satélite era usado por muitas pessoas, uma delas era uma senhora da Alemanha que ligou informando que estávamos no lugar. Eu não sabia da importância deste lugar antes de meu amigo Gunnar ter falado, mas mesmo sem ter dado importância, naquela hora vi como todo mundo dava valor.
Informaram-me que tinha gente que já fez duas vezes a viagem só para pisar na ilha. Esta e outra na parte sul da África do sul.
Voltei rapidamente para a cabine que ficava a dois andares abaixo, verifiquei no GPS e tirei uma foto, voltei para fora e vi que o pessoal já se preparava para o "land".
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Antártica-EX-Antartica Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Debora Americo da Silva Date: 07/08/2007
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