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Nei Maldaner na Expedição Circunavegação Antártica 2006 relata o dia 24 de novembro de 2006. Cruzando o continente Antártico, a bordo do quebra gelo Kapitan Khlebnikov. Relato sobre o quebra gelo enfrentando o Gelo Duro.
Voltamos o relógio novamente uma hora na noite anterior e assim nesta parte é quase todo dia.
Este seria outro dia sem nada de "land", eu esperava que o tempo melhorasse, mas a fama do lugar dizia que não.
Como sempre matei o café e fiquei me enrolando na cama. Tinha dormido muito ultimamente, coisa que não é comum para mim.
Olhei para fora e vi que o tempo não tinha melhorado, tinha nevado um pouco à noite, pois os barcos salva-vidas estavam cobertos de neve.
Fui então para a proa, lá encontrei o casal de Londres, ela estava agachada, não consegui entender o porquê e fui lá ver. Ela estava tentando tirar foto do barco quebrando o gelo.
Então vi que o gelo tinha mudado, não era mais aquele gelo "panqueca", e sim um gelo contínuo, também bem espesso.
Nesta manhã vi que muitas vezes ele parava, voltava e acelerava novamente, fez isso várias vezes.
O gelo era mais forte e então ele tinha que tentar quebrar. Chegou um momento que ele teve que voltar e subir.
Nos alto-falantes chamaram para a palestra da manhã (Como o quebra-gelo trabalha), Bob explicou como o navio Capitão Khlebnikov opera e tinha tudo a ver com aquele dia, então fui assistir. Ele nos falou da estrutura do motor, entre muitas coisas.
Depois teve uma outra palestra da Delfine, mas optei por ficar do lado de fora até o almoço. Era incrível como o navio quebrava o gelo, o navio subia sobre o gelo e o peso dele fazia rachar. Mas às vezes era tão grosso ou era um iceberg congelado que não rachava.
A coisa estava ficando feia, não conseguíamos mais ir para frente. O gelo era liso total e a espessura era muito grossa.
Assim ele voltava e buscava um caminho um pouco diferente, eu ficava indo para a cabine de vez em quando para verificar com o GPS.
Fui almoçar e já voltei novamente para a função. Este dia o workshop de arte era sobre paisagens, mas não assisti, preferi ficar vendo as proesas do navio.
Em determinado momento encontramos um monte de pingüins bem à nossa frente. Eles corriam desesperados para sair da frente e ficavam à esquerda nos observando passar.
Olhando para trás o rastro se fechava com os gelos rachados, formando linhas longas de gelo.
Eu ficava alternando entre a sobre ponte, a proa e a cabine, sempre checando o GPS, a velocidade, caminhos, etc. Foi muito bom ter levado o GPS e principalmente a antena externa que eu colava no vidro. O "mapsource" e um mapa detalhado que achei na internet para ele da Antártida, também foi bem útil.
Sabia sempre onde estávamos sem precisar ir até ponte, sabia a velocidade, os desvios, etc.
Fui para a proa e fiquei lá escutando as tentativas de quebrar o gelo, iam para trás e depois conseguiam, às vezes não tinham como dar ré, então pegava outro caminho.
Eu me deitava para frente da proa para ver o barco, tirei umas fotos legais do logo do barco, não tinha ninguém ali para dizer que não podia fazer. Então aproveitei e me espichei, dava para ver a ponta do barco quebrando o gelo, fazendo o gelo subir e ser espremido.
Era possível ver também o gelo branco superior e a parte azulada inferior, na água escura, mas transparente.
Matei a parte II do Polar vídeo séries - vida no freezer, prometi um dia assistir quando estivesse de volta, pois filme poderia ver outra vez, mas este navio quebrando gelo seria só naquele dia.
Só eu estava na parte de fora. O que já era comum desde a outra viagem da Antártida em 2004, pois eu ficava mais do lado de fora do no de dentro, não sentia frio, a adrenalina e a euforia me esquentavam, mas estava sempre bem agasalhado, claro!
Olhei para o barco e vi várias pessoas curiosas olhando de sua janela, principalmente quem estava com as cabines de frente ou as suítes de canto.
Passei às 17hs pela palestra do Tony e depois fui para a sobre ponte novamente. De lá fiz umas fotos diferentes, usando uma lente olho de peixe, subi em um mastro e consegui uns ângulos muito bons, parecia que o mundo estava em curva, pelo menos eu achei fantástico.
Sempre estava em circulação passando pela ponte, pouca gente estava por ali, então fui buscar a filmadora para filmar o quebra de gelo e de novo me dirigi à sobre ponte. O gelo agora tinha afinado e apareceram uns buracos de mar de vez em quando. Olhando em volta, vi que tinha vários grandes icebergs, bem como já tínhamos aprendido nas palestras antes.
Novamente vimos uma série de pássaros, coisa muito rara por estes lados.
Já era hora da janta, o dia tinha sido interessante pela quebra do gelo, das espessuras. Tirei pouca foto neste dia, mas tinha entendido muito sobre como funcionava e foi legal acompanhar pelo GPS.
Jantei e voltei para a cabine, o filme também não era do meu interesse, então fiquei na cabine e depois desci para a biblioteca. Lá encontrei uns japoneses mexendo no notebook e também as três meninas de Hong Kong, falei um pouco com elas e depois fui dormir. Afinal, quase todo mundo já estava dormindo. O próximo dia também não prometia nada de "land".
Eu esperava então que melhorasse o tempo para tirar fotos. Copiei as fotos, li os textos sobre os lugares e das palestras, treinei o inglês no curso que tinha levado e notei que estava ajudando muito. Ler nunca foi meu problema, mas entender os sotaques é que era difícil, pessoas de todo o mundo, cada um com seu estilo e gíria, mas eu estava muito feliz com esta viagem e fui dormir.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Antártica-EX-Antartica Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Debora Americo da Silva Date: 07/08/2007
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Tentando Quebrar
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Ré e tentar novamente
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