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Nei Maldaner na Expedição Circunavegação Antártica 2006 relata o dia 24 de novembro de 2006. Cruzando o continente Antártico, a bordo do quebra gelo Kapitan Khlebnikov. Relato sobre Amundsen, na Península Antártica!
Passado a ilha de Peter I0Y tínhamos dois dias de navegação pelo gelo, antes de um novo "land".
Todo o gelo que não tínhamos visto ainda na Península Antártica estava acumulado naquela parte e era cada vez mais denso e grosso.
Este mar é pouco conhecido porque não tem nada além de gelo. Fica na parte do pacífico que não tem terras, por isso o mar de Bellingshausen é raramente visitado. É conhecido como costa fantasma, por ser remoto e de difícil acesso, ter muito nevoeiro e ventos fortes, é muito frio. Por tudo isso é uma região cheia de icebergs grandes e perigosos.
Novamente não levantei muito cedo, acordei e fiquei me enrolando na cama. Quando levantei fui conferir na janela como estava o tempo. Estava carregado ainda do mesmo jeito do dia anterior, confirmando a fama do lugar. Vi também grandes icebergs azuis. Como não tinha caído neve e não tinha luz, a cor azulada predominava.
Para frente o gelo não era um lençol, era todo quebrado em função dos icebergs. Isto era normal, visto que eles se movimentavam quebrando o gelo em redor, mas pela quantidade de gelo ele sempre estava ali, e o navio cortando em linha reta os gelos.
Depois de um tempo sai do quarto e fui para fora, quando subi no convés, vi o Peter descendo da sobre ponte e fui até ele, que me falou sobre os icebergs. Voltou comigo e fomos juntos para a sobre ponte.
Ali de cima podia-se ver o rastro do navio, fazia um zig zag pequeno. Observando eles faziam isso para desviar dos icebergs. Olhando a frente do navio parecia as "panquecas" novamente, cheio de pedaços de gelo. Chegou o casal da Espanha, estava muito frio. A respiração das pessoas gerava fumaça.
Passávamos por icebergs incríveis, pareciam estátuas, do tamanho do navio. Não víamos mais as focas e raramente um pássaro.
De longe vi um iceberg muito grande, parecia uma catedral, assim que nos aproximamos dele pode-se ver que o tamanho seria muito maior do que o navio, isso a parte de fora da água.
Fiquei observando-o, apesar de ter tantos outros, ele era muito grande e eu comecei a chamá-lo de catedral. Lindo! Enorme!
Liguei até a filmadora para filmar a passagem por ele.
O navio desviou um pouco dele, senão iríamos colidir com ele. Avistei adiante outro gigante, do tamanho de umas dez catedrais juntas, comprido, cheio de buracões, parecendo um daqueles palacetes romanos.
Vi também outro grande iceberg que parecia uma torre, enorme, e as ondas passavam por sobre uma parte dele, muito azul. Eu pensei imagine isso aqui tudo com sol, mas assim mesmo já estava lindo demais.
Decidi descer na ponte para ver como o piloto lidava com todos aqueles icebergs.
Cheguei onde estava o piloto e mais outro oficial de comando. O piloto russo nem piscava, eu já tinha conversado com ele várias vezes, pois o encontrei fazendo caminhadas pelo barco, era muito gentil e cortês. Porém ali ele estava cem por cento compenetrado.
O tempo fechava cada vez mais e o navio continuava passando por aquele gelo e pelos icebergs.
De longe avistei um iceberg que tinha o formato de uma baleia, a partir deste ponto o mar começou ficar iluminado, com um tom mais claro, mais branco.
Começamos novamente a ver as focas. A cor clara se deu em função do sol, que tornou cada vez mais claro também. Mudando do tom azulado para o tom mais branco.
Ouvi falarem algo no rádio, depois um monte de gente começou a ir para o lado de fora com máquinas na mão. Tentei ver o que era e não consegui, até que vi o barco fazendo uma volta, tipo um zero, voltando para passar pelo mesmo lugar. Era uma foca leopardo, o que é não é muito comum. Ela estava com outro a seu lado, que parecia ser um filhote, quando passamos novamente ele abriu a boca, tipo reclamando.
Vimos outras focas, daquelas caranguejeiras, de pele clara.
Depois entramos nos nevoeiros novamente, incrível como fama do lugar se confirma a todo o momento. Só conseguíamos ver os icebergs gigantes quando estávamos a poucos metros, o navio tinha baixado a velocidade, foi a primeira vez que notei isso.
As imagens dos icebergs com nevoeiros era incrivelmente belas. Eu tirava poucas fotos, estava com um fone ouvindo aula de inglês e ficava ali curtindo aquele visual.
Acabei esquecendo de ir assistir a aula de fotografia que a Dayse estava dando. Por isso não tinha ninguém do lado de fora também.
Tivemos uma palestra sobre as Formas do Gelo nas Regiões Polares, apresentada pelo Norm. Comecei a assistir, mas não gostei muito e sai novamente.
Fiquei do lado de fora até chamarem para o meio-dia, foi então que começou a nevar, pequei um pouco de neve e fui almoçar.
Depois do almoço voltei à cabine e peguei uma lente nova de 300 mm, 2.8, era uma lente especial muito clara. Como estávamos passando por lindas paisagens e estava aparecendo muitas focas junto ao navio, decidi clica-la. Fui para a proa do navio, tinha nevado durante todo o almoço e a frente do navio estava toda coberta de uma fina camada de neve.
Tinha parado de nevar e eu estava muito feliz, como sempre que estou feliz adoro dar uns saltos. Fui à frente da proa e tirei uma foto de mim mesmo, e depois com a lente de 300 na mão fiz um dois saltos. No último salto a lente se soltou do suporte que eu segurava e voou. Bom, minha cara de apavorado na foto mostra tudo. A lente voou e caiu quebrando a parte de ferro em três partes. Juntei a lente e subi os quatro andares pela escada externa. Sem sentir nada, a não ser uma angustia. Essa lente especial só foi usada no dia do pingüim imperador.
Quando fui entrar no meu andar, a janela redonda do vidro esta toda coberta de neve. Olhei ali e desenhei uma carinha feliz, e pensei que não poderia me deixar afetar por um problema material. Então, entrei no corredor e na cabine, deixei a lente na mala e me deitei. Procurei relaxar e não lamentar.
Foi então que ouvi falar da série da vida no frio, desci para assistir a Polar vídeo séries - a vida no freezer, parte I. Na passada vi o workshop de arte, que estava ensinado sobre jogo de cores.
Depois de um tempo voltei para fora, com a máquina e tirei muitas fotos de focas, o tom do gelo era branco, por causa da neve.
Teve outra palestra feita pelo Tony - Origens e Oceanografia no Oceano Meridional. O inglês dele era ruim de entender, até achei que estava difícil de me concentrar em função da questão da lente.
Saí assim que terminou e fiquei do lado de fora, olhando e tirando fotos do gelo e das focas. Nada de pingüins por aqui, apenas muita foca. Fiquei assim até à tardinha, quando chamaram novamente para a janta.
A janta era em comemoração há um dia especial, tipo Dia de Ação de Graças (Thanksgiving nos EUA) - O pessoal da minha mesa como a Anelise que é americana e também o pessoal da Holanda estavam todos cheios de atenção pela data, todos se cumprimentaram e falavam muito. Eu estava mais quieto, sentido ainda um pouco por causa da lente, provavelmente.
Jantei e voltei para a minha cabine, não achei bom o filme. Deitei e relaxei, fiquei olhando o GPS e depois fui dormir.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Antártida-EX-Antartica Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Debora Americo da Silva Date: 07/08/2007
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