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Aconteceu dias 14 e 15 de setembro de 2007, o III Enduro Cidade Verde em Três Coroas/RS. Confira como foi a participação de Ronésio Cascaes.
Não adianta. Quando se cria um monstro, você tem que alimentá-lo. Assim é com o meu sobrinho Márcio Aurélio Cascaes. Cometi a besteira de convidá-lo para ser meu apoio no Enduro dos Pampas. Foi como cachaça na veia. O guri não só virou trilheiro como agora que participar de provas de enduro de regularidade.
No enduro de Nova Hartz, se perdeu, não completou toda a prova, mas trilheiro que é bom não desiste nunca. Ficou azucrinando a semana inteira para nós participarmos do Enduro de Três Coroas pela Copa Novos Talentos. De quebra, meu amigo Marcos Lazzaretti me liga e convida para que eu apadrinhe um novo piloto na prova. Está armada a confusão.
Para mim não precisa meter mais que meia pilha ou insistir duas vezes que lá vou eu participar das provas organizadas pelo Lazzaretti. O Márcio passou a semana correndo atrás do retentor da bomba da DT-200 para poder competir no sábado, enquanto eu preparava a minha nova CRF-230 F comprada na Motosinos (tlim, tlim). O Eduardo da Motosinos me garantiu que a motinho era boa e realmente, não deixou a desejar.
Durante a semana cresceu a expectativa, pois a previsão era de chuva para o fim de semana. Ainda assim resolvemos participar da prova com qualquer tempo, não somente para prestigiar os amigos de Três Coroas como também sabíamos que era uma prova muito boa para o Márcio treinar a navegação e eu estrear a Rafinha (apelido carinhoso da CRF).
O sábado amanheceu bonito prevendo um excelente dia para uma prova de enduro e lá vamos nós em direção a Três Coroas. A largada foi em um palco existente na praça, relembrando a prova que fizemos abaixo de chuva em 2005.
A idéia era largarmos juntos para que eu pudesse ajudar o Márcio na navegação ou qualquer outro problema que surgisse. Nos deslocamos até o Posto Rafting para a largada para valer. Fica aqui o meu elogio para o pessoal do posto, sempre dispostos a apoiar o nosso esporte, com combustível, alimentação e toda a estrutura (que é excelente) para a prova.
Fomos navegando tranqüilos e começaram as trilhas para valer. Ainda bem que não choveu, senão a coisa ia ficar complicada (pelo menos para nós, coadjuvantes do esporte). Passamos uns atoleiros e eu ia na frente acelerando e testando a Rafinha nas trilhas.
Na primeira tranqueira, escolhi o caminho errado e fiquei preso na valeta. O Márcio chegou logo depois e indiquei o caminho certo para ele, passando sem dificuldades e me ajudando a tirar a CRF do valo. Nessas horas em pensei "Ainda bem que não é a Bigorna (nome carinhoso da Tornado)".
As trilhas estavam muito boas. Me senti como se estivesse em Brasília, ou seja, num mar de lama. Tinha lugares que os atoleiros formavam um verdadeiro mar de lama fina. Em um deles, afundei as rodas da moto, bati numa pedra do fundo e cai para o lado mergulhando a moto na lama.
De quebra, quase que o Márcio passa por cima. A moto ficou toda suja, tapando a planilha e o Compass. Afundei os pés naquela meleca, levantei a moto e segui meu caminho com os fundilhos da calça grudando no banco. Mas não dá nada calcinha floreada, que enduro é assim mesmo.
As trilhas estavam show de bola. Numa delas passamos por um riacho e ao fazer a curva tinha uma subida com pedras para galo preto de pé vermelho não botar defeito. Dobrei a esquina e lancei a Rafinha contra as pedras. O motor roncou forte, deu uns pulos e lá me fui lomba acima. Fiz como diz meu amigo Marcelo (que agora está morando em São Paulo), acelerei, apertei a tecla "dane-se" da moto e pá, lá em cima.
Larguei a moto lá em cima e voltei para ajudar prevendo que o Márcio, devido a sua pouca experiência fosse trancar. Dito e feito. Lá estava ele serrando as pedras. Como estava cansado, desceu da moto e eu subi para levá-la. Não foi tão fácil. O Márcio puxava e eu acelerava, Quando a Detinha abriu o Y, deu um salto e lá me fui tentando me segurar até chegar no topo.
Trocamos de moto e seguimos na brincadeira. Numa outra subida, dei no bucho e levei a moto para cima. Voltei e novamente encontrei o Márcio serrando as pedras, desta vez com um palmo de língua para fora devido ao esforço. Subi na moto e na hora de descer para embalar, a moto caiu e entortou o guidão. Rapidamente pegamos uma pedra e endireitamos um pouco, quase quebrando. Desci a lomba, fiz a volta e acelerei firme para subir, relembrando os bons tempos que andava de DT-200. O Márcio pegou a CRF e subiu o restante da trilha ate o PC.
Como ele estava cansado e com o guidão quebrado, resolveu voltar com o PC e eu continuei a prova com o Leandro. Terminamos a primeira parte e chegamos ao Posto Rafting para o neutro. Na seqüência chegou o Márcio, cansado, sujo e pensando em desistir.
Revisamos as motos e vimos que o guidão agüentava o resto da prova (isto é, se não caísse de novo e batesse no chão). A parte da tarde estava um passeio, com trilhas leves e muita navegação.
No final da prova eu perdi todo o meu kit de ferramentas, que caiu da moto. Voltei para procurá-lo, mas não encontrei. A propósito, se alguém encontrar uma bolsa marrom cheia de ferramentas, favor devolver, que eu agradeço.
No final de tudo,valeu o esforço. Eu não ganhei nenhum troféu, mas o Márcio ficou em 3º lugar na categoria B. Agora ele está todo prosa e conta os dias para encarar um novo desafio.
Fica aqui o nosso agradecimento ao pessoal da organização, à FGM, AGPE, Secretarias envolvidas e à Brigada Militar, pelo apoio que é tão importante neste tipo de evento. Um agradecimento todo especial à Prefeitura de Três Coroas, que sempre tem nos prestigiado com seu apoio.
A propósito, vocês sabem a origem do nome Três Coroas? No início da colonização da cidade, os colonos que chegaram viram um pinheiro com três copas que pareciam três coroas. Daí surgiu o nome para esta bela cidade que sempre nos acolhe tão bem.
Um grande abraço a todos e até a próxima prova.
Fonte:
Ronésio da Silva Cascaes Cidade:
Três Coroas-RS-Brasil Fotos: Ronésio da Silva Cascaes Publicado: Debora Dias Date: 16/09/2007
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