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Nei e amigos se aventurando de Jet em um domingo chuvoso - 2007

Nei Maldaner, Márcio Barão e o Rogério da Motoyama aventuraram-se no lago Guaíba, que contorna a cidade de Porto Alegre, no domingo chuvoso do dia 23 de setembro de 2007. Confira o relato do Nei dessa aventura!

"A maioria ficaria em casa em um domingo, mas eu, Rogério e Márcio foi diferente neste primeiro dia de primavera, 23 de setembro de 2007. O Rogério é da Motoryama e está organizando para o próximo fim de semana, dias 29 e 30 de setembro, o Jet Family Mororyama, na capital gaúcha, Porto Alegre.

O objetivo desse evento é integrar os praticantes de jet-ski e fazer um roteiro passando pelas belezas do lago Guaíba, na região porto-alegrense. Tinha-se combinado que faríamos o roteiro na manhã de domingo para verificar o consumo de combustível e criar os waypoints de GPS. Porém, devido à chuva torrencial que caía na manhã, combinamos de cancelar o encontro.

O contato foi mantido por msn e ao meio-dia Rogério voltou manter contato, me convidou novamente e aceitei fazer o roteiro mesmo com chuva. Passei na Motoryama, peguei um dos jets que abasteci com 55 litros de gasolina e segui para Marina Conga, localizada próxima à ponte do Guaíba, na Ilha das Flores. Lugar lindo, e desconhecido por muitos moradores de Porto Alegre.

Equipamo-nos no local, eu com roupas neoprene de 3mm, botas e colete; como não tinha capuz levei uma grossa toca de neve e por cima uma balaclave para a toca não ser levada pelo vento. Na saída ajustamos o GPS, sendo que eu levei um pouco mais de tempo na chuva porque meu GPS era novo e estava com dificuldade na configuração dos waypoints. Mas finalmente consegui. A chuva não dava tregua.

Eu estava num jet VX 700, Rogério num VX 110 Cruiser de 4 tempos, já Márcio estava num Wave Raider 700. Entramos na água por volta das três horas da tarde. A escolha de seguir em três é melhor, pois um pode apoiar o outro e se for o caso de rebocar ou até mesmo buscar ajuda, pois o tempo fechado dificultava.

A água estava lisinha, porém havia muita sujeira, galhos e plantas. Até então, a chuva não dava trégua. No trajeto, passamos em frente ao Gasômetro, onde eu queria tirar fotos, mas não consegui porque a máquina fotográfica não era a minha, o que tornava complicado o entender o equipamento com toda chuva.

O Rogério alertou que seria melhor seguirmos em frente porque estava ficando tarde. então nós três aceleramos os seus jets e seguimos direto. Mesmo com a sujeira atrapalhando prosseguimos bem e a chuvarada mas não sentía frio. A cidade estava cinzenta, mas com a água do Guaíba a deixava diferente, com o shopping Praia de Belas, a torre das antenas, o estaleiro. Seguimos adiante felizes e acelerando, olhando na frente e dava uma espiada para a paisagem.

A sujeira começou a aumentar, descemos em direção sul e aí já pegamos o Guaíba marolado, eu com o jet saltava,a cada marola levantava água me molhando todo, estava muito bom. O vento fazia o Guaíba ter mais ondulação, o que por um lado era bom porque eu curtia administrando as ondas, tinha seqüências onde eu diminuía e fazia curvas, mas depois da seqüência acelerava. Assim acabei pegando o jeito, procurei dar uma acelerada para alcançar os outros que já estavam pequenos na minha frente.

Eu gritava de felicidade quando conseguia fazer passagens entre as ondas sem ficar batendo. A chuva que batia forte em meu rosto, agulhava, colocava os óculos, mas os tirava para ver melhor, para sentir o ambiente. Aqueles morros verdes, com a chuva batendo ficavam ainda mais verdes.

Chegamos a Ponta Grossa, onde tinha umas pedras, lugar no qual demos uma parada de alguns minutos. Rogério explicou algumas coisas sobre o local, Ali se chamava baleias, nos situamos e eu registrei o ponto no GPS e seguimos adiante. Sendo que a chuva aumentava e eu só sabia que tinha que seguí-los. O Rogério pilotava na frente, eu em segundo e o Márcio atrás.

Depois fomos até Francisco Manoel, a ilha dos veleiros do sul, lugar em que paramos na praia e tiramos umas fotos. Quando lá estávamos o senhor que cuida da ilha veio até nós e conversou com o Rogério. No meio do papo nos chamou de loucos pelo que estávamos fazendo e disse não acreditar que ainda voltaríamos.

Partimos, eu na frente, mas depois o Rogério me passou. Ele me disse que seria melhor ficar de pé para absorver as batidas, o impacto, mas como estava muito cansado eu não agüentava. Daí em diante as minhas mãos, braços e joelhos começaram a doer. Mesmo assim eu estava feliz e meu pensamento viajava.

As ondas aumentavam e eu aprendia a cada vez mais administrar a passagem com batidas mínimas. Era show e estava muito dez! Acabamos cruzando e indo para um lado que acredito que nos perdemos, mas eu ia só seguindo. A chuva não deixava a visão chegar longe. Chegamos em um local que Rogério não sabia ao certo.

Em seguida pegamos a esquerda e logo descobrimos lugares lindíssimos, como o lami, que deveria ser visitado em dias quentes e ensolarados para melhor desfrutar o local. Espero que esteja assim na semana que vêm. Avistamos Avipal e também o sítio Haras Cambará do Ricardo, um amigo meu.

Logo após voltamos a seguir em direção ao nosso destino, depois de muita marola e as condições ficando cada vez mais complicadas, Rogério olhou o relógio e decidiu que deveríamos voltar, pois já estava tarde para ficarmos mais. Quando paramos já escurecia, mas para mim parecia que o sol ia aparecer no fundo das nuvens.

Dava para ver que estávamos na ponta do Guaíba. Vi no GPS que estávamos perto da saída, mas o Rogério foi prudente e decidiu voltar, atitude mais acertada no meu ponto de vista. Mas eu fiquei pensando a respeito, comparando a uma escalada ou subida a uma montanha, pois se fôssemos um pouco mais subindo à montanha tínhamos chegado ao destino, mas a decida poderia ser fatal.

Olhei em frente, avistando o nosso caminho que seria de uma hora e meia. Eu seguia atrás, procurando ficar bem junto e aproveitando o "buraco" que criava na água. Nesse momento meu pensamento divagava, acredito que só tenha presenciado um momento assim quando eu corria há muitos anos atrás.

Agora eu já sabia contornar bem, o jet voava nas ondas, sendo que eu praticamente não batia mais. Estava muito feliz e sabia disso. Apesar da chuva que agora vinha ao meu encontro, apreciava as ilhas e, para isso, tirava os óculos, pois a observação das belezas a minha volta ficava melhor.

O dedo que usava para acelerar já doía, o que me fez trocar de dedo, mas eu perdia a agilidade com a troca. O que não importava, pois, quando via, já estava acelerando com o dedo dolorido. Como os jets do Rogério e do Márcio tinham enchido de sujeira, paramos em um lugar que com casas incríveis contra o morro. Enquanto limpavam eu admirava a imensa beleza desse lugar.

Eu não tive esse problema de sujeira porque segui o caminho atrás. Do local também vimos a Riocell no lado do Guaíba, com as suas luzes acesas e levantando a tradicional fumaça. As ondas diminuíam cada vez mais. Passamos por Belém Novo, que eu achava ser Ipanema. Quando me dei por conta de que não era, vi o quanto teríamos que andas ainda.

Mas tudo estava muito bom, eu me impressionando com a beleza que as luzes traziam. Depois de muito tempo de pensamentos diversos, chegamos. Eu ia identificando os lugares, antes de chegar, com o auxílio das luzes. Sem contar o contratempo que tive, quando o jet deu sinal de alerta, eu parei, desliguei o motor e quando liguei o sinal continuava.

O Márcio voltou e me disse que aquele era o sinal de que o combustível estava acabando. Depois disso seguimos, num trajeto que deixava a paisagem de Porto Alegre fantástica. Me impressionei com as luzes do Gazômetro voltadas para a cidade. Já na torre não tinha luz, aí vi que só tem de um lado, se chegar do sul não se vê luz alguma. Fiquei lamentando por nao ter minha máquina fotográfica para eternizar esta visão. Os contrastes, a visão da cidade pela água era impressionante. Incrivel como não curtimos o Guaíba, a navegação.

A chuva castigava era noite e com os óculos de proteção eu não via nada, nem mesmo o Rogério que seguia na minha frente. Mas seguia a mil na água que estava lisa. Naquela região linda eu me perguntava por que estávamos com pressa. Deveríamos curtir mais momentos como esse. Mas eles deveriam estar com frio, que eu não senti, pois estava envolvido, achando tudo fantástico.

Sentia que a minha aventura estava chegando ao fim. Fiz as curvas que o Rogério tinha feito, devia estar brincando ou desviando de objetos, assim chegamos todos molhados na marina. Chegamos felizes e quando tentei sai do jet meus joelhos não respondiam. Também, depois de três horas em cima dele, não poderia ser diferente. Mas valeu a pena. Faria tudo de novo.

Depois de um bom banho quente e de trocarmos de roupa, foi a vez de irmos para um bar tomar um vinho, falando da curtição do dia e sobre novos planos. Esse foi um domingo de aventura. E tem pessoas que tem jet e não fazem esse tipo de coisa. Já as que não tem podem alugar e aventurar-se.

Está aí um programa de aventura ótimo para Porto Alegre, seja em dia de chuva ou de sol. Valeu pelo convite, Rogério. Lembrarei dessa tarde maravilhosa por muitos anos de minha vida.

Fonte: Nei Eugenio Maldaner
Cidade: Porto Alegre-RS-Brasil
Fotos: Rogério Schröder
Publicado: Taína Lauck
Date: 25/09/2007 <%insert_data_here%>

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