|
Aconteceu de 02 de setembro a setembro de 2007, a aventura de André Issi, Rio grande a Quintão. Confira a terceira parte desta aventura.
Olá queridos amigos!
Que estranhas voltas que o mundo dá...
O que parecia impossível está perto do fim, 1600 km já se foram (faltam 30 km para Imbituba) e o pelotão não quer voltar para casa e viver como um cidadão normal.
Foi lançado um desafio e nos agarramos nisto como uma forma de manter nossa vida de peleias por mais um tempo. Parece que há um tesouro lá longe, onde o sol continua a brilhar e não podemos ver.
Mas é justo lá onde estão depositadas nossas supremas esperanças e tenho que seguir o caminho que me ensinam. Correremos atrás das mil milhas onde o Imortal repousará no Rio Grande até que o pelotão seja chamado para um novo combate. Além de terras e através dos tempos haveremos de nos reencontrar.
Trecho De Quintão A Laguna
Dia 15 de setembro de 2007 - Sábado/Quintão
Acordo cedo, está nublado e parece haver vento na copa das árvores. Acerto a estadia com o seu Francisco, ele é muito legal. Sente saudades da Espanha e fala de sua terra. Na saída ele me dá dois tabletes de cereais. Atravesso as dunas e chego à praia às 8:40h. Cadê o corno de vento sul que estava previsto pra hoje?
Acordo cedo pra pegar a praia baixa e nada de vento...Sigo puxando a espera de que mais tarde ele se manifeste. Logo adiante um estranho carro todo de madeira SRD (Sem Raça Definida) anda a meu lado. São pescadores e me oferecem carona. É só jogar na caçamba...
Agradeço pela milésima vez, mas fico grato, pois o pessoal está sempre disposto a ajudar. Eu sabia que não podia contar com meu inimigo o vento.
Agora a praia está tomada de caniços de pessoas aposentadas. Eles pescam peixinhos pequenos que os pescadores de rede torciam o nariz só de olhar. Os peixes que os caras jogavam fora; aqui seriam disputados a tapas pelos pescadores de lambaris.
Vou passando, o pessoal olha curioso e invariavelmente pergunta:
- Faltou vento?
- Faltou gasolina?
Eu mereço!
Às vezes dá uma brisinha e eu pulo rápido na longarina e velejo até o carro parar logo adiante.
É um jogo de paciência, mas a estratégia do pelotão enfraquecido é a tática de guerrilha.
Ataca aqui e ali até ir minando a resistência do inimigo. Vejo partes com pingos de chuva na areia de dias passados. Lembro de quando jogava tenis com meu amigo Rojas. As disputas eram acirradas lá no LIC, em Florianópolis. Jogávamos dentro do espírito do esporte, como dois lordes ingleses. Quando o oponente acertava uma jogada e ganhava o ponto, o outro, educadamente, comentava:
- Boa bola!
E logo em seguida no pensamento:
- Como foi que esse desgraçado acertou aquela bola?
Certa vez, depois de errar quatro vezes seguidas um ponto decisivo dei tanta porrada na raquete no chão que o "capeta" que a havia possuído saiu correndo.
O brody Rojas ficou tão enfurecido ao perder o jogo que deu um chute na parede e destroncou os dedos. Como um "lorde inglês" o que assistia aos ataques de fúria do outro se virava para "buscar" a bolinha e mordia a bochecha para não rir e deixar o outro mais enfurecido.
Ele era tão "ladrão" que tinha a cara de pau de dizer "fora" para bolas que visivelmente batiam no lado de dentro da quadra de saibro. Passava a raquete em volta de uma suposta marca do lado de fora. Como eu quase sempre ganhava, nem dava muita bola. Um dia ele exagerou e fui olhar a marca que apontou;
- Rojas, tu é ladrão mesmo. essa marca tem até pingos de chuva por cima e a última vez que choveu faz uma semana...
Amigos sempre tem seu lado positivo. Quando queria espalhar uma notícia, bastava contar ao Rojas, Bello e Aldo e pedir para não contar a ninguém...
Pronto, a notícia se espalhava mais que chumbo fino em calibre 12.
Eles são mais conhecidos como "Bokudos" da Lagoa e do Centro Comercial, onde temos nossas clínicas.
As horas passam e paro para almoçar perto de Cidreira assistindo as danças de quero-queros, gaivotas e talhamares em volta das fêmeas. Nas dunas vejo vários membros da tribo canídea envolvidos na perseguição das fêmeas. Pássaros carregam gravetos e o calor aumenta... Acho que se aproxima a primavera!
Na parte da tarde o vento dá sinal de vida e velejo no estilo patinete. Chego a plataforma de Salinas e sigo em frente. Depois, na plataforma de Tramandaí está havendo um campeonato de surf. Desmonto a vela, já é final de tarde e sigo puxando pelas ruas em direção da ponte sobre o rio Tramandaí. Anoitece e paro para lanchar já em Imbé.
Não quis visitar meus amigos do Hotel Alaska porque sabia que não iriam me cobrar hospedagem e não quero abusar. Venho visitá-los quando voltar de moto.Chove fino e sigo em frente até achar uma casa que não tenha ninguém por perto e nem os pentelhos dos cachorros. Deito sobre o plástico e chove, mas a varanda é larga.
Dia 16 de setembro de 2007 - Domingo
Às 7:40 h já estou na praia, mas o mar está de ressaca e a água vem até quase as dunas...É só pra irritar! Deveria estar baixo...Para variar o vento está fraco e sigo puxando um pouco e andando de patinete.
Perto de 13 h paro para almoçar pouco antes de Capão da Canoa e encontro Cláudio que é geólogo e ficamos conversando muito, pois cheguei a fazer um ano de Geologia antes de mudar de rumo. Logo adiante passo pela plataforma de Atlântida e chego em Capão.
O vento fica mais forte e sigo pela zona das ondas, pois ali está mais firme.
É claro que eu e o carrinho somos "lavados" a toda hora. O vento vai ficando mais forte e consigo andar um bom pedaço num "pau" e depois enfraquece de novo. Volto ao patinete e numa dessas lavadas o mar levou uma das botas...Não pretendo voltar, então deixo a outra na praia para que encontre sua amiga perdida.
O vento vem firme e forte de novo e velejo como louco. O carro voa, as praias vão passando e vejo algo no horizonte que não quero crer... Parecem os rochedos de Torres! Saídas de riachos, calombos e atoleiros são devorados pelo Imortal que vem em alta velocidade.
Antes de Torres tem um morro que avança na praia. Atravesso o atoleiro de areia mole, subo uma pequena colina e fico livre para seguir sem mais nada até os rochedos da praia da Guarita. Estou radiante de felicidade. Nem acredito que em dois dias estou fazendo o trecho que planejei fazer em seis...
Por volta de 17:30 h chego aos rochedos. O mar está baixo e assim arrisco e vou em frente entre os rochedos e o mar até a praia da Guarita. Peço a um rapaz dali tirar umas fotos para mim. Depois falo com Lopes e Angela que ficaram com o carrinho desmontado pro Paulo vir recolher o Luigi. Fiquei tão feliz como eles ao me rever.
Não acredito! 1460 km foram pro espaço! O pelotão urra de felicidade!
Ligo pra mãe e sigo para o centro de Torres já com a vela desmontada.
Depois passo uma escova em mim e no carro, pois estamos atopetados de areia no rosto e nas roupas.
Para completar minha felicidade o Grêmio ganhou o GRE-nal de novo e a festa nas ruas corria solta enquanto eu comia um "X-Tudo" que o Luigi adorou quando chegamos a Torres, no dia 28 de Julho...Dormi no hotel das Figueiras depois de um sonhado banho.
Meu pé esquerdo detonou do esforço.
Está ruim até para caminhar!
- Senhor, está muito inchado.
- É verdade!
- O doutor D K Bessa mandou fazer calor e tomar antiinflamatório...
- Então eu vou tomar um antiinflamatório caseiro lá no boteco da esquina!
Mando baixar dois baita copos de vinho e o pelotão fica "prontinho" para dormir.
Ainda assisto ao filme "O Resgate do Soldado Ryan".
Fonte:
André Issi Cidade:
Quintão-RS-Brasil Fotos: André Issi Publicado: Debora Dias Date: 25/09/2007
<%insert_data_here%>
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
|