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III Cavalgada No Caminho Das Pipas 2007 - Luciana Heitelvan

Aconteceu dias 25 e 26 de agosto de 2007, a III Cavalgada No Caminho Das Pipas em Rolante/RS. Confira o relato de Luciana Heitelvan.

Nos dias 25 e 26 de Agosto de 2007, aconteceu a III Cavalgada "No Caminho das Pipas", em Rolante(RS) - A capital das Cucas!

Antes da aurora nos brindar com mais um dia, 'num upa' fomos saltando dos pelegos, assim, de 'relancina', nas casas, juntando as tralhas. Na concentração, em Taquara, na casa dos amigos Daila e Wanderlei Jung, entre um mate e outro, tomamos uns goles de café, saboreando cuca colonial, da "Ritter".

Os dias que antecederam foram de preparativos e muita empolgação. Nessas ocasiões demonstramos o companheismo e as amizades se reforçam. De vez em quando, nos preparativos, estoura algum entrevero, mas isso faz parte e...A la put-ch! che! Não se assustemo, pois no perigo a bala vem, nóis se abaixemo..."

Cedito assim, no sítio Patomé, dos Jung, aonde os patos e os gansos fazem a festa, os cavalos foram carregados, um pouco cá, outro pouco lá no carregador da cabanha visinha. A égua da Daila foi boicotada da cavalgada, por apresentar um probleminha numa 'mão' e então o Zoreia teve que providenciar uma mula para ela.

A minha égua "Princesa" meio sestrosa, parou na entrada do caminhão e calmamente olhava pra dentro como quem pensava " não to entendendo..." - acreditei que era novidade para ela, como quase tudo que ela estava vivendo na sua primeira semana da nova vida, depois que veio da Catanduva Grande, trazida pelo amigo Tomaz Machado.

Daila saiu da querência chorando por causa da sua égua querida, a experiente "Shirah". Isso já foi me fazendo um nó na garganta e ainda, acrescentando o medo do cusco Pipoca Junior, ser atropelado na RS 239.

Esqueceram de dar carona no caminhão pro cusco e ele se foi estrada à fora atrás do carro dos donos, sempre naquela ânsia de eterno mascote. Era aquela fungação das moças dentro do carro. Tomaz que veio da Catanduva, Stº Antonio da Patrulha(RS) juntou-se a nós.

Com sua pouca idade, mas com larga experiência na lida campeira, reforçou a comitiva mostrando-se atento aos apertos dos arreios das prendas de Taquara, estavam em maior número: Silvana, Cristiane "Crica", Daila, Thais (apoio) e eu, Luciana.

No grupo ainda integraram: José Antônio Ferreira "Zé" Lumitel, Genilton Altmeyer e Wanderlei Jung "padeiro" - contando ainda o Marco Aurélio Angeli "Zoreia" que se não fosse um mal de andar rengueando uma perna, teria feito o apoio, dirijindo a camioneta "Furiosa".

Pois é, na hora da saída , ainda surpresos com a notícia do nosso amigo Zoreia, saímos, nos sentindo meios 'sem pai e sem mãe', mas a vida nos faz aprender com esses emprevistos. Tornamo-nos mais fortes. Mas volta e meia algum lembrava do vivente nas charlas, durante a cavalgada e nos momentos de descanso. Mas como tem se dito: "quando não se está bem, nada está bom".

Mal inciou-se a cavalgada lá no CTG "Passo dos Tropeiros" em Rolante e a Daila trocou com o Zé, na direção da camioneta. Atacou a tendinite mal curada da moça, barbaridade...Mas a guria mostrou que tava boa de braço dirijindo naquelas curvas sinuosas e embarradas.

O trajeto seguiu por Mascarada, terra do famoso cantor e compositor Teixeirinha, aonde existem muitos paredões de pedra. O almoço foi na comunidade de São Vendelino, aonde foi servido um reforçado e saboroso salchi-pão. Chovia muito.

Enquanto a cavalgada seguia, alguns do nosso grupo foram para a frente, outros ficaram para trás. Eu fiquei no meio e vinha no passo conversando com os irmãos Fascio de Riozinho conheci o cavalo "Bastantão", um lindo rosilho de crinas crespas. O José Fascio ofereceu uma iguaria caseira que ele mesmo fez na noite anterior: pé de moleque. Para acompanhar os gaúchos não dispensaram a cachaça, boa para 'aquentá' o corpo.

Neste tranquinho a passo, os meus amigos que estavam atrás foram se aproximando e eu me senti aliviada pois achava que eles haviam se perdido ou eu deles...hehehe. Assim seguimos até o pouso na Boa Esperança, distrito de colonização italiana, terra dos vinhedos e das cantinas.

A Daila ainda não havia chegado, esteve fazendo turismo pelo interior de Rolante. Com a co-piloto Thais, ela rodou até achar o rumo certo. A preocupação já pairava no grupo e eu falei que conhecendo a "Pêty", sabia que ela acharia, pois "quem tem boca vai a Nova Esperança"...hehehehe

Já andávamos na estradinha em direção à casa da Dona Natalina, mãe do Jandir, que nos cedeu a casa para o pouso, quando ouvimos o ruído do motor da "Furiosa" e a Crica, filha da Daila, numa felicidade só dizia: "Pai! A Mãe Pai! A Mãe Pai!".

Quando ela nos encontrou, quase com lágrimas de alegria, foi o que ela disse: "Quem tem boca vai à Roma!Te mete!!!!!!!!!!!!!!! Um atrazinho não faz mal. O importante é chegar.!!!" (bem o jeito da Pêty)...

Foi um griteiro de alegria na estradinha, no meio do mato! Estávamos todos aliviados e foi motivo de muita diversão depois, o relato da Daila, de suas peripécias na companhia da menina Thais.

O pouso foi muito aconchegante. No jantar, reunimo-nos todos na cozinha aonde o fogão de lenha aquecia a noite fria, enquanto era preparada a boa comida, enquanto bebíamos vinho e suco de uva, da cantina da família Boniatti. Dormimos com conforto, mas a noite foi de tormentas.

Pela manhã após o café da manhã, nos despedimos do pessoal da casa esperamos o companheiro Genilton se aprontar após resolver um imprevisto na sua saída com a sua possante égua tordilha, a Bigorna, (a bi bi bi - gorna!!!).

Pegamos a estrada mas não alcançamos a cavalgada, provocando rumores de que tínhamos nos perdido.

Agradeço particularmente ao cavalheirismo do amigo Fernando do Morro São Miguel que na chegada foi muito gentil, prontificando-se em palanquear minha égua "Princesa". Chegamos ao almoço no CTG Passo dos Tropeiros, que aliás, é sempre saboroso, com comida típica colonial e suculento churrasco.

Foram dias de chuva mas houve uma boa confraternização entre os participantes. O Caminho das Pipas está na região dos vinhedos de Boa Esperança, aonde encontramos vinhos das uvas bordô, Borgonha, niágara, cabernet, merlot e moscato. Também sucos, licores, graspa colonial, compotas, geléias, salames, pães, biscoitos coloniais. No local também existem cantinas de boa comida italiana, como por exemplo a Cantina da Figueira Branca.

Com tempo bom ou com chuva, a gauchada não perde a centelha de amor às tradições , bota o pé no estribo, alça a perna, monta o cavalo, veste seu pala e segue seu rumo, confraternizando, fazendo amizades, ouvindo histórias, contando as suas e sempre cantando esse Rio Grande do Sul!

Com a bênção do Patrão Maior até a próxima parceiros!

Fonte: Luciana Heitelvan
Cidade: Rolante-RS-Brasil
Fotos: José Antonio Ferreira
Publicado: Debora Dias
Date: 27/09/2007 <%insert_data_here%>

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  Evento 7043 - III Cavalgada No Caminho Das Pipas 2007

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