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Jipeiros desafiam a Transamazônica 2006

Em julho de 2006, Heinz Busse, sua esposa e seu empresário conheceram a Transamazônica. Confira como foi esta aventura.

Conhecer a Transamazônica era um sonho do empresário cerro-larguense Heinz Busse. Aos 72 anos, o jipeiro colecionador de aventuras concretizou esse desejo em julho de 2006, após três anos de planejamento.

Foram 24 dias de tração nas quatro rodas em um Ford Willys JDB 1935 e de um Land Rover FSX 7766. Em companhia da esposa Leonia, do empresário catarinense de origem belga, Francisco Hostins e sua esposa Letícia, e do mecânico Ernesto Mattiazzi, eles percorreram 11 Estados brasileiros e 2.470 km de Transamazônica de chão batido entre os municípios de Marabá (PA) e Lábria (AM). No total, foram mais de 10.800 km rodados pelo país.

A viagem iniciou no dia 14 de julho de 2006. Antes de alcançar a estrada planejada para integrar todo o norte do país nos anos 70, os aventureiros conheceram no Tocantins, dentro do Parque Estadual do Jalapão, uma comunidade mumbuca, formada por descendentes de indígenas e de negros escravos.

"É uma comunidade isolada, eles não casam-se com pessoas de fora e quem sai não pode mais voltar a viver lá", conta Heinz, que impressionou-se com o instinto de preservação do povoado. As 97 famílias vivem do artesanato e de culturas agrícolas de subsistência, morando em pequenas casas de madeira.

Na Tranzamazônica, os jipeiros enfrentaram desafios para ultrapassar pontes em más condições e a péssima trafegabilidade da estrada de chão batido engolida pela floresta. Mesmo na estação de poucas chuvas, os empresários tiveram problemas nos veículos em lugares ermos, distantes de qualquer ajuda e sem sinal de celular.

"Graças ao nosso mecânico nota dez, tudo foi resolvido", lembra Heinz, referindo-se à Matiazzi, cujas despesas de viagem foram patrocinadas pela dupla.

A exuberância da natureza amazônica também fascinou os exploradores, como os 14km de largura do rio Tapajós e a fauna local. "No meio da mata, durante à noite, ouvimos gritos de macacos, rugidos de onças, mas não vimos animais selvagens, só um filhote de sucuri, de 3m, que estava atravessando a estrada", conta Heinz. Adentrar as reservas ecológicas pelo caminho foi um desejo contido pela proibição da FUNAI. Os postos de autorização estavam sempre fechados no horário de passagem dos aventureiros.

Os dois empresários conheceram de perto uma situação que se perpetua na Tranzamazônica. Indígenas que cobram pedágio ilegalmente em um dos trechos da rodovia entre os municípios de Jacareacanga (PA) e Humaitá (AM). Os jipeiros passaram ainda por cidades-fantasmas, como Jacareacanga, na divisa entre os dois maiores Estados do Norte.

A cidade era um garimpo rentável nos anos 70 e chegou a ter 25 mil habitantes. "Hoje restam cerca de 4 mil pessoas, há quadras residenciais inteiras abandonadas", conta Heinz.

A cidade do empresário Henry Ford, que iniciou a produção de carros em série nos Estados Unidos, é outro monumento ao desperdício perdido no meio da floresta que fascinou os viajantes. Henry Ford esteve no Brasil na primeira década do século 20 para instalar uma indústria de pneus. Era o auge do ciclo da borracha, que enriqueceu a região e despertou o interesse de multinacionais pela exploração da floresta.

As precárias condições de trabalho e doenças como a malária fizeram Ford desistir do projeto, deixando as instalações intactas. Localizada próximo à cidade de Belterra, no Pará, a Forlândia, como ficou conhecida, hoje está abandonada. "É impressionante ver a fábrica, com todos aqueles maquinários, ao relento", comenta.

Ao longo dos quase 2,5 mil quilômetros de Tranzamazônica percorridos, Heinz Busse e Francisco Hostins vivenciaram as contradições de uma região cheia de contrastes. Até um cerro-larguense eles encontraram por lá. Canísio Theobald foi para a Amazônica quando o governo estava construindo a estrada e distribuindo terras para colonizar a região. Ele recebeu os aventureiros em sua propriedade de 200 hectares, onde mora com três filhos, no município de Apuí. Já idoso, ele se locomove em cadeira de rodas.

Cheios de histórias para contar, os empresários entendem que a aventura maior foi mesmo enfrentar o desconhecido, em uma estrada instável, por vezes estreita demais, e repleta de imprevistos para os motoristas. Para Heinz, apenas uma decepção: "Queríamos atolar os jipes, mas não tivemos oportunidade", brinca o empresário, cujo gosto pelos desafios e pela natureza o fazem sempre ir mais longe.

Fonte: Roberto Flavio Vieira Busse
Cidade: Marabá-PA
Fotos: Roberto Flavio Vieira Busse
Publicado: Debora Dias
DATA: 30/09/2007 <%insert_data_here%>

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