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Aconteceu de 16 de julho a 2 de outubro de 2007, a Viagem de WindCar de André Issi, pelos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte da República Oriental do Uruguai. Confira a parte 1 do diário de bordo!
16/07/07 - Partimos só às 10:30h, como a ausência de vento era total, seguimos puxando os carrinhos com cabos, dureza! Meia hora depois paramos para ver um filhote de lobo marinho, que mais parecia um cachorrinho. Tiramos algumas fotos e paramos para almoçar a ração de guerra (queijo, salamito e chocolate) Luigi falou que não gostava muito de salamito, mas acabou gostando.
Quase chegando em Itapirubá, vimos uma réplica de filhote de baleia franca em uma espécie de museu à beira mar onde Gisele (simpaticíssima) nos explicou que não poderia salvar o filhote de leão marinho. Seguimos em frente, desmontamos os mastros e as velas e seguimos puxando pelas ruas com os cabos. Depois de 400 m chegamos a praia novamente montamos as velas e seguimos puxando.
Seguindo adiante encontramos um lobo marinho adulto, uma fêmea grande que ameaçava atacar quando chegávamos perto para fotografá-la. Por volta de 5 horas resolvemos montar acampamento entre as dunas porque estávamos muito distante de local abrigado.
Que noite horrível, pois relâmpagos anunciavam uma tempestade e o vento crescente nos obrigou a sair na noite gelada para deitar os carrinhos a fim de proteger as vela e a nós dos raios. Depois de algumas horas de chuva acordamos encharcados, pois a barraquinha não agüentou o vento sem proteção e deixou o pelotão na mão. Assim passamos a noite.
17/07/07 - Acordamos sob violento vendaval e tentamos fazer a sopa, mas o meu valoroso fogareiro (de 23 anos de aventuras) estragou. A nós só restou comes o kinojo e a sopa crus mesmos. Estava horrível e o Luigi, para evitar de vomitar colocou a parte dele no meu prato sem que eu visse.
Que fazer com soldado tão valoroso (fogareiro)? Só me restou deixá-lo cravado na duna ao abrigo do vento, pois os heróis mortos em guerra permanecem no campo de batalha. Tive que deixar meu fiel companheiro de tantas batalhas e seguir em frente, esse é o destino dos membros do pelotão farroupilha.
Partimos caminhando contra as areias que corriam como loucas pela superfície da praia, um esforço tremendo para pouquíssimo avanço. Como parou de chover resolvemos estender os sacos de dormir molhados nos mastros. Após o almoço montamos as velas e tentamos andar contra aquele fortíssimo vento, mas era impossível seguir para o sul. A favor do vento o carro parecia um F1 arrancando, pena que era para o lado contrário.
Só nos restou desmontar as velas e seguir puxando contra o vento e a areia mole, pois a maré estava alta quase chegando nas dunas. Um pouco adiante encontramos o esqueleto de um filhote de golfinho. Caminhando, caminhando, caminhando. Cerca de 400m antes de chegar a ponta do Gy, após avistarmos a pedra do Frade, resolvemos acampar em um mato de pinus.
Para chegar até ele, tivemos que puxar, em dupla , cada carrinho atravessando as dunas. O esforço valeu a pena, pois era abrigadíssimo do vento o chão era forrado de folhas de pinus e alí, certamente passaríamos uma excelente noite, para esquecer a noite anterior. Comemos a nossa ambicionada granola e fomos dormir.
19/07/07 - Dormimos muito bem, mas como estamos sem fogareiro agora, o kinojo teve que ser comido cru com água, pois não há remédio para isso e o pelotão não pergunta, combate! Partimos às dez horas rumo ao povoado do Gy onde constatamos que o pneu dianteiro do carrinho do Luigi estava furado após alguns percalços conseguimos trocar a câmara e seguir por uma estradinha até cruzar a ponta e chegar a praia novamente.
Seguimos caminhando até o almoço para comer o já sonhado salamito. O almoço que parecia ruim no primeiro dia, virou o prato preferido do Luigi o mais novo combatente do pelotão farroupilha. Levantou um fraco vento de través e, ALELÙIA, voltamos a velejar.
Sensação indescritível, de estarmos alí, deslizando pela praia vendo as gaivotas, os talhamares e as ondas nos acompanhando na jornada. Estamos super felizes e conscientes do momento ultra especial que representa o fato de que com apenas uma aula estamos diante de uma vigem que não deixa de ser um momento inesquecível de nossas vidas.
Seguimos em frente até umas rochas que avançavam pelo mar só nos restou desmontar as velas e passar os carrinhos por uma estrada paralela. Muitos sustos depois (os carros passavam muito rente pois era muito estreito ) achamos uma brecha entre as dunas para voltar a praia.
Amigos, que dureza! As areias estavam infestadas de amorosos (espinhos) que nos machucaram bastante se grudavam nos pneus às centenas. Jogo muito duro brody! Chegando a praia montamos novamente as velas e seguimos à pano até a barra de Laguna, local histórico onde Garibaldi e os Farrapos tomaram a cidade e fundaram a República Juliana.
Desmontamos mastro e velas (para circular nas ruas repletas de fios de luz até um camping. Ali deixamos os carrinhos e viemos até uma lan house mandar notícias e fotos. Esperamos que estejam gostando, pois amanhã seguiremos puxando pela estrada após a balsa até a praia de Morro dos Conventos. Serão cerca de 20 km, mas o nosso ânimo está bom.
Agora são 20:30h, depois desta pausa o pelotão se prepara para a peleia que terá pela frente.
Queridos amigos acabamos de chegar em Torres depois de dias duríssimos lutando contra vento sul de rajadas mar crescido areia mole, tempestades e extremo cansaço físico. Pedimos desculpas por não responder os e-mails mas só temos mais uma hora antes que a lan house feche.
20/07/07 - Laguna ao amanhecer. Seguimos pelas ruas de Laguna, paramos em uma borracharia para consertar a câmara furada e depois fomos rumo a balsa. Durante a travessia ficamos sabendo que um veleiro argentino se chocou contra um ilha chamada Ihota. Eles velejavam no piloto automático e o barco se chocou contra as rochas. Até onde sabemos, dois tripulantes morreram e um foi resgatado (isto foi na noite de quarta para quinta-feira).
Fizemos amizade com os tripulantes e passageiros da balsa. Ao iniciarmos a caminhada (20km) falei para o Luigi sobre colocar as botas, mas ele retrucou que o pelotão farroupilha tinha que ir de pé descalço, pois guerreiro Farroupilha não tem medo de nada. Difícil foi acostumar com o areião que picava os pés como agulha.
A paisagem era lindíssima, pois seguimos com a lagoa de Santo Antonio aos dois lados da estrada. - Tenente Issi e Laguna ? - Soldado Laguna é coisa do passado essa já foi tomada e o Rio Grande precisa de nós vamos retornar a nossa pátria. E assim seguiu o pelotão, muita poeira, estrada sem fim, carros, caminhões, etc...
Paramos para almoçar, retornávamos, alongávamos e seguimos em frente. Já estávamos com bolhas nos pés e dor nos joelhos, mas ninguém queria entregar os pontos. Depois de cinco extenuantes horas chegamos as dunas do Farol de Santa Marta Encontramos local para acampar, já no escuro, entre pés de pinus perdidos entre as dunas.
21/07/07 - Ainda doloridos de ontem, seguimos por uma estradinha cheia de atoleiros até chegarmos à praia. Ali montamos as velas e seguimos a pano até a barra do Camacho (este rio foi por onde entrou Garibaldi com Seival para surpreender as forças imperiais e atacar Laguna que tinha seus canhões voltados para o mar). Enfrentamos areiais e dunas altas para contornar a barra seca do Camacho. Montamos tudo de novo e seguimos a pano.
O vento estava fraco a princípio, mas, para nosso delírio, ficou forte e os carrinhos andavam como loucos para nossa imensa alegria. Como é bom ser aventureiro, arriscar e colocar a cara e a coragem ao vento. É inebriante! Mesmo com vento de popa os carrinhos desenvolvem mais velocidade andando em zig-zag, ou seja, andando de través. Assim seguimos até chegar a barra do rio Torneiro, muito profundo.
Atravessamos as dunas seguimos para uma pinguela, onde teríamos que remover os bagageiros para cruzarmos com os carrinhos. Na passada vimos barcos e falamos com seu Rogério "Abacate". Para nossa incredulidade, ele disse que daria para colocar os dois carrinhos e a nós na mesma viagem.
Passamos os carrinhos entre as vacas, colocamos no barco e seguimos pelo rio até a barra. Havia muitas garças entre a vegetação e a água era verde e límpida. Seguimos a pano novamente, passamos pelo balneário de Rincão (onde havia duas plataformas) e já no escuro resolvemos parar, pois quase nos chocamos nas estacas de redes na beira da praia.
Ameaçava um temporal e decidimos dormir na varanda de uma casa. A noite foi terrível: raios, relâmpagos e ventos fortíssimos que jogavam um pouco de chuva sobre o saco de dormir do Luigi que estava protegido por um plástico.
Fonte:
André Issi Cidade:
Porto Alegre-RS-Brasil Fotos: André Issi Publicado: Debora Americo da Silva Date: 16/10/2007
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