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Aconteceu de 10 a 19 de outubro de 2007, o passeio Pelos Caminhos Da Serra - Rota das Flores. Confira como foi.
Para quem deseja visitar a região das hortênsias, na serra gaúcha, recomendamos três caminhos, que podem levá-lo às cidades da região. Uma parte de uma delas, foi mostrada na matéria anterior - a Rota Romântica - para quem sempre vai pela BR 116.
Desta vez, o local escolhido foi a Rota das Flores, que passa por cidades como Igrejinha, Três Coroas e Gramado e, posteriormente, a estrada que leva a São Francisco de Paula, a RS 020, que é rota de ligação com Taquara, Gravataí, Cachoeirinha. Seja para a Rota das Flores ou para São Francisco de Paula, o viajante pode escolher dois roteiros, ambos com estradas pavimentadas, sinalizadas e em boas condições.
Para a Rota das Flores, ou RS 115, o acesso é feito pela RS 239, que liga Taquara à Estância Velha. O acesso a essa estrada pode ser feito pela BR 116 ou pela RS 020 (que passa por Taquara). Em qualquer um dos casos, a distância é quase a mesma (130 km), mas o que muda é a paisagem.
Quem vai pela BR 116 (passando pelos municípios do Vale dos Sinos) viaja em uma estrada duplicada (embora o trânsito da BR 116 até Novo Hamburgo seja um tanto complicado às vezes), e com uma paisagem bem urbana (prédios, viadutos, indústrias), mas em boas condições e, depois, pela RS 239, tem a oportunidade de circular em uma estrada de ótima qualidade, com pistas largas, duplicada, com excelente sinalização e bom acostamento, além de ser fiscalizada (tem pedágio, posto da Polícia Rodoviária), passando por Campo Bom, Sapiranga, Estância Velha, Nova Hartz, Araricá e Parobé, com acesso à postos de combustíveis, tendas coloniais e restaurantes de boa qualidade. Logo adiante, há 5 km de Taquara, temos acesso à RS 115 (ou Rota das Flores), que dá acesso à Gramado.
Quem escolhe a RS 020, viaja por uma estrada bem sinalizada, mas com pista simples e sem acostamento em muitos pontos, porém com muitas e belas paisagens e a possibilidade de parar em algum dos estabelecimentos ao longo da via, que comercializam produtos coloniais e servem lanches, sucos e mesmo o tradicional caldo de cana. Ao chegar em Taquara, passa-se por um trevo, que ao entrarmos à esquerda, estaremos acessando a mesma RS 239, onde teremos acesso à Rota das Flores, que nos deixa no centro de Gramado.
Para São Francisco de Paula, basta continuar a RS 020, (opcionalmente pode-se usar o mesmo trajeto da BR 116/RS239), passando por Taquara, onde logo após, teremos um dos mais belos visuais da serra Gaúcha, que mistura a beleza rústica da serra, em muitos pontos com a vegetação muito fechada, a uma estrada muito calma, com pouquíssimo movimento e boa sinalização (embora sem acostamento).
Em alguns trechos, o asfalto dessa estrada começa a apresentar necessidade de reparos, mas podemos observar que a manutenção da mesma vem sendo feita e por isso, é um dos roteiros mais tranqüilos para se viajar. São 39 km, a maior parte de subidas, que embora tenha poucas opções de paradas (somente alguns vilarejos, sítios e tendas coloniais ao longo da sua extensão), possui algumas das mais belas paisagens da serra Gaúcha, tendo como destino a cidade de São Francisco de Paula, distante 120 km de Porto Alegre e há 910 metros do nível do mar.
Uma vez no topo da serra, o viajante pode se deslocar entre as cidades de São Francisco de Paula, Canela, Gramado e Nova Petrópolis, pela RS 235, que faz a ligação entre essas quatro cidades, que integram a Rota Romântica, um dos mais belos e tradicionais roteiros de turismo no Estado.
O começo desse relato se dá em São Leopoldo, uma vez que eu e um amigo (Antônio) deixamos Porto Alegre de Trensurb (que nos finais de semana permite o transporte de bicicletas, mediante retirada da roda dianteira). Com isso, a BR 116, com seus 37 km até São Leopoldo, que é um trecho com trânsito mais intenso, mais sujeira na pista, sem contar que, nesta parte do trajeto, muitos ciclistas vêm sendo alvo de assaltos (arredores de Esteio e São Leopoldo).
Iniciamos nossa saída de São Leopoldo por volta de 08:15, percorrendo os 12 km finais da BR 116 e logo entramos na RS 239, que nos levaria ao acesso para a RS 115. Pedalamos direto e com apenas uma parada, no posto Charrua que fica em Sapiranga. Ali, um tradicional ponto de passagem, sempre fomos muito bem atendidos, tendo opção de banheiros, lanches e restaurante.
Logo seguimos viagem, fazendo pequenas paradas apenas para fotos e hidratação. Chegamos em Três Coroas antes das 13:00 e diretamente fomos à rodoviária, já que o combinado era do Antônio me acompanhar até Três Coroas e, em função de compromissos, retornar de ônibus. Após, almoçamos no Trigus Restaurante e Churrascaria, onde o almoço, como sempre é muito bem servido, mas comi pouco (eu preferi almoçar por kg, comendo uma porção pequena de macarrão, um pedaço de frango e salada), pois ainda teria muitos km pela frente e subidas e não poderia estar "pesado" para prosseguir.
Após, nos despedimos e por volta de 14:15, prossegui viagem, esperando o início da escalada para Gramado, onde temos após o pedágio, 18 km de subida. Para minha surpresa, a subida intercala trechos mais pesados e outros mais leves. Os mais pesados, um de 3 km e outro de 4 km foram vencidos a uma média de 12 km/h e a média final da subida foi 16 km/h, com 1 h e 15 min. de pedal.
Ao longo da via, podemos observar pequenas cascatas dentro do mato e mesmo à beira da estrada, temos um refúgio, onde estão imagens de santas e ao lado, corre uma pequena cascata. Chegando em Gramado, com 105 km rodados desde São Leopoldo, paradas para fotos e em seguida pego a via de acesso ao Lago Negro. Ao sair por uma das ruas secundárias, peço informação a um senhor de moto, que se assustou quando disse de onde vinha, comentando que nunca percorrera tal distância nem com sua moto...
Saindo do Lago Negro, logo sigo para Canela. Antes, uma parada para avisar por telefone um amigo meu que me aguardava em São Francisco e algumas fotos no mirante entre Gramado e Canela. Em Canela mais algumas fotos, uma das mais bonitas foi a da Catedral e outra a do pôr-do-sol. Após, segui viagem, mas com a paisagem mudando aos poucos. Passando Canela, começamos a percorrer as estradas dos Campos de Cima da Serra. Uma região muito bonita, que leva à cidades como São Francisco de Paula, Cambará do Sul e Bom Jesus, antes destas duas últimas, passando pela Rota do Sol, que liga Caxias do Sul ao Litoral. Nessa estrada, o clima muda.
As hortênsias dão lugar aos belos e ondulados campos. Nada de subidas íngremes. Estas são mais longas e suaves. O vento, sempre contra à tarde estava calmo, uma leve brisa. Aos poucos, o pôr do sol foi sendo tomado por nuvens, estas vindas dos lados de São Francisco. Para quem não conhece, é a "viração", expressão típica do lugar, para as constantes mudanças de tempo. Mais algumas fotos, aproveitando os últimos raios do dia e caiu a noite. Em alguns momentos, uma fina garoa foi caindo, mas passava sem chegar a molhar.
Com o apoio de dois faróis, nem ela nem a noite foram problema. Já com mais de 130 km, a média foi baixando, mesmo por segurança. Em alguns momentos, eu perdia a noção do tempo e do espaço e apenas me permitia sentir as ondulações da estrada. Ao redor, apenas a vegetação e algumas luzes de casas, mas tudo distante. Em alguns pontos apenas, o breu da noite era quebrado pela luz dos faróis de algum carro que eventualmente passava.
Logo vejo a placa "São Francisco de Paula 10 km" e em seguida, as primeiras luzes, ainda distantes. A chegada em São Chico, como carinhosamente a cidade é chamada pelos seus moradores se deu por volta de 20:30, sendo que no trecho final, peguei forte neblina e a temperatura em declínio. Cheguei na casa do meu amigo e este me pediu que pegasse pão e um vinho, que complementaram o bom macarrão da janta, enquanto colocávamos os assuntos em dia. Logo veio o sono e encerramos esse dia de relato, com 152 km rodados (média 22 km/h). Esta é uma opção de roteiro mais longo, para quem quer fazer turismo na região das hortênsias.
O segundo dia começou de forma tranqüila. Café, conversa, um pequeno passeio pela cidade, onde eu e meu amigo percorremos algumas ruas do centro e logo após almoço. Deixei a casa dele por volta de 14:00 e andei por meia hora a bater fotos pela cidade. As fotos, embora não tenham muito boa qualidade, pois foram batida com o celular, retratam fielmente a beleza da região em momentos distintos e casuais.
Neste momento, cabe salientar que, estas dedicaram-se a registrar não os pontos turísticos tradicionais, a maioria já fotografados e amplamente divulgados, mas aqueles que passam despercebidos, ou quais o viajante, na maior parte das vezes, não observa ou não se dá conta, pois passa de forma rápida, geralmente "fechado" em seu carro. Neste ponto, a bicicleta é o meio de transporte que oferece esse equilíbrio, com um contato maior com a natureza, permitindo observar mais detalhes de cada lugar, sem contar na sensação de liberdade que propicia.
Na volta poucas fotos e paradas. O ritmo foi mais forte. Na descida da serra, muito vento contra e mesmo nas descidas mais íngremes, era necessário pedalar. Em uma das descidas de Morungava, um susto. Acompanhando alguns carros que passavam, deparei-me com um buraco, este grande e um tanto profundo. Não podia desviar por causa dos carros e acabei passando por cima dele há 58 km/h.
Um forte solavanco e me vi caindo. Mas foi só susto. Se estivesse mais devagar, teria caído. Uma ironia. Cheguei em cachoeirinha com 102 km e a média 27/h. Até Porto Alegre, foram 122 km em 4 horas e 38 min. Uma última foto de um riacho próximo ao acesso da Free-Way. As belas paisagens aos poucos vão sendo tomadas pelas formas quadradas da cidade e o ar não é mais o mesmo.
O respeito e a cordialidade dos motoristas serranos vão dando lugar ao stress, buzinas e pessoas irritadas, ao pára e arranca dos semáforos urbanos. É o retorno de quem teve a chance de sair um pouco da correria urbana. Belas paisagens, ar puro, muito esforço e a recompensa de ter passado por lugares tão belos são o saldo deste final de semana. Nestas horas, também agradeço aos bons e velhos amigos, incentivadores que sempre fizeram parte de cada viagem e aos quais, espero sempre ter como parte da minha vida.
Em dois dias, foram 274 km de muita estrada e 57 fotos, nenhum pneu furado ou problema mecânico. A alimentação foi complementada por rapaduras e gel energético, além de isotônico. A bagagem foi a mínima, duas pochetes, uma com ferramentas e outra com duas mudas de roupa, "manguitos", que ajudaram na volta. Na serra fez frio, nada demais, mas o suficiente para acender um fogão a lenha. Mas enfim, se lá faz frio, sobra calor humano!
Fonte:
Rodrigo Hart Fagundes Cidade:
Gramado-RS-Brasil Fotos: Rodrigo Hart Fagundes Publicado: Debora Dias Date: 19/10/2007
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