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Viagem de WindCar de André Issi 2007 - Parte 18

Aconteceu de 16 de julho a 2 de outubro de 2007, a Viagem de WindCar de André Issi, pelos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte da República Oriental do Uruguai. Confira a parte 18 do diário de bordo!

Vinte de Setembro de 1835, digo, de 2007
REVOLUÇÃO FARROUPILHA


- Senhor, acabaram de chegar as ordens do comando!
- Tomar Laguna no dia da revolução!
- Eles estão loucos!

Temos que atravessar o Rio Torneiro, avançar 50 km em praia mole com mar alto, atravessar as altas dunas da barra do rio Camacho e marchar 20 km depois de tudo isto até a balsa.

- Bueno, ordens são ordens!
- Pelotão. Hoje é a data máxima do Rio Grande e todo esforço é pouco para lembrar de nossa querida terra. Quero que lutem como bravos e lembrem do Rio Grande na hora derradeira.
- E o soldado TE?
- Terá que lutar como todos, ele faz parte do pelotão...
- E como lutaremos, senhor?
- Em marcha com baionetas, mas em carga de cavalaria com o Imortal utilizem as lanças.
- Pela memória de nossos bravos e pelo Rio Grande marchem!

E assim segue o pelotão para a praia. Ali encontro um simpaticíssimo senhor de 86 anos que do nada começa a falar de sua vida. Diz que perdeu uns documentos, mas já encontraram. Ele fala que se separou há pouco e que está preocupado se não pegou doença venérea "das brabas"... O Cara é um herói! Tem gente com a metade da idade dele que tem que se ajoelhar ao lado da cama e dizer:

- Obrigado por mais "uma" Senhor!

Encontro umas mulheres ajoelhadas na praia colhendo algo e colocando em cestinhos. Resolvo investigar. Elas estão colhendo "maçambiques", aquelas conchinhas pequenas em forma de triângulo retângulo.

- É para comer, diz uma delas.

Aliás, os pescadores ficam fazendo buracos sem fim catando mariscos e corruptos para fazer de iscas. Deveriam importar do planalto central. Adiante passo pela plataforma de pesca norte da praia do Rincão e mais um pouco chego a barra do Rio Torneiro. Um pescador legal me acompanha e diz que a barra está rasa.

Legal, assim não perco tempo tendo que ir atrás de um caíque. Ele entra na água e afunda até o peito, mesmo não tendo chegado na metade do caminho. Fala que se eu for lá fora, no mar a "coroa" ou banco de areia estará mais raso. Tá! Eu vou me meter em fria procurando coroa com a carga do Imortal nos ombros. Eu nem sei se a coroa é gostosa! Resolvo atravessar a nado.

- Tenente, hoje nem é sábado e vai tomar banho...
- Alguém tem que dar um jeito de atravessar o pelotão. Conheço uns tauras amigos que nos ajudaram na vinda!

Atravesso rápido no estilo "Krau" e logo estou seguindo pela beira entre cercas, milhares de espinhos, rosetas e assemelhados.

- Seu burro, porque não trouxe os chinelos?

Sou obrigado a seguir assim mesmo, pois a correnteza do rio desce para o mar e não tô a fim de ficar com câimbra. Atravesso vários sítios, mas seu "abacate" não está. Mandam eu falar com outro pescador, que está trançando uma rede numa árvore. Explico a situação, ele não está nem um pouco afim de sair dali:

- Pois é, mas eu vou molhar os sapatos...
- Olho para os pés dele, está de sapatos mesmo e fico sério.
- Parece que ele não tem mãos para tirar os sapatos.

Minha mãe sempre diz:

- Um passo além da mediocridade e a humanidade estará salva!

Certamente ele não ouviu falar disto. Tenho que falar na linguagem universal, mesmo porque não era minha intenção fazer diferente.

- Eu queria pagar para alguém fazer a travessia.
- Ele vacila um pouco e "lembra" que tem umas botas no galpão.

Com um certo esforço ele tira os benditos sapatos e calça as botas. Batalhas são vencidas nos detalhes e com um "saco" bem grande para ver e escutar certas coisas e tratar aquilo como coisa normal. Ajudo a remar rio abaixo até onde ficou o Imortal. Feita a travessia sigo a pé, pois ali está cheio de areia mole e o mar esqueceu que é manhã e está alto. Perto de 10 h o sul ficou azulado e o vento que se forma precede uma tempestade.

- Senhor, é melhor desmontar a vela.
- Negativo. Montem!
- Chegou a hora do pelotão fazer uma carga de cavalaria. Preparem as lanças!

Monto tudo rápido e logo vamos zunindo. Há muitas saídas de riachos, areia mole e o mar chifrudo que sobe rápido querendo deter a carga de nossos heróis. Através das areias e das espumas o povo catarinense assiste ao embate rigoroso das tropas e ao entrechoque das armas. Os imperiais em Laguna que aguardem, pois o pelotão pegou embalo e a vitória até Jaguaruna é só questão de tempo. O ronco dos rolamentos é forte, mas a água do mar abafa. A praia fica cada vez menor e o Imortal mais navega dentro do que fora da água.

Quando eu pego um pouco mais de velocidade logo entro em zona de areia mole ou sou obrigado a entrar na água com tudo para não atolar em areia acumulada mais para cima. As praias vão passando e ao longe vejo dunas muito altas e amarelas. O mar está lambendo a base delas e virou guerra corpo a corpo. Às vezes atolo dentro da água e as crises histéricas galopantes tomam conta do pelotão que perde a razão e esmurra o mar enquanto berra toda a sorte de palavrões. Assim mesmo consigo avançar até que vejo os molhes da barra do Camacho.

Tiro fotos, arrasto pelas altas dunas e depois pelos areais até o outro lado da barra. Ali encontro três simpaticíssimas senhoras que recolhem maçambiques com cocas retangulares. Elas são muito divertidas e enquanto uma delas senta no Imortal, a outra, de "só" 85 anos puxa as rédeas e a companheira.

Tiro fotos com elas e sigo peleando pela costa de dunas altas até uns rochedos onde começa a praia do Farol de Santa Marta. Velejo até o último galpão já quase encostado no morro do Farol e ali tiro fotos enquanto converso com os pescadores. Retorno velejando uma parte e subo para a estrada. Como o mastro passou na altura dos fios sigo puxando com o mastro montado pela estrada. O Imortal quer seguir sozinho, mesmo nas subidas da estradinha.

- Tenente, porque não vamos velejando?
- Afirmativo, positivo e operante!
- Assumam seus postos de batalha!

Devagar e sempre o pelotão segue velejando pela estradinha enquanto o pessoal que passa nos carros sorri largamente pelo inusitado da cena. Passa um ônibus e depois dois caras de moto me seguem e vêm conversando. Aparece uma viatura da polícia militar. Passo óleo de peroba na cara e aceno. Eles vacilam e acenam de volta. Achei que iriam verificar a validade do extintor, mas isso só as bestas de Capivari. Sigo assim até chegar a um posto de gasolina, já perto do entroncamento onde iniciam os fios de luz que cruzam sobre a estrada e têm altura inferior ao mastro. Desmonto a vela e sigo para o entroncamento onde chego às 16 h.

- Pelotão, prepare-se para a marcha de vinte quilômetros!
- Senhor, isso não é humano!
- Já tivemos diversas peleias para um dia só!
- O pelotão é animal e além disto temos que tomar Laguna no dia da Revolução.

Nada de água e comida até que o alvo seja atingido.

- Senhor, somos marinheiros ou soldados?
- Combatemos tanto no mar quanto na água!
- Esqueceu que fomos fuzileiros navais no início de tudo?
- Além disto o pelotão não escolhe, combate!

Decidido, duas horas e meia de marcha firme e já escurecendo, chego a balsa. Atravesso, sigo pelas ruas. algumas pessoas lembram de quando eu e o Luigi passamos por aqui em julho. Sigo até o camping da barra dos molhes, mas não tem ninguém. Abro o portão, deixo o carro sob um teto e sigo para um restaurante que há ali perto. Flávio o dono liga para os donos do camping e eles autorizam que eu durma por ali.

Tomo três taças de vinho e janto um delicioso bife acebolado. Começa a chuva que o Imortal havia deixado para trás. quando dá uma estiada sigo para o camping e me ajeito numa varanda onde ficam várias pias, o lava-pratos do camping. Tchê que temporal! Muita água, raios e trovões. Que dia! Mil e seiscentos quilômetros viraram passado e só faltam trinta quilômetros para Imbituba. Que loucura!

21/09/07 - Que ressaca! Ao amanhecer outro temporal! O tornozelo ficou como uma bolota, mas não dou mais bola. Ele que se vire com aquela pomada pra cavalo! Ainda não terminou.

- Senhor, que faremos?
- Não saberemos viver sem guerras...
- O Danilo, do Veleiros do Sul, falou brincando em fazermos 1000 milhas...
- Ele nos deu a maior força na viagem do caiaque.
- O que vocês acham de fazermos estas mil milhas ou mais?
- O pelotão explode de alegria.
- Nunca fomos normais mesmo, que mal há em fazer uma loucura dentro da outra?
- O pelotão tem gás para isto e muito mais.

Huevos hombres! Vamos a Imbituba para terminar o que começamos e voltar às armas para o sul atrás dessas tais de "mil milhas". Não tem as de Indianápolis? Agora haverá as "mil milhas do Pelotão", parece que estão lá pelas bandas de Capão da Canoa.

- Senhor, será que não ficaremos tontos com tanta "meia-volta, volver"?

22/09/07 - Laguna - Agora são 8:30 h, resolvo tomar antiinflamatório e passar pomada no tornozelo, porque o trecho de hoje tem muitos obstáculos e terei que arrastar o Imortal em alguns pontos.

- Senhor, o sodado TD (tornozelo direito) está com ciúmes e quer o mesmo tratamento dado a TE.
- É justo. Falem ao soldado Dedos para passar aquela pomada de cavalo em TD também!

Arrumei tudo, despeço-me de Zinho (cuida do camping) e sigo para a praia, aonde chego por volta de 10h. Pretendo ir a Imbituba (onde esta viagem iniciou) e voltar aqui em 3 a 4 dias. A praia está calma e sem vento, muita gente passeando e meninas de uma escola jogam na quadra de futebol. Da barra até a extrema da praia deve ter uns 3 km. Depois tenho que seguir por uma parte perigosa pelo asfalto estreito e sem acostamento para contornar um pequeno costão. Um cara de camionete raspa no mastro desmontado e risca sua lateral e quase acaba com minha viagem. Se ele batesse frontalmente no mastro, o mesmo viria por cima de mim e eu iria "entrar pelo cano".

Ele foi tão "maneta" que nem parou para olhar, deve ter ficado com vergonha, além de ter ficado com um "recuerdo" do Imortal! Desço um barranco e retorno a praia, onde um fraco vento de popa me permite velejar rumo a Ponta do Gi. Ali há uma pequena estradinha que liga ao outro lado da ponta e segue até a praia de volta. Como o vento está favorável, sigo de "patinete" até lá. Dali sigo velejando em direção de Itapirubá. Foi mais adiante que eu e o Luigi acampamos pela segunda vez. Foi no meio das dunas onde houve um temporal e ali ficou o sargento Fogareiro, morto em combate. Vou seguindo, como vou achar o local se as dunas são todas iguais?

Lembro de um poste e umas dunas mais altas ao fundo. Vejo um local parecido e vou conferir. Tchê, não é que encontrei? Lá está o coitado no mesmo lugar na duna, apenas caiu porque o vento retirou a base. Tiro fotos, coloco-o de pé e vou embora. Como decidi que vou voltar, melhor pegá-lo na volta. Sigo até Itapirubá (que é outra ponta), desmonto a vela (por causa dos fios de luz) para atravessar uns 500 m de rua até o outro lado do povoado onde há a praia novamente. Ali quase não há praia, o mar está alto e quase bate nas construções e galpões que guardam os barcos de pesca. Mais adiante monto a vela e sigo em frente, já avistando o início de tudo: as ilhas e o morro de Imbituba.

Não deixa de ser uma emoção. Fosse o ponto final, a emoção seria maior. Será um bate-e-volta, pois dali retorno para o sul. Passo pelo museu da baleia onde há uma réplica de um filhote de Jubarte na frente. Vou me aproximando das pedras e da ilha quase encostada no continente. Está havendo um campeonato de surf ali no canto da Praia da Vila. Aqui ocorreu uma etapa do WQS, (a nata do surf mundial) onde Kelly Slater ganhou. Peço a um pessoal tirar fotos do Imortal encilhado nas pedras (14:15 h). Tiro um peso dos ombros, os 1630 km que planejei fazer viraram realidade. Agora botei na cabeça de fazer mais 370 para fechar as tais de mil milhas náuticas (1858 km), pois as milhas terrestres (1602 km) já foram pro espaço.

Tendo ânimo, vou até os 2000 km e parar, pois mais que isso fica parecendo cachorro correndo atrás do rabo. Aparece seu Jorge e Henrique, pescadores ali do canto. Dizem que esta noite haverá show do Zé Ramalho. Gostaria de assistir, mas para evitar confusão vou em frente. Como está soprando sul, retorno pela praia e subo até o bar de seu Gelson, onde montamos os carros e partimos no final da tarde de 15 de Julho.

Ele está por ali e aproveito para almoçar um prato de salada, pirão e peixe frito. Decido que vou até Ibiraquera. Não lembro quantos quilômetros são, mas desmonto o mastro enquanto Rodrigo fica conversando comigo. Ele é muito gente boa e está trampando como segurança ali ao lado. Sigo pelo asfalto e vou subindo sem parar rumo a BR 101. Cara é subida sem parar. Há uma placa que indica Ibiraquera, o mirante, o museu da baleia e um farol. Chego ao mirante, tiro fotos. Dali é possível ver o Porto de Imbituba e a praia da Vila mais ao fundo.

- Senhor, esse lugar é alto!
- O Imortal foi feito para andar ao nível do mar... Ele está passando mal e o pelotão está ficando desidratado de puxar esse animal pesado montanha arriba.
- Eu sei e também estou brabo, se quisesse fazer escalada voltava ao Aconcágua.
- De quem foi a idéia de Ibiraquera?
- Do "Espírito que Manda"!
- Bueno, se foi Ele: "tudo cessa quando a musa canta e um valor mais alto se alevanta"!
- É melhor seguirmos em frente, pois já subimos demais e essa coisa de elevação não acaba!

Tchê, pensava que no mirante encontraria o ponto mais alto, mas seguimos para uma parte mais inclinada ainda até chegarmos ao topo de onde podia avistar o farol em um morro mais para baixo. O suor escorrendo solto e a respiração ofegante. Menos mal que está nublado e esfriando. Na descida vejo meu destino final. Uma paisagem deslumbrante: o asfalto escorre entre o verde das montanhas e vai se perdendo entre as dunas douradas que há lá pra baixo. Depois das dunas se vê a Lagoa de Ibiraquera para bombordo e o mar para boreste.

Montanhas sem fim demarcam o fim das praias extensas e o ponto onde o Imortal não pode mais seguir livre, no rumo dos ventos sem fim. Até hoje velhos e crianças comentam da vez que um windcar subiu ao alto da montanha. Os nativos se ajoelhavam; pensavam que aquilo era o veículo dos deuses do Olimpo.

- Senhor, que fumaceira é aquela no horizonte?
- É a Guarda do Embaú...
- São índios?
- Sim, da tribo Marijuana!
- São antropófagos?
- Não, adoram "cachimbo da paz" e chá de ervas exóticas...
- ????
- Cogumelos de bosta de vaca, folhas e raízes de Dama da noite, etc...
Tchê, se a inclinação para vir já era terrível, o pior era a inclinação da descida. Aquilo "despencava" até a praia da Ribanceira. O Imortal não tem freios e segurá-lo na descida estava detonando meu ombro direito. Quero ver eu subir esse negócio se quiser voltar! Droga, que mania de fazer as coisas sem pensar e sem conhecer o campo de combate. Agora te rala cara! Algumas vezes deixava o carro encalhar nas canaletas de drenagem para descansar um pouco, pois as "juntas" estavam estralando. Pior que isso só o som dos rolamentos do Imortal. Parece aquelas "comunidades" de bugios das ilhas do rio Paraná.

O ronco era muito parecido e quando o Imortal pegava velocidade o ronco aumentava a ponto de irritar o comandante, que direcionava o Imortal por dentro da água para afogar os macacos. Finalmente chego a praia da Ribanceira. Altos barrancos e praia estreita. O mar quase bate nos barrancos e uma espécie de neblina prenuncia um final de tarde esquisito. Acho uma brecha no barranco e deixo o Imortal despencar para a praia. Por causa do morro quase em cima, ali não havia vento. Sigo em frente me questionando o porquê de ter vindo aqui. Teria sido tão fácil dar meia volta e seguir para o sul. Vou gastar cerca de três horas desde Imbituba até a Barra da Lagoa de Ibiraquera. Amanhã será pior!

Olho para o mar cinzento e vejo algo escuro logo depois da rebentação. Deve ser um boto! Dali há pouco um imenso chafariz de uns cinco metros de altura. Depois parece haver um enorme tronco negro na superfície do mar. Cara! Eu nunca tinha visto isso na minha vida. Uma baleia! Não dessas que a gente vê em terra, comendo salgadinhos. Uma de verdade...Viva! Quase ao lado da primeira vejo uma segunda. Seguindo para o norte vejo mais duas. Que legal! Que alegria ao ver algo que nunca havia visto na minha vida. Na viagem de caiaque lá no Rio de Janeiro quase bati em uma, pensei que a barbatana fosse um pedaço de pau, mas ela foi pro fundo e não vi o bicho, embora tenha chegado a menos de cinco metros com o caiaquinho antigo. Que experiência emocionante! Até esqueci da lomba e do que estava fazendo. O "Espírito que Manda" se manifesta:

- Viram seus boludos? O pelotão não é nem será comum.

Tivessem retornado de Imbituba para o sul não teriam visto as paisagens que viram e nem teriam tido essa experiência emocionante!

- Nunca tenham medo de arriscar!
- Essa de "profeta do acontecido" quando algo dá errado é para quem nunca saiu da frente da poltrona e acha mais fácil ficar na frente da tv assistindo um programa de auditório, hipnotizado pela rotina e novelas da vida.

É verdade, quando estou desanimando ou quase no fim penso nas inúmeras vezes que quase desisti e nas experiências gratificantes ao insistir, de poder ter visto mais além. Graças a insistência vejo coisas emocionantes, retalhos de aventuras. Sigo pelo escuro, mas não acho a barra. Subo pelas dunas na direção das luzes. Começa a chover fracamente. Havia um camping subindo a barra. Ficava bem na margem. Quando chego no fim há um hotel enorme, o camping não existe mais. O porteiro diz que há outro retornando,

- É adiante da Raia 1!
- Raia 1? Não é do Renato Pozzolo?
- Sim, você o conhece?
- Claro, o Pozzolo eu considero um grande amigo. Ele tinha uma guarderia náutica na Av Guaíba, no bairro Ipanema em Porto Alegre.

Quando ficou sabendo da minha viagem pioneira de windsurf de Porto Alegre ele organizou uma palestra na Associação Gaúcha de Windsurf. Isso foi nos anos 80, tinha ele e o Leka, o Diabo, a Marta Santos, as Gêmeas, seu Antônio e tantos outros. Ele quase foi campeão brasileiro e só perdeu porque caiu quando liderava, foi no nervosismo e no detalhe. Era o melhor de todos! Retorno e encontro a pousada. Quem está cuidando ali é o Paul e sua esposa Paula. São simpaticíssimos. Chega Albernaz que é cirurgião vascular, nasceu em Rio Grande (onde meu pai se criou) e trabalha em Novo Hamburgo (onde nasci). As coincidências não param aí, ele conhece o Nardi, o Simões e tem um windcar francês. Diz que já passou de 100 km/h no seu.

A conversa flui em companhia de Diabo que chegou ali também. Que legal, ele ainda se lembra até do meu nome. Paul diz que o Pozzolo bateu o recorde de velocidade de windsurf indo de Chuí até Rio Grande em 7 h pelo mar. Eles conhecem o Kauli Seadi que é filho de nosso professor de tênis, o Ricardo que é meu vizinho de beira da Lagoa da Conceição em Floripa.

Algumas coincidências! Por falar em Kauli ele foi campeão mundial de Windsurf e semana passada ganhou a etapa do mundial aqui em Ibiraquera. Ele derrotou lendas como Rob Nash. Resolvo ficar, mesmo a diária sendo acima do padrão do pelotão, mas foi um prêmio por ter chegado ao ponto mais ao norte da viagem. Paul me traz pão com salmão que Albernaz havia preparado. Que delícia! A chuva cai forte e o pelotão dorme numa cama com lençóis limpinhos e tendo pesadelos, pois deixei a tv ligada e passa Zorra Total. Ninguém merece!

Fonte: André Issi
Cidade: Porto Alegre-RS-Brasil
Fotos: André Issi
Publicado: Debora Americo da Silva
Date: 22/10/2007 <%insert_data_here%>

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  Evento 7306 - Viagem WindCar

   Aqui os Albuns e Fotos



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