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Luis Francisco Corrêa Gick, 27 anos, é artista plástico e ilustrador e explicou o que é a arte do Pinstriping.
Luis trabalha com este tipo de arte há 6 meses, interesse que nasceu apartir do site do famoso construtor de choppers, Jesse James, começou a pesquisar sobre pinstriping. Depois de deixar o curso de engenharia mecânica, insatisfeito com seus estudos na faculdade de design, encontrou nesta arte uma forma de expressão que exige muita precisão e paciência, que acabou se tornando uma forma de se expressar artisticamente.
Sempre com o apoio incondicional dos pais e do amigo Doug Dorr. O pinstriping é muito mais antigo do que a maioria das pessoas imaginam. Aliás, pode-se dizer que o uso da linha tem sua origem nas cavernas pré-históricas. O pinstriping é derivado das tatuagens e pinturas maori, muitos artistas também pintam tikis (carrancas) inspirados em tikis maoris. Esta arte chegou ao mundo dos carros e motos na década de 30.
Após a primeira guerra mundial, os soldados começaram a contruir hot rods e choppers. Alguns decoravam seus carros e motocicletas com pin-ups, outros escreviam frases ou faziam pinstriping. O que ganhou destaque na década de 50, justamente com o surgimento de grandes artistas como Von Dutch, famoso pelo seu olho alado e ed "big daddy" roth com o seu rat fink. Eles atingiram um outro nível em complexidade e design no pinstriping. Eles são os principais personagens da kustom kulture.
O tipo de arte que Luis faz além de pinstriping, são pinturas no estilo "lowbrow", que faz parte da kustom kulture. São monstros com os olhos saltados , com uma boca enorme e dentes pontiagudos. Também faço "lettering" (letreiros). Tudo feito com pincel e tinta, a mão livre. Não utilizo aerógrafo nos meus trabalhos. Os materiais necessários são: pincel feito com pelo do rabo de esquilo, importado dos eua, que é o mais importante; tinta esmalte sintética; solventes para tinta esmalte e diluente de tinta.
O principal diferencial do pinstriping para as outras artes é o cuidado para não tremer a mão durante a execução das linhas, porque um pinstriping precisa ter linhas contínuas e uniformes para ficar bonito. E, principalmente, um bom par de olhos para tentar fazer a pintura o mais simétrica possível e cuidar onde você coloca a mão de apoio para não manchar a pintura.
Infelizmente no Brasil o pinstriping é pouco difundido. Somente com a chegada da TV a cabo, com os programas relacionados a automóveis e choppers, algumas pessoas tiveram a felicidade de conhecer esse tipo de pintura e cultura. Existem algumas pessoas que vendem o material para pinstriping no país, mas como tem contatos nos EUA, costuma comprar os pincéis direto de lá, mas a importação da tinta é muito cara. "Eu estou me virando muito bem com as tintas nacionais", complementa ele.
Para quem gostaria de iniciar com esta arte Luis diz que apesar de não existirem cursos ainda, qualquer um pode comprar cds e dvds com as explicações necessárias da técnica.
"A publicação de artigos como este em revistas e periódicos, participação dos artistas em eventos, além de mais programas de TV como o "lata velha" ajudariam na divulgação desta arte. Com certeza existem muitos artistas e profissionais da área não só de pintura, mas também de mecânica no Brasil capazes de criar e realizar trabalhos tão bons quanto os realizados no exterior", comenta ele.
No pinstriping mecânico é utilizado uma ferramenta (beugler) que facilita a execução de linhas longas e contínuas em superfícies maiores, não tendo a necessidade de toda hora molhar o pincel na tinta. Existem pincéis especiais para linhas longas, tão bons quanto este instrumento. Claro que exige mais habilidade do artista, mas produz uma linha contínua e uniforme.
As principais características do pinstriping à mão livre é que cada traço tem o seu peso, cada pinstriping tem a sua alma. O artista quando termina um pinstriping deixa nele muito esforço e suor, resultado de tudo o que passou em seu aprendizado: frustrações, alegrias e orgulho pelo trabalho bem feito. E com certeza não existe coisa melhor que olhar nos olhos do cliente e ver aquele sorrizão, de orelha a orelha, estampado no rosto. "Esse privilégio a máquina nunca vai ter", ressalta ele.
Luis finaliza, "gostaria de agradecer a Deus pelo dom artístico que ele me deu. Agradecer aos meus pais que eu amo muito, minha família, aos meus grandes amigos - Pietro que trouxe meu primeiro par de pincéis e Israel, que me apoiou muito e incomodou um monte para eu conseguir um pincel para ele. Devo muito aos meus amigos da Califórnia: Doug Dorr, Malex, Frank e Fat daddy, que me ajudaram no inicio, dando algumas dicas. Tem o pessoal de São Paulo, o grande pintor automotivo Fabio haben e magoo macfly, que manda muito no aerógrafo. E todos aqueles que acessaram o meu perfil do orkut e deixaram um elogio. E gostaria de deixar uma reflexão para as pessoas que estiverem lendo esta matéria. É preciso humildade no coração, respeito ao próximo e paz, muita paz no coração. Não passe por cima do seu próximo para chegar ao topo. É muito melhor fazer amigos que te ajudarão a chegar lá em cima e ter alguém com quem compartilhar a vitória, do que chegar lá em cima sozinho... "
EQUIPE INEMA
Fonte:
LUIS FRANCISCO CORRÊA GICK Cidade:
Porto Alegre-RS Fotos: LUIS FRANCISCO CORRÊA GICK Publicado: Debora Americo da Silva DATA: 23/10/2007
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