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Edgard Batista realizou o projeto CICLOVIDA, de dezembro de 2004 a julho de 2007, no Brasil e na Europa. Confira a parte 15!
28 de maio de 2007
Depois de pedalar toda a costa leste da Escócia cheguei em Edimburgo, a capital - uma cidade muito bonita e com um ambiente cultural bem bacana. Dalí peguei um ferry boat para a Bélgica - ficou quase o mesmo preço do ferry entre a Inglaterra e a França, com a vantagem de que "pulei" toda a costa leste inglesa, que dizem não ser tão interessante para pedalar, muito industrializada.
Fui muito bem recebido na Bélgica, logo no primeiro dia uma família me convidou para dormir na casa deles. O marido Dirk era belga, e a mulher, Elida, brasileira, com dois filhos que falam flemish (o Holandês da Bélgica) e português. Eles viram a bandeira brasileira na Inocência e pararam o carro para conversar, e acabaram me hospedando.
A bandeira brazuca é mesmo um ótimo "passaporte"! Carrego 2 "passaportes" quebra-gelos na bici, a bandeira atrás e o violão na frente, como uma carranca de barco para dar sorte. Ambos abrem portas, tornam as pessoas amigáveis, me fazem receber convites para dormir ou simplesmente parar para bater um papo e tocar uma musiquinha.
Segui até Antuérpia, onde fiquei 9 dias muito bem vividos na casa da Anna, uma amiga polonesa que também está no projeto Couchsurfing. Dali finalmente entrei na Holanda.
Junho 2007
Depois de atravessar o grande dique do norte, com seus 35 Km, e com vento contrário, cheguei na vilazinha de Dronrijp. Estava descansando e imaginando onde encontraria outra matinha para armar minha barraca quando um senhor com seu cachorro parece que leu meus pensamentos, pois ele me cumprimentou com um simpático "boa tarde", em português mesmo!
Depois de um pouco de conversa ele me explicou que sabe português porque é casado com uma Angolana, a Elisa. Ele se chama Dirk, o mesmo nome do Belga casado com uma brasileira que me convidou para dormir uma noite em sua casa. E este Dirk também foi muito hospitaleiro, me convidando também!
Depois do jantar e de muita conversa em português e inglês fizemos uma sessão de conversa "musical" com tambores - eles estão aprendendo a tocar e foi muito divertido essa conversa sem palavras que tivemos. Ah, o cachorrão deles se chama Soba, que quer dizer chefe na língua tradicional da Angola.
Finalmente na Alemanha! O primeiro couchsurf foi em Norden, na casa do Steffen. Passei um final de semana bem bacana com ele e sua família, ele estuda na Holanda, mas vai nos finais de semana para casa, me lembrou quando eu estudava em Campinas e ia nos finais de semana para Guará. Noitadas nos bares com amigos, festa, banho de mar na "praia" deles, que na verdade é um dique, foi um final de semana bem bacana.
Julho 2007
O esquema dessa viagem de alternar camping selvagem e hospedagem em casa de couchsurfers está funcionando muito bem! Eu tenho às vezes a sensação de que viajo no tempo, em um dia pareço um cowboy no velho oeste, ou um cangaçeiro, (para ser mais brasileiro), viajando no lombo da minha Inocência, dormindo no mato, cozinhando na fogueira. No outro dia parece que viajei para século 21, quando fico no conforto de casas com chuveiro quente, cama, internet.
Quando a gente compara é que começa a dar valor para as pequenas coisas, e como hoje eu dou valor para uma torneira!!!! A maior invenção do século! Hehehe... Bom, depois do norte da Alemanha cruzei a Dinamarca e finalmente entrei na Suécia!
No caminho entre Bremen e Hamburgo parei para descansar e esse simpático senhor alemão veio puxar papo. O problema é que ele não falava nadinha em inglês ou qualquer outra língua, só alemão. E fiquei muito contente, porque com o pouquinho de alemão que aprendi escutando meu curso em mp3 consegui me comunicar com ele, e papeamos por mais de uma hora!
No final ele me ofereceu uma cerveja, e como estava calor aceitei bem alegre. Então ele foi lá dentro de sua casa e voltou com duas garrafas, eu todo contente só esperando aquela deliciosa cervejinha alemã descendo pela minha goela, refrescante! Mas não é que ele toma cerveja em temperatura ambiente? A cerveja tava quente! Bom, por educação tomei tudo e agradeci, mas que foi uma decepção foi. ;-)
15 de Julho de 2007
Os últimos dias de viagem foram quase me arrastando, porque a Inocência começou a praticamente desmontar! Coitada, primeiro foram as marchas que por estarem gastam começaram a falhar, escorregando pelos dentes gastos da coroa quando eu pedalava. Não podia usar mais a coroa do meio, ficando só com 14 marchas, e depois perdi também a coroa maior, ficando só com 7 marchas mais ou menos.
Aí quando parecia que não dava mais para piorar, só com as marchas menores, os cabos de troca de marcha arrebentaram, quase que ao mesmo tempo, aí tive que fazer uma gambiarra para deixar a bicicleta pelo menos com uma marcha, e assim rodei mais de 200 quilômetros. Os últimos duzentos quilômetros com uma marcha, a segunda mais leve, usada para subir morro, e que no plano me fazia pedalar como um louco para rodar só um pouquinho, mas com muita teimosia e paciência, devagar cheguei finalmente em Estocolmo!
E a Inocência parece que sentiu que ela podia relaxar, porque justo quando cheguei na cidade o bagageiro dianteiro quebrou! Eita Inocência danada, que mesmo toda estrumbicada conseguiu me trazer são e salvo com meus 50 quilos de bagagem!
Fonte:
Edgard Antunes Dias Batista Cidade:
Alemanha-EX-Alemanha Fotos: Edgard Antunes Dias Batista Publicado: Debora Americo da Silva Date: 31/10/2007
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