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De Março a Agosto de 2007, Eduardo Feijó botou o pé na estrada e rodou o mundo. Confira a parte 2, na Inglaterra, desta grande aventura!
Londres, 26/03/2007 - 23h00 - Valeu a pena ter esperado o domingo para fotografar a catedral. O céu amanheceu azul, e ficou assim o dia inteiro. Para quem gosta de história e de construções antigas como eu, Canterbury é o passeio mais interessante de todos os que eu fiz até agora. Ao redor da catedral você encontra uma vila medieval incrivelmente conservada. Gastei umas três horas para percorrer todos os caminhos.
Eu entendo quem não gosta deste tipo de passeio ou de fotografia. Estou pensando em fazer um ensaio sobre a forma como as pessoas se vestem por aqui. Vai ser meio difícil por que ninguém gosta de ser fotografado sem saber a razão, mas vou pensar numa forma de fazer isto discretamente.
Antes de sair da cidade visitei a igreja de St Martin, a mais antiga igreja em uso contínuo na Inglaterra, com 1.500 anos desde a sua construção original. Ela sofreu reformas ao longo dos tempos, mas ainda assim vale a visita.
Tentei tomar a sopa de tomate novamente, mas o restaurante estava fechado. Eram 4 horas da tarde e a cidade ainda estava com muitos visitantes. É realmente difícil de entender os horários por aqui! Acabei parando em um restaurante japonês, o Wagamama, e comi macarrão com frango. Era bem gostoso, mas muuuuuuuuuito apimentado, um dos mais fortes que já comi. Quem me conhece sabe que eu tenho um tipo de reação alérgica a pimenta, e isso faz com que minha face fique molhada. Acho que nem numa sauna eu suaria tanto!
Voltei para Londres à noite e fui para o flat. Seria a minha quinta cama diferente na viagem. Ao chegar encontrei o Sebastien, francês, e o Sergio, italiano. Serão os meus companheiros de flat nas próximas 3 semanas. Eles dividem um quarto, e eu fico no aposento menor. Era aniversário do Sergio, e para comemorar tomamos uma tequila. O Sebastien trabalha na London Solution, e eu já o havia conhecido quando contratei o quarto.
Eles têm 21 anos e não conseguem entender como alguém da minha idade está fazendo uma viagem como essa. De uma forma geral as pessoas que tenho conhecido na viagem têm entre 20 e 25 anos. Os europeus, principalmente, passam uma temporada longe de casa antes de entrar na universidade. No meu quarto consigo pegar o sinal da internet. Aqui na Inglaterra tem sido muito fácil conseguir acesso, mas acredito que em outros paises as coisas não serão tão simples.
Ao invés de pegar o metrô, hoje caminhei pela cidade. Sai de Nothing Hill e fui até Leicester Square, no centro de Londres. Atravessei o Hyde Park, e passei por ruas famosas como Oxford e Bond Street. Andei por Piccadilly Circus e por Trafalgar Square. Sempre gostei de romances policiais, e muitos dos livros que li falavam destes lugares e da Scotland Yard. Hoje nas aulas conheci novos colegas. Da Alemanha, das Filipinas e da Síria. A escola parece uma filial da ONU! Gostaria de encontrar pessoas dos paises asiáticos que irei visitar. Quem sabe nas próximas semanas.
Hoje fui comer na Pizza Express, aqui em Nothing Hill. Pedi o recheio mais saboroso que encontrei, com arenque, azeitona e ovo cozido. O sabor não tinha nada de especial, e a massa era muito grossa para o meu gosto. Consegui comprar um ingresso por um bom preço, então amanhã vou assitir We will rock you!
Londres, 29/03/2007 - 23h40 - We will rock you - o musical foi o momento mais emocionante da viagem até agora! Nem tanto pela história que é contada, que é bem simples e se passa numa época futura, na qual as pessoas são proibidas de tocar qualquer instrumento musical. Mas sim pela trilha sonora espetacular do Queen. O som do teatro é ótimo, e você se sente como se estivesse em um show de verdade. É de arrepiar quando eles tocam We will rock you, We are the champion e Bohemian rapsody. Pura emoção! A platéia vibra a cada música.
Era proibido tirar fotos dentro do teatro. Fiquei tentado a desobedecer, mas no fim desisti, e me contentei com uma imagem da porta do teatro. O Queen é a banda de rock internacional que eu mais gosto. Principalmente das músicas que eles gravaram nos anos 70 e no inicio dos 80. Aliás, uma das coisas que eu mais me arrependo foi ter deixado de assisti-los no Brasil, acho que em 1982, quando eles estavam no auge do sucesso. De alguma forma, hoje me redimi desta falha.
Para chegar ao teatro fiz outra longa caminhada, saindo da escola que fica entre South Kensington e Earl's Court, passando por Chelsea, Belgravia, Pimlico, até chegar a Westminster, pela margem do Tamisa. Pela primeira vez consegui usar camiseta ao ar livre! Concordo que a imagem do Big Ben já está meio batida, mas a luz do final da tarde e o céu azul deixam tudo mais bonito. Caminho mais um pouco, atravesso Trafalgar Square e chego a Piccadilly Circus. Esta parte do percurso é lotada de turistas. Ainda tenho tempo para comer alguma coisa antes do musical.
Numa das aulas dessa semana tive uma conversa bem interessante com uma coreana. Falávamos sobre relacionamento, e eu perguntei como as coisas funcionavam no país dela. A minha expectativa era de que ela falasse de uma sociedade machista, onde a mulher não tivesse muitas escolhas. Mas muito pelo contrário! Ela fez engenharia, estudou japonês e foi trabalhar no Japão há 2 anos. Conheceu o atual namorado dela no trabalho, ele com 35, ela com 33. Embora a relação seja saudável, ela provoca algumas situações para evitar que a relação fique monótona.
Isso significa, por exemplo, brigar por alguma coisa mesmo que não haja nenhuma razão aparente. Não satisfeita, e com o objetivo de testar se o rapaz realmente gosta dela, decidiu estudar inglês em Londres durante 6 meses. O resultado final deve acontecer em 1 mês, quando ele vem visitá-la, e ela espera, pedi-la em casamento. Nas palavras dela, para um relacionamento dar certo e ser duradouro é necessário pensar estrategicamente.
Hoje fui ao Museu de História Natural, que fica há duas quadras da escola. Assim como diversos outros em Londres, a entrada é gratuita. O museu é bonito por fora e por dentro. Há varias exposições, e eu fiquei particularmente interessado pelos dinossauros. Há algumas réplicas que se movimentam e fazem ruídos. As crianças adoram. Ops! Da última vez eu falei bem do uso do cartão de crédito na Inglaterra. Porém, ele não é aceito no KFC e no Burger King. Também não consegui usar em um bar de rock. Desta vez, vantagem para os meus colegas brasileiros.
Desde terça-feira não consigo usar a internet via wireless aqui do meu quarto. Agora somente na escola e no Starbucks, e mesmo assim, antes das 20h. Isso faz com que eu fique quase meio dia defasado em relação a vocês, pois 20h aqui são 16h no Brasil. À noite fui ao Notting Hill Arts Club, um bar de rock aqui perto do flat. Fica num subterrâneo, não é turístico e é freqüentado pelas pessoas que moram nas redondezas.
As paredes parecem estar pichadas com histórias em quadrinhos, mas o efeito é obtido por meio de vários projetores espalhados pela casa. Interessante! Tudo começa muito cedo, por voltas das 8 da noite. Vi duas bandas, que tocaram músicas próprias. Gostei, mas duvido que venham a fazer sucesso. A cerveja mais barata era a Cintra, brasileira, R$ 9,00 cada.
Pode não ser importante para vocês, mas a última emoção do dia foi lavar as roupas. Quem me conhece sabe que eu não tenho nenhum jeito para fazer estas coisas. Porém, durante a viagem não tenho alternativa de baixo custo (Solange, cadê você?). Aqui no flat tem uma máquina de lavar e uma de secar. Você compra a ficha por £ 3 e deixa as máquinas fazerem o resto, não foi nenhum sofrimento!
Londres, 04/04/2007 - 01h00 Por meio da Maria Clara, minha amiga no Brasil, eu conheci a Silvia e o Stuart na semana passada. Ela é brasileira e vive em Londres há 2 anos.
Ele é inglês, de Manchester, e foi jogador de futebol. Seguindo a rotina em Londres, o happy-hour começa às 18h, e fomos ao Prince Albert, um pub aqui em Notting Hill. A cerveja é gelada, bom sinal! Em nenhum pub que conheci havia garçom, você pede diretamente no balcão. O costume daqui é que um de cada vez pague a rodada. Por influência deles mudei a minha programação do final de semana: ao invés de viajar para Warwick, ao norte de Londres, resolvi fotografar os mercados de final de semana.
No sábado fui para Portobello Road, o maior mercado de rua da cidade, perto de Notting Hill. Eu diria que de alguma forma ele me lembra a Benedito Calixto em São Paulo. As diferenças, além de ser maior, é que também vende roupas e um monte de coisas made in China e não vende móveis antigos, pelo menos eu não encontrei. Finalmente encontrei uma barraca de cachorro quente, salsicha da Alemanha, picante e deliciosa. Infelizmente eles não fazem com purê. O preço? Dez reais!
Procurei um lugar no qual pudesse fotografar as pessoas de uma forma discreta. O melhor local foi uma travessa da Portobello Road onde as pessoas tinham que olhar para os carros antes de atravessar, e desta forma não prestavam atenção na minha presença. Fiquei encostado em uma placa de sinalização e comecei o trabalho. Em poucos minutos fiz mais de 300 fotos, das quais selecionei umas 120. O que mais me impressionou foi a diversidade das pessoas.
Seguindo a recomendação do professor de inglês fui até a Waterloo Bridge no final da tarde. Como estava sem o tripé da máquina, fiz as fotos com pouquíssima iluminação, mas acho que o resultado ficou aceitável. No jantar experimentei pela primeira vez em Londres um restaurante libanês. Relativamente barato, a comida era muito boa. Também foi por recomendação da Silvia e do Stuart. No domingo fui conhecer os mercados que ficam do outro lado da cidade. Comecei pela Columbia Road e o seu concorridíssimo mercado das flores. Bem freqüentado, mas é difícil caminhar entre as pessoas e os vasos espalhados pela rua.
Nesta mesma região fica o mercado da Brick Lane. Completamente diferente dos outros mercados, a maior parte dos vendedores é do sudoeste asiático (Bangladesh, Paquistão, Tailândia, pelo que eu pude perceber). O árabe é a língua corrente. É um mercado bem popular no qual se encontra de tudo por preços super baixos: alimentos, artigos de toalete, roupas, ferramentas, etc. Almocei em uma barraca de comida tailandesa. Havia 3 opções de curry: green, red e yellow. Perguntei qual era a diferença, e a mulher me explicou que green era menos picante, red um intermediário e yellow muito picante. Por precaução, pedi o intermediário, e mesmo assim não foi fácil enfrentar o tal do red curry. O terceiro mercado desta região é o Spitfal Fields, com vários ateliês e um mercado indoor muito cheio.
Continuei na direção do Tamisa, atravessei pela London Bridge e caminhei pela passagem que margeia o rio em direção a Tower Bridge (essa coisa maravilhosa que aparece na foto ao lado). Para mim é a imagem mais bonita de Londres! Passei em frente à Tower of London, um antigo castelo que irei visitar em breve. Segui até a St. Paul Cathedral e finalizei a caminhada em Covent Garden. Ufa, foi a mais longa caminhada até agora, quase 10 horas!
Entrei em uma Starbucks para me conectar à internet e para ir ao banheiro. A parte da internet eu resolvi, mas a parte do banheiro não, pois não havia nenhum disponível. Calculei que eu conseguiria agüentar até chegar em casa. Peguei o metrô e em cerca de 20 minutos estava no flat. Porém, o Sebastien estava tomando banho, já não dava para esperar mais! Sair novamente para procurar uma alternativa não era mais possível, e o jeito foi apelar para o cesto de lixo que havia no meu quarto.
Ontem foi o dia de cortar o cabelo. Por 2 motivos resolvi trazer uma máquina de corte na viagem: A) economia, pois um corte em Londres sai por pelo menos R$ 80,00 (que é o preço da máquina); B) conforto, pois em breve estarei em paises nos quais não tenho a menor idéia de como explicar o meu corte. Com um pouco de malabarismo é possível cortar o cabelo em 10 minutos, deixando bem curto do jeito que eu gosto. Fiquei sabendo pelo blog que a revista Terra deste mês publicou a carta que eu enviei para a redação sobre o planejamento da viagem. O próximo desafio é conseguir publicar as fotos. Mas esta é uma outra história!
Londres, 04/04/2007 - 22h50 - Mais do que uma vez, nas minhas caminhadas, tive dificuldade para encontrar lixeiras! O motivo é simples: depois do 11 de setembro e dos atentados ao metrô, as autoridades inglesas vivem obcecadas por segurança. Uma lixeira num local de alta concentração de pessoas pode ser considerada um facilitador para um eventual atentado. Nos aeroportos é fácil perceber esta paranóia, e no dia a dia a falta de lixeiras faz com que a cidade não fique tão limpa. Hoje é noite de lua cheia! Acabei de fazer as malas, pois amanhã pela manhã vou para o aeroporto com destino a Barcelona. Esta foto eu tirei da janela do meu quarto!
Nos últimos três dias aproveitei para conhecer alguns museus. O primeiro que visitei foi o Tate Modern, instalado em um edifício gigantesco que já foi uma usina de energia. Embora seja um dos museus de maior sucesso em Londres, eu particularmente não gosto muito (ou não entendo muito) de arte moderna (eles chamam de arte moderna o que foi produzido a partir de 1.900).
O que mais gostei foi de uma revista editada na antiga União Soviética, a partir do final dos anos 20, na qual o regime comunista exaltava as suas realizações. As fotos são muito curiosas, mostrando locomotivas, usinas hidroelétricas, aeronaves, etc. Os russos eram fotografados de baixo para cima, o que gera uma sensação de superioridade. Aliás, tive a oportunidade de conversar com dois russos na escola, e eles me disseram que não gostam de Moscou, acham a cidade suja e poluída.
Hoje visitei o Victoria and Albert Museum, especializado em arte decorativa e design. Este sim me deixou muito impressionado! O museu reúne mais de quatro milhões de objetos coletados em várias partes do mundo. Para mim, as galerias mais interessantes são as que mostram arte em vidro, como nesta foto ao lado, e as que exibem arte islâmica, indiana, chinesa, japonesa e coreana.
Porém, há de se contestar o direito que os ingleses têm de manter estes objetos. Eles foram coletados ao longo do período em que o império britânico era a maior potência mundial. Alguns deles têm 1.000 anos, e em minha opinião, deveriam ser devolvidos para os seus paises de origem. Os ingleses alegam que eles estivessem nos seus respectivos paises o estado de conservação não seria o mesmo. Isso é questionável, pois muitos destes objetos foram preservados por séculos antes de serem "coletados" pelos britânicos.
Após deixar o museu, atravessei o Hyde Park, o Green Park e o St. James Park, que ficam um ao lado do outro, até chegar ao Buckingham Palace. Aliás, pelo menos por fora, o palácio da rainha não tem nada de especial. Infelizmente ela estava com a agenda lotada, e não foi possível um encontro pessoal.
Continuei caminhando até a Westminster Cathedral, e depois até a Westminster Abbey. A primeira é católica. Entrei e eles estavam no meio de uma missa. Deu para constatar um fato: as igrejas por aqui estão cada vez mais vazias, há muito mais turistas do que freqüentadores. A segunda é da igreja anglicana, que é dominante no país, e onde quase todos os reis e rainhas foram coroados. No fim do dia fotografei mais uma vez o Big Ben (eu sei que já havia passado por aqui, mas eu gosto deste relógio de estimação deles). E aproveitei para clicar o London Eye.
É impressionante como o tempo passa rápido! Já completei a terceira semana da viagem. Essa vida é muito boa, eu decido os meus horários e escolho a programação. De manhã penso em fazer uma coisa, e no meio da tarde decido fazer algo completamente diferente. Essa sensação de liberdade é muito boa. A única rotina são as aulas de inglês.
Posso dizer com segurança que já conheço bem o centro de Londres e as suas principais atrações. Deixei alguns pontos interessantes para a próxima semana, como o British Museum e a Tower of London. Nesta semana os jornais deram algum destaque para a declaração do Hugo Chavez em prol da recuperação das ilhas Falklands (ou Malvinas) pela Argentina. Sobre o Lula não tenho visto quase nada.
Na última segunda feira eu fui dançar num lugar chamado Salsa, que fica no centro, em Leicester Square. Cheguei por volta das 20h30 e a pista já estava cheia. Na verdade, eles estavam no meio da aula, com uns 5 professores e mais do que duzentos alunos. É pra deixar com inveja qualquer escola de dança de salão no Brasil. Vários passos eu não conhecia. As aulas acabaram 21h30 e a pista foi liberada. Tocou um ritmo que eu também não conhecia chamado Batchaca (ou algo parecido). Dancei com espanholas, uma inglesa, uma polonesa e uma alemã. Fiquei impressionado com o gingado das duas últimas, que não ficam devendo nada às brasileiras!
Fonte:
Eduardo Feijo Cidade:
Londres - Inglaterra-EX-Inglaterra Fotos: Eduardo Feijo Publicado: Debora Americo da Silva Date: 05/11/2007
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