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De Março a Agosto de 2007, Eduardo Feijó botou o pé na estrada e rodou o mundo. Confira a parte 5, no Egito, desta grande aventura!
Luxor, 19/04/2007 - 18h00 - Como o tempo passa rápido, hoje já é o meu quinto dia no Egito! Nesse período foi possível visitar algumas pirâmides, o mercado Khan al-Khalili, o Museu do Egito e os templos de Karnak e Luxor. Além disso, viajei 10 horas de trem entre as cidades do Cairo e de Luxor, fiz um passeio de balão, descobri a habilidade de negociação dos egípcios e atravessei uma tempestade de areia.
Como eu já imaginava, o tempo disponível para a internet está muito limitado, sem contar que a qualidade das conexões por aqui deixa muito a desejar. Isso significa, por exemplo, que não tenho conseguido responder aos e-mails, assim como não tenho conseguido atualizar o blog com a mesma freqüência que antes. Carregar as fotos também esta complicado, e terei que fazer isso com calma quando voltar para o Cairo. Espero que vocês tenham paciência com isto!
Pela primeira vez na viagem eu não estou sozinho, pois tenho a companhia da Tereza. Quem a conhece sabe que ela é divertida e possui uma grande disposição para fazer os passeios. Assim como eu, adora tirar fotografias. Ela conhece bastante a historia do Egito antigo e dos seus deuses. Espero que ela me ajude a fazer a legenda das fotos do Egito.
Ela me trouxe um presente: uma carta dos meus pais! Fiquei muito feliz em recebê-la, pois tenho muitas saudades deles. Minha mãe me tortura ao lembrar das comidas que eu gosto. Mas tudo bem, quando eu voltar quero comer tudo o que tenho direito. Meus irmãos terão que se acostumar com uma dieta baseada em couve-flor, bolinho de arroz e estrogonofe de frango (com champignon). Mais uma vez, como em toda a minha vida, recebo total apoio deles. Tenho certeza que, de alguma forma, eles estão juntos comigo nesta viagem. Amo muito vocês!
Londres, 23/04/2007 - 18h30 - Novamente estou em Londres! É a terceira vez em menos de 2 meses. A imigração britânica já deve estar de saco cheio de mim. Eles sempre perguntam a mesma coisa: quanto tempo eu vou ficar na Inglaterra, onde vou me hospedar e pedem para ver a passagem aérea de saída. Ai eu falo da volta ao mundo e eles me liberam, sempre com um sorriso. Amanhã pela manhã tomo o vôo para Delhi, na Índia. Será o inicio da parte asiática da viagem.
Bom, mas esta postagem é para falar do Egito. Um dos pontos fortes em Luxor é observar o por do sol no Nilo. Todo dia é um espetáculo! Sem pressa, em qualquer ponto ao longo da margem do rio você consegue imagens fantásticas. Descobrimos, meio por acaso, uma lanchonete que fica atrás do Templo de Luxor, num terraço no quinto andar, com vista panorâmica. Para quem quiser conhecer, o lugar chama-se The Roof. No último sábado contratamos um motorista para nos levar aos templos de Horus e de Kom Ombo. Em minha opinião vale mais a pena fazer o passeio desta forma do que contratar uma excursão com guias (quem me conhece sabe que eu não tenho muita paciência com excursões). E o preço é muito bom! Com isso é possível evitar os grupos de europeus com 30 ou 40 pessoas.
Uma das coisas curiosas no Egito é que os estrangeiros não podem andar de carro pelas estradas de forma independente. É obrigatório andar em comboio, acompanhados pela polícia. Na foto ao lado aparece a metralhadora do policial que estava em nosso carro. Mas não se assuste, há mais de 10 anos não acontece nenhum incidente com turistas. O governo mantém o sistema de comboio para mostrar a sua preocupação com a segurança. Afinal de contas, uma grande parte da população depende do turismo para sobreviver. Estes templos de Horus e de Kom Ombo ficam ao sul de Luxor, umas três horas de viagem. Como é de conhecimento geral, a vida no Egito é dependente do Nilo. Desta forma, a rodovia, a ferrovia e a grande maioria das cidades ficam numa faixa estreita ao longo do rio. Sair desta faixa significa andar em pleno deserto. Pela janela do carro é fácil observar isto.
O Templo de Horus é considerado o mais preservado de todas as construções do Egito antigo. O ponto alto são os hieróglifos, que estão espalhados por todas as paredes, de cima a baixo. Uma iluminação especial valoriza os desenhos. Veja na foto ao lado que o moço não se contenta com uma única mulher. Se eu tivesse conhecimento e mais tempo gostaria de colocar uma legenda para cada um destes desenhos. Espero que a Tereza me ajude com isso. Finalizamos o dia no Templo de Kom Ombo. Por ser distante de Luxor, não encontramos nenhum turista nas ruínas! Como era sábado, por motivos religiosos, não havia nenhum comércio aberto nas proximidades, não deu nem para almoçar. Mas foi um dos melhores passeios da viagem. Depois temos que esperar o comboio da volta, para novamente enfrentar o por do sol. Que rotina!
No último dia em Luxor aproveitamos para conhecer o museu da cidade, pequeno em relação ao do Cairo mas muito bem organizado. Aproveitei para fazer algumas fotos de pessoas, dos táxis e dos caleches (esse que aparece na foto ao lado). oltamos para o Cairo, novamente usando o trem noturno. Decidimos visitar a Citadel, uma fortaleza que por mais de 700 anos foi utilizada pelos governantes do Egito. Esse passeio foi muito agradável, pois dentro da Citadel não há nenhum assédio de vendedores e táxis.
Já esgotados pelo ritmo alucinante de passeios que fizemos, aproveitamos para conhecer algumas das principais mesquitas da cidade. Visitamos a Mohammed Ali, a Sultan Hassan e a An-Nasir Mohammed. Todas muito bonitas, tranqüilas e acolhedoras. Gostei muito do Egito! Da alegria das pessoas, da fantástica história dos faraós, da beleza do Nilo, da comida, das paisagens, do passeio de balao, da sensação de segurança ao caminhar na rua, entre outras coisas. A chegada ao Cairo pode ser um pouco estressante, por isso é necessário dar um tempo no inicio da viagem para entender como as coisas funcionam. Luxor é imperdível!
E tem mais para conhecer: Alexandria, o monte Sinai, os oásis, o mar Vermelho. Exceto a passagem aérea, os custos de hospedagem, refeição e passeios são menores do que em muitas partes do Brasil. Pelo que pude perceber, não há nenhum desconforto para uma mulher viajar pelo Egito. E mais do que tudo: você tem todas as condições para organizar a sua própria viagem, sem precisar dos roteiros padronizados das agencias de
A minha primeira impressão do Cairo foi de uma cidade caótica. Você sai do aeroporto de táxi e enfrenta um longo congestionamento até chegar ao hotel. Os carros, todos muito antigos, não andam na faixa e buzinam o tempo todo! Isso sem contar os pedestres, que também andam no meio das ruas, muitas vezes carregando alguma coisa pesada sobre a cabeça. No entanto, demonstrando perícia dos motoristas e agilidade dos pedestres, não vi nenhum acidente nestes dias. As placas estão em árabe, ou seja, é impossível saber qual a direção correta.
Muitos prédios foram construídos antes da independência do Egito, na década de 1950, seguindo um estilo britânico. A manutenção é precária, as paredes estão sujas. O hotel Longchamps fica ao lado da casa do embaixador do Brasil, em Zamalek, uma ilha do Nilo próxima ao centro da cidade. A entrada do hotel é feia, o elevador parece um caixote. Segundo o taxista, o hotel fica no quinto andar. Fico preocupado, pois segundo o Lonely Planet este é um dos melhores locais para dormir no Cairo por um preço razoável. Para meu alivio, o interior do hotel é como um oásis no meio do deserto, o quarto é super confortável, e a proprietária e os funcionários são muito amáveis.
No dia seguinte fomos ao Egyptian Museum. Infelizmente não é permitido fotografar no interior, e tenho que me contentar com algumas peças que estão do lado de fora. A coleção é grande e interessante, mas como era de se esperar, o museu não possui a mesma infra-estrutura dos similares britânicos, cuja iluminação especial valoriza mesmo o mais simples dos objetos. No entanto, há uma galeria do museu que vale por toda a visita: a de Tutankhamun, contendo grande parte do tesouro que foi encontrado intacto na sua tumba. Os objetos são maravilhosos! Se você estiver curioso, pesquise na internet as fotos destes objetos.
À tarde fomos ao famoso mercado de Khan al-Khalili. Aqui é possível encontrar pedras preciosas, estátuas, espadas, roupas, comida e tudo mais o que você imagina sobre o Egito. São inúmeras lojas espalhadas por diversos quarteirões. Eu fiquei alucinado para fotografar coisas e pessoas, mas logo percebi que não teria tranqüilidade. Mal iniciamos a caminhada e uma legião infernal de garçons, vendedores e taxistas se aproxima para oferecer algum tipo de serviço ou mercadoria. Tudo começa com um Hello, Hey Mister ou Speak Spanish? A seqüência era sempre a mesma: eu respondia Brazilian, eles abriam um grande sorriso e diziam algo como Ronaldo, Pelé e grande time de futebol. No inicio era até divertido, mas depois de algum tempo você percebe que não tem nenhuma liberdade. Mudamos a estratégia, ignorando os chamados e não olhando para os lados. O assedio diminuiu, mas não deu para curtir o passeio como eu gostaria.
Os egípcios são grandes negociantes e têm uma técnica apurada para isto. Mesmo com os taxistas você tem que negociar o preço, que eles calculam pela cara do cliente. Funciona de forma semelhante a uma venda num semáforo no Brasil, cujo vendedor oferece uma flanela por R$ 5, você responde R$ 1, e se interessa, fecha em R$ 2. Embora quase sempre os egípcios tenham sucesso na negociação, o preço das coisas, mesmo para os brasileiros, é muito bom!
O dia seguinte amanheceu com uma ventania muito forte. Combinamos com um motorista recomendado pelo hotel um passeio pelas pirâmides de Giza, por Memphis e por Saqqara. Ao chegar ao deserto descobrimos que o vento forte na verdade era uma tempestade de areia! Era quase impossível enxergar as pirâmides. O vento mudava de direção a cada instante, e a areia não parava de nos atingir. Havia centenas de turistas na mesma situação.
Conseguimos chegar na Pirâmide de Quéops, que tem 146 metros de altura e foi construída há 4.500 anos. A maior emoção foi ter subido pelo interior da pirâmide até a sua câmara mais elevada. A felicidade da Teresa era impressionante! Tentei convence-la que não valia a pena continuar o passeio, sugeri que voltássemos para a cidade para visitar algumas mesquitas, mas não tive sucesso. Continuamos o passeio, visitamos o museu a céu aberto de Memphis e enfrentamos mais um pouco da tempestade para encontrar a belíssima pirâmide de Saqqara. Mais uma vez não consigo tirar tantas fotos como eu gostaria. Retornamos ao hotel no final da tarde, e ficamos sabendo a tempestade foi uma das mais fortes dos últimos tempos.
Caminhar pela margem do Nilo a noite é um passeio super agradável. O assédio dos vendedores é bem menor. A imagem de decadência dos edifícios é substituída pelas luzes que iluminam as margens do rio. No Egito a comida é muito saborosa! Um bom exemplo é o restaurante Roaster, que fica perto do hotel. Tenho comido muito melhor aqui do que na Inglaterra. Tomamos um trem noturno até Luxor, na parte central do Egito. O trem é confortável, embora a viagem dure 10 horas. Minha expectativa aumenta ao ver que o céu está azul novamente! Visitamos os Templos em Karnak. Trata-se de um conjunto de construções gigantescas! Faço dezenas de fotos. O que mais me agrada são os hieróglifos, que estão espalhados por todos os cantos.
No mesmo dia visitamos o Templo de Luxor, de onde observamos o por do sol no deserto. A iluminação noturna do templo é linda! Uma das coisas curiosas nas visitas aos templos é que tanto os guardas quanto os funcionários dos templos se oferecem para tirar fotos em troca de alguns trocados, como esses da foto ao lado. Você percebe que são pessoas muito simples e que, de alguma forma, fazem este tipo de coisa para sobreviver. De uma forma geral Luxor é muito mais agradável do que o Cairo, pois trata-se de uma cidade menor, com cerca de 200 mil habitantes. É possível andar tranquilamente a pé pela cidade. O assédio dos vendedores é menor, e a estratégia de não fazer contato visual ou verbal com eles se mostrou eficiente.
Hoje fizemos um passeio de balão na margem oeste do Nilo, onde ficam as tumbas dos faraós! O vôo começa bem cedo pela manhã e dura cerca de uma hora. O visual é impressionante! O cenário é composto pelo rio Nilo, pelas plantações que acompanham as suas férteis margens, pelas ruínas das construções dos antigos egípcios e pelas montanhas que guardam as tumbas dos faraós. Pelo menos 10 balões estão no ar mesmo tempo. O vôo é muito tranqüilo, pois o balão segue suavemente a direção dos ventos. Conseguimos ver pelo alto o caminho que faremos ainda hoje para conhecer as tumbas e outras construções. É um passeio inesquecível! A aterrissagem é curiosa, pois o comandante tomba o cesto para que todos possam desembarcar.
Após o vôo visitamos o vale dos reis, onde se encontra diversas tumbas dos faraós, inclusive a de Tutankhamun. Não é permitido fotografar o interior das tumbas. Algumas tumbas estão fechadas para restauração, mas as que encontramos abertas têm paredes cobertas por desenhos e hieróglifos. Por fim visitamos os templos de Hatshepsup, que aparece na foto ao lado, e o de Medinat Habu. É quase meio dia e o calor do deserto torna insuportável qualquer tentativa de caminhar sob o sol. Voltamos para o hotel cedo, o que permitiu que eu tivesse tempo para escrever esta postagem. Agora vamos descer para jantar e encontrar um cyber café.
Fonte:
Eduardo Feijo Cidade:
Luxor-EX-Egito Fotos: Eduardo Feijo Publicado: Debora Americo da Silva Date: 07/11/2007
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