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Caminhos Da Serra 2007 - Caxias do Sul

Aconteceu no dia 28 de outubro de 2007, o passeio Pelos Caminhos Da Serra - Caxias do Sul. Confira como foi.

Dando continuidade ao roteiro "Pelos Caminhos da Serra 2007", no dia 28 de outubro de 2007 foi a vez de Caxias do Sul ser visitada. Devido a pouca disponibilidade de tempo, foi destinado apenas um dia para a realização deste pedal, que para tanto, contou com um planejamento muito estratégico.

A idéia nasceu sábado à tarde, quando voltava de um treino em charqueadas e acabei tendo um pneu traseiro da speed rasgado. Como o treino combinado para domingo não sairia, resolvi sair bem cedo e aproveitar a comodidade da MTB para fazer um trajeto mais longo.

O trabalho começou sábado à tarde. A dieta integrou leite, bananas, muito macarrão e mais de um litro de suco de laranja. Por volta de 20:30 eu estava na cama. O relógio estava programado para 02:00, mas dez minutos antes acordei. Estava recuperado das dores e descansado.

Preparativos, como conferir o material, faróis (sempre deixo tudo mais ou menos organizado), câmaras, mais um reforço na alimentação (frutas, leite, pão) e saio de casa por volta de 03:15. Levo comigo 2 faróis de guidão mais um de cabeça (para emergências), gel energético, duas caramanholas e algumas bananas.

Nada de bagageiro ou excesso de bagagem. Levo duas pochetes, onde consegui colocar todo o tipo de ferramentas, mais os faróis, pilhas reservas, câmaras adicionais e assim, com peso reduzido, consigo ir mantendo um ritmo forte.

Cuidado adicional com o trânsito do pessoal que volta da noite. Atenção redobrada em cruzamentos. Nos últimos tempos, o abuso do álcool e outras substâncias tem aumentado muito e suas conseqüências são visíveis nos finais de noite. Pessoas passando mal, sendo carregadas pela rua são comuns.

Em Canoas, técnicos consertavam a rede elétrica e poucos metros depois, não pude reconhecer o carro, que completamente destruído, havia derrubado postes e me fazia crer que alguém naquele fim de noite não chegaria em casa... Mas, deixando esse lado negativo de lado, o olhar curioso de algumas pessoas ou mesmo o cumprimento e mesmo o desejo de "boa viagem" de um sujeito pilchado que passava por uma das calçadas da via lateral da BR 116 eram motivo de incentivo.

Pedalei forte os até passar Novo Hamburgo, chegando lá com média de pouco mais de 28 km/h. Era pouco mais de 05:00 e eu já estava no pé da serra. Por volta de 05:30 eu passava o acesso de Ivoti e pouco depois das 06:00 estava no topo da última subida de Morro Reuther.

Não há como descrever a sensação de estar pedalando ali logo cedo. O clima, os sons da serra, animais, água descendo pelos paredões. Até então, um ônibus e dois carros haviam passado. A lua cheia dividia espaço no céu com os primeiros raios da manhã. Mesmo assim, o sol avançava muito lentamente por entre os morros e só pude sentir os primeiros raios após passar o acesso à Santa Maria do Herval.

Aquela hora, algumas pessoas saiam para caminhar, moradores da região que acordam cedo e usam a BR 116 para fazer suas caminhadas matinais. Logo, veio uma seqüência forte de descidas, onde era comum andar há 50 km/h ou mais. Trechos sinuosos, que separam Morro Reuther de Picada Café. Ali, onde o sol demoraria mais para chegar, senti frio! Por volta de 07:45, passo por Picada Café e começa a escalada de Nova Petrópolis, que consumiu longos 42 minutos para ser vencida e quando chego no seu final, estou com a camisa encharcada...

Chegando em Nova Petrópolis, a primeira parada mais longa do pedal. Aproveitando uma fruteira aberta, comprei maçãs (uma comi ali mesmo) e algumas rapaduras. Tudo muito barato! Parei para bater algumas fotos, enquanto na Praça das Flores, ao lado do Labirinto, organizavam-se os estandes da 16º Feira do Livro municipal.

Após, voltei para o trevo de acesso de nova Petrópolis, me despedindo da Rota Romântica. Devido ao relevo e pelo fato de ser mais tarde e estar mais quente, já com 99 km pedalados, viria a parte mais difícil do dia. Agora, faltava o trecho final, rumo à Caxias do Sul, com sua sinuosa estrada e belas paisagens entre as montanhas da região.

Caxias do Sul fica há 35 km de Nova Petrópolis. Sua colonização, é de origem italiana, mas sua história começa antes da chegada dos imigrantes italianos, quando a região era percorrida por tropeiros e chamada de Campo dos Bugres.

A ocupação por imigrantes, a maioria provenientes da região de Vêneto, na Itália, se deu por volta de 1875. Em 20 de junho de 1890 foi criado o município, cujo traço mais marcante na evolução esteve ligado ao cultivo da videira e produção de vinho. Em 01 de junho de 1910, Caxias do Sul foi elevada ao título de cidade e, na mesma data, chegava na cidade o primeiro trem ligando a região à Capital.

Muitos imigrantes se instalaram na região, urbanizando-a e dando início ao processo de industrialização. Também a zona agrícola, inicialmente de subsistência, foi crescendo, inicialmente com a produção de uva e trigo, que produzindo para consumo doméstico e comercializando o excedente, deu início ao que viria a ser uma ampliação do leque de manufaturados, sendo que nas pequenas oficinas caseiras, nasceram indústrias internacionalmente conhecidas.

Com vastos parreirais, vinícolas, um variado parque industrial e um rico comércio, Caxias do Sul é conhecida como "Capital da Montanha", a "Pérola das Colônias", a "Colméia do Trabalho" uma cidade centralizadora da marca italiana no sul do Brasil. Com o passar do tempo, outras culturas se integraram ao povo de Caxias do Sul, unindo os traços italianos à cultura gaúcha. O turismo também é um dos pontos fortes de da região, que tradicionalmente realiza a festa da uva, evento tradicional da cidade desde 1931.

Recentemente, em 03 de setembro de 2007, Caxias do Sul foi oficialmente nomeada Capital Brasileira da Cultura 2008, título entregue pelo Secretário de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura, Célio Turino, no ato representando o Ministro Gilberto Gil. O título foi relacionado ao desenvolvimento sustentável.

Destacam-se como pontos turísticos da cidade a Casa de Pedra, a Catedral Diocesana, o Monumento ao Imigrante e o Lago do Jet. Roteiros como o da Estrada do Imigrante, onde é possível observar costumes e tradições nos caminhos dos primeiros imigrantes, através da gastronomia, arquitetura, paisagens e festas coloniais ou do Vale Trentino, onde em meio às paisagens e parreirais do Distrito de Forqueta, o visitante pode conhecer o Museu da Uva do Vinho, além de poder degustar massas, vinhos, sucos e outras delícias típicas nas cantinas da região.

Para quem vai pela 116, após passar Nova Petrópolis, (também conhecida como Jardim da Serra Gaúcha), temos nada mais que 12 km de descidas, algumas bem fortes e sinuosas e com poucos acostamentos, resumidos a refúgios à beira da pista de trechos em trechos.

Para os ciclistas mais desavisados, em alguns pontos da pista, existem "redutores de velocidade", ou seja, vários "olhos de gato", no sentido transversal, que podem causar alguma queda (bem grave) ou mesmo causar danos a pneus se transpostos em alta velocidade e de forma imprudente.

Fora isso, tudo muito tranqüilo. Mesmo um ônibus que não conseguia me ultrapassar em alguns pontos, me acompanhou, mantendo distância até conseguir me ultrapassar em uma reta. Após, segue um trecho com muitas retas e leves subidas e descidas e logo começamos as primeiras escaladas. Nada muito longo, mas algumas bem íngremes. Contornando morros, entre árvores ou mesmo sentindo o sol quente nas costas, esses últimos quilômetros realmente foram os mais desgastantes.

Com poucas paradas para hidratação e fotos, procurei manter ritmo constante e forçar apenas o necessário, uma vez que minha expectativa de chegada na cidade era para ser por volta de 10:30, mas já eram quase 11:00 e estava passando por Galópolis. A chegada na rótula de acesso à Caxias do Sul se deu perto de 11:15, onde pedi informações de como chegar no centro da cidade. Ali, passei por um rapaz, montado numa Cannondale, clipado, que passeava com seu filho pequeno (devia ter uns 2 ou três anos). Este me acompanhou até o acesso da Av. Júlio de Castilhos, me dando várias referências da cidade. Comentou que participava de competições e que, em função de rotinas e família, hoje estava a dedicar-se apenas à prática de pedais com amigos aos sábados, quando davam um giro forte pela região.

Em seguida, passei pelo centro e me dirigi seguindo as placas de acesso à RS 122, que leva à Farroupilha. No caminho, aproveitei para visitar amigos, onde acabei almoçando e colocando as novidades em dia. Por volta de 15:30 começaria meu retorno à Porto Alegre, que se daria por São Vedelino.

Saí da cidade pedindo informações. Logo entrei no trevo de acesso à Rota do Sol, que posteriormente me daria acesso à RS 122, que é bem sinalizada. Segui até o pedágio sem maiores problemas. Lá, fui muito bem atendido pelo funcionário, que me disse que também gostava de pedalar.

Abasteci as garrafas com água gelada e segui viagem, Dali para diante, o acostamento em alguns trechos não é tão bom e em vários pontos, a pista possui os famosos "tachões" ao longo da sua extensão, que muito próximos, impedem a subida e descida em alta velocidade da pista para o acostamento. Como essa estrada é o trecho que centraliza o trânsito entre Caxias e Porto Alegre, com muitos ônibus e caminhões, recomenda-se trafegar pelo acostamento com cuidado, mesmo que em baixa velocidade.

Logo, a pista tem placas informando que, para quem segue reto, o destino é Bento Gonçalves e à esquerda, é Porto Alegre. Após o viaduto de Farroupilha, mais acostamento ruim e tachões. Sinalizadores na pista, nas descidas também exigem cuidado. Mas pouco depois, a pista fica mais larga e os "tachões" aparecem mais nas curvas. Há uma placa indicando que teremos 15 quilômetros de descidas.

Com pouco trânsito, esse trecho, que se estende até pouco antes de Bom Princípio é percorrido sem problemas. Quando chego em Bom Princípio, a pista está com trecho em obras e acostamento ruim, mas logo também melhora. Pelas minhas contas, teria mais 80 km até Porto Alegre e agora, com retas, pequenas subidas e descidas, mas ainda assim, seria um trajeto difícil. Com mais ou menos 190 km pedalados, o vento contra incomodava e até São Leopoldo seriam mais ou menos 45 km.

Fui percorrendo a estrada de forma tranqüila, mantendo velocidade de curso entre 25 e 30 km/h. Perto de Portão, o tempo vai fechando e começam os primeiros pingos de chuva, precedidos de trovões. A chuva aumentou. Com a pista molhada e escurecendo, reduzi a velocidade. Quando entrei na BR 116, em São Leopoldo, estava com mais de 130 km e os relâmpagos, mesmo com menos chuva, eram prenúncio da forte chuva que pegaria quando entrasse na cidade. Passava um pouco das 20 horas.

Após o viaduto de acesso ao centro, segui a pé, caminhando pela avenida principal, usando as marquises dos bares como abrigo. A chuva que inicialmente era forte, foi diminuindo. Meu retorno, em função do mau tempo se daria com o Trensurb. Quando cheguei na estação, a chuva aumentou e resolvi esperar por ali, já que não pretendia pegar chuva ao chegar em Porto Alegre. Peguei um trem depois das 22:00. Em Porto Alegre, o asfalto estava molhado, mas não chovia. Cheguei em casa com 247 km rodados e média 22 km/h. Minha ida demorou oito horas (incluindo as paradas) e a volta demorou, até São Leopoldo, mais ou menos 5 horas, incluindo também as paradas e fotos.

O retorno por São Vedelino foi novo para mim. Em 2002 havia passado pela mesma estrada, quando visitamos a cidade de Feliz, durante uma Festa do Morango. Nossa serra possui vários roteiros e cidades muito belos e espero poder, oportunamente, visitá-los.

Aos aventureiros de plantão que desejem fazer esse tipo de viagem, recomenda-se cautela, algum preparo físico, uma bicicleta em boas condições (bons freios e pneus em dia), levar ferramentas para manutenção básica, água e alimentos, sempre evitando carregar peso desnecessário.

Entre as ferramentas que levo, sempre tenho: duas câmaras, espátulas para desmontagem de pneus, bomba, remendos, kit com chaves Allen, fenda, philips, chave de raios (usada para centrar roda em caso de quebra ou troca de raios), extrator de corrente (para o caso de arrebentar a corrente), raios e cabos de reserva, óleo, pilhas reserva, dois faróis, sinaleira traseira, entre outros. Se o clima da região estiver sujeito a mudanças, manguitos e casacos corta vento são boa opção, pois são fáceis de colocar e transportar.

Considerei esse roteiro, de apenas um dia, um dos mais difíceis que já fiz. Mesmo assim, não cheguei em nenhum momento a estar exausto, apesar dos momentos de esforço intenso, sinal que tanto a preparação (treinos), bem como a alimentação do dia anterior e durante o pedal foram adequados. Além das fotos, ficam na mente as imagens dos belos lugares, e claro, das estradas, que cortam as montanhas e nos conduzem quilômetro após quilômetro, ao nosso destino.

Fonte: Rodrigo Hart Fagundes
Cidade: Caxias do Sul-RS-Brasil
Fotos: Rodrigo Hart Fagundes
Publicado: Debora Dias
Date: 07/11/2007 <%insert_data_here%>

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  Evento 7405 - Caminhos Da Serra 2007

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