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Verdadeiro esqui "fora de pista" no Chile 2007 - Marcelo Aquini

Em setembro de 2007, Marcelo Aquini foi esquiar no Chile. Confira como foi esse passeio.

Em setembro de 2007, depois de uma semana de spring ski em Las Leñas - Argentina com a namorada e outros 14 amigos, onde as excelentes condições de temperatura e sol compensaram a falta de nevascas, voei de Mendoza a Santiago para ingressar em uma expedição de esqui montada pela Downhill Riders, companhia canadense especializada em trips de esqui.

O grupo foi reunido na noite de sábado, dia 08 de setembro de 2007, no Hotel Atton, no Bosque, em Santiago do Chile. Nove canadenses, um americano e um brasileiro.

No roteiro, Valle Nevado, La Parva, El Colorado, Portillo e, como ponto alto, um dia de cat ski em Arpa, da qual até então nunca ouvira falar. Esclarecendo, cat ski é uma modalidade de esqui mais aventureira, onde não existem pistas preparadas e não há, à disposição do esquiador/snowboarder, teleféricos ou "sillas" para levá-lo ao alto.

O traslado até o cume é feito por máquinas "pisanieve", ou "snowcats": tratores com esteiras, normalmente utilizados para a preparação de pistas nos resorts, adaptados para carregar, em uma cabine fechada, até 12 esquiadores.

A atração principal, como de costume, foi guardada para o final, o que só aumentava a ansiedade e a antecipação todas as noites, enquanto saboreávamos cerveja ou vinho conversando sobre o dia de esqui que acabava de terminar.

No dia 13 de setembro de 2007, às 07h da manhã, chovia em Los Andes enquanto carregávamos o equipamento em duas Nissan Pathfinder e uma Hilux cabine dupla, com seus respectivos motoristas, que vieram nos buscar no hotel.

Nosso destino ficava a 35 km ao norte de Los Andes, 108 km de distância da capital Santiago. Os últimos 13 km de subida, em caracol, não são pavimentados, o que recomenda, especialmente em época de neve, o uso de camionetes 4x4 e, eventualmente, até mesmo correntes nos pneus.

Arpa é uma área particular de montanha, com aproximadamente dois mil acres e capacidade para 22 esquiadores por dia. A limitação do número de esquiadores não é pela falta de opções de descida, mas de subida.

É praticamente um resort particular, servido não por teleféricos mas por dois snowcats, devidamente adaptados, que permitem carregar dez esquiadores e um guia cada um.

Arpa foi idealizada pelo proprietário da área, Anton Sponar (ou "Toni"), cujo currículo inclui periodos como instrutor, guia e gerente de resorts de esqui. Com 73 anos, ele ainda hoje persegue o inverno, passando a temporada americana em Aspen, Colorado, e o inverno do hemisfério sul no Chile.

Sua pretensão era construir, ali uma área de esqui com teleféricos e hotel; o custo excessivo e a dificuldade de encontrar sócios para o empreendimento o fizeram concretizar apenas parcialmente o sonho. O lodge, se é que pode ser chamado assim, é construído de pedra e incrustado na montanha, servindo exclusivamente à administração - cozinheira, auxiliar de limpeza, guia de esqui e motoristas dos cats.

A falta de recursos para a implantação de teleféricos, embora tenha sido um obstáculo ao projeto de Toni, acabou por transformar Arpa em um local especial, destino reservado apenas aos mais aventureiros que buscam, longe do conforto dos hotéis e as multidões nas pistas, momentos mais agressivos, imprevisíveis e cheios de adrenalina na montanha, em descidas entre pedras, com obstáculos não marcados que exigem dedicação a atenção integrais do esquiador.

Os preços também não se comparam a um dia de esqui em qualquer estação da América do Sul: 150 dólares por esquiador para um full day (quatro descidas); descida adicional, mais vinte dólares; Por 1.800 dólares, pode-se alugar, também, um snowcat privado, com direito a seis descidas.

Embora mais caro que um resort regular, é infinitamente mais barato que um dia de heli-ski, onde o traslado ao cume é feito por helicóptero. Os preços incluem ainda o acompanhamento de um experiente guia (pois não há pistas ou sinalização, e é imprescindível saber não apenas quais as descidas viáveis, como também onde encontrar o transporte mais abaixo), lanche com sanduíche, frutas, chocolate e água.

As descidas, por sua vez, são de mais ou menos 800 a 1000 metros verticais, ou seja, em algumas, mais de 2 km de esqui fora de pista do cume à base. No dia em que estivemos lá, uma das máquinas não estava funcionando, e portanto tivemos acesso a todo o terreno exclusivamente para nossa pequena expedição.

À nossa disposição, um guia de esqui americano que, no inverno norte americano, trabalha como guia no Alasca, em operações de heli-ski. Estávamos, portanto, bem orientados. Todas as descidas começam no mesmo ponto, o cume da área, com 3.600 metros de altitude.

Abaixo de nós, a neve e um colchão de nuvens que cobria toda a superfície chilena até onde podíamos ver. A bordo de nosso cat particular, cumprimos ao todo, entre nove da manhã e três da tarde, as seis descidas regulamentares. Com exceção de alguns esquiadores que, cansados, optaram por "pular" algumas descidas, acompanhando o snowcat até a base para recolher os demais que desciam. Duas descidas mereceram destaque especial.

A terceira descida, em que um grupo de quatro esquiadores (eu, inclusive) acompanhávamos o guia de forma bastante próxima ao longo de uma cornice com uma queda de aproximadamente 4 metros ao lado e ele abruptamente virou à esquerda, saltando os quatro metros até a neve fofa mais abaixo; a reação foi automática, todos viramos com intervalos de 1 a 2 segundos, saltando os mesmos quatro metros e afundando naquela maravilhosa neve fofa, em uma inclinação de 40 a 50 graus, para logo a seguir iniciar a descida. O erro de um seria a tragédia dos outros.

A última descida foi um verdadeiro presente que a operação de Arpa nos deu. Àquela altura, apenas os cinco mais "fominhas" (de novo, eu incluído) ainda esquiavam, e nosso guia nos levou por um caminho de alta montanha, atravessando ridges de pedra, até o início de uma descida contínua, fora de pista, de mais de 2,5 km, até praticamente o alojamento onde estavam as camionetes e onde já nos esperava o restante do grupo, que bebia café e chá quentinhos.

Exaustos e "chapados" com as sucessivas descargas de adrenalina da aventura, fizemos ainda algumas fotos e iniciamos o caminho de volta a Los Andes. E, no meu caso, dali para Santiago e o destino final, casa - Brasil, com a certeza de que meus dias de catski estão longe de terminar. Ao contrário, deverão evoluir, naturalmente, para o heli-ski.

Para os interessados, acessem reservas@skiarpa.com. Se o seu destino for o Canadá, no entanto, não deixe de entrar em contato com fale com Tammy Duchene e ela irá organizar tudo para você.

Uma última dica:

Como todas as descidas devem ser acompanhadas por guia, todos devem, obviamente, descer juntos. Ao organizar seu grupo de catski, o ideal é que os integrantes, esquiadores e/ou snowboarders, tenham níveis de habilidade parecidos. Você não vai querer ter suas descidas limitadas por alguém com um nível de esqui um pouco mais baixo, e de forma alguma irá impor ao menos habilidoso a tarefa de descer em lugares não compatíveis com a experiência que ele possui. Lembre-se da regra mais importante do esqui: sempre esquie em controle.

fotos: Marcelo Aquini Fernandes e Ted Allsopp

Fonte: Marcelo Aquini Fernandes
Cidade: Los Andes - Chile-EX-Chile
Fotos: Marcelo Aquini Fernandes
Publicado: Debora Dias
Date: 13/09/2007 <%insert_data_here%>

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  Evento 7603 - Verdadeiro esqui "fora de pista" no Chile

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English Version: The real "out track" ski in Chile 2007 - Marcelo Aquini
 
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