Voltar Inema SISNEMA Informatica Sites Pessoais Busca Agenda Proxima Semana English Version
Menu INEMA
.
Evento
7531
.
Incluir na PP
 
A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 14 - África do Sul

De Março a Agosto de 2007, Eduardo Feijó botou o pé na estrada e rodou o mundo. Confira a parte 14, na África do Sul, desta grande aventura!

Windhoek, 15/07/2007 - 18h30 - É difícil explicar por que fizemos esta pequena maratona pela África. Em apenas 4 dias deixamos a África do Sul, passamos pelo Zimbábue, pela Zâmbia, por Botswana, novamente pelo Zimbabue e retornamos para a África do Sul. Esta parte da viagem havia me deixado apreensivo por causa das histórias que ouvi sobre a falta de segurança no Zimbábue.

O fato é que o nosso vôo desceria em Victoria Falls no Zimbábue. Por precaução decidimos permanecer o menor tempo possível neste país e dormir em Livinstone, na Zâmbia, a cerca de 40 km de distância. O translado começou em um Toyota antigo que rodou uns 10 minutos até que um pneu estourou. Sem estepe e sem macaco não havia muito a ser feito pelo motorista. Ao redor tudo era deserto.

De repente, como numa história surrealista, uma Mercedes novinha aparece e oferece carona. O Zimbábue não parecia ser tão ruim assim. Porém, ao ver a nossa bagagem ele pede desculpas e desiste da carona. Felizmente havia sinal de celular e o nosso motorista consegue chamar outro veiculo. Mais tarde descobrimos que a Mercedes era conduzida pelo dono da companhia do translado, e que poderia ter sido mais prestativo conosco. Na fronteira trocamos novamente de carro e seguimos em direção à pousada.

O principal motivo para visitar esta região é a Victoria Falls, um conjunto de cachoeiras do rio Zambezi que se estende por 1,7 km. As quedas são muito bonitas, embora a nuvem formada pela água impedisse uma visão panorâmica. Numa rápida comparação, considero as Cataratas do Iguaçu no Brasil mais impressionantes. O volume de água é elevado nesta época, e caminhar pelas passarelas significa ficar completamente molhado. Não há necessidade de se contratar um guia para visitá-las.

A recomendação que recebi na pousada era para evitar caminhar pelas ruas à noite (depois das 18h00). De táxi, um percurso de menos de 1 km custaria R$ 10,00. Descobrimos que os passeios são muito caros, todos cotados em dólar. Decidimos fazer somente um passeio de barco até a ilha Livinstone, no meio das quedas. Na ilha a diversão é caminhar pelas pedras escorregadias que ficam na beira do abismo. Um guia nos acompanha para indicar o melhor caminho. Na Zâmbia tivemos um contato maior com as pessoas, como estas meninas da foto que nos acompanharam na estrada. Eles falam no mínimo 2 línguas. A da província onde nascem e o inglês, que é a língua oficial.

Para preencher o tempo livre contratamos um tour para o Chobi Park em Botswana. Diferente do Kruger, o Chobi é um parque com áreas alagadas que atraem muitos animais. A vegetação baixa facilita a observação. No primeiro passeio usamos um barco que permitiu grande aproximação dos bichos, como este jacaré da foto. Vimos muitos pássaros, hipopótamos, elefantes e búfalos.

À tarde o passeio foi de jipe. Logo no inicio encontramos este leopardo. No caminho dele havia alguns veados e passamos um bom tempo à espera do ataque. Era a oportunidade de uma grande foto. Infelizmente para a foto e felizmente para o veado o ataque não aconteceu. Pelo menos naquele momento.

Foi surpreendente encontrar os animais com tanta facilidade. Em seguida vimos dezenas de girafas e um grande grupo de elefantes. Experiente, o guia deixou o carro no meio do caminho deles. Um dos maiores elefantes se aproximou e começou a abanar as orelhas. A recomendação era para ninguém se mexer. Ele nos observa e continua o seu caminho sem nos ameaçar. Foi um show!

A hospedagem foi em uma confortável cabana no Elephant Valley Lodge. O lodge fica no meio de uma reserva e é rodeado por uma cerca eletrificada. Uma fonte de água fica estrategicamente localizada perto do restaurante, de onde avistamos elefantes, veados, macacos, javalis e vários pássaros durante o jantar. O preço deste pacote é salgado (US$ 300), mas posso afirmar que valeu cada centavo!

Concluída a maratona de paises, voltamos para o aeroporto em Victoria Falls onde uma surpresa me espera. Escuto 2 garotas que conversam em português ao meu lado e pergunto se são brasileiras. Uma delas é a Evelise, minha amiga no Brasil e que havia me passado um monte de dicas sobre o Deserto do Atacama. E que, por coincidência, foi onde começou a história desta viagem (quem leu as primeiras postagens deste blog sabe do que eu estou falando). Que mundo pequeno!

Johannesburg, 10/07/2007 - 23h00 - Cheguei à África com muitas expectativas. Embora já tenha estado no Egito, é aqui no sul do continente que eu tenho a oportunidade de conhecer um pouco da África negra. Esta sim, a região mais misteriosa na minha imaginação.

A primeira escala é em Johannesburg, principal cidade da África do Sul.Logo no aeroporto sinto frio e descubro que a África do Sul não corresponde à minha expectativa de altas temperaturas. Na televisão vejo que as temperaturas nas regiões que visitei variam entre 0° C à noite e 25° C durante o dia. Como Johannesburg é considerada uma cidade perigosa (para quem vive em São Paulo é fácil entender do que estou falando) eu escolhi um hotel nas proximidades do aeroporto e longe do centro da cidade. O país vive um momento de transição após o final do regime de segregação racial no início dos anos 90. Há sinais de riqueza e desenvolvimento, comparáveis aos de paises desenvolvidos. Ao mesmo tempo há muita pobreza e alta criminalidade.

Na manhã seguinte encontro a Pricila no aeroporto e retiro o carro alugado que será o nosso meio de transporte nos dias seguintes. Pelo site havia escolhido um Golf, com um preço bem razoável, imaginando o carro que nós estamos acostumados a ver no Brasil. No entanto eles têm um modelo chamado Golf Chico, bastante rústico e todo quadrado, que parece aqueles carros russos fabricados pela Lada. Embora tenha sido motivo de diversas situações engraçadas (como a minha freqüente confusão entre a primeira e a ré), ele nos serviu bem por mais de 2.000 km.

O primeiro destino foi o Kruger Park. Este é considerado um dos melhores lugares para se fazer safári na África, pela diversidade de animais e facilidade de acesso. Com o carro é possível percorrer as inúmeras estradas atravessam o parque. Algumas regras devem ser observadas. A principal é que, exceto nas áreas cercadas onde ficam os alojamentos e os restaurantes, não é permitido descer do carro. Eles só não explicam o que fazer caso um pneu tenha que ser trocado.

O parque é gigantesco e em quatro dias foi possível conhecer somente a parte sul, que deve corresponder a 20% da área total. A nossa rotina era acordar 5h30 e rodar o dia inteiro pelo parque a procura dos animais. O inverno é considerado a época ideal para o safári. A falta de chuvas torna a vegetação menos densa e os animais tendem a se concentrar ao redor dos poucos rios que não secam. Mesmo com estes fatores a favor, o sucesso de um safári depende de muita atenção, paciência e sorte. Em poucos minutos você pode encontrar um elefante e em seguida um leopardo, ou então rodar por mais de duas horas sem encontrar nenhum animal interessante.

O primeiro dia foi de chuva. Acho que alguns bichos não gostam muito de ficar molhados pois nem vimos animais comuns como zebras e girafas. Mesmo assim foi bem divertido e o dia passou rapidamente. O segundo dia foi com tempo nublado e temperatura amena. Foi o melhor dia, e com pouco esforço foi possível encontrar os principais animais do parque. A savana que fica no sudeste do parque se mostrou a melhor região. O terceiro dia foi de céu azul e muito calor. Repetimos parte do caminho do dia anterior, mas não tivemos a mesma sorte. Provavelmente o calor faz com que os animais diminuam a sua atividade. Mas certamente a nossa atenção não foi a mesma dos primeiros safáris. Fizemos um safári curto no quarto dia, com altas temperaturas e poucos animais.

Uma das historias curiosas aconteceu com este elefante da foto. Logo no inicio do segundo dia a Priscila o viu ao lado da estrada. Parei o carro e ficamos observando de longe. Ele não se movia. A Priscila sugeriu que eu desligasse o carro para não fazer barulho. Deixei o carro descer desligado até que ficamos a cerca de 10 metros dele. De repente ele balança as orelhas numa expressão pouco amistosa, e caminha em nossa direção. A Priscila se agita no carro e eu perco alguns segundos para ligar o carro e engatar a primeira. Afastamos-nos e um outro carro aparece na estrada. O elefante não para de agitar as orelhas, arrasta o pé como um touro enfurecido e decide andar em direção ao outro veículo. Assustado o motorista foge de ré. Momentos depois o elefante entra na mata e desaparece.

Decidimos fazer um safári noturno no terceiro dia. Para isto é necessário contratar o passeio, que é realizado em um jipe adaptado com grades e conduzido por um guia local. O passeio sairia às 17h00 do Malelane Gate, que fica a 150 metros do nosso hotel. Calculei o tempo necessário para voltar ao gate e com certa margem iniciamos o caminho de volta. Porém no caminho vimos uma aglomeração de carros e paramos para observar 2 leopardos numa árvore. Perdemos muito tempo e tive que acelerar para não perder o safári noturno. Com pressa, passamos indiferentes por elefantes e rinocerontes.

Não sei direito como aconteceu, mas sei que errei o caminho por mais de 100 km. Fiquei chateado, pois era a nossa última oportunidade para fazer o noturno. E sair do parque depois das 17h30 significava pagar uma multa, inevitável naquele momento. Porém o lado prático da Priscila entrou em ação, e ela sugeriu que tentássemos fazer o safári a partir do Numbi Gate. Chegamos em cima da hora e conseguimos os 2 últimos lugares. O resultado foi incrível! Iluminando a mata com holofotes encontramos vários leopardos e leões. Estes animais são mais ativos à noite e não têm medo da aproximação do jipe. Foi emocionante fotografar estes felinos desta forma!

Em minha opinião a zebra é um dos animais mais bonitos que encontrei. Vimos também hipopótamos, macacos, gnus, búfalos, veados, javalis, jacarés e morcegos, entre outros. Partimos em direção ao Blyde River Cânion. No entanto, a poucos quilômetros do Kruger Gate, nossa porta de saída, nós encontramos outro elefante com o já famoso abanar de orelhas. Ele também usava a tromba para aspirar terra e assoprá-la sobre o corpo. Recuamos e esperamos que ele entrasse na mata. Nada feito, ele continuou em nossa direção. Resignados, fizemos meia volta e saímos por outro caminho.

Acho que 4 dias de safári são suficientes para uma boa diversão. Hospedar-se dentro do parque facilita o deslocamento, embora no verão seja difícil encontrar vaga nos alojamentos. Um hotel como o nosso, nas proximidades de um portão de entrada, tem como único inconveniente o pagamento da entrada diária de US$ 16. Alugar um carro é mais barato e flexível, embora contratar um safári tenha como vantagem a presença de um guia que conhece os hábitos dos animais. Nada impede que você siga os jipes com o seu carro. A Priscila e seu olhar atento foram fundamentais. Seria muito difícil fazer o safári sozinho num carro. Espero ter a oportunidade de fazer outros safáris no futuro!

O Blyde River Cânion tem formações rochosas que lembram a Chapada Diamantina no Brasil. Fizemos a nossa base em Sabie, uma pequena cidade convenientemente situada à uma hora do Kruger. Nesta cidade é possível observar o contraste entre os brancos, que possuem pousadas e restaurantes, e os negros, que atendem os clientes e fazem os trabalhos braçais. Não se percebe a presença de morenos como temos no Brasil. No estacionamento do supermercado há flanelinhas que tomam conta dos carros. Os brancos andam de carro, e os negros, na sua maioria, andam a pé. O movimento após o anoitecer é mínimo, e os restaurantes fecham às 21h. De uma forma geral eu comi muito bem na África do Sul. Depois de meses comi um bife, que é barato e tem um sabor diferente do brasileiro. Os vinhos e a cerveja Castle são muito bons.

É possível conhecer o cânion de carro num único dia. Mas certamente seria mais agradável fazer as trilhas a pé desde que houvesse tempo disponível. Há belas cachoeiras nos arredores da Sabie, e visitamos umas 5 ou 6. Conhecemos alguns sul-africanos que estão curtindo as férias escolares. Encontramos poucos estrangeiros. Hoje retornamos para Johannesburg, um trajeto de 5,5 horas.

Amanhã é dia de viagem. Tomamos o vôo até Victoria Falls, no Zimbábue, e em seguida atravessamos a fronteira da Zâmbia para nos hospedar em Livinstone.

Fonte: Eduardo Feijo
Cidade: Johannesburg - Ãfrica do Sul-EX-South Africa
Fotos: Eduardo Feijo
Publicado: Debora Americo da Silva
Date: 14/11/2007 <%insert_data_here%>

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.
  Evento 7531 - Volta ao Mundo 2007

   Aqui os Albuns e Fotos



  Outras matérias relacionadas:

  05/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 1 - Inglaterra
  05/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 2 - Inglaterra
  05/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Preparação
  05/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Roteiro
  05/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó 2007 - Planejamento
  05/11/07 - Volta ao Mundo 2007/ Fotos Eduardo Feijo
  06/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 3 - Espanha
  06/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 4 - Inglaterra
  07/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 5 - Egito
  07/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 6 - Nepal
  08/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 7 - Índia
  08/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 8 - Tailândia
  09/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 9 - Camboja
  09/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 10 - Vietnã
  12/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 11 - Indonésia
  14/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 12 - Nova Zelândia
  14/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 13 - Austrália
  14/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 14 - África do Sul
  14/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 15 - Namíbia
  21/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 16 - Turquia
  21/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 17 - Grécia
  21/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 18 - Itália
  21/11/07 - A Volta ao Mundo de Eduardo Feijó - Parte 19 - Final

English Version: The specified statement did not generate any data
 
Envia Mensagem para a Fonte
Cria Matéria neste Evento
Cria Album neste Evento
  Aviso Legal
Rua Washington Luiz, 820 conj. 601
Porto Alegre/RS - BRASIL - CEP 90010-460
Telefone 55 (51) 3226-4111 - Ramal: 4000
Fax: 55 (51) 3226-1219
contatos@inema.com.br
SIP:4000@sisnema.com.br