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Dan saiu de Rio Branco, no Acre, dia 28 de Novembro de 2003 e finalizou a viagem na cidade de João Pessoa, na Paraíba, no dia 06 Fevereiro de 2004, totalizando assim, 4.015,17 Km de bicicleta. Confira sobre a Transamazônica!
Custo: São poucos os lugares onde é possível ver o asfalto, na verdade o único lugar em que a rodovia tem condições ideais de trafego é no estado da Paraíba, o trecho que liga Campina Grande à João Pessoa é o sonho de qualquer caminhoneiro que trafega pela BR230. Sem duvida, a rodovia Transamazônica é a pior estrada do nosso país, muitas vezes ela liga o nada a lugar nenhum, os próprios moradores que persistem em suas margens chamam-na de Trans-Amargura, Trans-Lama, Transtorno.
Transamazônica custou 12 bilhões de dólares!!!
A maior obra pública da história da Amazônia não é a hidrelétrica de Tucuruí, mas a Transamazônica. Ao menos na contabilidade do deputado federal Delfim Netto. Em entrevista à revista Istoé Dinheiro, ele afirma que a estrada custou nada menos do que 12 bilhões de dólares, ou aproximadamente 35 bilhões de reais (quase três vezes o orçamento da usina de Belo Monte). O cálculo considera uma extensão de cinco mil quilômetros construídos, embora o ex-ministro admita que a obra "resultou num enorme fracasso e nunca ficou pronta".
A decisão de construir a rodovia, relata Delfim, "aconteceu numa viagem de avião. Eu e o presidente Médici estávamos voando de Manaus para Recife. Àquela altura havia uma seca brutal no Nordeste. Médici viu a mata de cima, virou-se para mim e disse: 'Temos de fazer alguma coisa. Quero abrir uma estrada para aliviar as pressões sociais'" (grifado pela revista). O atual deputado federal paulista diz que agiu imediatamente : "Sem consultar ninguém, nem mesmo os governadores da região, cortou metade dos subsídios dados à Sudene e à Sudam", escreve o autor da entrevista (a principal fonte de recursos foi um corte de 30% nos recursos dos incentivos fiscais para a Amazônia e o Nordeste, algo equivalente, hoje, a mais de um bilhão de reais ao ano).
Delfim acrescenta que na definição da obra prevaleceu novamente a vontade dos generais sobre a questão técnica. E reconhece que "o projeto grandioso foi iniciado sem que estudos sobre seu impacto na região fossem realizados". Literalmente um tiro no escuro (e, talvez, no pé). Palavras do então todo-poderoso ministro: "Ninguém sabia as conseqüências da ocupação. A fórmula se mostrou absolutamente inconveniente. Ninguém investigou cientificamente o que se podia fazer lá". Mas, como observar o entrevistador, o Delfim de hoje lava as mãos: "Eu cumpri a minha obrigação, arrumei o dinheiro". Ou seja: Delfim tirou de sua cartola de mágica nada menos que US$ 12 bilhões. Afirmativas tão graves mereceram três parágrafos em um subtítulo da matéria, de oito páginas, que foi para a capa da revista.
Sugiro ao Ministério Público Federal instaurar um inquérito administrativo e imediatamente convocar o parlamentar para que ele esclareça como a Transamazônica pôde custar US$ 12 bilhões. No início da década de 70 uma das minhas mais demoradas investigações foi dedicada ao custo da estrada, apresentada pela propaganda do regime militar como a única obra em andamento na Terra equiparável à conquista da Lua, o mais notável empreendimento do engenho humano naquele momento. Do espaço, os astronautas observariam apenas duas realizações terráqueas: a Transamazônica e a muralha da China.
Raciocínio típico daqueles anos de chumbo. Depois de meses, cheguei a um número bem apurado. Escrevi o texto e o apresentei ao dono de O Estado de S. Paulo, Júlio Mesquita Neto, que vinha me incentivando a tratar do assunto. O "doutor Júlio" transformou o texto em editorial principal do jornal no dia seguinte. Não tenho condições, neste momento, de atualizar aqueles cálculos, não só pelo trabalho em si que a tarefa exigiria como por não ter à mão os dados da memória de cálculo. Espero poder fazer essa atualização algum dia. Mas certamente a soma atualizada daria incomparavelmente abaixo do valor revelado por Delfim Neto à revista paulista.
Existem trechos da rodovia quase impossíveis de percorrer, em vários pontos as pontes literalmente estão sós os cacos, até de bicicleta tem que ter muito cuidado, nas fotos ao lado o sonho da transamazônica, duplicada, asfaltada e bem sinalizada, apenas 150 Km dos 5.000 estão nestas condições.
Para contatar Dan Robson: dan@dan.com.br
Fonte:
Dan Robson Cidade:
São Paulo-SP-Brasil Fotos: Dan Robson Publicado: Debora Americo da Silva Date: 23/11/2007
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