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Segundo dia do Relato Luiz Maganini Faccin no Audax 1200 km Paris Brest Paris 2007
Paris Brest Paris - Segundo dia!
Estava chuviscando e escuro e eu sai, andei 3 km e furei o pneu traseiro, troquei a câmara de ar, não tinha nada no pneu. Andei mais 3 km e furei novamente o mesmo pneu. Voltei pedalando com o pneu furado até o PC. Falei com o cara da loja de bike, mostrei a fita de raio onde tinha furado a câmara, comprei mais duas e sai, adivinha? Andei 5 km e o pneu furou de novo, voltei lá e, acredite se quiser, fui educado como um francês, mas aprendi a reclamar educadamente, disse que era a terceira vez que estava furando, que era na fita e que eu estava cansado. Ele trocou a câmara a fita de raio e não cobrou. Eu nem quis centrar a roda, estava torta depois de andar tanto com pneu murcho. O pneu e bom e não estragou. O PC estava para fechar e eu sai atrasado e brabo e agora é que não desistiria, depois de ter sofrido tanto.
Depois de Loudeac andei um tempo sozinho e ainda estava escuro. Pedalai com um grupo de espanhóis que andava bem, tinham ate treinador, equipe de 6 e tudo, eu andava só no vácuo, o trajeto tinha muita subida a andávamos a 20 km/h ou mais.
Chegamos no próximo PC (Carhaix) faltando 45 minutos para o fechamento e não demorei muito, os espanhóis ficaram lá furando a fila, conversando e comendo. O dia melhorou ( segundo dia) mas o vento muito forte e muita subida, vento de frente ou lateral. A previsão do tempo falava em vento de até 60 km/h e ele assoviava na bike, nunca tinha acontecido isto antes. Lia nos relatos do PBP que o pessoal caia e ficava dormindo na beira da estrada antes de chegar ao final do Paris Brest Paris, mas vi ciclista caído antes de Brest, que e a metade do caminho. Estava chegando a mais uma vila medieval, Sizun que tem uma igreja linda, uma subida, bares e lojinhas. Estava quente e os bares estavam cheios de ciclistas famintos, cansados, fedidos, alegres... Furei o pneu traseiro, mas desta vez foi um arame.
Parei no café, comprei 2 sanduíches de baguete, água e café, sentei na escada em frente e fiquei comendo e observando tudo. Fui à lojinha do lado e comprei alguns postais da cidade, já que estava sem maquina fotográfica. Estava saindo quando lembrei que tinha que trocar a câmara de ar. Para chegar a Brest ainda era longe, sempre e longe depois de ter pedalado tanto, mais longe com vento contra.
Estava chegando ao Finistere e tinha muita subida. Alcancei um casal em uma tanden e perguntei se ainda faltava muita subida, pois via que a mulher tinha um gráfico com as altimetrias da prova e ela me respondeu: faltam 4 km, mas depois tem 16 km de descida e comemorou. Pensei se tem 16 km de descida na volta serão 16 de subida. A decida quase nem senti devido ao vento contra.
A chegada em Brest com calor, vento foi emocionante, mais emocionante foi ver um senhor tocando gaita de fole da Bretanha para os ciclistas que passavam em uma esquina. Deu vontade de chorar e eu chorei mesmo, nem sei porque, foi de emoção e foi bom. A ponte de Brest e linda, mas tem um vento lá em cima! Na chegada a Brest também vi um ciclista acidentado sendo atendido por uma ambulância.
Em Brest, comi massa, molho, arroz, e deitei um pouco na grama e sol para descansar, enquanto o aro traseiro da bike era mal centrado.
Agora só faltava voltar, só isto? Parece fácil? O vento era a favor, ou lateral e eu andava no meu ritmo e o meu ritmo no plano era de mais ou menos 25 km/h, mas isto eu não tinha como ter certeza nunca, o velocímetro ficou sem pilhas no km 260. Eu estava sem velocímetro, e sem relógio, só perguntava as horas nos PCs e sabia o quanto de tempo tinha chegado antes do fechamento, era isto que importa!
Depois de Brest havia algumas decidas mais forte, em uma destas, estava no vácuo de uma bike reclinada aro 26, pedalando o mais rápido possível, quando escutei o som de algo cortando o ar. Fomos ultrapassados por uma bike reclinada com carenagem que devia estar andando a uns 110 km/h. Incrível!
Rendia bem, tinha muita subida pela frente, mas não era tão forte e o vento a favor. Só no final a subida era mais forte. No final da subida (16 Km) tinha muitos carros e muita gente oferecendo água, banana, café, lembrava a volta da franca, com menos gente e claro. Certo, talvez esteja exagerando um pouco. Comi banana e tomei café. Aquele é o melhor café porque você bebe quando está mais precisando. O senhor quando disse que era brasileiro pronunciou algumas palavras em português para, eu acho, ser gentil.
Cheguei novamente em Sizun e parei para tomar um glace ( sorvete) e uma Coca Cola no Café du Centre. Gostei muito de Sizun, acho que foi também porque foi um dos poucos lugares no PBP que consegui fazer paradas para descanso com sol. O clima do lugar era de PBP.
Cheguei a Carchaix, a chuva voltou.. Jantei e comi o cardápio básico: sopa, arroz, molho e massa. Comprei café e uma lata de Coca Cola e coloquei no bagageiro da bike.
Conversei com um senhor francês que estava pedalando o oitavo PBP, ele disse que este foi o mais difícil, devido a chuva e o vento; ele estava no mesmo local que eu onde fomos nos esconder um pouco para passar creme contra assaduras nas partes mais afetadas.
Depois de Carchaix eu segui para o próximo PC e para enfrentar a noite. Estava motivado, mas consciente, sempre conseguindo chegar com um tempo de sobra nos PCS, conseguindo pedalar bem e sem dor. O que sentia às vezes era a pressão baixa e a tortura/sono, mas aprendi a lidar com isto. A noite estava chegando, seria a terceira noite no PBP. A chuva forte veio antes do escurecer. Cheguei a Loudeac não sei exatamente o horário, mas devia ser quase 23h, pois só escurece as 22h e escureceu mais cedo devido a chuva forte.
Chovia! Eu tinha tempo para dormir, mas aonde? Era aconselhável tomar um banho, mas até nem sentia tanta necessidade. Eu deveria comer. Estava precisando escovar os dentes novamente e isto sentia mais falta do que do banho. Cheguei ao carro de apoio que estava lá no mesmo lugar. O Lacerda estava dormindo. Peguei o material para banho, a calça impermeável para uso no restante da prova, meias, etc.
Depois do banho eu fui para o restaurante comer alguma coisa. O restaurante estava lotado de gente dormindo. Comi algo a sai à procura de lugar para dormir. Dormitório cheio, sem vagas. Bancos, e qualquer outro local mais abrigado estavam ocupados Não tinha outra opção e o melhor era dormir no carro novamente. Não sei o horário exato que dormi, mas pretendia acordar às 4h para sair com alguma folga de tempo.
Coloquei o celular para despertar e apaguei.
Continua ....
Fonte:
Luiz Maganini Faccin Cidade:
Paris-EX-France Fotos: Luiz Maganini Faccin Publicado: Berenice Correa Date: 30/11/2007
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