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Rodrigo Hart fez mais um passeio no roteiro "Pelos Caminhos da Serra 2007" , nos dias 15, 16 e 17 de novembro de 2007. Confira mais esta aventura:
No feriadão de 15 de novembro, aproveitando que estaria de folga no dia 16 e que dia 17 seria meu aniversário, a convite de amigos, resolvi passar os quatro dias na serra. O destino era Caxias do Sul. Nos planos, pretendia ir à Bento Gonçalves e também passar pela Rota do Sol, que desde 2004, quando ocorreu o primeiro Audax de 300 km, eu não passava, voltando à Porto Alegre por São Francisco de Paula. Mas algumas coisas acabaram saindo de forma inesperada!
1° Dia - 15 de novembro de 2007
O pedal foi Porto Alegre - Caxias do Sul, saindo de Porto Alegre por volta de 3h30min, pela boa e velha BR 116. Boa parte desse pedal percorre as cidades da Rota Romântica, que começa em São Leopoldo e passa por Nova Petrópolis, um dos mais belos e difíceis percursos da serra gaúcha.
Cheguei em Nova Petrópolis antes das 8h e em Caxias por volta de 10:30. Como não sabia especificamente as condições e os lugares que passaria, fui de MTB, que mais tarde, como veremos, acabou sendo a escolha perfeita para o roteiro. Total do dia: 136 km. Chegando em Caxias, o resto do dia foi destinado a descansar e caminhar pela cidade.
2° Dia - 16 de novembro de 2007
Acordei bem cedo. Após um café reforçado, saí por volta de 9h em direção à Farroupilha, com objetivo inicial de ir à Bento Gonçalves. Para tanto, pedi informações no centro da cidade e segui em direção à RS 122, que faz a liga Caxias a Farroupilha e de lá, pegaria a RS 453, que leva a Bento Gonçalves.
Esse último trecho, diga-se de passagem, é um contraste à RS 122, que mesmo sendo movimentada, possui boa sinalização e acostamento. E em outros momentos com acostamento em péssimo estado, o trânsito de ciclistas se torna complicado. A faixa branca do asfalto contém desníveis, que tornam a pista mais estreita do que parece. Com o trânsito intenso de caminhões e ônibus, trafegar sobre a pista é um risco elevado.
Em conseqüência disso, percorri aproximadamente 7 km dessa estrada, talvez um pouco mais, sendo que por duas vezes fui quase que, literalmente, jogado para o acostamento. Numa dessas vezes, me livrei de um tombo por muito pouco, ao desviar de uma carreta.
Em uma dessas situações, me deparei, há poucos metros, com uma placa que indicava, à direita, a cidade de Nova Roma do Sul e Nova Pádua.
Nova Roma ficaria há aproximadamente 38 km. A estrada pareceu ser bem calma, pista simples, com asfalto em bom estado, lembrando em certos pontos a estrada de Charqueadas. Havia vento contra. Após percorrer alguns km, cheguei diante de uma placa que mostrava um roteiro chamado Caminhos de Pedra .
Mais adiante, passei pela Igreja de São Marcos. Ali, fiz uma parada um pouco mais demorada. Já passava do meio dia. Desse ponto, como não tinha ainda almoçado e o lugar realmente não tinha muitos pontos de parada, resolvi seguir até onde tivesse condições. Tinha comigo duas barras de cereais, gel energético e duas caramanholas.
Mais adiante, havia um restaurante aberto, mas resolvi seguir, pois se parasse para almoço, acabaria demorando mais que o desejado. Logo, cheguei à localidade chamada Vila Jensen. Nesse trecho, o asfalto acaba e começa calçamento.
No final da vila, o asfalto inicia novamente. Ali, havia um supermercado aberto e comprei bananas e um suco, que com uma das barras de cereal, fiz um lanche rápido, que não chegou a pesar e segui em frente. A partir dali, algumas descidas leves. Mais adiante, a estrada se divide. De um lado, ela desce, em direção à Nova Roma e do outro, sobe, entrando à esquerda, indicando as localidades de São José, Santo Antônio, Santo André e São Luiz, além de algumas vinícolas.
Comecei a percorrer essa estrada, inicialmente, asfaltada. Depois, ela passa a ser de chão batido, alguns trechos com cascalho e pedras. Com pneus 1.50 bem calibrados, a bicicleta seguia, mas vibrando muito. Era preciso mais cuidado, pois as derrapagens eram fáceis. Mesmo assim, em algumas descidas, arrisquei passar dos 30 km/h. Conforme ia avançando, a estrada ficava mais sinuosa e com várias bifurcações. Fui seguindo sempre em frente, acompanhando as placas. Pelo caminho, vários capitéis (locais que contém imagens de santos e em cada localidade, pelo menos uma capela).
Ao longo da estrada, hortênsias e imensos parreirais. Nas partes mais altas, as plantações de uva compunham um mar verde que se estendia até onde a linha do horizonte alcançava. O movimento da estrada era muito fraco. Um ou outro carro, um caminhão, provavelmente de alguma vinícola. Olhando de um ponto mais alto, identifiquei um vilarejo e decidi ir até ele.
O local era Santo André, onde havia uma capela com o respectivo nome. Não lembro a data, mas era bem antiga. Ali, a estrada se dividia. Segui um pouco em cada um dos sentidos. À direita, uma vila, onde podia se ouvir pessoas falando em italiano. Nos rostos, no tom da pele, no jeito de ser e no lugar, as características marcantes da imigração italiana.
A maioria, trabalhadores das plantações ao redor. Alguns sítios cercados, onde predominava a uva. Muitos deles, com pequenos lagos ao lado das casas. Tudo muito bonito e bem cuidado. Ali, também era a sede da vinícola Lazzmar. Estava na divisa das cidades de Farroupilha e Bento Gonçalves.
Dali, ainda rodei alguns quilômetros, em busca de um ponto alto, de onde tirei a última foto antes de voltar. O relevo mostrava vários morros, plantações de uvas e várias estradas, a maior parte delas perdia-se no horizonte. Infelizmente eu não dispunha de muito tempo e gostaria de ter ido aquele lugar mais cedo e com mais conhecimento da região. Fiquei alguns minutos ali pensando o quanto somos pequenos diante da grandeza do mundo em que vivemos e enfim, caindo na realidade, comecei a retornar.
A volta foi mais rápida, uma vez que eu já conhecia a estrada. No asfalto e com vento a favor, mesmo de MTB, alcançava fácil 40 km/h. Logo cheguei à RS 453 e os pouco mais de 7 km que levavam à RS 122 foram complicados, a maior parte, rodando lentamente pelo mal conservado e sujo acostamento.
Após, quando entrei na RS 122, comecei a sentir o cansaço. Estava com quase 60 km roàdos e estava muito quente. Não tinha me alimentado muito bem e estava com pouca água. Reabasteci no pedágio. Nesse ponto, gastei a outra barra de cereal e um gel. Cheguei em Caxias por volta de 16h, com 84 km e por fim. Acabei me perdendo!
Após alguns pedidos de informações, acabei chegando ao centro da cidade, onde comprei algumas frutas, pão, iogurte, lanches e após isso, veio o descanso e um reforçado café.
3° Dia - 17 de novembro de 2007
Nesse dia, aproveitei para caminhar e descansar. O tempo estava bom, mas a previsão para a noite era chuva forte, vento e possibilidade de temporal. À noite, saí caminhando pela Avenida Júlio de Castilhos, onde fui até a praça de onde saiu o Audax 300 de abril de 2004.
Bati algumas fotos, bem como aproveitei para dar umas voltas por mais algumas ruas. Na volta, arrumei a bagagem e, como ventava forte e estava carregado, pensei em deixar Caxias ainda durante a madrugada. Logo, começou uma fina chuva. Minha expectativa de pedalar pela Rota do Sol ainda não estava desfeita. Acabei deitando tarde, acordei muito cedo, mas saí apenas por volta de 7h.
O tempo ainda carregado era prenuncia de mais chuva. A chuva da noite anterior deixara poucas marcas. Segui em direção à RS 122 (Rota do Sol), mas desta vez, ao invés de ir para Farroupilha, segui em sentido oposto. A estrada tem, inicialmente, pequeno acostamento, mas este tem desníveis e sujeira. O asfalto, em alguns trechos já não é tão bom. Com apenas 14 km rodados, começa a chuva, que aumentava, diminuía, deixando uma sensação incômoda, até que veio e não parou mais e foi ficando mais forte.
Na mochila, tudo que não poderia molhar estava em sacos plásticos. Levei bananas, maçãs e barras de cereais, além de gel energético. Com o aumento da chuva, os freios foram perdendo a eficiência , era complicado fazer uso dos mesmos. A água proveniente da pista era jogada contra o rosto e incomodava. Nesse ponto, a chuva estava bem forte. Ainda assim, não parei, pois não havia onde se abrigar e nem muito o que fazer.
O tempo também era curto. Meu destino agora seria Tainhas e depois, São Francisco de Paula. A chuva diminuiu e dos lados de Cambará, começou a vir um "paredão" de nuvens. Quando me alcançaram, começou a chover torrencialmente, escureceu um pouco e com a chuva, muitos trovões fortes. O vento lateral incomodava. Neste ponto, me entreguei ao momento e comecei a girar forte, em uma marcha leve. O corpo totalmente molhado não incomodava mais.
Logo, vi uma tenda em forma de morangos, que "casualmente", vendia, morangos! Era a tenda do seu José, onde pedi abrigo e comecei a comer umas bananas. Era mais ou menos 10h. Para Tainhas, restavam 60 km e mais 30 para São Francisco de Paula. Daqui há pouco, seu José me entrega uma bela caixa com morangos enormes. Ao perguntar o quanto lhe devia, este me disse que seria o pagamento por eu estar ali naquelas condições.
Aceitei e acabei comendo a caixa toda de morangos, segui viagem. Logo, cheguei à Jaquirana. Havia uma estrada à direita, que indicava acesso para Canela. Um morador local me disse que a estrada era de chão, quase 40 km, passando pelo Passo do Inferno. Com aquele tempo chuvoso, para mim,seria complicado. Segui pelo trajeto inicial. A chuva diminuía, aumentava, mas nunca parou. Como em muitos trechos, a estrada tinha poças de água e meus freios estavam ruins, reduzi o ritmo e isso me fez perder tempo.
Carros realizando ultrapassagens no sentido contrário se tornaram constantes e também um problema. Motoristas imprudentes, que faziam ultrapassagens apertadas na chuva, quase vindo para o lado em que eu estava rodando. Por volta de 14h cheguei ao Café Tainhas. No estado que eu estava, nem quis entrar. Fiquei ali fora mesmo. Comi bananas, barras de cereal e mais gel energético. Nisso, chega um carro, com bicicletas sobre ele e um rapaz com sua família, que me disse chamar-se Jean e que, em Caxias, tinha uma loja de equipamentos esportivos e ciclismo (Guenoa).
Este, naquele dia, tinha ido realizar o reconhecimento de uma trilha, que seria feita agora na virada do ano, descendo de Caxias até o litoral. Conversamos um pouco, trocamos contatos e dali, segui viagem.
Agora, estava na RS 020. Isso, com mais ou menos 114 km rodados. A estrada está um pouco mal conservada. Com muitas poças de água, os banhos causados pelos carros em ambos sentidos já nem causava incômodo. Até era bem natural! O trânsito era maior, em função do retorno do feriado.
Cheguei em São Francisco de Paula por volta de 17h, com 148 km rodados. Lá, fui à Rodoviária (não desceria a serra do jeito que estava e com os freios falhando). Para Porto Alegre, tinha um ônibus 18h30min. Dali fui ao Corpo de Bombeiros, onde tenho alguns amigos e pedi a gentileza de tomar um banho. Nisso, lavei roupas, tênis, tudo. Arrumei toda a bagagem e literalmente, fiquei um tempo no vento, "secando".
Voltei à rodoviária, com chuva, molhado, mas sem aquela areia incômoda nas roupas. Peguei o ônibus, que era do tipo "pinga-pinga". Sentei no fundo. A bicicleta no bagageiro e eu ali, molhado, ouvindo rádio pelo celular, comecei a relaxar e nem liguei muito para o ônibus que enchia a cada parada. Nos primeiros quilômetros de descida, abriu um fenomenal sol. Quase pedi para descer! Mas pensei comigo "por hoje está bom". Se não fosse a chuva, ainda faria mais 120 km até em casa. Chequei em Porto Alegre por volta de 21h15min. Quase três horas de ônibus. A roupa estava quase seca e meu ciclo computador havia parado de funcionar.
Cheguei em casa após rodar ainda 7 km da rodoviária até minha casa. Após, uma janta com muita massa e, para fugir da rotina, uma cerveja! O sono foi dos mais restauradores. Acordei no dia seguinte inteiro e apesar de ter tomado quase 10 horas de chuva a ponto de ficar com as mãos e pés "enrugados", não tive maiores conseqüências.
Este último dia, pode-se dizer que foi a "indiada" do ano. Mas depois de concluída e ver todos os obstáculos superados, fica uma sensação muito boa. Ainda espero voltar a fazer esse trajeto, mas em melhores condições.
Mais uma vez, meus agradecimentos a todos que colaboraram para que eu chegasse ao meu destino, sejam os antigos ou novos amigos, que pelas estradas, vamos conquistando, deixando um pouco de nós com eles e trazendo um pouco deles conosco.
Fonte:
Rodrigo Hart Fagundes Cidade:
Porto Alegre-RS-Brasil Fotos: Rodrigo Hart Fagundes Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 28/12/2007
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