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Rodrigo Ventura realizou uma volta pela América do Sul, de moto, percorrendo 10 países ao longo de 412 dias, com início no dia 11 de março de 2007 e término em 01 de junho de 2008. Confira a terceira parte:
2 de abril de 2007
Saí ontem, domingo, de Registro por volta das 10:20 da manhã e segui bem devagar pela estrada rumo a Morretes. Esse trecho da 116 está bem esburacado e é bom tomar cuidado.
Na serra que divide os estados de São Paulo e Paraná, virei na reserva e senti um alívio em saber que, caso precisasse, teria ainda 7 litros de combustível no galão extra, pois são poucos os postos de combustível na serra. Na hora lembrei da expedição "Na Rota do Vento", quando passei por um aperto exatamente nesse trecho da viagem.
Passando por mais uma divisa, logo estava na entrada da Graciosa, me lembrando mais uma vez da expedição de 2004, quando atravessei a graciosa debaixo de uma chuva fina e constante que deixou a estrada de paralelepípedo mais lisa do que o mais puro sabão. Agradeci aos céus por estar em uma situação diferente. Não que o dia por aqui estivesse ensolarado, na verdade estava nublado, mas entre uma brecha e outra o sol aparecia para iluminar o meu caminho.
Desci direto até o rio Mãe Catira onde pretendia reencontrar um barraqueiro que conheci em 2004, o Toni. É que na época queria comprar um pacote de balas de banana, mas, como não tinha dinheiro trocado, ele disse que eu poderia levar o pacote e pagar da próxima vez que passasse por aqui. Portanto, tinha que passar lá para acertar a conta.
Para minha decepção encontrei uma barraca abandonada e, como hoje, muitas pessoas vem para a estrada para fazer churrasco nos espaços reservados e tomar banho de rio, no local da sua barraca tinha um daqueles carros com aparelhagem de som que custa o triplo do próprio carro tocando: "Vai ter festa lá no meu ap...". Antes que chegasse no "pode aparecer vai rolar..."eu acelerei minha princesa em direção ao meu próximo objetivo: encontrar o Sr. Irineu, dono de uma outra barraca, onde tomei um caldo de cana na expedição anterior.
Foi fácil de achar, pois sua barraca é a primeira logo após o Mãe Catira. Por mais incrível que pareça ele disse se lembrar de mim, só que pelo que ele lembrava eu estava numa moto preta. Era exatamente isso, eu estava na minha pequena. Ele me disse que o Toni largou a barraca e foi para São Paulo trabalhar com antenas parabólicas.
Já ele continuava na mesma simpatia, simpatia essa que acompanha seus doze anos como barraqueiro. Para não perder o costume, tomei meu caldo de cana e depois da prosa segui em direção a Morretes. Com todo cuidado, pois a estrada está bem cheia e os pontos de acesso aos rios completamente abarrotados de gente.
Passei por dois camping's antes de chegar na cidade e, caso não encontrasse um em Morretes seria fácil voltar. Sendo um belo domingo de tempo bom, Morretes estava lotada e, como já era quase duas da tarde, o estômago já estava nas costas, segui direto para o Madalozo para reencontrar o Nenê, garçom, e o Leleco, maitre e patrimônio do restaurante onde trabalha há 37 anos.
No restaurante conversei um pouco com o Leleco e ele me disse que tinha uma equipe da TVM de Ponta Grossa fazendo uma matéria no restaurante. Gentilmente o Leleco me levou até a mesa e me apresentou a Cléo Teixeira, apresentadora do programa. Falei para ela da viagem e antes de terminar a frase ela mandou que eu sentasse e pediu que o câmera começasse a filmar. Mais uma entrevista divulgando a expedição.
Depois da entrevista eles me convidaram para almoçar e ficamos conversando sobre diversos assuntos. Ela deixou a promessa de me mandar o programa e disse que o mesmo tem previsão de ir ao ar em quinze dias. É um programa bem descontraído que fala sobre tudo e, esse que estava sendo feito, seria sobre viagens, por isso ela ficou muito satisfeita com a feliz coincidência. Eu mais ainda, pois além da entrevista ganhei um almoço. O caixa da expedição agradece.
Como pretendo sair da cidade hoje, segunda-feira, resolvi ficar em uma pousadinha bem simples da cidade indicada pelo Ronaldo, gerente do Madalozo. A pousada é bem nova e a diária custa apenas R$ 20,00. Como não tive custo no almoço, isso ficaria facilmente dentro do meu orçamento. Depois de deixar as coisas na pousada saí para fazer umas fotos, comprar o famoso chips de banana que eu amo e dar uma passada na lan house para acertar algumas coisas no site.
Voltando para a pousada atualizei minha planilha com os dados financeiros e aproveitei para criar um planejamento diário da expedição. Até agora não tinha parado para fazer isso e já estava mais do que na hora. A idéia é planejar sempre os 10 dias seguintes conforme as cidades de interesse. Pelo meu planejamento, devo cruzar a fronteira com o Uruguai em uma semana, mas antes tenho que passar por Garopaba.
Fiz também a projeção de término da expedição e decidi projetar os 400 dias a partir do dia 29 de março, data do evento da ABRAM e da minha partida oficial de SP. Com isso, minha chegada em SP ficou exatamente para o dia 01 de maio de 2008, dia do trabalho. Uma ótima data para terminar a expedição. É amigos, vamos demorar um pouco mais para nos encontrarmos, mas é por uma boa causa, tenham certeza disso.
Hoje sigo para alguma cidade, são três opções: Joinville, Florianópolis ou Garopaba. Decido no caminho!
Fonte:
Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Cidade:
Morretes-PR-Brasil Fotos: Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 03/01/2008
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