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Rodrigo Ventura realizou uma volta pela América do Sul, de moto, percorrendo 10 países ao longo de 412 dias, com início no dia 11 de março de 2007 e término em 01 de junho de 2008. Confira a sexta parte:
16 de abril de 2007
"Hoje eu sou livre pra ser quem sou, livre pra ser quem... Sim, estou mais vivo e aprendendo a ser melhor pra mim, como o malabarista equilibrando entre o sim e o dom, a vida simples e bem realista com os pés no chão"...
Ontem, domingo a noite, estava ouvindo as músicas do Lê, ou melhor, do poeta Leandro Fregonesi, e ao ouvir "Arranho um Sim" - uma música sua inédita feita em parceria com Mônica Besser - notei que essa parte retrata exatamente como estou me sentindo agora. Livre, livre para ser exatamente quem eu sou buscar minha essência e vivê-la, sem vergonha de chorar ou de sorrir quando sinto vontade.
Estou vivo e aprendendo a cada dia, com um simples inseto ou com a complicada cabeça do homem, a ser melhor pra mim e conseqüentemente pra todos aqueles que amo. E assim, como um malabarista, vou me equilibrando entre a saudade e o desejo de buscar o desconhecido para, com esse equilíbrio e com os pés no chão, ver a vida passar, simplesmente passar com a certeza de estar sendo muito bem vivida.
A viagem está perfeita, mas não posso esconder que estou morrendo de saudade de todos! Não tenho me sentido só, muito pelo contrário, mas é natural que a saudade apareça quando nos afastamos de quem nós amamos, basta aprender a conviver com ela, a dominá-la, por isso posso afirmar: estou bem, muito bem!
É uma covardia tentar falar os nomes, mas tem um grupinho especial que faz uma falta: Tato, Fabi, Carol, Manuca, Thaís, Rafa e Fernanda, Bruninho, A.P., Vitor, e é claro, Eric, Leandro e Carol, direto de Portugal. Ora pois!!! Vocês foram responsáveis por muitas alegrias, vocês completaram meus dias do último ano que passou e acompanharam esse sonho desde o primeiro dia do seu planejamento. Obrigado por fazerem parte da minha vida! Vocês fazem falta.
Passei a semana acampado no Parque Nacional de Santa Teresa e aproveitei para conhecer suas belezas e seus arredores, além de todos os tipos de insetos existentes.
O parque é muito bem estruturado e é parada obrigatória para quem passa pela rota 9. Sua imensidão consegue fazer com que você desligue do mundo ouvindo, ora o barulho dos pássaros, ora do vento nas árvores, ora das ondas do mar. Um lugar maravilhoso!!! Todas as praias do parque são praticamente juntas, divididas apenas por algumas pedras ou pequenos morros com trilhas rápidas. Outro dia tive a oportunidade de ver alguns lobos marinhos perto da praia, nadando e pulando de um lado para o outro, eram lindos.
Pelas redondezas conheci o balneário Punta Del Diablo, uma vila com estrutura rústica e ruas de terra que abriga aproximadamente mil moradores e no verão chega a receber mais de 20.000 visitantes. Seguindo ao sul, entrei pela rota 10 e fui até a entrada do Cabo Polônio, uma área de preservação ambiental habitada por pouquíssimas pessoas.
Para chegar lá é obrigatório pegar um veículo 4 x 4 em uma das agências. O preço da passagem é de 120 pesos, R$ 11,00, ida e volta. O lugar é lindo!!! Paguei R$ 1,50 para subir os 132 degraus do farol e ver a vila de cima, realmente um passeio de tirar o fôlego, primeiro pelas escadas e depois pelo visual. Ontem, domingo, fui conhecer a Fortaleza de Santa Teresa por dentro. Um belo passeio histórico.
Hoje pela manhã aconteceu de tudo. No final eu já tava rindo de tão engraçada que estava a cena. Arrumei tudo no camping e ao tirar minha barraca, tinha nada mais, nada menos do que um escorpião escondido sob a lona. Comecei a colocar a bagagem na minha Princesa, como o piso do parque é areia, o descanso afundou e ela acabou virando. Esvaziei tudo e consegui colocá-la de pé sem ter que pedir ajuda.
Fiquei muito feliz com isso. Era algo que já deveria ter testado, mas sempre batia aquela preguiça. Mudei então ela de lugar e coloquei na estrada de terra, um lugar plano e firme, só que o aventureiro desastrado parou ao lado de uma pequena valeta de areia, em resumo, coloquei tudo outra vez e quando fui subir, meu pé não alcançou o chão do outro lado por conta da valeta, ela caiu pro outro lado e ainda por cima soltou o retrovisor. Patético!!!
Já estava morrendo de calor, fome, sede e completamente comido pelos mosquitos. Comecei a rir sozinho, pois nessas horas rir é o melhor remédio. Esvaziei tudo outra vez e fui levantá-la todo crente que conseguiria, mas ledo engano. A inclinação do terreno piorava, e muito, a minha trágica situação e tive que sair pelo parque pra pedir ajuda.
Achei um oficial do exército e rapidamente a colocamos em pé. Depois foi só prender e regular o retrovisor, colocar a bagagem, mas agora em outro ponto da estrada, e estava listo para tentar sair mais uma vez. Ufa, finalmente consegui.
Segui rumo a saída secundária do parque e ao sair ninguém me cobrou nada pelos seis dias de camping, uns R$ 45,00. Quanta hospitalidade! Só falta agora eu causar um incidente diplomático!
Depois desse breve sufoco, fui ao Chuí para pegar uma encomenda no correio e depois voltei ao Uruguai e segui viagem. Agora estou na pequena e linda La Paloma onde fico dois dias e depois continuo até Piriápolis ou sigo para a também pequena Atlântida.
Fonte:
Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Cidade:
Punta Del Diablo-Ex-Uruguay Fotos: Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 16/04/2008
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