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A expedição Ushuaia- Bariloche 2006, de 05 a 27 de janeiro de 2006, foi realizada por Olir Mocelin e mais 4 participantes. Confira a segunda parte desta aventura:
Começava a chover, ventava e fazia frio quando, ainda na rodoviária, começamos a montar as bicicletas e a bagagem para irmos até o camping. Sorte que a chuva durou apenas uns 20 minutos mas o vento continuou.
Na rodoviária um número muito grande de mochileiros, principalmente jovens - rapazes e moças, com suas mochilas enormes, causando espanto pelo volume que carregavam. Ficavam praticamente submersos, mochilas com 30 a 50 cm acima da cabeça, curvados sob o peso.
Montamos as bicicletas e pedalamos 600 metros até um lindo camping ATSA onde pagamos $ 5,00 por pessoa com água quente e fogão. Eu tive que fazer duas viagens com a minha carretinha para transportar toda a bagagem até o camping. No camping, turistas se locomovendo de variadas maneiras: ciclistas, motoqueiros, carros, mochileiros, sozinhos, em grupos, com a família e das mais diversas procedências.
À noite nossa primeira janta acampados. Às 22 horas, por causa da claridade, resolvemos dar uma volta pela cidade. A surpresa foi ver um cidadão carpindo, àquela hora, o terreno da casa. Por volta da meia-noite, quando estávamos uns 2 km do acampamento, fomos surpreendidos por uma chuva fria. Chegamos às barracas todos molhados.
Uma noite bem dormida nos deixa com boa disposição. A temperatura dentro da barraca variou de 9 graus ao deitar a 3 graus de madrugada, mas quando levantamos, às 9 horas, o termômetro já marcava 14 graus. Inaugurei o colchão auto inflável e mais dois sacos de dormir, um de -4 graus e outro de +5 graus por dentro do primeiro. Um travesseiro inflável completou o conforto. Foi a primeira vez que dormi numa barraca como se estivesse numa cama.
Café e almoço preparado pelo mestre Ricardo, exímio cozinheiro com experiência de cozinha internacional na Carretera Austral no Chile e agora na Argentina. Na parte da tarde fizemos uma pedalada pela cidade e levamos a bicicleta do Armando numa oficina para consertar o cabo de câmbio traseiro que estava solto. Por onde o Armando passava, pedalando na sua reclinada, chamava logo a atenção.
O pessoal parava na rua para admirar a nova engenhoca. Enquanto esperávamos pelo conserto da bicicleta, alguns usaram a Internet. O Olir, Ricardo e eu fomos até uma casa de montanhismo SONECA onde fiz amizade com o dono da loja, o Sr. José. Ele simpatizou comigo pela aventura que íamos fazer e me ofereceu um ótimo desconto numa barraca que custava $ 542,00. Cobrou apenas $ 300,00. O Ricardo foi o felizardo, pois a barraca era para ele.
Comprei uma blusa, segunda pele de $ 88,00 por $ 69,00. O Sr. José Fernandez, 56 anos, gosta de aventura e nos deu algumas dicas valiosas de como pedalar na região da Patagônia. Num dado momento ele olhou para mim e disse que eu era um homem bom. Senti-me lisonjeado, mas não consegui compreender porque ele simpatizou tanto comigo.
Às 20 horas chegaram três motoqueiros de Uruguaiana. Dois com 64 anos e um mais jovem com 42 anos. A nossa intenção era dormir cedo para acordar às 5:30h, mas os gaúchos conversaram alto até de madrugada. Como se isso não bastassem, os dois velhotes que dormiam numa barraca a meu lado, roncaram a noite inteira. O Armando disse que não conseguiu dormir.
Talvez seja por este motivo que o Nino levantou às 5 horas. Eram 7:45h quando partimos para a rodoviária com as bicicletas super carregadas. Uma bela surpresa nos aguardava. Ao fazer o chek-in soubemos que o ônibus não transportava as bicicletas. Já passava das 8 horas. Tivemos que deixar a bagagem e levar as bicicletas até uma transportadora para despachá-las para Ushuaia. Depois de tanta correria, finalmente resolvemos o problema e chegamos à rodoviária às 08h40minh.
O ônibus, que usava uma grade de proteção contra pedras no para brisas, estava completamente lotado de turistas, mochileiros e aventureiros das mais diversas origens: alemães, canadenses, argentinos, chineses - um deles professor de história -, brasileiros -paulistas, mineiros, amazonenses e outros não identificados.
A paisagem era quase a mesma: imensas planícies cobertas de vegetação rasteira, grandes rebanhos de ovelhas e um pouco de gado e cavalos. Vimos pássaros que não identifiquei, guanacos de diversas cores - brancos, pretos, amarelados e alguns em duas cores. Estâncias e casas com suas cores contrastantes: brancas, verdes, amarelas, azuis.
Fonte:
José Olir Mocelin Cidade:
Bariloche-EX-Argentina Fotos: José Olir Mocelin Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 07/01/2008
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