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Expedição Anehembi : 800km! Um rio, um caiaque e um homem. Acompanhe o relato do dia 02 de agosto de 2007 e veja as fotos dessa expedição histórica pelo lendário Tietê.
02/08/2007
Logo cedo as sete da manha levantei, tomei meu café da manhã e fui carregando o caiaque em uma água gelada. Fui ajudado pelo Sr. Antonio o vigia que ali ficou a noite toda e por dois pescadores que foram muito prestativos, Jairzinho e seu irmão. Os dois irmãos vem todo ano da Bahia para trabalhar na temporada das tilápias por aqui e pescam também no rio São Francisco.
Sob as bênçãos desses valentes trabalhadores parti no dia 02 de Agosto com a intenção de eclusar em Ibitinga ainda naquele dia. Pedi que os dois dessem um abraço ao Zelão pescador que me cedeu um banho e um otimo jantar em sua casa na noite anterior e que já havia saido de madrugada para seu oficio.
Nesse dia a remada transcorreu bem porem o sol estava de matar mesmo sendo inverno os dias eram muito quentes. As 15:00 cheguei na barragem de Ibitinga bem cansado.
Confesso que consegui o impossível, apoiando o remo em uma enorme moita de aguapé me recostei no caiaque e cochei enquanto aguardava a autorização para eclusagem, pois a havia uma grande embarcação terminando a operação de jusante para montante (de baixo para cima da represa).
Essa foi a minha sorte, pois essa eclusa é famosa por ficar mais de um quilometro de vegetaões aquaticas encostadas em suas parede e impedindo a aproximação de embarcações de pequeno e médio porte na eclusa.
Havia muita vegetação e a enorme barcaça abriu um caminho aquatico para mim, e assim fui entrando na camara da eclusa rapidinho antes desse pequeno canal criado pela barcação se fechar. A hidrovia funciona a todo vapor com o transporte de grãos e todo tipo de insumos para todo estado, durante o dia cruzei com varias barcaças.
Sai da câmara as 16:10 e adentrei o temido reservatorio de Promissão, conhecido pelas enormes ondas e que já estava até assustado de tantas histórias ouvidas. Remei então cerca de oito Km procurando um ponto para pernoite.
Passei por varios ranchos, mas não avistei ninguém, apenas um unico senhor que estava fazendo uma cerca na beira do rio comprimentei-o e nem me deu bola, ainda me despedi e então continuei. Estava exausto e as margens estavam ruins de achar um bom lugar para acampar. Foi ai que surgiu mais um anjo, o pescador Dirceu.
Avisto um barco ao longe que vinha em minha direção, ele havia terminado sua lida de correr suas redes e avistou o grande caiaque amarelo de longe. Havia visto as matérias televisivas de minha partida e disse que até estava me aguardando.
Se prontificou em arrumar um ranchinho que fica sob seus cuidados, porém a 3 Km em sentido contrário, ou seja teria que voltar 3 Km. Confesso que quase não aceito de tão cansado por ter remado naquele dia 57 km .Ele então ofereceu uma corda para um reboque, não costumo aceitar mas naquelas condições, cansado e com a bela ofertar...então aceitei.
Lá fomos nós, ele muito cuidadoso e eu muito apreensivo com o caiaque repleto de tralha todo cuidado é pouco. Rebocou -me até o ranchinho simples, mas muito confortável, onde tiramos as tralhas e o caique da água pude tomar um banho quente. Conheci ali e pude "prozear" um pouco com seu, Wilson um Paulistano que vive sozinho ali com seus cachorros, deixou a mulher em São Paulo e vive só ali.
Dirceu se prontificou ainda em ligar pra minha esposa da vilinha onde mora, Cambaratíba, pois naquele local onde estava o celular não funcionava.
Fiz meu jantar tranquilo e comi muito bem, logo em seguida fui dormir bem antes das oito. Não retirei o material de pernoite então usei um colchão velho e uma pequena cobertinha surrada que havia ali, com as portas abertas do ranchinho adormeci olhando a noite.
Fonte:
Nilton Zerlin Cidade:
Barra Bonita-SP-Brasil Fotos: Nilton Zerlin Publicado: Berenice Correa Date: 07/01/2008
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