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Rodrigo Ventura realizou uma volta pela América do Sul, de moto, percorrendo 10 países ao longo de 412 dias, com início no dia 11 de março de 2007 e término em 01 de junho de 2008. Confira a décima oitava parte:
11 de julho de 2007
Bem que dizem que tudo que é bom dura pouco. Realmente parece que a semana voou. Foi muito bom contar com a companhia da minha mãe nessa semana. Na última quinta aproveitamos o bom tempo para passear um pouco mais por Buenos Aires. Caminhamos, andamos de metrô e quando não tinha outra opção pegávamos um táxi aproveitando os bons preços desse meio de transporte aqui em Buenos Aires. Uma parada obrigatória é San Telmo, o bairro mais antigo de Buenos Aires. Repleto de antiquários e com construções antigas, esse bairro que ainda conserva suas ruas de paralelepípedo é um verdadeiro túnel do tempo.
Na sexta pela manhã pegamos o Bukebus, o barco que faz a travessia entre Uruguai e Argentina, e fomos para Colônia Del Sacramiento. Lá alugamos um carro, passeamos pela cidade e seguimos no mesmo dia para Montevidéu. Chegamos à noite na capital uruguaia e, devido ao horário, nossa reserva no hotel tinha caído, mas conseguimos a indicação de um outro hotel bem no centro e podemos ficar tranqüilos. No sábado, com o baita frio que fazia devido a chegada de mais uma frente polar, pegamos o carro e fomos até Punta Del Este. De lá seguimos para La Barra e Manantiales, de onde voltamos para passar em Punta Balena, almoçar em Piriápolis e terminamos o dia em Atlântida visitando a querida família Lanza. Foi bom matar as saudades desses grandes amigos que fiz nessa expedição.
No domingo, andamos um pouco pela feira Tristan Navajo, mas o frio realmente estava muito forte. Acho que depois do frio que passei ao sair de moto de Bariloche eu agüento qualquer coisa, mas minha mãe estava congelando. Voltamos para o hotel, pegamos o carro e fomos passear pela cidade apreciando a paisagem da "rambla". Fomos almoçar no Mercado do Porto e aproveitamos para comemorar meu aniversário no El Palenque, o mesmo restaurante onde comi na expedição de 2004. A comida, como sempre, estava deliciosa. No final da tarde recebi a inesperada visita dos Lanza que me trouxeram um presente de aniversário. Ficamos um bom tempo conversando e depois nos despedimos sem saber quando poderemos nos reencontrar.
Na segunda acordamos cedo, acabamos de arrumar as coisas e depois do café seguimos para a estrada. Deixamos Montevidéu às 7:40h e tínhamos que chegar em Colônia até as 9:30h para fazer alfândega e embarcar com calma para no bukebus das 10:30h, por isso aproveitei a boa condição da estrada, mantendo uma velocidade em torno de 130Km. A viagem estava tranqüila e apreciávamos a paisagem, porém, há uns 30Km do nosso destino, eis que surge um simpático policial rodoviário fazendo sinal para que parasse. Chiiii...
- Bom dia. Habilitação por favor. - pediu ele.
Entreguei o documento achando que era apenas uma parada de rotina, mas logo em seguida veio a célebre frase:
- O senhor excedeu o limite de velocidade. Depois do pedágio ele cai de 110Km/h para 90Km/h e o senhor passou a 127Km/h.
A primeira coisa que pensei foi "ih, dancei - belo presente de aniversário". Ele pediu para que saísse do carro. Tudo levava a crer que ele pediria uma "pequena ajuda de custo" para não me multar. Enquanto ele fingia ler a carteira de motorista esperando que eu fizesse a célebre pergunta "não tem outra forma de resolvermos isso?", comecei a falar da expedição terminando com uma mensagem clara de que não tinha muito dinheiro. Pedi para ele ver o valor da "dolorosa" e quase chorei: aproximadamente R$ 500,00. Apelei então pro lado emocional do nobre policial dizendo que era meu aniversário e que aquele era um inesperado presente, mas terminei com o que todos gostam de ouvir: "mas não tem jeito, eu errei e você está certo, tenho que pagar". Ele me olhou e disse:
- Bem, pra te ajudar, posso colocar a menor velocidade acima do limite e com isso a multa vai pra algo em torno de R$ 150,00.
Apesar de ser um valor ainda alto respirei aliviado e agradeci ressaltando a característica simpatia do povo uruguaio que sempre está disposto a ajudar. Acho que esse foi o "cheque-mate". Ele me olhou com um pequeno sorriso nos lábios e disse que dali pra frente eu tinha que respeitar o limite, mas que iria me ajudar colocando aquela parada apenas como uma verificação de documentos. Respirei aliviado e sorri. Essa passou perto.
Chegamos em Buenos Aires e passamos o nosso último dia juntos aqui na Argentina. No final da tarde a mãe natureza ofereceu um raro espetáculo de neve em plena capital. Depois de 89 anos voltava a nevar em Buenos Aires e exatamente no dia do meu aniversário. Que presente.
Ontem levei minha mãe até o aeroporto e nos despedimos. Aproveito para agradecer a minha mãe pelo presente de aniversário. Foi muito bom ter sua companhia por esses dias e poder matar um pouco da saudade. A expedição volta a ser solitária, mas por pouco tempo.... No domingo a Carol chega e, além disso, descobri que outro grande amigo está vindo para Buenos Aires e chega no mesmo dia. Vamos fazer bagunça na capital!!!
Ontem me mudei do hotel para o albergue que, por sinal, está infestado de brasileiros. Ontem fizemos uma grande bagunça assistindo o jogo do Brasil pela semi-final da Copa América e depois fomos comemorar a vitória em uma boate que fica bem perto. Hoje é dia de torcer contra a Argentina, mesmo sabendo que, com a equipe que levaram, dificilmente voltarão para casa sem o caneco dessa vez. Mas a esperança é a última que morre!!! Pra frente Brasil... Mas só uma última pergunta: De onde saiu o Fernando, o camisa 18 da "seleção"???
Fonte:
Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Cidade:
Buenos Aires-EX-Argentina Fotos: Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Publicado: Mariana Bittencourt Fraga Date: 11/07/2008
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