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A expedição Ushuaia- Bariloche 2006, de 05 a 27 de janeiro de 2006, foi realizada por Olir Mocelin e mais 4 participantes. Confira a oitava parte desta aventura:
19 de janeiro de 2007 - Puerto Natales Torres del Paine
Deixamos Puerto Natales às 7:30 do dia 19 e chegamos em Torres del Paine às 12:30h. Descemos na primeira entrada, Laguna Amarga, para acampar perto das Torres. Montamos as bicicletas e levamos uma hora para percorrer os sete quilômetros que nos separavam do camping.
O vento contra e algumas subidas dificultavam a pedalada. No caminho via-se a figura impressionante das montanhas. A estrada toda de rípio, em grande parte era ladeada por flores de camomila. O cheiro de mel que desprendiam era alegre e transmitia entusiasmo.
Este primeiro camping é muito grande e bonito. Havia uma centena de barracas armadas, todas atrás de algum arbusto para se proteger do vento forte que sopra sem parar. Mas ainda havia espaço para mais algumas centenas delas. Atravessamos quase o camping inteiro até encontrar um lugar protegido e perto de uma mesa livre. O preço do camping é de 3.500,00 pesos chilenos, algo assim como sete dólares.
O ambiente era espetacular. Parte das torres apareciam ao fundo. Depois de montar as barracas e comer alguma coisa, saímos para a nossa primeira caminhada. Para chegar até a base foi feito muito esforço. Foram 3 horas de trilha bastante difícil, sobretudo os últimos 45 minutos por cima das pedras num aclive muito forte. O espetáculo que nos aguardava compensou todo o esforço. Chegamos à base das torres quando já passava das cinco da tarde. Valeu a pena. A visão é impressionante: as 3 rochas de granito e na base um lago de águas azuis/esverdeadas, transparentes.
Do alto, viam-se outras montanhas e muitos lagos nas suas bases e com aguas de diversas cores: azuis, esverdeadas ou outros tons mais claros de acordo com a composição das mesmas. No caminho muitos turistas de várias nacionalidades e idades: crianças, jovens e mais idosos. Todos iam até onde suas pernas agüentavam - os mais idosos olhavam de mais distantes. Os jovens, morro acima até a base. Todos com expressões felizes pelo que viam.
A volta foi bem mais fácil. Chegamos ao camping às 21:30h, com o sol alto.
20 de janeiro de 2007 - Passeio de bicicleta pelo Parque Torres del Paine
O dia foi reservado para pedalar. Deveríamos levantar cedo para pedalar mais de 40 km até chegar no barco que nos levaria até o Glaciar Gray, mas só conseguimos sair do camping as 10 horas. O Nino furou outra vez o pneu dianteiro. Resolveu tirar o Mr. Tuffy. Mais alguns minutos e furou o pneu traseiro. Era o quinto furo.
Ele já estava desesperado. Já tinha substituido o pneu pensando que havia algum objeto escondido que provocava o furo. Só então descobrimos o motivo dos furos. O Mr. Tuffy tinha sido colado com fita adesiva. Houve um deslocamento da fita e furava a câmara sempre no mesmo lugar. Removemos a fita adesiva, recolocamos o Mr. Tuffy e não houve mais problemas.
Mesmo com as bicicletas sem carga, foi bastante difícil enfrentar as grandes subidas e o vento contra. No caminho encontramos um grupo de ciclistas italianos e espanhóis, acompanhados de um micro ônibus que ia recolhendo os que se cansavam pelo caminho. Conversamos e tiramos fotos juntos.
O Nino e o Ricardo desistiram aos 20 km. O Olir e eu continuamos mais 15 km e por volta das 15 hs, desviamos da ruta principal e escolhemos uma que assinalava "Salto Grande". Fomos para lá e a paisagem realmente era bonita: o lago despejava uma enorme quantidade de água límpida e azul, numa queda de uns 10 a 15 metros e que mais adiante voltava a formar um novo lago. Em "Salto Grande" uma nova placa informava sobre uma trilha para "Los Cuernos" e vista dos glaciares, há 1 hora de caminhada.
Para ganhar tempo resolvemos pedalar pela trilha que além de ser muito estreita ainda tinha uma vegetação com espinhos nos dois lados. Eu fui na frente e o Olir ficou para trás com medo de furar o pneu já que na lateral são muito finos. Chegamos até o início de uma subida forte onde não se podia mais pedalar. Escondemos as bicicletas ao lado do lago e seguimos a pé.
Na volta percebemos que as bicicletas estavam escondidas de quem ia para o atrativo e bem a vista de quem voltava. Ainda bem que os turistas não tinham interesse em pedalar na trilha. A paisagem a beira do Lago Nordenskjold e sob a montanha "los cuernos" era muito linda. Lá encontramos uns 4 turistas no topo do mirante e conversamos com um canadense. Os demais turistas ficavam numa plataforma mais abaixo.
O Olir estava preocupado com a volta pela trilha. Dizia que ia ter que levar a bicicleta nas costas e coisa e tal. Eu disse:
- Olir, por que se preocupar com uma coisa que ainda não aconteceu? Você sofre duas vezes. Uma por imaginação fantasiando algo que não existe e outra se realmente houver dificuldades.
Ao voltamos a trilha ficou tão fácil que só paramos três vezes.
O regresso para o camping foi com vento a favor. Apenas duas grandes subidas mas nem sentimos cansaço porque o vento nos empurrava morro acima. Na ida o vento era tão forte que numa descida a bicicleta passou de 27 km/p para 20 km/h num piscar de olhos.
À noite, no acampamento, deixamos a bagagem pronta para partir bem cedo no dia seguinte. Como não conseguimos chegar até o Glacial para tomar o whisky resolvemos bebê-lo puro mesmo. Bebemos meia garrafa e todos ficaram bastante alegres. Para não carregar mais peso, oferecemos a garrafa a um grupo de jovens que estavam acampados
Fonte:
José Olir Mocelin Cidade:
Torres del Paine-EX-Argentina Fotos: José Olir Mocelin Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 10/01/2008
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