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A expedição Ushuaia- Bariloche 2006, de 05 a 27 de janeiro de 2006, foi realizada por Olir Mocelin e mais 4 participantes. Confira a nona parte desta aventura:
21 de janeiro de 2007Torres del Paine - Cerro Castillo
O relógio despertou às 4:45h. Ainda era escuro. Queríamos sair às 6:00 horas mas só conseguimos deixar o camping às 7:20h! a viagem até Cerro Castillo foi tranqüila. Um dia magnífico com sol, céu aberto e sem vento. De manhã cedo o termômetro marcava 0 graus. Ao meio dia, pedalando no sol, chegamos a 34 graus. O consumo de água foi mais do que o previsto.
Na última parada, quando faltavam apenas 10 km para chegar a Cerro Castillo, fiz sinal para um turista acenando com a garrafa. Ele não percebeu o sinal. Seguiu adiante, mas logo parou e voltou para perguntar se precisávamos de água. Que alívio! Era um turista alemão num carro chileno. Apanhou um garrafão de 5 litros e encheu as nossas caramanholas com água mineral.
Como prevenção, para a próxima etapa compramos uma garrafa de refrigerante de 3 litros e mais duas de litro e meio. Como já tínhamos uma de dois litros o problema da água estava resolvido par o dia seguinte.
Na loja de souvenir fomos informados de que podíamos acampar na praça da cidade. Lá havia um bom espaço e banheiros, sem chuveiros, mas com pia para nos lavar. Conosco acampou James, um ciclista chileno, que nos contou sobre suas viagens. O que achamos também interessante, foi os alforjes alemães que usava: práticos e muito bons para o cicloturismo. Deu inveja.
Mostrou-nos outras ferramentas e um raio flexível para uso emergencial que dispensava o desmonte da roda para fixá-lo.
Junto ao camping as árvores retorcidas nos davam a dimensão do vento forte que predominava na região. Felizmente, naquele sábado, o dia estava agradável, apesar do frio da noite.
22 de janeiro de 2007Cerro Castillo - El Cerrito
Eram 8:15h quando chegamos na aduana chilena que ficava a 300 metros da praça onde tínhamos acampado. Enquanto preenchíamos os documentos de entrada apareceu um forte vento acompanhado de um início de chuvas. As nuvens negras no horizonte nos deixavam preocupados. Foi preciso usar uma blusa por causa do frio - uns 5 graus - e a capa de chuva.
Aproveitamos para tirar uma foto na fronteira chilena e seguimos adiante. Mais 8 km e chegamos na aduana argentina. O vento soprava forte e lateral na estrada de ripio. Ao completarmos 15 km chegamos na Ruta 7 e, para nossa surpresa, era asfaltada e com vento a favor. A viagem ficou tão gostosa que o Nino se animou e disse que estaria disposto a pedalar até El Calafate. As retas e ventos nos fizeram percorrer uns 40 km em pouco tempo. Sem tocar no pedal a bicicleta andava a uns 15 km/h. Pedalando chegamos a atingir acima de 50 km/h, velocidade em que o vento se anulava.
No caminho encontramos 2 grupos de ciclistas que nos disseram ser italianos. Como vinham no sentido contrário faziam muita força contra o vento. Também nos disseram que haviam se enroscados e um deles foi hospitalizado com a clavícula quebrada. Andavam somente com mochilas hidratantes e um micro ônibus dando suporte. Fácil né?
Ao meio dia já tínhamos chegado no nosso destino. No trevo da Ruta 7 com a 40 paramos para lanchar e encontramos 2 ciclistas franceses. Um deles com vestimentas da "legião estrangeira": turbante, bermudas e botinas. A roupa castigada pela poeira. Estavam se dirigindo para Ushuaia e não pretendiam conhecer Torres del Paine, apesar de passarem bem próximo. Disseram que o objetivo era exclusivamente chegar em Ushuaia.
Ali iniciava a ruta 40 com 70 km de ripio até chegar na Ruta 5 que também era asfaltada. Como todos estavam animados com o vento a favor, resolvemos seguir viagem até o Distrito Policial a 50 km de distância. Chegamos no Posto Policial às 17:30h. Não havia ninguém. O único lugar para acampar era dentro do quintal.
Comemos, descansamos e depois de uma hora de espera resolvemos enfrentar os últimos 20 km que nos separava da Ruta 5. Assim poderíamos chegar no dia seguinte em El Calafate. Já passava das oito horas quando chegamos ao Posto El Cerrito. Fomos muito bem recebidos pelo Sr. Ivan que trabalha no posto. Junto com ele estavam de passagem o irmão, a mãe e toda a família que mais tarde viajou para El Calfate.
Como o vento esta forte, o Sr. Ivan nos sugeriu acampar atrás de monte de canos e tambem nos ofereceu uma casa abandonada de uns 2,50 x 4m na parte baixa do terreno a uns 100 metros da residência. Para evitar armar as barracas resolvemos dormir ali mesmo. Limpamos a casa, fechamos a janela com tábuas e a porta com um plástico. Dormimos no chão com muito conforto e protegidos do vento e do frio.
Fui até a casa do Sr. Ivan para buscar água quente. Ele convidou-me a entrar. A mesa estava preparada para o jantar. Um cordeiro enorme e bastante frango. Desviei o olhar mas não pude suprimir o olfato. Era difícil reprimir a tentação depois de um dia de pedalada com 124 km sendo 85 km de ripio. Fui até o fogão e esperei que a água fosse aquecida.
Com as garrafas cheias de água quente dirigi-me à porta de saída. Foi então que o irmão do Sr. Ivan - que antes tinha se admirado da minha coragem ao saber que eu já ia completar 62 anos de idade - me convidou para comer um pedaço de cordeiro. Agradeci e disse que tinha que levar a água aos companheiros.
- Os seus companheiros podem esperar, disse-me ele.
Diante da insistência aceitei o convite. Comecei a comer um delicioso pedaço de cordeiro assado. Depois veio o pão, a maionese, o suco e uma cadeira para me sentar. As crianças curiosas me rodearam e fizeram um monte de perguntas. Foi o jantar mais delicioso de toda viagem, pelo menos nunca me sairá da mente. Seja pela comida deliciosa acompanha da fome, seja pela acolhida fraterna do pessoal.
Os companheiros esperavam pela água quente que a esta altura já estava morna. Ao chegar ao acampamento contei a novidade e disse que não tive como recusar o convite.
A esta altura eles já tinham preparado a mesa para fazer o jantar mas faltava o isqueiro que estava comigo. Acenderam os fogareiros e começaram a preparar o miojo. Eu declinei da minha parte pois já estava satisfeito.
Passaram-se alguns minutos e ouvi uma voz de menina em cima do barranco:
- Senhor! Senhor!
Fui atender e deparei-me com mais uma agradável surpresa. As crianças traziam uma grande bacia cheia de cordeiro, frango e pão para os meus colegas. Que maravilha. Fazia tempo que não comíamos um pedaço de carne. Os três comeram tanta carne que até sobrou o miojo.
Terminado o lauto banquete forramos o chão com plásticos e preparamos os sacos de dormir para mais uma noite bem dormida.
Fonte:
José Olir Mocelin Cidade:
Torres del Paine-EX-Argentina Fotos: José Olir Mocelin Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 10/01/2008
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