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A expedição Ushuaia- Bariloche 2006, de 05 a 27 de janeiro de 2006, foi realizada por Olir Mocelin e mais 4 participantes. Confira a décima parte desta aventura:
23 de janeiro de 2007 El Cerrito - El Calafate
Oito horas da manhã, depois de nos abastecer com um pouco de água do Sr. Ivan, que também a recebia pelo caminhão trazida há uns 40 km de distância, nos despedirmos e iniciávamos mais uma etapa que sabíamos ia ser difícil. Tínhamos que vencer 98 km de asfalto. Em condições normais seria uma maravilha mas como a estrada subia sempre e o forte vento contra não dava tréguas, a viagem virou um tormento para todos.
O vento constante irrita a gente. O Olir saiu na frente puxando os demais numa velocidade de 13 km/h. Eu ia atrás e percebi que nesta velocidade com o vento forte alguns companheiros não iriam resistir na parte da tarde. Pedi para baixar a velocidade para 9 km/h. No começo acharam que era muito lento, mas depois de algumas horas perceberam que era o máximo que conseguíamos fazer naquelas condições.
Depois de 60 quilômetros de subidas intermináveis, lutando contra o vento, finalmente chegamos ao mirante com uma linda vista do Lago Argentino. Uma pausa merecida. Fotos, comida e bebida. Ficamos animados ao ver uma placa informando "Cuidado - longo declive de 8 km". Como o Nino tinha se destacado na descida no dia anterior, com vento a favor, pedimos para ele ir à frente. Iniciamos a descida, mas tínhamos "freio a vento".
As bicicletas não andavam. Era preciso pedalar forte para conseguir descer. O Nino ficou para trás. Eu passei à frente com o meu carrinho que se comporta muito bem no vento. O máximo que consegui atingir na descida foi 28 km/h. Em alguns trechos, dependendo da direção da curva, era preciso mudar para uma marcha leve, de subida, para que a bicicleta não parasse.
Tínhamos informação de que o vento parava às cinco horas da tarde para recomeçar às dez horas do dia seguinte. Paramos um longo tempo na esperança de que o vento contra acalmasse. Mas tal não aconteceu. Continuamos a penosa marcha vencendo metro a metro numa velocidade de 5 a 7 km/h. Os últimos 20 km foram exaustivos, especialmente para o Nino - "estava tão exausto que mesmo empurrando a bike continuava trocando as marchas". Tivemos que rir.
Quando finalmente conseguimos entrar na cidade já passava das nove horas da noite. Foram onze horas para fazer 98 quilômetros. Pedalamos 9:30 h numa velocidade média de 10.3 km/h, no asfalto. A média do dia anterior, com 85 km de ripio, tinha sido de 16.1 km/h.
Antes de ir para o Camping o Olir e o Ricardo entraram no supermercado La Anônima para comprar comida. Tiveram que esperar que o pão fosse assado. Eu e o Nino esperamos na calçada para cuidas das bicicletas. Muita gente se aproximava para admirar a minha carretinha. Alguns pediam para tirar foto junto comigo. Fiquei famoso. Não é sempre que se vê um "velhinho" com mais de 60 anos pedalando por aquelas regiões.
Enquanto esperávamos pelos dois que só saíram às dez da noite, eu fui até o Camping Los 2 Pinos e reservei um lugar para as quatro barracas. É o único camping da cidade que possui cozinha compartilhada. O lugar é ótimo e fica a apenas três quadras do centro da cidade. Quando acabamos de jantar, já passava de uma hora da madrugada.
24 a 26 de janeiro - El Calafate (Glacial Perito Moreno) - Partida
O café da manhã foi às nove horas. Fomos até a rodoviária e compramos a passagem para visitar Perito Moreno. O Nino mudou a data de volta do dia 4 de fevereiro para o dia 26 de janeiro. Conseguiu uma passagem de avião pela Aerolineas Argentina. O Olir comprou a passagem de avião para o dia 4 de fevereiro. O Ricardo ia viajar no dia 27 de ônibus para Rio Gallegos onde pegaria o avião para Buenos Aires. Eu sobrei.
Ao meio dia comemos uma deliciosa parrillada livre com bufet ao preço de $ 18,00 por pessoa, regado a vinho. Aproveitamos o dia para acessar a Internet e gravas as fotos num CD para liberar as memórias das máquinas. Na parte da tarde fizemos um passeio ciclístico pela beira do lago. Como o vento era muito forte e irritava muito, o Nino voltou do meio do caminho. Pedalamos apenas 8 km em uma hora.
A cidade de El Calafate estava repleta de turistas. É simpática e os preços são razoáveis. Muitas lojas destinadas aos turistas - souvenires e prática de esportes nas montanhas, neve, acampamento, etc. Restaurantes pequenos e confortáveis, pousadas e hosterias bonitas, ruas movimentadas de turistas com suas roupas pesadas e coloridas de inverno. Muitos automóveis do tipo jipões e camionetas. A principal atração da região são os glaciais, em especial o Glacial Perito Moreno, distante 80 km do centro da cidade.
No dia 25 conhecemos o tão badalado Glacial Perito Moreno. Levamos duas horas e meia par percorrer 80 km de ônibus. Dentro da área do parque havia muitas máquinas trabalhando na estrada. Os últimos 30 km são de ripio e vai ser asfaltado.
Depois de uma visita rápida de meia hora pelos mirantes do Glacial voltamos ao ônibus que nos levou até o porto onde fizemos um lindo passeio de barco de uma hora. Chegamos a uns 100 metros da parede norte do glacial. Um espetáculo imperdível. Pagamos $ 38,00 por uma hora de passeio, mas valeu a pena. Dentro do barco conseguimos um copo com gelo do glacial e na saída comemoramos o evento tomando wiskhy com gelo de 1.000 anos. O Ricardo tinha levado uma garrafinha, comprada no Chile. Terminado o passeio voltamos à parte superior e tivemos três horas para contemplar, de vários ângulos, as maravilhas do glacial.
A expedição estava praticamente chegando ao fim. Com a volta do Nino e do Ricardo, eu e o Olir decidimos pedalar até El Chalten, uma distância de 240 km de ripio. O Olir comprou a passagem de volta de ônibus onde iria pegar o avião no dia 4 de fevereiro mas não se sentia à vontade para pedalar somente os 2 naquela região tão agreste com vestuário inadequado para tempo ruim, especialmente no caso da chuva.
Eu deveria seguir em frente com um roteiro ainda por definir. Pretendia tomar o barco em El Chalten e seguir até Villa O'Higgins onde termina a Carretera Austral. Iria fazer todo o resto da viagem sozinho. Durante a viagem de volta de Perito Moreno para el Calafate decidimos ir até El Chaltem no dia seguinte, de ônibus, e retornar depois de 4 a 5 dias. Deixaríamos as bikes no camping.
Na agência de viagens não conseguimos a passagem para mim no dia desejado - entre os dia 1 a 4 de fevereiro. Durante a consulta por lugares no avião fomos informados de que só havia passagens para o dia seguinte, 26 ou março. Debaixo do sufoco para decisão acabamos optando por embarcar no dia 26, cancelando nossos planos para El Chalten.
Enfim, arranjamos motivos para um dia retornar ao plano de viajar de Ushuaia até Bariloche. Eu estava tão perto de conseguir um dos maiores eventos de minha vida. Foi difícil, mas a decisão foi tomada. Era o fim da expedição. Ainda não foi desta vez que conheci Fitz Roy e El Chalten. Será par a próxima. Enquanto há vida há esperança.
Às 22:30h fomos ao restaurante para comemorar o final da expedição com um delicioso jantar com muita carne de "cordeiro patagônico" e um bom vinho argentino.
A noite de despedida do camping foi extraordinária. Durante toda a noite soprou um vento muito forte. A barraca balançava de todos os lados. Alguns dormiram pouco com medo de serem enrolados na barraca pelo vento. Quando acordei a minha barraca estava totalmente solta. Só não saiu do lugar porque estava com toda a bagagem dentro. A do Olir foi protegida com a mesa e bancos do Camping. A do Nino teve a parte superior arrancada.
Fonte:
José Olir Mocelin Cidade:
El Calafate-EX-Argentina Fotos: José Olir Mocelin Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 10/01/2008
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