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Rodrigo Ventura realizou uma volta pela América do Sul, de moto, percorrendo 10 países ao longo de 412 dias, com início no dia 11 de março de 2007 e término em 01 de junho de 2008. Confira a vigésima parte:
11 de agosto de 2007
Nosso último passeio em Malargue foi ao Parque Nacional da Payunia, um parque com mais de 830 vulcões localizado a uns 250Km ao sul de Malargue. Ainda bem que todos já estão fora de atividade. Eu e Carol fomos com nossos amigos Fernando e Sebastian mais o nosso guia, conhecido pelo apelido de K-cho. No caminho para a Payunia paramos mais uma vez em La Passarela. Dissemos ao K-cho que já tínhamos passado por lá, mas ele disse que certamente não conhecemos como deveríamos conhecer.
Ele estava certo, muito certo, certíssimo. Não tinha acreditado quando ele disse que poderia colocar a mão na água. Que privilégio!!! Logo depois saímos da estrada principal, a rota 40, e entramos em uma secundária que nos levaria por 100Km ao parque. O caminho é um verdadeiro labirinto impossível de ser passado sem um guia ou sem um GPS, mas isso desde que você já tenha todas as marcações já no aparelho.
Como o nosso guia temia, assim que entramos realmente no parque nos deparamos com um grande problema: uma alta camada de neve cobria o caminho de terra. A primeira solução que pensamos era desviar do caminho e seguir pela terra ao lado, mas o K-cho disse que se fizermos isso pode passar um guarda-parque e nos multar. A solução foi descermos do carro enquanto o Sebastian se passava para passar com as dicas do nosso guia.
Conseguimos passar mas a alegria durou pouco, pois logo mais a frente o caminho estava completamente fechado. Deixamos o carro e fomos caminhando. Demos a volta pela base de um dos vulcões e chegamos em um mirante onde podíamos observar vários vulcões, um ao lado do outro. Fiquei imaginando se algum dia todos entraram em atividade juntos e como teria sido isso.
Depois desse mirante voltamos para o carro e pegamos um caminho secundário. A idéia era chegar na base de um vulcão de 2400m que, segundo o K-cho, poderíamos subir ao topo se tivéssemos disposição. Mais uma vez encontramos o caminho fechado pela neve e tivemos que caminhar um bom pedaço. Na base do vulcão tínhamos uma vista espetacular do parque e do imenso canal de rocha que, segundo nosso guia, marca o início do rio de lava formado pelas erupções.
O K-cho perguntou se queríamos chegar ao topo e todos dissemos que sim. O caminho era bastante acidentado e perigoso, pois um simples escorregão poderia nos levar por uma bela ribanceira. O solo, com muitas pedras, facilitava os escorregões constantes, até mesmo do nosso guia. Quando parava para respirar e olhava ao meu redor me dava conta do quanto nós, seres humanos, somos pequenos e fracos perante o poder da mãe natureza.
Logramos La Cumbre. Chegamos ao cume. Segundo o K-cho a Carol foi a sétima mulher estrangeira a chegar lá. Que lugar fascinante. Que presente dos céus. Um momento inesquecível. Estava no topo do meu segundo vulcão. O primeiro foi o Villa Rica em 2004 com mais de 3.000 metros e ainda em atividade. Ficamos lá em cima por um tempo tirando fotos e olhando o horizonte. Nossa, que lugar!!! Que lugar!!!
Domingo, dia 29, de volta a Buenos Aires depois, das 16 horas de ônibus, fomos conhecer a famosa feira de San Telmo, um dos bairros mais antigos da capital. Na feira você pode encontrar antiguidades, artesanato, roupas e outras coisas mais. Pelas ruas, artistas apresentam seus espetáculos em troca de algumas moedas. A atmosfera do lugar faz você se sentir completamente fora da cidade. Um passeio imperdível.
No dia seguinte, fomos à Colônia Del Sacramento no Uruguai. Você pode até dizer que nos últimos meses eu fui três vezes para Colônia, mas vai por mim... Vale muito a pena!!! Como tínhamos apenas algumas horas para ficar na cidade, pois chegamos às 9:30h e nosso barco sairia de volta às 16h, alugamos um carrinho de golfe e fomos andar pela cidade. Dessa vez eu entrei na Plaza De Los Toros, lugar de antigas touradas.
Na terça a Carol foi embora e tenho que confessar que a despedida não foi fácil. Numa expedição nem tudo é alegria, por isso tive que me conformar me conscientizando que minha Expedição Solitária recomeçava e estava na hora de voltar a andar Pelas Curvas da América.
Decidi ficar na cidade por mais duas noites para poder ir ao show do Marcelo D2, afinal gosto muito da mistura de rap com samba e seria uma bela oportunidade vê-lo cantar na capital do tango. Na quarta fui pegar minha princesa na revisão. Estava preocupado, afinal já tinha 30 dias que ela estava por lá. Mas, felizmente, não tive problemas. Ela estava revisada, banhada e me esperando para recomeçar nossa expedição. Foi bom ouvir o barulho da partida do motor outra vez e voltar a sentir o vento batendo no rosto. Senti uma grande diferença ao dirigí-la, sinal de que a revisão tinha sido muito bem feita e ela estava tinindo para a estrada.
Sendo assim, não posso deixar de indicar a Excess Motos de Palermo. Eles ficam na Raúl Scalabrini Ortiz 659 e atendem no telefone 4777 7663. Se estiver na cidade e precisar de uma revisão é só procurar os caras. São honestos, com bom preço e são "re buena onda". No show do D2, muito bom por sinal, tive a sorte do Falcão, vocalista do Rappa, estar na casa e aceitar o convite do Marcelo para dar uma "palhinha". O público, formado na maioria por brasileiros, foi ao delírio.
Na quinta-feira passada tirei as teias da aranha do meu mapa rodoviário e voltei pra estrada seguindo em direção a Rosário, cidade que fica a 300 Km da capital Buenos Aires. A cidade é uma graça e pude deixar a moto guardada e andar por suas ruas. O monumento da bandeira é visita obrigatória.
No monumento, pagando 1,50 pesos, pude subir por um elevador para ver Rosário por cima. O Rio Paraná deságua no Rio da Plata ao sul da província de Entre Rios que, exatamente por estar entre esses dois rios, recebe esse nome. Embaixo no monumento existe uma sala com bandeiras de vários países do mundo. Qual o critério para a bandeira estar lá eu não sei, mas sei que a verde e amarelo marca presença.
Passei um final de semana muito agradável em Rosário. Aproveitei para caminhar pela beira do rio, visitar suas feiras e apreciar sua antiga arquitetura. Muitos moradores de Buenos Aires tiram o final de semana para viajar até a cidade e passar uma ou duas noites longe do estresse da capital. No verão, a cidade também fica cheia e oferece diversas opções de diversão náutica, além de um bom pescado em um dos restaurantes que ficam a beira do rio.
Depois de três noites na cidade, ontem dei a partida e segui para leste, cruzando a província de Entre Rios até a cidade de Colón. De lá, segui para norte até o Parque Nacional El Palmar. Só pra constar: no caminho fui parado 4 vezes pela Polícia Rodoviária. Daí...
Por sorte, falando da expedição sem dar tempo do policial abrir a boca, consegui sair três vezes sem nem ao menos mostrar os documentos. Apenas em uma que não teve jeito, mas felizmente ele queria só os documentos mesmo.
Chegando no parque consegui alugar por 30 pesos um pequeno trailer para passar a noite. O lugar é muito bonito e lembra bastante o Parque Nacional de Santa Teresa no Uruguai, com a grande diferença de que aqui estou na beira do rio e lá estava na beira do Atlântico. Antes do anoitecer, peguei a moto e fui explorar o parque.
Segui meu passeio e fui até um mirante para apreciar melhor o fim de tarde. Na terça pela manhã deixei meu aconchegante trailer e voltei para a estrada rumo Mercedes de onde fui, depois de algum sufoco, conhecer o impressionante Esteros Del Iberá, o Pantanal argentino, mas isso eu deixo pra próxima semana.
Fonte:
Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Cidade:
Malargue-EX-Argentina Fotos: Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Publicado: Fernanda Cristina Gonzales Ferreira Date: 11/08/2008
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