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Rodrigo Ventura realizou uma volta pela América do Sul, de moto, percorrendo 10 países ao longo de 412 dias, com início no dia 11 de março de 2007 e término em 01 de junho de 2008. Confira a trigésima primeira parte:
Continuação do dia 16 de janeiro de 2008
No dia seguinte levantei acampamento e segui em direção a Nazca, já bem próximo ao litoral. Na viagem contei com a companhia de 5 brasileiros que conheci em Cusco e que estavam viajando em uma caminhonete desde Rondônia. Como iam fazer o mesmo caminho aproveitamos para viajar junto. A viagem não foi nada fácil, mas já era de se esperar, pois, mais uma vez, estava cruzando a cordilheira. Subimos e descemos várias vezes.
Uma hora estávamos a apenas 2.000m e pouco depois já tínhamos passado dos 4.500m do nível do mar. Isso aconteceu várias vezes. As curvas eram muito fechadas, caracóis de respeito. Pra piorar, no meio do caminho, quando estávamos no ponto mais alto, 4.650m, uma chuva forte começou e logo vi que a água tinha se transformado em gelo.
Era uma chuva de granizo, ou melhor, uma FORTE chuva de granizo. Apesar de toda proteção dada pela minha roupa eu sentia a força das pedras que caiam por todos os lados. Senti que a moto estava começando a deslizar e reparei que a pista estava também coberta de gelo.
A última vez que tinha atravessado o gelo tinha sido no inverno patagônico e agora, em pleno verão, estava eu novamente lutando para me equilibrar. A essa altura já fazia mais de meia hora que não via o carro dos brasileiros. Tinham ficado para trás, tinham diminuído a velocidade sensivelmente. Eu estava com tanto frio que me limitei a baixar a velocidade apenas o suficiente para não perder o controle da moto. Tinha muito gelo. Assim que comecei a descer o tempo melhorou e parei na primeira cidade que vi para tomar um chá e esperar meus companheiros de viagem.
Chegaram 15 minutos depois e assustados com o que tinham passado. O carro, mesmo com a tração nas 4 rodas ligada, derrapou 3 vezes. Eles não acreditavam que eu tinha conseguido passar e pra falar a verdade, nem eu.
Em Nazca a grande pedida é sobrevoar as famosas linhas em um monomotor. O passeio é muito legal, mas tem que ter muito estômago para agüentar as manobras radicais que o piloto faz para que os passageiros possam ver da melhor forma as Linhas de Nazca. Até hoje as linhas são um mistério. Os pesquisadores conseguem ter uma idéia de como eram feitas mas não conseguem dizer ao certo qual era a sua utilidade e muito menos como desenharam um macaco, já que nunca houve macacos naquela região. Mistérios que só o passado conhece a resposta.
De Nazca voltei finalmente para o litoral. Fui para Paracas uma reserva natural marinha do Peru. A pequena cidade é linda mas está, em grande parte, destruída pelo terrível terremoto de 7,9 graus que destruiu a cidade vizinha, Pisco, em 15 de agosto de 2007. Em Paracas relaxei a beira do Pacífico e fiz um passeio de barco para conhecer a reserva e seus belos animais marinhos e aves. Estava de volta ao calor e estava com saudades disso!
Sair de Paracas não foi muito fácil, pois, a moto estava carburada ainda para altitude e por isso não queria pegar. Tive que empurrar e só no tranco consegui sair. O próximo desafio era chegar a Lima sem deixar o motor apagar ou teria que fazê-la pegar com todo peso da bagagem, o que não seria muito fácil. Consegui, ou melhor, quase consegui. Chegar a Lima deu certo o problema foi conseguir chegar até Miraflores com o caótico trânsito da capital peruana. Não teve jeito e o motor da moto apagou várias vezes.
Cada vez que isso acontecia, eu sofria para fazê-lo voltar a funcionar e ainda tinha que contar com a compreensão dos nada compreensíveis motoristas peruanos. Mas depois da aventura a parte e com alguns quilos a menos graças ao esforço sobrenatural que fazia cada vez que tinha que ganhar velocidade para dar o bendito "tranco", consegui chegar ao hostel que ficaria, no lindo distrito de Miraflores. Cheguei em Miraflores no último dia 07 e desde então estou aproveitando para caminhar pela cidade e conhecer um pouco de Lima.
Em Miraflores descobri um bar brasileiro, o Alô Brasil. Lá conheci pessoas muito legais como a Sibele, dona do bar que, inclusive, me convidou para saborear uma bela feijoada na última 5ª feira. A feijoada, ótima por sinal, foi preparada por um de seus amigos, o Ricardo. Ele cantava na banda baiana Cheiro de Amor e no início do ano passado decidiu fazer carreira solo pelas terras peruanas. Arriscou e não se arrepende nem um pouco. Vindo a Lima, você já sabe, não deixe de conhecer o Alô Brasil na Rua das Pizzas em Miraflores. Solo brasileiro em terras peruanas.
No último sábado aproveitei o dia de sol e fui caminhar pela tranqüila orla de Miraflores.
No domingo fui com a Mayte, namorada do Alexandre, e um casal de amigos a uma praia no sul. Foi um ótimo dia na presença de simpáticos peruanos. A moto ainda está na oficina onde foi devidamente carburada. Depois disso descobrimos que o pistão, trocado na Bolívia, tinha quebrado e tinha que ser trocado. Aproveitei também para trocar os discos de embreagem que estavam bem queimados e soldar a parte traseira do chassi que tinha quebrado depois dos buracos da estrada de Chivay para Cusco. Serviço completo!
Devo pegá-la amanhã e aí sim poderei seguir com a expedição, ou pelo menos é isso que espero. Mais uma vez obrigado pela companhia e um feliz 2008. Que seja um ano de bastante aprendizado e evolução para todos nós!
Hasta luego...
Fonte:
Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Cidade:
Nazca-EX-Peru Fotos: Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Publicado: Fernanda Cristina Gonzales Ferreira Date: 16/01/2008
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