|
Com o objetivo de realizar a Expedição Solitária em 2007/2008, Rodrigo Ventura realiza uma prova de fogo entre ele e sua moto no dia 01 de maio de 2006, partindo do Rio de Janeiro rumo a Foz do Iguaçu. Confira a segunda parte preparação:
Foram 18 horas que levei para percorrer os 1.480 Km entre Rio e Foz. A previsão inicial era de algo em torno de 14/15 horas! A viagem foi quase tranqüila. Quase porque em São Paulo a minha menina acendeu a luz de temperatura quando estava rodando pela Castelo Branco a toda.
Baixei a velocidade para 110/120 Km/h e consegui rodar sem que a luz acendesse, mas nessa velocidade não chegaria a Londrina (onde tem autorizada) a tempo de pegá-la aberta e por isso decidi esticar até Foz do Iguaçú, independente da hora que chegaria. Nisso descobri que não podia baixar de 100 Km/h ou ela superaquecia por falta de ventilação. O problema seria passar pelas cidades pequenas sem frear e também explicar para o policial rodoviário paranaense que eu estava vivendo meio que uma situação de Velocidade Máxima e por isso não respeitava os limites de velocidade!!!
Mas consegui chegar. Tudo bem que já era mais de uma da manhã, mas cheguei. No dia seguinte deixei a moto na autorizada e voltei na parte da tarde. Segundo eles, tudo não passava de um erro do mecânico da Suzuki do Rio que revisou minha moto. Eles explicaram que o tal mecânico, ao completar o fluido de arrefecimento, teria deixado ar no sistema e com isso a bomba jogou todo o líquido para fora, gerando assim o superaquecimento.
Completaram o líquido e disseram que não precisava mais me preocupar. Rodei por Foz no sábado e aparentemente tudo normal. Mal sabia o que me esperava no dia seguinte...
Bem, agora vem a parte mais trágica de todas. Caso você sofra de profunda paixão por motos, consulte seu médico antes de ler!
No domingo, saí de Foz exatamente as 05:30 da manhã, ou 06:30 pelo horário de verão. Abri bem o motor para ver se a temperatura se mantinha, aproveitando que ainda estava perto de Foz. Ao passar pelo primeiro pedágio, reparei que a luz vermelha de temperatura acendeu e, menos de 10 segundos depois, apagou. Achei que isso pudesse ter acontecido por alguma bolha de ar, ou sei lá o que, uma vez que o líquido tinha zerado e depois fora completado, podendo com isso ter causado algum "distúrbio sensorial". Fiquei de olho, mas ele não voltou a acender.
Minha preocupação ficou por conta do consumo nessa parte da viagem. Rodando a 150/160 Km/h, na primeira parcial entrei na reserva fazendo uma média de 12 Km/l. Achei que pudesse ser a qualidade da gasolina em Foz, apesar de ter abastecido em um posto Ipiranga. Diminuí a velocidade para diminuir o consumo, uma vez que não via posto pela frente e, infelizmente, a gasolina acabou antes que o posto chegasse, fazendo uma média de 11 Km/l na reserva.
Empurrei um pedaço e consegui fazê-la pegar no plano. Empurrei mais um pouco e por sorte cheguei em um posto "genérico". Passado o susto, segui viagem em direção a Curitiba, escolhendo por um caminho diferente do feito na ida.
Optei por acelerar e o consumo ficou na casa dos 14/15 Km/l, mas precisava testar a temperatura de uma vez por todas. Cheguei bem em Curitiba e pelas minhas contas chegaria no Rio por volta das 20:30, ou seja, as 15 horas estimadas inicialmente.
Saindo do Paraná, entrei na serra e o drama começou. A luz de temperatura acendeu novamente, porém agora estava na serra, com um trânsito infernal e sem acostamento, ou seja, não conseguiria usar a mesma tática da ida de rodar a 120 para manter a Boulevard resfriada e não conseguiria parar sem uma boa dose de risco. Rodei até achar um acostamento e parei por um tempo para ver se ela esfriava.
Depois de uns 20 minutos parado no meio do nada e sem ter o que fazer, voltei para a estrada com a luz apagada. Foi um alívio, porém mal sabia que seria apenas por um tempo, logo ela voltou a acender. Peguei um pedaço de pista liberado e consegui subir a velocidade e com isso resfriar o motor com o vento da serra. Mas mesmo assim a luz continuava acesa. Como o celular ainda não tinha sinal, a única saída era continuar. Mais a frente começou a descida e consegui ficar em ponto morto por um tempo, o que fez com que a luz apagasse novamente. Mas o pior ainda estava por vir...
Depois disso, a luz de temperatura ficou intermitente, acendendo e apagando, e, devido ao cenário, optei por arriscar e chegar pelo menos em SP. Entrando na cidade e com a luz ainda intermitente, a moto começou a morrer notei o motor sujo de óleo. Chegava ao fim a Prova de Fogo.
Parei no primeiro posto que vi, liguei para a seguradora e acionei o reboque. Em meia hora ele já estava lá e um táxi me aguardava para me trazer de volta ao Rio. Confesso, sem a menor vergonha, que ao ver aquela cena não consegui segurar as lágrimas. Foi triste!!! Queria muito viajar com a Boulevard pelas curvas da América, mas não posso arriscar uma expedição tão longa dessa forma.
Alguns podem achar que "dei mole" em ter forçado, mas já era mais de cinco da tarde, o celular não pegava e por isso tinha que arriscar... Nessas horas nosso processo de tomada de decisão fica sensivelmente afetado e nosso instinto de sobrevivência fala mais alto!!!
Chegando ao Rio deixei a moto na Suzuki e eles alegaram que tudo não passou de uma fatalidade. Trocaram as peças e ela ficou "novinha em folha". Mas a confiança foi abalada e o próximo passo era buscar uma nova moto para a viagem.
E essa foi a Prova de Fogo!!!
Fonte:
Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Cidade:
Rio de Janeiro-RJ-Brasil Fotos: Rodrigo Ventura - Expedições Solitárias Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 01/05/2008
<%insert_data_here%>
|
|