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1ª Etapa da Copa União de Ciclismo - Rodrigo H. Fagundes

A 1ª Etapa da 4ª Copa União de Ciclismo aconteceu no dia 6 de janeiro de 2008, em Arroio do Sal/RS.

Fiquei sabendo da prova por intermédio de amigos e decidi participar da mesma uma semana antes da sua realização. Como não sabia como chegar na cidade, recorri aos mapas e conversei com amigos. Se não conseguisse carona, acabaria indo pedalando mesmo.

Nos dois dias anteriores, tentei carona, mas os amigos que eu sabia que poderiam ir, ou estavam com carro cheio ou não deram certeza se iriam. Desta forma, para não correr riscos, decidi montar uma operação de guerra, afinal, eram mais de 160 km de estrada até Arroio do Sal e se pretendesse competir, não teria como ir no dia. O plano seria fazer o trajeto em dois dias, sendo o primeiro Porto Alegre/Tramandaí e no segundo dia, Tramandaí/Arroio do Sal.

Como no litoral, em época de veraneio, é mais complicado conseguir locais para pernoite, ainda mais a bons preços, aproveitei o fato de ser aluno da UFRGS e consegui reserva na Colônia de Férias da mesma, que fica em Tramandaí, sendo que apenas tinha vaga para a ala coletiva, mas tudo que precisava era mesmo um lugar para dormir de sábado para domingo.

Reserva feita, foi a vez dos preparativos. Comprei gel energético e barras de cereais, além de frutas e isotônico. Na noite anterior, um amigo, o Antônio, que já pedala comigo há alguns anos, me disse que queria ir junto. Combinamos o encontro e saída por volta de 5h, já na RS-040, no posto que fica acima da "Lomba do Sabão".

Levei comigo 4 câmaras (sendo duas novas), um pneu sobressalente (sem arame, é fácil de transportar), bomba, remendos, chave de raios, extrator de corrente, óleo, espátulas, 2 faróis e pilha reserva. Não levei muita bagagem, resumindo meu material a duas pochetes, uma maior e uma pequena, além de duas caramanholas, barras de cereais e frutas.

No sábado, estou indo para o ponto de encontro e já na Avenida Bento Gonçalves, encontro o Antônio, que me comunica que não vai, pois estava sentido o joelho e assim, reprogramei minha saída para 7h, evitando assim o retorno do pessoal da noite.

Já na RS-040, começa uma fina chuva. O asfalto, vai ficando molhado, mostrando que antes da minha passagem, havia chovido forte. Em alguns pontos, nem chove mais, mas a água corre na pista...

Logo que passo o centro de Viamão, uma forte chuva começa e tenho que parar. Mais de meia hora até parar e o asfalto ficar melhor de rodar. Tinha o dia todo, portanto, não havia porque ter pressa ou correr riscos, com pista molhada. A previsão era "pancadas" e acabou se confirmando, mas logo vinha o sol. Ao longo da RS-040 peguei mais duas pancadas, sendo que, alguns quilômetros depois, nem parecia ter chovido.

Em Capivari do Sul, por indicação de amigos, pego à esquerda, a RST-101. Com 40 quilômetros, aproximadamente, é uma estrada plana, sem movimento, com bom asfalto, inicialmente áspero, mas depois, transforma-se no que podemos dizer "um tapete". Com vento lateral, às vezes a favor, a bicicleta deslizava silenciosamente.

Ao longe, eu via nuvens que passavam pela linha do horizonte, despejando mais chuva, mas onde eu estava havia sol. Lá pelo meio da estrada, mais uma vez o tempo fechou e tive que me abrigar. Logo, cheguei nas proximidades da Lagoa dos Barros. Esta estrada terminaria em Osório, dando acesso à Estrada do Mar. Sobre a lagoa, nuvens carregadas, mas onde eu estava, mais uma vez, sol...

Logo, começo a me aproximar de enormes "cata-ventos", os quais são responsáveis pela geração de energia usando o vento. Trata-se do maior parque eólico de geração de energia da América Latina. Cada torre tem, aproximadamente, 135 metros e cada hélice 37 metros, sendo que, incluindo a estrutura, utilizam 2.205 toneladas de material por gerador, segundo dados técnicos do projeto, que ao todo prevê 75 torres, que gerarão energia para abastecer uma população de 650 mil pessoas.

Quem sai da RST-101, tem a oportunidade de passar bem na frente de duas torres e observar um grupo de mais cinco, todas alinhadas. Estando embaixo delas, ouve-se o suave barulho do seu movimento, nos fazendo sentir um "Dom Quixote" dos tempos modernos.

Segui pela estrada, já um pouco cansado. Muito vento contra, até Tramandaí. Chegando lá, passo na colônia, me informo sobre almoço e vou para o calçadão, espiar o mar. Não cheguei a ir até a praia (para não perder a hora). Fiquei ali descansando e voltei. O almoço foi caprichado e após, fui visitar um amigo de longa data, ex-colega de trabalho. À noite, retornei por volta de 22h, após longa peregrinação para achar um caixa 24 horas, sem sucesso. A maioria ou estava estragada, ou não funcionava. Minha janta ficou por conta de um iogurte e frutas e após isso, por volta de 23h tomei um banho e fui deitar.

Meu dia começou antes do previsto. O despertador estava programado para 5h, mas 4:50h eu acordei e levantei. Como tinha deixado tudo organizado, comi frutas, uma barra de cereal e saí por volta de 5:50h. Tramandaí estava vazia. Em Imbé, algum movimento. Fui seguindo as placas que indicavam a estrada do mar. Inicialmente, o asfalto estava bem ruim. O acostamento chegava a ser melhor, mas com muitos detritos. Meu medo era furar pneu. Passavam poucos carros, mas por ser retorno do pessoal que sai à noite, procurei manter-me atento e sempre que algum carro se aproximava, entrava no acostamento.

Logo, cheguei na estrada do mar. O asfalto, simplesmente impecável e o vento às vezes lateral, às vezes até a favor contribuíram e aproveitei para forçar o ritmo. A previsão seria algo em torno de 55 a 60 km. No dia anterior, resolvi me informar com o pessoal da colônia de férias e as informações oscilaram entre 40 e 80 km (muito preciso!). Mas de fato, acho que não devo ter feito mais de 55 km (estou sem ciclocomputador). Em Atlântida, algumas pessoas paravam na estrada para ver o sol nascer (eu também), aproveitando para bater uma foto. Em Capão Novo, chuva forte, um contraste da época que me obrigou a baixar o ritmo, mas me manter na estrada, já que não dispunha de muito tempo. Mas logo parou e fui seguindo. Vários carros de equipes passavam por mim, mostrando que eu estava no caminho certo.

Cheguei em Arroio do Sal por volta de 8:30h. Ali, tempo fechado e para o lado do mar, o céu aparecendo. Um pouco molhado ainda, mas tudo certo. As inscrições estavam no começo. Consegui pegar os brindes e logo fomos para a pista aquecer e reconhecer o terreno. O asfalto não estava muito bom, também havia areia na pista em alguns pontos. Muita atenção nessas horas, mas nada que impedisse correr ou representasse risco.

Logo começaram as largadas. Eu, ansioso, esperava a minha. Não tenho prática de circuito e por isso, custo mais a fazer os retornos e retomar. Era minha primeira prova desse tipo. Como disse um amigo, preciso aprender a fazer o traçado e deixar a bike mais solta, frear menos, para desta forma, ter uma melhor retomada. Isso só com tempo. Também, com a quilometragem que eu estava, correr seria mais por experiência, deste modo, não me cobrei grande desempenho e nem estava na "adrenalina" de disputar espaços durante a prova.

Alinhamos. Largaríamos junto com a Mountain Bike. Na minha categoria, seríamos em oito. Já na largada, na primeira volta, eu fico um pouco atrás. O pelotão sai forte e eu, sem vácuo, demoro a retomar. Tentei forçar, mas senti a musculatura. Muita calma nessas horas, pois nesse momento, uma lesão pode acontecer. Comecei a girar rápido, sem forçar muito, para aquecer, já que havia passado um certo tempo desde o aquecimento. Com cinco voltas, estava mais de meia volta atrás do pelotão. Nisso, uma queda tira dois atletas e os cinco remanescentes começam a "passear", já que teoricamente, teriam seu podium garantido. Neste ponto, comecei a andar mais forte e baixar a diferença, de modo que na 17ª volta encostei. Por uma volta, fiquei descansando "na roda" dos demais. Na 18ª o pessoal baixou muito o ritmo e resolvi "fugir" (estava cansado, foi mais uma "brincadeira" mesmo, mas fui acompanhado e tive minha "fuga" neutralizada, já que não tive como manter, coisa que eu esperava). Na última volta, já na reta final, reparei que dois rapazes combinaram o sprint e saíram com uma mínima vantagem. Os demais acompanharam, mas não pude ver quem ganhou. Passaram quase juntos. Eu, nem cheguei a levantar. Apenas segui girando, passando a linha de chegada em sexto lugar.

As demais largadas foram acontecendo. Mais uma vez, o maior pega foi na categoria Open, vencida por Claiton Fadanelli, que fez uma ótima prova.

Logo após a premiação, resolvi ver se conseguia uma carona ou transporte. Todos os veículos estavam lotados e os que vendiam lugares já estavam sem vaga. Nisso, um amigo sugere que eu converse com o Eduardo, o organizador da prova. Este me diz que tem um lugar na Kombi, porém só retornariam no final da tarde e ele poderia me deixar em Taquara. Teria que pedalar à noite de Taquara à São Leopoldo e pegar o trem. Era esse o plano. Como tinha dois faróis, não seria problema. Almoçamos (um bem servido almoço que havia sido agendado no centro) e fomos para a praia. Lá encontramos outros participantes da prova e eu aproveitei, pela primeira vez nos dois dias, para ir ao mar e aproveitar um pouco a passagem pelo litoral.

Voltamos por volta de 19h para o restaurante e saímos pouco depois. O retorno foi tranqüilo, mas havia muito movimento. Eu inicialmente havia me preparado para encarar os mais de 160 km pedalando mesmo. Mas aproveitei para descansar. Chegamos em Taquara às 21:30h. Me despedi do pessoal e segui em frente. Só que nisso, o cansaço começa a pegar. Quando cheguei em Sapiranga, era mais de 22:30h (em uma hora fiz apenas 20 km). A musculatura estava "travada". Sendo assim, não teria como pegar o trem. Cogitei dormir na cidade, mas o pessoal não sabia de nenhum lugar por perto e algumas informações sobre pousada ou hotel que pedi não foram muito precisas. Abandonei a idéia e segui. Entrei na BR 116 por volta de meia-noite e nesse ponto, com ajuda de um gel energético e mais um cereal, o ritmo melhorou. O vento a favor ajudava. Cheguei em Porto Alegre por volta de 1:30h, extremamente cansado. Mal consegui tomar um banho e comer um rápido omelete, pão e leite.

No dia seguinte, acordei cedo e fui para o trabalho. Senti bastante a musculatura. Demorei uns dois dias para me recuperar totalmente, principalmente o sono atrasado. Fica a prova como experiência, mas o final de semana, como um todo, foi muito bom, principalmente pela viagem. E no final, tudo acabou dando certo, muito certo!

Fonte: Rodrigo Hart Fagundes
Cidade: Arroio do Sal-RS
Fotos: Rodrigo Hart Fagundes
Publicado: Mariana Bittencourt Fraga
DATA: 21/01/2008 <%insert_data_here%>

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